IMORTAIS GUERREIROS

ETERNIZANDO OS IDEAIS DE LIBERDADE

LULA NÃO FOI O PRIMEIRO PRESIDENTE BRASILEIRO A EMPRESTAR DINHEIRO PARA O FMI E CONTINUA A DSTILAR SEU PREONCEITO CONTRA GENTE BRANCA DE OLHOS AZUIS

LULA NÃO FOI O PRIMEIRO PRESIDENTE BRASILEIRO A EMPRESTAR DINHEIRO PARA O FMI E CONTINUA A DSTILAR SEU PREONCEITO CONTRA GENTE BRANCA DE OLHOS AZUIS

Por Rebecca Santoro

3 de abril de 2009 

Não sei até quando teremos que agüentar o nosso primeiro mandatário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, professar as mais descaradas ‘mentiras eleitoreiras’ (‘jogando para a platéia’, como se diz popularmente, formada por uma multidão de ignorantes – no sentido mesmo de ‘ignorar’, de ‘não saber’). Ontem, quinta-feira, em Londres, depois de ter participado da badalada reunião do G20, Lula disse, durante entrevista coletiva à imprensa, na embaixada brasileira, que "Gostaria de entrar para a história como o presidente que emprestou alguns reais ao FMI" (Fundo Monetário Internacional), referindo-se ao acordo entre os membros do G20 de fazerem, ao todo, uma concessão à entidade de US$ 1 trilhão. Completou ‘a mentirinha’ perguntando à platéia ‘gargalhante’: “Não é chique emprestar dinheiro ao FMI?”, querendo, naturalmente, insinuar que teria, digamos, ‘dado a volta por cima’ em relação à entidade, uma vez que, em sua juventude já teria participado de atos públicos, em São Paulo, carregando faixas de 'FORA FMI'.
 

Bem, a gente só não sabe se a platéia de entrevistadores estava rindo da ‘piadinha’ presidencial ou de sua ignorância (da de sua própria – da platéia - ou da do presidente).

 

Vamos aos fatos. Não só o FMI mas também o Banco Mundial (BIRD) foram organizações de caráter permanente e supranacionais - capazes de regular o sistema financeiro internacional - criadas em 1944, em plena II Grande Guerra, por 44 países ‘aliados’ ou ‘neutros’, reunidos em New Hampshire, nos EUA, na estância de Bretton Woods.  Lá estiveram representados: África do Sul, Austrália, Bélgica, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Checoslováquia, Dinamarca, Equador, El Salvador, Egito, EUA, Etiópia, Filipinas, França, Grécia, Guatemala, Haiti, Holanda, Honduras, Índia, Irã, Iraque, Iugoslávia, Libéria, Luxemburgo, México, Nicarágua, Nova Zelândia, Noruega, Panamá, Paraguai, Peru, Polônia, Reino Unido, República Dominicana, União Soviética, Uruguai e Venezuela.

 

A regulamentação que deu ‘vida’ às duas organizações entrou em vigor em 27 de Dezembro de 1945, depois que 29 países, depositaram 80% do valor das quotas para formar o "capital social" inicial do FMI. O Brasil fazia parte deste grupo de países, de forma que, EM 1945, FIZEMOS NOSSA PRIMEIRA ‘DOAÇÃO’ FINANCEIRA AO FMI.

 

Hoje o Fundo já conta com 182 países membros. Os principais recursos financeiros do FMI, portanto, vêm das cotas pagas pelos seus membros. Estas são determinadas por uma complicada fórmula que considera o PIB, as reservas oficiais em ouro, as divisas, os rendimentos e pagamentos correntes internacionais de cada país. Logicamente, portanto, os países que têm maiores cotas são os que também têm maior poder de influenciar as resoluções da instituição. O Directório Executivo do Fundo, por exemplo, possui 24 membros, dos quais somente 8 representam países (EUA (17,8% ), Alemanha (5,54%), Japão (5,54%), França (4,98%), Reino Unido (4,98%), Arábia Saudita (3,45%), Rússia (2,9%) e China (2,28%). Os restantes 16 membros representam grupos de países. O grupo formado, por exemplo, por Portugal, Itália, Grécia, Albânia, Malta e São Marino detêm 4,02% dos votos.

 

O Brasil integra um grupo de países latino-americanos em que o Diretor é brasileiro. Em março do ano passado, o FMI aprovou o aumento da participação em cotas do Brasil, depois de cerca de dois anos de análises. Outros 53 países dos chamados de ‘em desenvolvimento’ também foram contemplados com a decisão. O poder de voto do Brasil passou de 1,4% para 1,7%. Para isso, o país teria que ‘depositar’ no FMI o montante de US$ 2 bilhões que sairiam de nossos recursos orçamentários - e não das reservas internacionais -, ao longo de três ou quatro anos. Dessa forma, o país passaria a ter aplicado (ou emprestado) à instituição mais de US$ 12 bilhões.

 

Dessa forma, bem esclarecidos os fatos, Lula certamente entrará para História do Brasil por muitos outros motivos – quase todos bem distantes do que se poderia chamar de louváveis -, mas não por ter sido o primeiro presidente brasileiro a ter dado e/ou emprestado dinheiro ao FMI.

 

Não poderia deixar de falar também na troca de ‘prosopopéias elogiosas’ entre o presidente norte-americano Barack Obama e o brasileiro Lula. Obama foi nitidamente ‘debochado’ ao apontar, em clima de ‘descontração’, nosso mandatário como “That’s the Gay” (“Este é o Cara”) completando os ‘elogios’ dizendo que Lula seria ‘o presidente mais popular do mundo’ (o que, no caso, Obama sabe perfeitamente ser o próprio dono absoluto do título), ‘talvez por sua boa-pinta’ – puro deboche. Mas, como sempre, Lula não percebeu nada.

 

Na coletiva que deu na embaixada brasileira em Londres, depois da reunião do G20, ao comentar sobre Obama e sobre os ‘elogios’ recebidos, Lula disse que “Obama é como a gente...” “Se estivesse na Bahia, pensariam que ele é baiano; no Rio, pensariam que é carioca”. Toda a platéia de entrevistadores caiu na gargalhada. Quanta descontração, não é mesmo? Pois o que Lula disse não tem graça nenhuma. Novamente, e certamente sem perceber, reiterou seu preconceito contra ‘gente branca de olhos azuis’. Por que? Se Obama fosse branco de olhos azuis não poderia se parecer com um brasileiro qualquer? Por acaso por aqui não temos patrícios com estas características físicas? Não, para Lula, o cara se parece com a gente porque é mulato e gosta de viver soltando piadinhas (algumas pelas quais já teve de retratar lá nos EUA, diga-se) e frases eleitoreiras ao vento?

“GENTE BRANCA DE OLHOS AZUIS” EXPLICA MUITA COISA

“GENTE BRANCA DE OLHOS AZUIS” EXPLICA MUITA COISA

Por Rebecca Santoro
29 de março de 2009

Em discurso ao lado do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que estava sendo recebido no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a crise econômica mundial "É uma crise causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que, antes da crise, parecia que sabia tudo e, agora, demonstra não saber nada", referindo-se, é claro, aos especuladores dos países do primeiro mundo.

Sua já conhecida de todos nós falta de classe, desta vez, envergonhou e ofendeu gente no mundo inteiro: brancos de olhos azuis, por taxá-los de vilões inconseqüentes; negros e índios, por demonstrar uma percepção pessoal de que não sejam capazes de ocupar cargos e funções importantes no mundo das finanças.

Além disso, Lula falou como se nenhum país em desenvolvimento tivesse especulado, muito menos o Brasil de seu governo, é claro. Como se nenhum ricaço estrangeiro estivesse estado por aqui ‘investindo’ para lucrar com nossos juros astronômicos. Como se também não estivéssemos vindo adotando também (como que ocorreu nos EUA) o esquema de excesso de concessão de crédito fácil para o consumo, sem a preocupação de garantir o crescimento do setor privado de pequeno e de médio porte – que são a base da economia e do emprego. Não, por aqui, bastava 1) transferir parte da renda extorquida dos que produzem riquezas, com impostos escorchantes, para um curral eleitoral de gente que jamais – se sabe – poderia ter saído (como efetivamente não saiu) da condição de dependente do Estado, para, com essa ‘redistribuição’ de renda (como se o salário dos trabalhadores fosse renda e não pagamento por serviços prestados), ‘fomentar’ o aumento de consumo; e 2) empregar mais de 133 mil novos funcionários públicos (cujos salários, não se esqueçam, são pagos com o dinheiro dos impostos daqueles mesmos cidadãos que produzem riqueza e que gerariam empregos se o governo os deixasse).

Que espécie de crescimento econômico é esse que não se baseia em criação de oportunidades para a iniciativa privada, tanto nas cidades como no campo, e sim na concessão de esmolas e de crédito fácil fictício, ao mesmo tempo em que promove o engessamento de todo o setor agropecuário, através da criação de cada vez mais entraves eco-quilombola-indígenas – sem falar nas terras tomadas e concedidas aos chamados movimentos sociais?

Nos EUA, os Democratas, hoje com seu presidente eleito, foram os irresponsáveis que incentivaram por lá as tais das concessões de crédito fácil pelos agentes financeiros para a compra de imóveis e de bens duráveis. Os republicanos do governo de Bush tentaram impor limites a estas concessões – já prevendo o futuro -, mas perderam no Congresso. Não foram os bancos e banqueiros enlouquecidos que saíram a emprestar dinheiro fácil para o povo sem que antes tivessem obtido do Congresso incentivo para assim agir. Quem é que pode, sinceramente, crer que tenham sido apenas e simplesmente os banqueiros os culpados pela crise, por iniciativa própria? Ninguém consegue perceber orquestrações escusas por trás desse discurso predominante reproduzido na mídia amestrada? Não se consegue perceber que a intenção por trás da crise presumível, posto que fabricada, está em que se dê a concentração dos bens de produção e de capital nas mãos do Estado (e das oligarquias e de seus apadrinhados já no Poder) e este, por sua vez, vir a ser controlado externamente por órgão central mundial?

Aliás, coincidentemente, não é exatamente sobre essa ‘necessidade’ de intervenção estatal e desse controle mundial da economia financeira que vem falando e repetindo sempre nos palanques nosso presidente?

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-a dever cada vez mais, até que se torne insuportável... O débito não pago levará os bancos à falência e estes terão que ser nacionalizados pelo Estado". Sabem de quando são estas palavras e quem as escreveu? Foi ninguém menos do que o comunista Karl Marx, em seu livro O Capital, em 1867!!!

Quantas vezes já não fomos nós alertados de que o governo mundial, tornado realidade exeqüível através de organismos internacionais, como a ONU, por exemplo, seria de viés e de raízes fundamentalmente racistas e comunistas?

Ora, seria conveniente, portanto, que o senhor nosso presidente, parasse de culpar quem quer que fosse pela atual crise econômica do planeta, como se não soubesse exatamente quem sejam os verdadeiros articuladores da mesma – coisa que parece mais do que já ter demonstrado saber, na medida em seu governo tenha sido e ainda continue sendo totalmente galgado na fidelidade servil a essa mesma gente.  Gente poderosa, que financia o Foro de São Paulo (para a formação do bloco comunista latino-americano), que financia o engessamento de nosso país em relação à expansão de terras produtivas e do desenvolvimento dos milhares de projetos de desenvolvimento sustentável das regiões dos cerrados e amazônicas – todos bons, exeqüíveis e devidamente ENGAVETADOS. Gente que tem financiado a fragmentação de nosso povo em índios e não-índios, brancos e negros, proprietários e não-proprietários, letrados e não-letrados, etc. Gente que fez com que, recentemente, o STF tivesse passado por cima de nossas tradições históricas e até legais para conceder 46% do Estado de Roraima à estagnação e ao abandono. Ou o senhor presidente acha mesmo que tudo quanto é brasileiro seja idiota o suficiente para pensar que a visita do Príncipe Charles ao Brasil, antes do julgamento final do STF, tenha sido mera coincidência? Pena que não possamos todos saber do conteúdo trazido nas bagagens de sua alteza...

Para conhecer tudo isso não falta ao presidente nem a esperteza nem informações. Falta-lhe, porém, cultura, sim, coisa mais do que já demonstrada. Por isso professa frases infelizes como esta última que o levou às manchetes de alguns jornais ingleses e na qual resolveu dizer que a ‘crise’ teria sido provocada por gente branca e de olhos azuis. Pior ficou a emenda, quando questionado a respeito da frase por algum repórter estrangeiro e respondeu que não tinha ele – o presidente - conhecimento de banqueiro negro ou índio. Embora todos saibam que o senhor nosso mandatário jamais reconheceria erro no quer que já tenha dito, seguem dois quadros (clique para ampliar) com alguns dos exemplos de gente dessas duas raças que são ricos, banqueiros ou donos de cassino e tudo o mais que qualquer branco possa ser ou ter. Nestes quadros estão personalidades que não foram citados em vários artigos sobre a questão da frase de Lula, como Stanley O’Neal, por exemplo,  um  banqueiro negro dos mais influentes como presidente do Merrill Lynch, um dos bancos norte-americanos que teve que ser vendido por causa das perdas bilionárias com as hipotecas subprime; ou como o indiano Vikran Pandit, atual presidente do Citibank; ou ainda como o negro Frank Raines, ex-presidente da Fannie Mae, instituição financeira que ajudou a desencadear o colapso de Wall Street.


 

 
 

A literatura histórica tem demonstrado que, por trás de todo ditador sanguinário, de todo líder comunista e/ou de todo líder nazista está sempre uma personalidade de caráter deformado, fruto de uma vida de frustrações práticas e psicológicas as mais diversas. As causas mais comuns seriam a falta de amor materno e/ou paterno na infância e as conseqüências mais comuns a formação de indivíduos com características de personalidade como inveja incontrolável, complexo intransponível de inferioridade, bem como total impossibilidade de se aceitarem fisicamente como são. Não que estas características não possam estar presentes na maioria dos seres humanos.

Na verdade, todo mundo convive com esses conflitos internos. A diferença está na capacidade de controlar estas dolorosas emoções – capacidade que pessoas com sérias deformidades de caráter não têm; assim como também tenham que lidar com uma dor tão forte dentro de si. Essa dor é tão demasiada, que não basta para o indivíduo a ela submetido suplantar, seja no que for, o objeto de sua inveja, o objeto que lhe provoca o sentimento de inferioridade. É preciso esmagar, fazer desaparecer da face da terra tal objeto. Estas características são tão fortes que fica impossível escondê-las de todo mundo o tempo todo. De modo que, de vez em quando, através de pequenos atos e de frases professadas aqui e ali, desnudam-se e se mostram nítidas. “Gente branca de olhos azuis” pegou mal, muito mal. Ao mesmo tempo, explica muita coisa.

Nem o país nem o Presidente são de Todos

Nem o país nem o Presidente são de Todos

 

Por Rebecca Santoro

26 de novembro de 2008

 

Eu me pergunto o que é esta coisa (porque da maioria dos animais eu gosto) que governa “esthe paísth”. Uma coisa ‘animada’ que vai em praça pública exaltar um bobalhão covarde que se escondeu de colegas revoltosos durante ato de indisciplina e de massacre contra seus companheiros de farda na chamada Revolta da Chibata e que, por estes mesmos revoltosos foi usado como ‘bode expiatório’ para assumir um papel de líder que jamais exercera. Ou seja, um covarde, mentiroso e aproveitador que levou fama de líder e ainda por uma causa que jamais teria sido defendida nem por seus colegas revoltosos: pois, para quem não sabe, o tal documento entregue por João Cândido em nome dos revoltosos jamais falou em ‘chibatadas’ como causa de revolta – eles queriam mesmo é rancho bom e regras de hierarquia modificada. Lula, a coisa, defendeu um indisciplinado covarde, contra a Marinha do Brasil, e faz o país inteiro engolir a estátua desse ser, em praça pública do Rio de Janeiro. Pior, pelos motivos errados: um hipócrita dando aos negros um herói – um demagogo irresponsável que jamais se deu ao trabalho de estudar o que quer que seja, muito menos História.

 

Este ser imbecilizado que nos governa não faz outra coisa ultimamente a não ser falar em eventos nos quais aparece para discursar sobre a crise econômica – aquela que ele chamava de marola - pedindo para que as pessoas não parem de comprar para não desandar a economia e não provocar o desemprego em massa. Enquanto isso, o estado de Santa Catarina literalmente desmonta – e já são 86 mortos e milhares de desabrigados – por causa das chuvas que o atingem, há mais de um mês, e essa coisa que nos governa é incapaz de fazer sequer um pronunciamento a respeito do assunto e muito menos de ir ao local fazer uma visita de solidariedade. O país inteiro se mobiliza para ajudar seus irmãos catarinenses e este apedeuta não está nem aí. O mesmo acontece no Espírito Santo, só que com menos gravidade. Nem uma palavra do, da ou desse Lula.

 

No episódio de exaltação de João Cândido, Lula aproveitou também fazer apologia do crime, exaltando figuras como Mariguella, ao dizer que este não havia sido morto por ser um bandido, “mas sim porque se opunha à ditadura militar. Morreu porque acreditava numa causa”. Quanta imbecilidade! Em primeiro lugar, Mariguella jamais lutou contra a ditadura militar, mas para implantar o comunismo no Brasil e, em segundo lugar, ‘ter uma causa’ não significa, absolutamente, que isso seja automaticamente louvável – qualquer vil assassino pode ter e morrer por uma causa, senhor presidente! Hitler a tinha, bem como Stalin... Já são seis anos de governo e esta pessoa ainda não entendeu que é chefe da Forças Armadas, que deveria ser o presidente de todos os brasileiros!

 

Se eu fosse militar – e é por isso que não sou, entre outras coisas – quando este homem estivesse presente, as costas eu lhe daria. Mas, isso não o faria, como não o estão fazendo, agora, juntamente com outros profissionais de farda, ao povo desesperado, como é o caso do de Santa Catarina neste momento. Lá estão os militares, de todas as Forças e de todas as armas, ajudando aquelas pessoas necessitadas, ao contrário de sua excelência, o suposto presidente de todos, que não é capaz nem de fazer um pronunciamento de solidariedade. Chegar lá perto, então, nem pensar!

 

Como se isso não bastasse, será este governo a entrar para a triste história do país como tendo sido o que cometeu a maior injustiça contra as pessoas de aparência ‘branca’ e supostamente mais bem nascidas, em termos financeiros. Foi o governo, juntamente com o Congresso que aprovou o sistema de cotas mais injusto de que se tem conhecimento, ao estabelecer que nada menos do que A METADE das vagas das universidade públicas (por enquanto) deve ser destinada a alunos vindos de escolas públicas. Não seria o caso de, primeiro, no mínimo, melhorar estas escolas e o ensino público como um todo, para que o processo de ascensão dos alunos à universidade fosse natural? Mas não... No Brasil, as universidades deverão descer o nível de ensino para se adaptar à massa despreparada que chegará aos seus bancos, em detrimento de milhares de outros alunos que estarão sendo punidos por terem se sacrificado para investir em seu próprio nível de instrução... Isso é uma loucura!!!!

SUICÍDIO COLETIVO E O ASSASSINO INVISÍVEL DE SANTO ANDRÉ

SUICÍDIO COLETIVO E O ASSASSINO INVISÍVEL DE SANTO ANDRÉ

 

Por Rebecca Santoro

22 de outubro de 2008

 

Eu tinha pensado em escrever algo sobre mais essa de tantas tragédias que já aconteceram nesse país envolvendo a morte de jovens e adolescentes. Dessa vez foi em Santo André, São Paulo. Mas, quando li o que a juíza Marli Nogueira escreveu sobre o fato, resolvi adotar o artigo, porque, como se costuma dizer nesses casos, 'tirou daqui' (da minha boca, da minha fala, do meu pensamento). Realmente, concordo com ela quando diz que não fosse pelo 'politicamente correto' o desfecho do episódio muito provavelmente teria sido outro - e não tão desastroso para as vítimas do seqüestro.

 

Um dos erros foi sempre ter tratado o criminoso como um rapaz bom que apenas estivesse sofrendo de um surto passageiro de ciúmes em relação à sua ex-namorada e/ou de não aceitação de uma rejeição por parte da mesma. Não. Ninguém surta de véspera. Ou seja, ninguém se programa para cumprir uma vingança, encontra uma arma, munição, planeja oportunidade - tudo num surto, num momento de desespero. O crime foi premeditado, planejado. Veja no vídeo abaixo, como um colega de trabalho do assassino já sabia sobre os planos de Lindembergue para matar Eloá:

 

 

 

Friamente, Lindembergue enganou a todos os envolvidos no episódio, fazendo-se de emocionalmente instável, indeciso entre acabar com tudo, matando Eloá e até a si mesmo, ou libertar as reféns e entregar-se à polícia. Fez com que todos se enganassem sobre o que sempre fora sua determinação, desde o começo do seqüestro: vingar-se de Eloá, tirando-lhe a vida. Sim, sempre foi esta a sua determinação e não importa o que acontecesse - a menos que tivesse sido alvejado pela polícia -, ele assim teria procedido, matando Eloá, com ou sem invasão da polícia. Tanto foi assim que a amiga da menina, a também adolescente de 15 anos Naiara, depois de já ter sido libertada do cativeiro, resolveu, um dia depois (e aqui realmente houve falha da polícia, por permitir que  Naiara se aproximasse da porta do apartamento sem a escolta de um policial que a tivesse impedido de seguir o impulso de voltar ao cativeiro), deliberadamente retornar ao cativeiro. É claro que Naiara fez isso porque acreditava que Lindembergue cairia em si e que jamais chegaria às vias de fato em cumprir suas ameaças.

 

Entretanto, agora se sabe que, caso tivesse se tratado de surto de adolescente apaixonado e descontrolado, certamente, o assassino não teria hesitado em se matar logo depois de ter baleado Eloá e talvez nem tivesse atingido a amiga Naiara. Mas não, ele atirou contra as meninas indefesas, atirou contra a polícia e, depois que sua munição acabou (uma das balas falhou, sabe-se agora), simplesmente o malandro colocou a arma no chão, as mãos para o alto e se rendeu. Ou seja, um covarde - como o são todos os frios assassinos.

 

Se houve alguma falha da polícia foi a mesma que cometeram todos os envolvidos: acreditaram que se tratasse apenas de um jovem descontrolado por ciúmes. Não. Era um assassino descontrolado por ciímes. São coisas bem diferentes. A polícia demorou a perceber que se tratasse desta segunda situação. Os policiais que estiveram lá, durante o seqüestro, sabem exatamente do que eu estou falando. Deram todas as chances que poderiam para ver configurada a primeira hipótese. Mas, infelizmente, para todos os envolvidos e para todos nós que, querendo ou não, acabamos acompanhando o caso, o que se confirmou foi a segunda. Por isso, a decisão de se preparar para a invasão do cativeiro - o apartamento onde morava Eloá. Havia escutas e informações de que o rapaz se preparava para assassinar as meninas, com ou sem invasão. O assassino sabia da movimentação policial no sentido de invadir o apartamento e sabia, igualmente, que já não conseguiria enganar mais ninguém por mais tempo.

 

Por que não alvejaram o assassino quando, aparentemente, tiveram esta chance? Ora, como bem o disse o comandante do GATE, a tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, porque a mídia inteira e os representantes dos direitos humanos cairiam em cima da polícia, como urubu sobre carniça, dizendo que não se deveria ter matado um jovem de 22 anos que apenas estava descontrolado, com toda uma vida pela frente para se arrepender, blá, blá, blá... Alguém tem a menor dúvida de que era exatamente isso o que aconteceria?

 

Se houve ou não disparo de tiro por parte de Lindembergue antes da explosão da porta do apartamento pela polícia e da invasão não se sabe ao certo. Os policiais dizem que sim, a imprensa e os 'especialistas de plantão' dizem que não. A Globo não tem mostrado, mas a Record apresentou, com exclusividade, uma outra gravação, feita de local bem próximo ao do cativeiro, na qual se ouve, nitidamente, um primeiro disparo de arma de fogo, antes da explosão da porta do apartamento onde as meninas eram mantidas como reféns. A nova advogada do assassino já se apressou em dizer que ele não atirou nas meninas antes da invasão da polícia... Ah, bom! Então o 'pobrezinho' só atirou nas duas meninas - em sua ex-namorada e em sua amiga (e não em duas desconhecidas) - por causa do susto... Estava tão assustado que mirou na cabeça e na virilha de uma e na cabeça da outra, correu para o corredor e começou a atirar em direção aos policiais que invadiam o apartamento e, depois, como já descrevi, rendeu-se como um covarde. Ora, isso não é atitude de gente desesperada e sim de gente má, sanguinária, vingativa e, repito, COVARDE!

 

Vejam o que o próprio assassino diz sobre os tiros, nos vídeos abaixo, de reportagem exclusiva da Record:

 

 

 

 

Se a polícia não tivesse invadido aquele apartamento naquela altura, o mais provável é que nem Naiara tivesse conseguido ser salva. Essa é a verdade. E é verdade também que, mesmo que Lindembergue não tenha disparado contra as meninas antes da invasão do apartamento pelos policiais, o testemunho de Naiara, muito provavelmente, confirmará a versão dos policiais (a de que houve disparo por parte do assassino antes da invasão), para não permitir que haja nem uma espécie qualquer de atenuante que possa vir a diminuir a pena com a qual Lindembergue venha a ser condenado. Ele é um assassino frio que merece a pena máxima de 30 anos a ser cumprida INTEGRALMENTE em regime fechado (se é que existe esta possibilidade aqui neste país).

 

Outra coisa que ninguém fala é sobre o fato de que uma menina de 12 anos (a idade em que Eloá teria começado o namoro com Lindembergue) não deveria ter podido namorar com um jovem de 19 anos. Nesta fase da vida, essa diferença de idade entre os dois configurava praticamente um quadro de pedofilia. Meninas de 12 anos são meninas. Rapazes de 19 anos já são homens. Ninguém viu isso? Tudo bem, às vezes os pais não conseguem mesmo impedir que seus filhos cometam erros. Mas, por três anos seguidos????

 

Igualmente, há sempre os oportunistas de plantão para falar de 'desarmamento'. Se o jovem não tivesse tido acesso à uma arma de fogo... Ora, se ele não tivesse tido acesso a uma arma de fogo, teria cometido o crime com outra arma qualquer, para começo de conversa, e talvez até de forma bem mais perversa e dolorosa para as vítimas. Assim são, afinal, cometidos a maior parte dos assassinatos chamados de 'passionais' - sem arma de fogo. Dizem que o rapaz estaria com duas armas - uma sua (é claro, ilegal) e a outra que teria sido conseguida dentro da própria casa da vítima. Agora que se sabe que o pai de Eloá era um ex-PM de Alagoas que estava sendo procurado naquele Estado sob a acusação de ter cometido vários assassinatos, pode-se deduzir, obviamente, que, na convivência com a família, durante os três anos de namoro, Lindembergue devesse saber, perfeitamente, da existência de uma arma de fogo na casa de Eloá. E, naturalmente, foi atrás da arma para que suas vítimas não pudessem tentar reagir contra ele, em futura oportunidade, com aquela arma. Tanto é assim, que ele jamais a tenha utilizado durante o seqüestro. 

 

Entretanto, se tanto Eloá como Naiara tivessem tido noções de defesa pessoal e até mesmo de manuseio de armas de fogo, quem sabe o desfecho do caso não tivesse sido outro? Afinal, as meninas estiveram, na maior parte do tempo, em duas e o assassino era um só. Há vários casos no quais as prováveis futuras vítimas fatais de determinada ação violenta, em se vendo diante de uma situação extrema de 'matar ou morrer', conseguiram reagir com armas de fogo, matando ou afugentando seus algozes - todos, no fundo, uns grandes covardes.

 

Enfim, fico com o que disse, em coletiva, o comandante Gate, que defende a ação da tropa: “O Gate não errou, quem errou foi o Lindemberg. Ele errou de ter procurado uma arma, premeditado o seqüestro, ficar lá cinco dias e fazer o que fez no final. A única pessoa que errou foi ele”.

 

Tudo bem, a gente sabe que não foi só o marginal que errou. Temos vindo errando todos nós, pessoas de bem, e não é de hoje e nem somente sobre esta questão de como lidar com a violência. Temos permitido que não só o discurso, mas também a prática, cada vez mais institucional, do 'politicamente correto' subverta nossos valores, relativize nossas noções de certo e de errado, bem como de verdade e de mentira. Mesmo que não concordemos com o que se fale e com o que se faça, temos permitido, muitas vezes, que a mentira vire Lei e que quem não esteja de acordo simplesmente seja transformado em criminoso.

 

Esta falta de noção moral, de solidez de princípios, de apoio social e coletivo às atitudes individuais que deveriam tranqüilamente se enquadrar entre as corretas, as normais, fazem com que não saibamos como reagir a uma série de estímulos para os quais deveríamos ter respostas imediatas - todas a favor da vida, do correto, do justo, do humano. Ao contrário, todos os transgressores sabem exatamente como nos atacar, sem um segundo qualquer de reflexão que seja sobre nenhuma dúvida - todos eles cerebralmente preparados para justificar suas atitudes com base em tergiversações sobre os fatos, sobre a realidade e, principalmente, sobre o certo e o errado. São sociopatas, intencionalmente produzidos por anos e anos de pregação ideológica, SEM NENHUMA CENSURA, incapazes de raciocinar para além daquilo que foi programado em seus cérebros. São zumbis sociopatas que formam um exército teleguiado de revolucionários em potencial, prontos para aniquilar os seres honestos, produtivos e pensantes das sociedades.

 

O que acontece é que temos falhado no combate à violência, no resgate dos valores familiares, na retomada do ensino competente nas escolas, baseado, principalmente, em fatos históricos verdadeiros, porque estamos todos a cometer o mesmo erro que a polícia e todos os envolvidos no seqüestro de Santo André cometeram: acreditaram que estivessem lidando com uma pessoa normal, de boa índole, de bons princípios e que estivesse apenas tendo um surto de descontrole emocional. Não, senhoras e senhores, estamos lidando com indivíduos "sobre ou sub-humanos", como queiram, cujos cérebros, de tão deformados, os transformaram quase que numa outra espécie de seres viventes que, em comum conosco, só têm mesmo, e praticamente, a carcaça - o corpo e suas funções biológicas. 

 

A verdade, que ninguém quer admitir que já enxerga, é que chegamos ao impensável. Chegamos ao ponto crucial de 'ou eles ou nós' e, por incrível que pareça, estamos deixando que nos matem, a todos, um por um, sem esboçarmos reação. Fica todo mundo tentando ficar o mais invisível possível (escondendo suas riquezas, suas conquistas, seus dotes físicos e mentais), para ver se consegue ficar o maior tempo possível (se puder, quem sabe, com sorte, a vida toda) sem ser agredido pela violência do faroeste das ruas e/ou do patrulhamento social e ideológico. Assim, pode ser que realmente consigamos sobreviver até um fim, digamos, natural, de nossas vidas egoístas. Mas, com certeza, deixaremos um mundo no qual será impossível para nossos filhos e netos sobreviverem até o mesmo fim. Nossa covardia nos exterminará a todos e a nossos descendentes.

 

Pois é, eu falei que não iria escrever e acabei escrevendo. Mas, não deixem de ler o excelente artigo da juíza Marli Nogueira e, depois, a fábula do que seria a estória do Chapeuzinho Vermelho sob o politicamente correto. Ela acaba sendo responsável pelo seu extermínio - só que inconscientemente, como um estúpido zumbi mentalmente deformado.

 

Assassino invisível

 

Marli Nogueira

Juíza do Trabalho

Brasília

 

Tenho ouvido as mais disparatadas opiniões a respeito do seqüestro em Santo André, inclusive de pessoas que, em razão de sua autoridade, tinham a obrigação de não ser tão superficiais. Há quem diga, por exemplo, que ele resultou de uma "arraigada cultura machista". Mentira! Ele resultou, isso sim, de uma paixão, doença da alma que, na ausência de antídotos fortes que só podem ser produzidos mediante uma excelente formação moral que dê estrutura ao indivíduo, acaba extravasando de seus bordos e causando tragédias como essa. Paixão, como essas autoridades deveriam saber, deriva do termo grego pathos, que significa exatamente "doença". Dele vêm os demais termos ligados ao mesmo tema, como "patologia" e "patológico". E, como doença da alma, pode acometer homens ou mulheres. Aliás, não são tão raros assim os casos de mulheres que matam seus maridos por ciúmes, exatamente como fez o rapaz de Santo André. Pretender utilizar esse caso para estimular mais desavenças, colocando mulheres contra homens, é, no mínimo, uma irresponsabilidade.

 

Outra opinião completamente distorcida é a de que o crime decorre da "permissão exagerada" do uso de armas. Mais uma mentira da grossa! Ou será que alguém imagina que o seqüestrador-assassino comprou a sua arma em um estabelecimento comercial autorizado, mediante a apresentação do porte de armas e, ainda por cima, a registrou regularmente? Ele mesmo afirmou que "comprar uma arma é facílimo". E é mesmo. Basta contatar um bandido qualquer, pagar-lhe o preço solicitado e pronto. Esse papo de desarmamento (que fatalmente voltaria à baila após o "sucesso" da Lei Seca) é conversa mole para boi dormir. O Brasil somente poderá aceitar uma política de desarmamento no dia em que o governo conseguir impedir por completo a entrada de armas contrabandeadas no país. E não só isso. Deverá, primeiro, retirar as armas de todos os bandidos. Onde já se viu deixar a população desarmada em meio a milhares (ou milhões, talvez) de bandidos que as utilizam para matar cada um de nós? Desproteger os justos enquanto não se toma medida alguma contra os injustos é o cúmulo da injustiça.

 

Não sejamos hipócritas! Na verdade, o grande responsável pela morte da adolescente Eloá foi o "politicamente correto", esse assassino invisível de valores, que tantas conseqüências desastrosas já acarretou. Se a sociedade entendesse que o correto é punir o agressor e defender a vida da vítima, ela certamente não estaria morta agora. Seu seqüestrador sim, poderia estar em seu lugar. É exatamente para preservar a vida da vítima em mãos de bandidos como ele que a polícia possui atiradores de escol. Mas ai da polícia se resolvesse se valer de algum desses atiradores para, à custa da vida de seu seqüestrador, salvar a menina-refém! Toda a turma dos Direitos Humanos e dos defensores do Estatuto da Criança e do Adolescente estaria, agora, vociferando contra a instituição.

 

Essa gente parece não compreender que a partir do momento em que alguém decide, deliberadamente, infringir todas as regras da boa convivência, deve arcar com os custos dessa decisão. Punir os maus e defender as suas vítimas não é favor algum, mas uma obrigação. Até os antigos gregos já sabiam disso. Ensina Platão que quando Hermes indagou a Zeus se deveria distribuir a arte da justiça e do respeito a todos os homens, indistintamente, este respondeu: "A todos. Que todos os compartilhem, porque as Cidades não poderiam surgir se apenas poucos homens os detivessem, assim como acontece com as outras artes. Aliás, em meu nome, estabeleça como lei que aquele que não sabe compartilhar o respeito e a justiça seja morto como um mal da Cidade".

 

Mas como há séculos a humanidade vem se afastando cada vez mais dos valores que plasmaram a nossa civilização, a própria vida se encarrega da cobrar-lhe por esse desatino, e de maneira impiedosa. Casos como esse só podem mesmo resultar em tragédias, com imensa dor não apenas para a família das vítimas, como para todos os homens e mulheres de bem que ainda se pautam pelos poucos valores que ainda nos restam. Mas esses casos não constituem mais novidade alguma. Cada vez se tornam mais freqüentes e também mais violentos. E assim continuará sendo até que a sociedade, cansada de iniqüidades e dos discursos retóricos que lhes dão ensejo, resolva pôr um basta a esse estado de coisas, retomando os valores que permitiram sua agregação. E um deles é, justamente, o de fortalecer (em todos os sentidos) aqueles que, como a polícia, existem para protegê-la.

 

Chapeuzinho Vermelho (politicamente correto)

 

Era uma vez uma jovem chamada Chapeuzinho Vermelho que vivia à beira de uma grande floresta com árvores e plantas exóticas num belo exemplo de integração entre utilização natural dos recursos e urbanização. Chapeuzinho Vermelho vivia com sua genitora, à qual ela tinha o hábito de chamar como "mãe". No entanto, a utilização deste termo não implicava que ela trataria com menos respeito outras pessoas com as quais ela não tivesse uma grande ligação biológica. Da mesma forma ela não pretendia denegrir ou menosprezar os valores tradicionais das estruturas familiares. De qualquer forma, Chapeuzinho insiste em registrar que lamenta se alguma destas impressões pejorativas possam ser deduzidas desta estória.

Um dia, a Mãe de Chapeuzinho Vermelho pediu que ela transportasse uma cesta de frutas sem tratamento químico, e água mineral para a casa de sua avó.

 

- "Mas, mãe, tal iniciativa não seria roubar o trabalho de pessoas sindicalizadas que lutaram anos a fio pelo direito de exercer sua atividade profissional na qualidade de transportadores?"

 

A Mãe de Chapeuzinho garantiu-a que todas as formalidades já haviam sido providenciadas junto ao sindicato de transportadores e o formulário autorizando esta missão autônoma já estava devidamente carimbado.

 

- "Mas, mãe, você não está me oprimindo com esta ordem?"

 

A Mãe explicou-lhe que é impossível que uma mulher oprima outra mulher, posto que todas as mulheres são igualmente oprimidas por uma sociedade machista.

 

- "Mas, mãe, não deveria ser o meu irmão, na sua condição de opressor, que deveria se encarregar desta tarefa no intuito de aprender a condição de oprimido?"

 

A Mãe lembrou-lhe que seu irmão estava participando de uma passeata pelos direitos dos animais. Além disto, a tarefa em questão não poderia ser considerada uma típica tarefa feminina, mas sim uma atitude que visava o sentimento de comunhão e companheirismo entre mulheres.

 

- "Mas, mãe, não estaríamos, então, oprimindo a Vovó, através da mensagem subliminar de que ela esteja velha demais para garantir sua própria subsistência?"

 

A Mãe lhe assegurou que Vovó não estava doente nem incapacitada nos planos físico e mental, ainda que nenhuma destas condições implicassem considerar alguém inferior a pessoas ditas saudáveis.

 

Convencida e segura de seus atos, Chapeuzinho Vermelho partiu pela floresta. Várias pessoas consideram a floresta um lugar perigoso, mas Chapeuzinho sabia que este tipo de medo irracional está baseado em paradigmas culturais impostos por uma sociedade patriarcal que encara a natureza como um conjunto de recursos a serem explorados, e, que, por esta razão, acredita que predadores naturais são adversários. Outras pessoas evitavam a floresta por medo de ladrões e de marginais, mas Chapeuzinho acreditava que, numa sociedade justa e não hierárquica, todas as pessoas poderiam exercer seu direito de viver segundo suas próprias regras, sem serem taxadas de "marginais".


No caminho, Chapeuzinho passou por um lenhador e observou algumas flores; porém, momentos após, ela se viu frente a um lobo que lhe perguntou o que ela carregava na cesta. Chapeuzinho, lembrando-se que sua professora havia recomendado prudência quanto a estranhos que tentassem falar com ela, hesitou. No entanto, segura de si e consciente de sua sexualidade, decidiu responder ao lobo:

 

- "Eu estou levando mantimentos saudáveis para a minha Avó num gesto de solidariedade."

 

O lobo, então, comentou que não era seguro para uma menina passear pela floresta sozinha.

 

- "Eu me sinto completamente ofendida pelo seu comentário sexista. Apesar disto eu decidi ignorá-lo por causa do seu status social de excluído. A pressão da sociedade é a verdadeira responsável pelo desenvolvimento deste seu ponto de vista alternativo. Agora, com licença, pois vou retomar o meu caminho".

 

O lobo, provavelmente devido à sua condição de excluído, pôde adotar um pensamento não-linear, fora dos padrões ocidentais e da moral judaico-cristã, que o levou a utilizar um caminho alternativo para chegar antes de Chapeuzinho à casa da Vovó. Lá chegando, devorou (lato sensu) a Vovó, numa ação afirmativa de sua condição de predador desprovido de escrúpulos. Então, movido por noções rígidas e tradicionais de comportamento, o lobo vestiu a camisola da Vovó e deitou-se na cama, cobrindo moralisticamente todas as suas partes que poderiam denunciá-lo (anatomicamente falando).

 

Chegando à casa da Vovó, Chapeuzinho sentenciou:

 

- "Vovó, eu lhe trouxe um lanche gratuito para saudá-la em sua condição de sábia e madura matriarca!"

 

O lobo respondeu suavemente:

 

- "Venha cá, minha netinha para que eu possa te ver ..."

- "Nossa! Vovó, que olhos grandes que você tem!"

- "Você esquece que eu tenho certas deficiências visuais totalmente compatíveis com minha idade, apesar disto não afetar em nada minha capacidade ou qualificação como ser humano é válido para a sociedade."

- "E Vovó, que nariz enorme você tem ..."

- "Naturalmente, eu poderia ter mudado isto, mas resolvi não ceder às pressões sociais da estética e do consumismo."

- "E Vovó, que dentes afiados você tem ..."

 

Nisso, o lobo, não agüentando mais o proselitismo da discussão e numa típica reação de seu meio social, saltou da cama pegando Chapeuzinho, abrindo a bocona... Chapeuzinho, reconhecendo o lobo, retorquiu:

 

- "Eu creio que você está esquecendo de me pedir permissão para aumentar o nosso nível de intimidade."

 

O lobo, surpreso, ficou sem ação e, neste momento, o lenhador entra pela porta agitando seu machado:

 

- "Não se mexa!"

- "O que você pensa que está fazendo?" Perguntou Chapeuzinho. "Se eu lhe deixo me ajudar agora, eu estarei expressando uma falta de confiança em mim mesma e em minhas capacidades - o que causaria uma tremenda falta de auto-estima que poderia se refletir inclusive no meu desempenho escolar."

 

Porém, o lenhador não se intimida e responde:

 

-"Última chance baby, afaste-se desta espécie protegida, eu sou um agente credenciado do IBAMA".

 

Como Chapeuzinho não considerou fundamentada a imposição imperialista e policial, o lenhador, num movimento seco, deu uma machadada certeira na contraventora.

 

- "Ainda bem que você chegou a tempo!" - disse o lobo aliviado.

- "Esta jovem e sua Avó haviam me capturado nesta ideologia de violência".

- "Não." - diz o lenhador - "A verdadeira vítima aqui sou eu, que tive que lidar com minha raiva profunda e encarar de frente todos os meus fantasmas. E ainda vou ter que lidar com o imenso trauma de ter tido contato com uma parte violenta da minha essência, para a qual minha formação pessoal não estava preparada a enfrentar".

- "Eu sinto sua dor", condescendeu o lobo.

 

E os dois se abraçaram fraternalmente.

A MENTIRA VENCE E CORONEL USTRA É RESPONSABILIZADO, PELA JUSTIÇA, POR TORTURA.

A MENTIRA VENCE E CORONEL USTRA É RESPONSABILIZADO, PELA JUSTIÇA, POR TORTURA.

 

Por Rebecca Santoro/Christina Fontenelle

 

PRIMEIRO, VEJAM O QUE FOI NOTICIADO PELOS JORNAIS (o grifo em vermelho, abaixo, é meu):

 

Ex-chefe do DOI-Codi é responsabilizado por tortura pela Justiça

 

Baseado em reportagem do G1

09/10/08

 

O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra foi responsabilizado pelo crime de tortura em um processo que buscava que ele fosse declarado responsável por atos de violência no período do regime militar. Em setembro, foi extinto outro processo semelhante movido contra o coronel por parentes do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto em 19 de julho de 1971. Na decisão julgada procedente, ele foi considerado responsável por violências cometidas contra César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida.

 

Inédita no país, a decisão foi proferida nesta terça-feira (7) pelo juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível, do Fórum João Mendes, no Centro. No entanto, cabe recurso da defesa. Tanto no processo movido pela família Teles quanto no caso dos parentes do jornalista, Ustra não é alvo de pedidos de indenização.

 

Ainda em 2006, quando um dos processos começou a ser julgado, Amélia já afirmava que a família não buscava indenização do Estado ou prisão. "É uma ação de efeito político, que vai trazer reconhecimento de que um coronel do Exército, na época major, era torturador", explicou Amélia na ocasião. Mas, as ‘vítimas’ já foram indenizadas pelo Estado, como se poderá ler abaixo, de acordo com a lei de Indenização. Além disso a sentença estabelece que, ao ser apontado como o responsável pelas torturas, o réu arcará com custas, despesas processuais e honorários dos advogados dos autores, fixados estes em dez mil reais.”

 

Para o juiz, “existe relação jurídica de responsabilidade civil” entre as vítimas e o réu “nascida da prática de ato ilícito, gerador de danos morais”. Já em relação a Janaina de Almeida Teles e Edson Luis de Almeida Teles, filhos de César Augusto e Maria Amélia, o juiz considerou improcedente a acusação de que também teriam sido torturados. “Realmente, as testemunhas não viram Janaina e Edson na prisão. Ninguém soube esclarecer se os então menores realmente viram os pais com as lesões resultantes das torturas. Nada indica que eles teriam recebido ameaças de tortura, ou sido usados como instrumento de tortura de seus pais”, alegou.

O militar é ainda réu em outra ação declaratória no Fórum Cível da capital paulista. Além disso, ele sofre um terceiro processo na Justiça Federal, que apura seu suposto envolvimento em seqüestros e espancamento de militantes de organizações clandestinas.

 

O advogado de defesa de Ustra, Paulo Esteves, disse que vai apelar da sentença, que, segundo ele, vai contra as provas dos autos. "Inclusive, temos provas de que o meu cliente estava hospitalizado, devido a uma operação, no período que as pessoas alegam terem sido vítimas de violência. Ele (Ustra) nega que tenha participado de qualquer ato de violência naquela época", disse. Para o advogado, a sentença desta terça colide com outra da Justiça em um processo que foi extinto no final de setembro. No dia 23, os três desembargadores da 1ª Câmara de Direito Privado decidiram a favor do recurso impetrado pelo coronel e, por maioria – ou seja, dois votos a um –, extinguiram o processo sem exame do mérito. A decisão foi do relator Luiz Antonio de Godoy, do 2º juiz De Santi Ribeiro e do terceiro desembargador Elliot Akel. "Antes da sentença deste processo, pedi que aguardassem a publicação do acórdão do processo anterior (de setembro). O tipo de medida jurídica é a mesma, o advogado é o mesmo nos dois processos, só mudam as vítimas. Naquele processo, o juiz entendeu que não havia fundamento processual para que o meu cliente pudesse ser julgado", explicou.

 

Apesar da sentença do Tribunal de Justiça, o julgamento foi apenas moral e político, já que Ustra foi beneficiado pela Lei de Anistia, de 1979, que impede que pessoas que tenham cometido crimes políticos na época da ditadura sejam processadas.

 

AGORA, LEITORES, VEJAM OS FATOS ABAIXO:

 

RECORDANDO

Christina Fontenelle

19/10/2006


Criméia era mulher do filho do chefão da Guerrilha do Araguaia, Mauricio Grabois, e que ela estava na área de guerrilha quando ficou grávida. Ao contrário das outras guerrilheiras, que eram obrigadas a abortar, Criméia, protegida pelo comandante da área, foi mandada para São Paulo para ter o filho, onde acabou sendo presa e encaminhada para Brasília. Segundo o relato do coronel, foi lá, no Hospital Militar, que Criméia teve seu filho, com todo apoio e assistência, inclusive, da esposa do General Bandeira que, na ocasião, levou-lhe um pequeno enxoval.


Hoje um adulto, esse filho de Criméia, de nome Joça Graboi (cuja mãe havia optado por ser guerrilheira e cujo pai nem ao menos acompanhara a mãe grávida para que tivesse o bebê em São Paulo), no segundo semestre do ano passado, conseguiu uma indenização, concedida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e assinada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, por ter estado “preso” em dependências militares.


Maria Amélia (irmã de Criméia) e o marido foram presos em um “aparelho de imprensa” do PCdoB, em dezembro de 1972. Na ocasião, estavam com eles os dois filhos do casal. Todos foram conduzidos para o DOI, já que as crianças não poderiam ficar sozinhas. Quando falei com os pais, senti que estavam preocupados quanto ao destino dos seus filhos. Perguntei se tinham algum parente em São Paulo que pudesse tomar conta deles. Responderam que as crianças tinham tios, creio que em Minas Gerais ou no Rio de Janeiro, não me recordo exatamente onde. Pedi o telefone desses parentes para avisá-los do que acontecia e perguntar se poderiam vir a São Paulo e apanhar os dois filhos do casal. O contato foi feito e esses familiares pediram alguns dias de prazo até poderem se deslocar à capital paulista. Decidi que enquanto aguardávamos a vinda dos tios, as crianças permaneceriam sob o cuidado do Juizado de Menores. Nesse momento, tanto Maria Amélia quanto César Augusto, imploraram que seus filhos não fossem para o Juizado. Uma policial militar que assistia o nosso diálogo se ofereceu para ficar com Janaina e Edson Luis, filhos de Maria Amélia e César Augusto, desde que estes concordassem com o oferecimento, o que foi aceito na hora pelo casal. Movido mais pelo coração do que pela razão, achei que essa era a melhor solução. As crianças foram levadas para a casa da agente e, para que não sentissem a falta dos pais, diariamente eram trazidas para ficar algum tempo com eles. Isso se repetiu até a chegada dos parentes. Nesse dia Janaina e Edson Luis foram entregues aos seus tios, na presença de seus pais”.(Depoimento do Coronel Ustra - Leia tudo em http://www.ternuma.com.br/bancodosreus.htm)

 

 

Consideração Talvez, Reconhecimento Nunca


Christina Fontenelle
19/10/2006

Os militares das FFAA devem estar tremendamente agradecidos à homenagem que o programa dominical da TV Globo, o Fantástico, prestou neste último domingo (15/10) a todos aqueles que, ganhando um salário bem inferior ao que deveriam, levando-se em consideração a sua formação, o tipo e a carga horária de trabalho, estiveram e ainda estão trabalhando incessantemente, no meio da floresta amazônica, para trazer de volta os corpos das vítimas do acidente aéreo com o avião da Gol (vôo 1907), para que os familiares possam enterrar seus mortos.


Estiveram lá os militares, no local do acidente, levando dois padres e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, para a qual improvisaram uma capela. O Fantástico mostrou as imagens. Aliás, imagens do trabalho destes homens é que não têm faltado. Em “off” a gente sabe que faltaram melhores equipamentos; que o pessoal da Aeronáutica é que teve que assumir o tratamento com os parentes das vítimas, já que houve problemas no relacionamento dos mesmos com o pessoal relativamente novo da ANAC; que o governo não investiu e mal liberou verbas para a manutenção adequada dos equipamentos, tanto para os serviços de controle aéreo quanto para as FFAA em geral; mas, enfim, o que interessa é que os militares têm sido incansáveis nesse episódio trágico da história da aviação brasileira.

Nada mais oportuno, portanto, do que a consideração e o reconhecimento demonstrados pela Rede Globo ao levar ao ar, também no Fantástico o tema “Relações de Poder”, apresentado no quadro semanal de lavagem cerebral (já que não há direito a réplica de opiniões em contrário) - “Ser ou Não Ser” – que pretende popularizar a filosofia. A inserção, com roteiro de Daniel Rocha, tem cerca de 9 minutos e é apresentada por sua mulher, Viviane Mosé, que é psicóloga, psicanalista, doutora em filosofia pela UFRJ e escritora. Publicou, entre outros, os livros de poesia “Escritos” (1990), “Toda palavra” (1997), “Pensamento chão” (2001) e mais recentemente “Desato”, no qual admite ter vivido a experiência da poesia do dia-a-dia, em que receitas culinárias transformam-se em poesia. Viviane tem muitos admiradores no meio artístico, entre eles a cantora Beth Carvalho (que, como todo mundo sabe, também admira Fidel Castro e Hugo Chavez). Em entrevista à revista Época, a filósofa mostra um pouco de si, ao responder as “rapidinhas”:


Qual é a maior mentira que você já contou? Ainda não sei muito bem a diferença entre mentira e verdade.

Qual é seu maior sonho? Um país chamado Brasil. Acredito muito nisso.
E seu maior pesadelo? O acirramento da violência urbana, levando a um confronto aberto entre a polícia e o crime organizado.

Em quem você daria uma surra? No Lula.

Religião... Nenhuma.

Última compra... Um vestido da Corpo e Alma e uma jóia.


A senhora, que pode comprar jóias e roupas em lojas caras, muito ao contrário dos militares que critica e parece detestar, escolheu como pano de fundo, para falar de “relações de poder”, o que ela chama de “um dos períodos mais sombrios da nossa história: a ditadura militar”, pretendendo levar a audiência a refletir sobre “de que maneira as relações de poder deixam marcas no nosso dia-a-dia”.


Cintando Michel Foucault, filósofo francês, a matéria diz que “o poder não é uma coisa, nem uma propriedade” e que “não está localizado somente no governo, nem no estado”, mas por toda parte, já que “em todos os lugares, em todas as classes sociais, há sempre relações de poder. Mesmo que não pareça”.


Bem, historicamente, e isto pode ser comprovado por todos os jornais da época (já que a filósofa sugere que não nos prendamos aos livros de história (1)), o golpe militar, na realidade, foi um contra-golpe, ou seja um golpe para desorquestrar outro golpe que pretendia conduzir o Brasil ao comunismo. É simples assim – o resto é tergiversação. É verdade quanto à repressão, mas faltou dizer contra quem – um mero detalhe. Houve repressão e reação ao terrorismo comunista e a todos que com ele colaborassem ou acobertassem. Era uma guerra, onde os terroristas mataram civis, assaltaram bancos e estabelecimentos comerciais, seqüestraram personalidades estrangeiras que aqui trabalhavam, torturaram e assassinaram seus oponentes, sempre que houve a chance de fazê-lo, e ainda praticaram atos de traição e justiçamento contra seus próprios aliados. Tudo em nome da causa comunista ou de suas próprias (como podemos ver o que fizeram muitos deles, hoje, depois de terem chegado ao poder). Jamais pegaram em armas, por um minuto sequer, como hoje já foi reconhecido publicamente por muitos deles, para lutar pela democracia republicana brasileira.

Qualquer semelhança com o que hoje acontece hoje no Brasil não é mera coincidência. A atuação do crime organizado, ligado a grupos terroristas internacionais, ao narcotráfico e ao contrabando de armas e mercadorias; os seqüestros para conseguir dinheiro e espaço na mídia (vide repórter e cinegrafista da Globo); a punição dos delegados de polícia federal que atuam dentro da lei, com afastamentos dos casos que investigam, com transferências de local de trabalho e até com ameaça de expulsão da PF; a demissão de profissionais da mídia, bem como o cerco econômico aos veículos de informação que não sejam alinhados ao governo – nada disso é coincidência, não. É estratégia mesmo e muito bem conhecida.

Mas como ele (o poder) se manifesta?”, pergunta a apresentadora. E continua: “Associamos o poder à punição, ao castigo. Até o fim do Século 18, era comum o poder ser exercido por meio da força física, da dor. Era o que acontecia no ritual do suplício - uma cerimônia pública, em que um criminoso era torturado até a morte. O suplício era uma prova de força, a manifestação do poder político do rei. Foi o que aconteceu no Brasil com Tiradentes, o líder da Inconfidência Mineira, que foi enforcado e esquartejado para servir de exemplo aos que ousassem desafiar a coroa”.


Bem, eu diria que há exemplos bem mais recentes que poderiam ter sido utilizados na produção de Viviane. O que aconteceu com o caseiro Francenildo (caso Palocci) é um deles; outro é o ocorreu com o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno, que foi afastado da investigação sobre a compra do falso dossiê Vedoin e que entregou, na marra, aos brasileiros as imagens do dinheiro da “maracutaia”. Estes são apenas dois dos casos que poderiam ser falados porque são de domínio público. É verdade que no caso deles não houve morte e nem tortura física, mas há suspeitas de que já houve sim recentemente pessoas que morreram para não “abrirem a boca”, pelo menos 10 delas.


Designar os focos de abuso de poder, falar deles publicamente, nomear, dizer quem fez, é uma forma de luta... Se o poder está em todos os lugares, como diz o filósofo, todo gesto de resistência, por menor que seja, atua na grande rede que guia nossas vidas”.

Concordo. E é por isso que estou escrevendo sobre o “Ser ou Não Ser” do dia 14 de outubro. É meu pingo d’água para apagar o incêndio na floresta.


Intercalados por imagens e citações reflexivas da apresentadora, depoimentos das “vítimas da ditadura” – ex-guerrilheiros e alguns de seus descendentes. A impressão que se tem quando essas pessoas falam de si mesmas é a de que sempre estiveram em casa, ouvido rádio, cozinhando, trabalhando normalmente ou coisa que o valha, quando foram surpreendidas, um belo dia, sem mais nem menos, por uma tropa de choque que os levou presas, apenas porque elas fossem democratas – como a SS nazista que levava os judeus por serem judeus.


Criméia Almeida, ex-guerrilheira do Araguaia, foi uma das vítimas mostradas na matéria. Ela foi presa por causa do seu envolvimento com a luta armada: “mesmo grávida de oito meses, não foi poupada” diz a apresentadora. E continua: “Ficou 20 horas em trabalho de parto, na cela, sem qualquer ajuda, até que seu filho nasceu no Hospital do Exército”.


Sabe o que eu pensava na hora do parto? Puxa, eles prendem, matam e as pessoas estão nascendo, né? Eles não são capazes de segurar tudo...”, disse Criméia, depois de ter dito, também, que o ódio lhe dera forças para viver: “O ser humano é incrível no seu limite. À medida que eles torturavam, que eles matavam, um sentimento para mim ficou muito grande: de ódio. E esse ódio também me deu força, porque existem certas coisas que a gente tem que odiar para o resto da vida”.


Caso se tratasse de uma apresentação com um mínimo de honestidade jornalística (o que evidentemente não foi o caso), algumas informações não poderiam ter sido sonegadas, sob pena de induzir o telespectador a conclusões erradas, inclusive sobre o próprio tema - relações de poder. Hoje, por exemplo, a palavra dos ex-terroristas têm mais poder sobre as comissões de anistia, sobre as ONGs, sobre a mídia e, conseqüentemente, sobre a opinião pública do que todas os possíveis testemunhos em contrário que ousem desmenti-la ou defender aqueles que livraram o país da tragédia comunista. Portanto, uma relação de poder bem mais polarizada e bem mais complexa, já que envolveria armas como a mentira, a omissão e o patrulhamento.


As informações sonegadas pelo Fantástico são públicas – estão registradas em livros e podem ser encontradas facilmente na internet. Infelizmente jamais foram divulgadas nos meios de comunicação de massa, nas escolas ou nas universidades (novamente um bom exemplo de “relações de poder” desequilibradas). Algumas delas estão numa entrevista concedida ao site Mídia Sem Máscara pelo coronel da reserva do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou, quando era major da ativa, o DOI/2ª/II Exército, em São Paulo, por quatro anos – período ao final do qual o terrorismo foi praticamente eliminado daquele Estado.

Na entrevista, o coronel Ustra diz que Criméia era mulher do filho do chefão da Guerrilha do Araguaia, Mauricio Grabois, e que ela estava na área de guerrilha quando ficou grávida. Ao contrário das outras guerrilheiras, que eram obrigadas a abortar, Criméia, protegida pelo comandante da área, foi mandada para São Paulo para ter o filho, onde acabou sendo presa e encaminhada para Brasília. Segundo o relato do coronel, foi lá, no Hospital Militar, que Criméia teve seu filho, com todo apoio e assistência, inclusive, da esposa do General Bandeira que, na ocasião, levou-lhe um pequeno enxoval.


Hoje um adulto, esse filho de Criméia, de nome Joça Graboi, também participou do programa: “Eu acho que as pessoas têm as opções, as pessoas fazem as escolhas, sejam certas ou erradas. Agora, eu não tinha feito nenhuma escolha. Eu não tinha nem nascido ainda. Então, isso é uma coisa que me incomoda”.


Baseado neste incômodo, Joça Graboi, (cuja mãe havia optado por ser guerrilheira e cujo pai nem ao menos acompanhara a mãe grávida para que tivesse o bebê em São Paulo), no segundo semestre do ano passado, conseguiu uma indenização, concedida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e assinada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, por ter estado “preso” em dependências militares.


As outras vítimas mostradas na matéria do Fantástico são também da família de Criméia: a irmã, Maria Amélia, o cunhado César e os filhos do casal, Janaína e Edson. Os dois, respectivamente com 5 e 4 anos à época em que os pais foram presos, disseram que nunca se esqueceram do dia em que os militares os levaram para ver os pais. Segundo eles, Amélia e César, haviam passado por uma sessão de choques e espancamento.


Eu me lembro de uma mulher me chamando pelo nome, e eu reconheci a voz como a voz da minha mãe, mas eu olhava para ela e via que não era o corpo dela. Por quê? Ela estava com o corpo desfigurado. Ela estava ensangüentada, esverdeada de levar pancada”, conta Edson.


Lembro quando a gente entrou na 36ª Delegacia, e lembro quando a gente entrou num corredor muito escuro, e no fundo tinha uma cela muito escura, onde meus pais estavam. E eles estavam, assim, totalmente estáticos, não conseguiam se mexer”, recorda Janaína.


Eu estava amarrada, nua, urinada, toda suja, humilhada e eles levaram para os meus filhos me verem desse jeito”, indigna-se Amélia.


O outro lado da história você, leitor, já pôde conferir mais acima.

 


A ditadura feriu a alma do povo, e acho que feriu no que nós tínhamos de mais bonito, que era a generosidade e a solidariedade” disse Amélia, no Fantástico. “E aí, então, eu pensava assim: ‘Eu tenho que denunciar o que é feito com as pessoas. Eu vou sobreviver’”, diz Amélia.


Maria Amélia sobreviveu, mas levou 34 anos para fazer as denúncias que dizia ser preciso. Coincidentemente, tomou a decisão justamente no período em que se dá a farta distribuição indenizatória pelo Estado brasileiro que, com o dinheiro público, já comprometeu a inimaginável quantia de mais de 3 bilhões de reais com o pagamento de indenizações a ex-terroristas e a seus descendentes. Vale dizer que, não foram nem uma nem duas vezes que circulou a informação de que entre os que se beneficiam das percentagens sobre as indenizações concedidas estariam os escritórios de advocacia do deputado Luiz Eduardo Greenhald (PT-SP) e o do ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.


Como não poderia deixar de ser, e ao contrário do “Ser ou Não Ser” do Fantástico, em pretendendo sempre ouvir os vários lados sobre um determinado tema, faço saber o e-mail enviado pelo deputado Greenhald à um blog da internet – Capoeira Internet – sobre o assunto:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

 

Em relação à mensagem caluniosa e injuriosa contra mim que vem circulando de forma irresponsável pela Internet, venho esclarecer que:
Não represento “todas” as causas de pedido de indenização das vítimas da ditadura militar. Foram protocolados na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça 50.637 processos, dos quais menos de 300 são representações apresentadas pelos advogados do meu escritório de advocacia. Jamais recebi um centavo, em honorários ou “taxa de sucesso”, por representação das pessoas que buscam essa indenização. Nem eu, nem os meus colegas de escritório... Não é com os injustiçados pelo regime militar ou vítimas de sua brutalidade que obtive ganhos materiais, a não ser a satisfação de ser partícipe de um processo de reparação histórica, o qual considero necessário para que os horrores do regime militar de 64 não se repitam... Por fim, informo que requisitei à Polícia Federal, através de representação criminal, o rastreamento e a identificação do autor ou autores da mensagem apócrifa e difamatória, para subsidiar queixa-crime junto ao juízo competente
”.


Vale dizer, entretanto, que as vítimas dos atentados terroristas não estão tendo a mesma atenção de gente tão caridosa e tão preocupada em fazer justiça como é o caso do deputado Greenhald, segundo suas próprias palavras acima citadas.


Orlando Lovecchio Filho, por exemplo, que perdeu uma perna e viu morrer o sonho de ser piloto da aviação civil, quando, ao passar na calçada em frente ao Consulado Americano de São Paulo, no dia 19 de março de 1968, foi atingido pelos estilhaços espalhados com a explosão da bomba que fora colocada no portão do Consulado por terroristas. Orlando foi, segundo o próprio, “emocionalmente torturado” pelo Estado até que conseguisse uma indenização.


A luta começou em 1992, quando o terrorista Sergio Ferro (então já um renomado arquiteto e artista plástico) confessou, numa entrevista à Folha de São Paulo, ter colocado a bomba no portão do Consulado. Orlando processou Sérgio, mas perdeu. Então, desde 1995, com a edição da Lei 9.140, ele passou a pedir indenização do Estado. Foram 9 anos de penitência até que finalmente, em 2004, fosse agraciado com o que o Estado achou por direito conceder: pensão especial, mensal e vitalícia, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), personalíssima e que não se transmitirá aos herdeiros do beneficiário. “As importâncias pagas serão deduzidas de qualquer indenização que a União venha a desembolsar em razão do acontecimento e o valor da pensão será atualizado nos mesmos índices e critérios estabelecidos para os benefícios do Regime Geral da Previdência Social”, diz a Lei.


O presidente Lula, por exemplo, recebe uma pensão especial para “anistiado político", de R$ 4.294,00, concedida em 1996. O líder do MLST e amigo de Lula, Bruno Maranhão (que até hoje não respondeu pela invasão e quebra-quebra do prédio do Congresso Nacional) foi agraciado com uma indenização que perfaz um total indenizável de R$ 2.160.794,62 (isso mesmo: dois milhões, cento e sessenta mil, setecentos e noventa e quatro reais e sessenta e dois centavos), nos termos do artigo 1º., incisos I e II c. e artigos 4º., § 2º., e 19 da Lei nº. 10.559 , de 2002, assinada pelo ministro da Justiça MÁRCIO THOMAZ BASTOS.


O caso da indenização aos pais de Mário Kozel Filho também merece ser mencionado. Ele prestava o serviço militar obrigatório, como soldado, quando perdeu a vida num atentado ao Quartel General do II Exército, em São Paulo/SP, promovido por um grupo de onze terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), em 26 de junho de 1969. Em 20 de agosto de 2003, o Estado concedeu pensão especial a Mário Kozel e Terezinha Lana Kozel, pais de Mário Kozel Filho, no valor de R$ 330,00 de pensão vitalícia, que, assim como a que foi concedida a Orlando Lovecchio, obedece à condição de que as importâncias pagas serão deduzidas de qualquer indenização que a União venha a desembolsar em razão do acontecimento.


Ao contrário, os terroristas que cometeram o atentado, Diógenes José de Carvalho Oliveira, Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egidio Fava, Onofre Pinto, Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antonio dos Santos, Dulce de Souza Maia, Renata Ferraz Guerra de Andrade, José Ronaldo Tavares Lima e Silva já estão todos (ou suas famílias) muito bem recompensados, com gordas indenizações e/ou pensões.

Finalmente, o quadro sobre “Relações de Poder” vai aos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social, o Dops, de São Paulo e conversa com o responsável Fausto: “Isso aqui são os olhos do regime, né?”... “Um sapateiro, uma pessoa que num boteco de esquina falou mal da ditadura, ou falou mal de um político, e foi fichado”... “Esses arquivos retratam a vivência dessas pessoas... que, apesar de comuns, eram capazes de gestos de extrema grandeza”.

Em se tratando se tergiversar e de “abocanhar” grandes indenizações, põe grandeza nisso!


Bem, eu resolvi escrever sobre isso porque talvez possa ajudar a algum curioso que procure informar-se, pelo menos um pouco mais detalhadamente, sobre a anistia, sobre o revanchismo, e até sobre “as relações de poder”. Infelizmente sei que será mais um daqueles protestos que serão pouco lidos, pouco divulgados e que jamais chegarão ao conhecimento da imensa maioria dos brasileiros. Hoje em dia, as crianças não dizem mais “na época do Governo Militar”, elas dizem “na época da Ditadura Militar” (assim mesmo, com letra maiúscula e oficialmente denominada em livros, revistas, jornais e na TV). E assim será... sabe-se lá até quando...


(1) Trecho da matéria do Fantástico: “O conhecimento deve estar sempre ligado à história. Não à história oficial, dos livros, que em geral desvaloriza e desqualifica as lutas das pessoas comuns, e sim à história dos combates esquecidos, de nossos heróis anônimos”.

 

Não Tem Conversa


Certa vez, houve um filme em que os oficiais hierarquicamente inferiores ao comandante de um submarino o destituiram do comando por traição à pátria, mas, por pena, alegaram que teria sido por insanidade. Eles demoraram a perceber as maléficas intenções do comandante. Mas, chegou uma hora em que suas consciências não puderam mais suportar o que ia ficando cada vez mais difícil de encobrir ou de justificar: tiveram que optar entre a cumplicidade na traição e a desobediência heróica. Optaram pela segunda alternativa. Os homens eram norte-americanos e a pátria os EUA. Pode-se falar muito mal desse "império". Muita coisa, acredito eu, até por inveja. Mas, não se pode negar: militares americanos jamais condecoraram aqueles que um dia, por ventura, estiveram em luta contra eles ou contra os EUA - no máximo, cumpriram acordos de paz. Não houve "Little Boy", "Fat Man", Vietnã ou Cambodja que tenham sido capazes de destruir a imagem que os americanos têm de seus militares. Ao contrário, é tradição americana protestar contra guerras e contra governos que maltratem seus soldados.

No Brasil, menos de mil pessoas morreram, desapareceram ou foram feridas, de um lado e de outro, na guerrilha fratricida que pretendia instalar a ditadura comunista no Brasil. Derrotados, os comunistas guerrilheiros deixaram o país. Anos depois, graças a anistia ampla, geral e irrestrita, retornaram à terra natal, muitos deles com a finalidade de dar continuidade aos planos comunistas interrompidos pela derrota. Continuidade essa que nunca deixou de ser dada, internamente, pelos companheiros que aqui ficaram cuidando do aparelhamento ideológico da mídia, das escolas, das universidades, das repartições públicas.


Quem teve, agora, a oportunidade de ler a confissão “estratégico-mentirosa” do marqueteiro João Santana na campanha presidencial do PT pôde perceber que a companheirada é capaz de qualquer coisa sim para obter aquilo que deseja. A Ação movida na Justiça contra o coronel da reserva do Exército, Brilhante Ustra, segue o mesmo padrão de raciocínio e de conduta por parte de guerrilheiros comunistas. Mentem, mentem e mentem, ainda em nome da causa – porque gordas, injustificáveis e imorais indenizações do Estado já conseguiram.

Não tem conversa. Se o coronel tiver que se retratar diante dos terroristas, a Justiça terá que exigir o mesmo de todos aqueles que praticaram assaltos, assassinatos, justiçamentos, seqüestros e atentados terroristas contra cidadãos e contra o Estado brasileiros. Entre eles, alguns hoje nobres cidadãos, como Fernando Gabeira. Coloco um ponto final antes de continuar a lista, para não misturar “alhos com bugalhos”, mas ela continuaria, imensa, com nomes como José Genoíno, Dilma Russef, Waldir Pires, José Dirceu, etc.


O jornalista Reinaldo Azevedo falou sobre esse assunto em seu Blog. Pediu “muita calma nessa hora” para os que lhe enviassem comentários. Noventa por cento deles concordam que a Ação é estúpida e ilegal. Na história “destepaís”, nunca a mídia de massas e as urnas estiveram tão distantes da maioria de seus cidadãos.


Christina Fontenelle

13/11/2006
E-MAIL: Chrisfontell@gmail.com

O desmonte das Forças Armadas brasileiras – Estamos sendo cercados e ninguém faz nada!

O desmonte das Forças Armadas brasileiras – Estamos sendo cercados e ninguém faz nada!

 

Por Rebecca Santoro

7 de outubro de 2008

 

O desmonte das Forças Armadas brasileiras - Este é o título de um dos últimos artigos do jornalista Marcelo Rech, especialista na cobertura de questões relacionadas à Defesa (íntegra, AQUI). Ora, ora, ora... Vejo que até os mais crédulos, finalmente, estão começando a perceber o engodo do Plano Estratégico de Defesa. Marcelo Rech costumava levar os ministros Jobim e Unger a sério. Parece que está caindo em si.

 

Uma enrolação. Medida para ganhar tempo. Estratégia para manter os militares quietos e esperançosos – a um passo da abocanhar um filé que jamais será alcançado. É disso que se trata o tal do Plano de Defesa, cheio de concepções e de intenções mirabolantes.

 

O principal ponto falho deste Plano é e sempre foi em relação à sua coordenada de tempo. Tudo é pensado e planejado como se tivéssemos a eternidade de no mínimo 10 a 15 anos pela frente para colocar nossas Forças Armadas em condições razoáveis para garantir a soberania e a independência de um país de dimensões continentais como o Brasil e que, ainda por cima, tem uma Amazônia inteira para resguardar.

 

Senhores, pelo amor de Deus! A Venezuela já está armada para ontem, aliada à Rússia e ao Iran (para não desfiar todo um rosário de países anti-ocidentais) e distribui seu potencial bélico e militar para seus vizinhos pupilos latino-americanos. O Brasil está cercado por Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai, e porque não dizer Argentina – todos países sob a influência revolucionária chavista. Aqui dentro, temos os movimentos sociais revolucionários armados; um Estatuto de Desarmamento que praticamente impede o cidadão de poder ter uma arma, mesmo que seja somente dentro de sua própria casa; temos os Círculos Bolivarianos, a Juventude Revolucionária, entre tantos outros movimentos declaradamente comunistas. Temos também o crime organizado, que, a partir do tráfico de drogas, já se configura como um Estado paralelo, em muitas áreas do território nacional. Temos indígenas exigindo terras e mais terras e que já sabem agir com as mesmas técnicas de tomada de terras que o MST, por exemplo. O mundo todo está em polvorosa!

 

Como é que aqueles que se dizem ‘os entendidos’ podem estar levando a sério um Plano de Defesa que prevê eficiência militar para daqui a 10 ou 15 anos – ou até para daqui a uns 3 anos? Essas pessoas são cegas? São surdas? Ou são simplesmente comunistas traidores mesmo?

 

O Brasil precisa de navios, de submarinos, de aviões, de artilharia antiaérea, de armamentos individuais modernos, de equipamentos modernos de telecomunicações – isso e muito mais, TUDO PARA ONTEM! Se a intenção fosse a da eficiência, tudo isso teria que ser comprado imediatamente. Deixássemos os sonhos de tecnologias próprias, de desenvolvimentos em pesquisas, de fábricas próprias para depois, ou até para durante (paralelamente), SE e ENQUANTO o mundo desfrutasse de um longo período de calmaria internacional – período pelo qual atravessamos recentemente, mas que NÃO É MAIS O CASO DO MOMENTO QUE VIVEMOS AGORA.

 

Será que não há um único militar de alta patente que esteja percebendo isso?

 

Leiam, abaixo, os principais pontos do texto de Marcelo Rech:

 

03/10/2008 - 17h36

Marcelo Rech

Jornalista

InfoRel: www.inforel.org

Correio eletrônico: inforel@inforel.org.

 

Há algum tempo acompanhamos as discussões sobre o orçamento das Forças Armadas, a evolução (?) dos programas de reaparelhamento e modernização e as já cansativas reclamações dos militares em relação aos sucessivos cortes. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou arrotando mudanças drásticas no momento em que o país vivia (?) um caos aéreo. Do alto de sua empáfia, falou, falou, esbravejou, mas, de prático, não fez nada.

(...)

Em meio às turbulências, vieram o midiático Plano Estratégico da Defesa e o Conselho Sul-Americano de Defesa. Nenhum deles vingou.

(...)

No dia 7 de setembro, deveríamos conhecer o tal Plano Estratégico da Defesa, mas depois de mais de um ano de discussões e debates, descobriu-se que o presidente Lula não estava completamente inteirado das propostas. Aguarda-se a convocação do Conselho de Defesa Nacional para debater o texto, se é que ele realmente existe.
(...)
Ainda não se sabe ao certo quanto dinheiro será aplicado nas Forças Armadas... Em dezembro, os presidentes Lula e Nicolás Sarkozy sacramentam um acordo militar entre Brasil e França para permitir a construção de quatro submarinos convencionais e um nuclear, além de helicópteros e a capacitação de tropas do Exército. No entanto, mesmo diante de tantas perspectivas positivas, as Forças Armadas continuam ameaçadas em seus orçamentos, o que revela uma profunda contradição entre o discurso e a prática no governo federal. Pelo menos R$ 1,6 bilhão dos recursos destinados às Forças Armadas continuam contingenciados.

 

O Exército já emitiu nota explicando que muitas de suas ações estão comprometidas e a Marinha anunciou a possível suspensão das patrulhas por falta de combustível... Não se pode entender como um governo pode construir um submarino nuclear se retém 23% do dinheiro da Marinha... É impensável que a Força Aérea Brasileira esteja concluindo um processo de licitação internacional para a aquisição de caças de última geração e tenha R$ 660 milhões dos seus recursos retidos pela Fazenda. Assim fica difícil acreditar que o governo realmente classifique suas Forças Armadas como instituições essenciais. É mais fácil acreditar num processo de desmonte mascarado pela retórica.

BOLÍVIA: e a revolução segue se espalhando...

BOLÍVIA: e a revolução segue se espalhando...

 

Por Rebecca Santoro

6 de outubro de 2008

Baseado no artigo: El MUNDO TIENE QUE SABER LA OTRA VERSION DE LOS HECHOS http://foro.univision.com/univision/board/message?board.id=190097542&message.id=42443

 

Segundo dois guardas florestais de Pando que estiveram naquele departamento durante ‘o massacre dos campesinos’ (pelo qual o prefeito de Pando está sendo acusado de ‘genocídio’ pelo governo de Evo Morales), o senhor Miguel Chiquitín Becerra, ex-prefeito de Cobija e aliado de Morales, mandou recrutar centenas de pessoas, em Riberalta, alguns dias antes, dizendo que seriam conduzidas a um Congresso, em Pando, pela qual a participação renderia 200 bolivianos para cada um dos presentes.

 

“Enganaram os camponeses, pagaram-lhes 200 bolivianos (30 dólares) para vir a um suposto congresso, mas, na realidade, queriam tomar a prefeitura e tirar o prefeito (governador)”, relata uma testemunha a um repórter do jornal Clarín (21-09-2008).


No caminho, na fazenda de Becerra, ele e o ministro Juan Ramón Quintana (acusado de ser o artífice da “ditadura militar” e da “guerra psicológica” que Pando vive), em pessoa, entregaram um rifle e uma caixa de munição para todos os homens, que seguiram adiante até Filadélfia – município que, de acordo com várias testemunhas, tem sempre muita gente armada e no qual também há a presença de muitos cubanos e de venezuelanos. Para não serem confundidos entre a população local, durante o premeditado e previsível conflito, todos receberam distintivos especiais (fizeram o pessoal de ‘alvo mártir necessário’?).

 

Enquanto isso, a prefeitura de Pando já tinha informações sobre a marcha dos campesinos. Por isso, organizou-se uma espécie de bloqueio, para tentar deter este grupo de cerca de 200 campesinos, que foram, então, recebidos pelos ‘bloqueadores’ de Pando com paus e pedras, por volta das três horas da madrugada. Entretanto, como eram em número muito menor, os ‘bloqueadores’ tiveram que recuar. Mas, foram surpreendidos por mais e mais campesinos que atiravam com armas de fogo contra eles. Correram, então, para a cidade de Cobija, aonde chegaram por volta das 5 horas da manhã.

 

“A violência começou quando os camponeses mataram à queima-roupa o engenheiro Pedro Oshiro, em frente a uma valeta que os separatistas haviam cavado em plena rodovia, na altura de Tres Barracas, para impedir o avanço camponês”, diz, ao Clarín, um jornalista local – que se auto-exilou na cidade brasileira de Brasiléia. O engenheiro foi baleado na cabeça. Morreram, também, uma defensora de Pando – conhecida como Martina – que apanhou e teve seu corpo queimado e, sem confirmação, um padre da cidade que tentava amenizar a situação.

A notícia da vinda da ‘marcha campesina armada’ alarmou os moradores de Cobija, que pegaram suas armas e saquearam uma loja que vendia armamentos, da qual levaram 25 armas, entre pistolas e rifles, mais munição. Ali perto, em Porvenir, os campesinos já haviam tomado a praça do povo. Quando a ‘resistência’ de Cobija chegou, começou um intenso tiroteio no qual morreram uns 4 ou 5 campesinos. Estes últimos, quando perceberam a enorme reação dos cidadãos locais, e por estarem em menor número, começaram a debandar em fuga. Mas, os moradores de Cobija e de Porvenir, perseguiram os agressores que fugiam.

 

Sem conhecer direito a região, muitos elementos que estavam em fuga se viram obrigados a ter que atravessar o rio Tahuamanu a nado. Enquanto nadavam em fuga, 10 ou 15 pessoas foram mortas – por tiro ou por afogamento – e, em sua maioria, tiveram seus corpos levados pela correnteza do rio. Algum tempo depois, começaram a aparecer os corpos em vários locais. Mas, as identidades destes mortos é que começaram a surpreender.

Campesinos? Bem, um deles, por exemplo, portava a identificação de atirador do Exército boliviano. Outros 5 nomes da lista de mortos/desaparecidos são de homens que haviam invadido uma reserva florestal de Pando, no mês passado (ou seja, não tinham vindo com os campesinos, mas já estariam infiltrados na região). E, mais recentemente, os parlamentares Oscar Urenda e Mario Cronembold confirmaram a denúncia de que outros 6 mortos seriam militares venezuelanos – cujos corpos acabaram sendo trasladados da Bolívia para a Venezuela, é claro, ilegalmente, com a conivência do Serviço de Aeroportos Bolivianos (Sabsa) e a participação da empresa funerária Señor de Malta. Conclui-se, portanto, que, pelo menos até agora, que 16 dos mortos nos conflitos em Pando não se tratavam de campesinos. Quantos campesino, afinal, teriam realmente morrido no que Morales está chamando de ‘massacre dos campesinos’?

O próximo departamento a sofrer com os ataques dos massistas (partidários do Movimento ao Socialismo – MAS – que apóiam Morales) é Santa Cruz, que está sendo cercado (e isolado) por cerca de 50 mil militantes pró-Evo. Até agora, 40 mil pessoas da Confederación de Indígenas del Oriente Boliviano (CIDOB), da Coordinadora de Pueblos Étnicos de Santa Cruz (Cepes), da Confederación Sindical Única de trabajadores Campesinos de Bolivia (CSUTCB) e da Federación Nacional de Mujeres Campesinas Indígenas Originarias de Bolivia Bartolina Sisa (familiares me parecem estes nomes...) estão bloqueando os acessos a Santa Cruz. São aguardados mais 10 mil militantes dos setores colonizadores, cocaleros e (cooperativistas) mineiros. Mais desgraça? Provavelmente sim, pois está difícil sair o acordo entre os prefeitos dos municípios que se pretendem autônomos e o presidente Evo Morales.

 

Assim se divide um país. Assim acontece em todos os lugares vitimados pela desgraça comunista. Mas, parece, não há olhos para ver nem ouvidos para ouvir – principalmente por parte dos governos de países vizinhos. Para muitos, o comunismo morreu e, junto com ele, a tal da Guerra Fria, não é mesmo?

 

Entretanto, coincidentemente ou não, a Rússia elegeu a Bolívia para recuperar sua presença política e econômica na América Latina. “Estou certo que, agora, vamos recuperar os anos perdidos” declarou ao jornal EL DIÁRIO o embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Rússia na Bolívia, Leonid E. Golubev, que também adiantou que seu país se empenhará, ao lado dos bolivianos, para apoiar a reivindicação de recuperação de uma saída para o mar (http://www.eldiario.net/).

 

A Bolívia, aliada ao Peru, perdeu sua saída para o mar, depois da chamada "Guerra do Pacífico", contra o Chile, no período 1879/1883. Desde então, os bolivianos tentam, pela via diplomática, recuperar sua saída para o mar. Evo Morales e Michelle Bachelet, presidenta do Chile, estabeleceram um acordo com uma agenda de 13 pontos, na qual consta a reclamação marítima boliviana.

 

Atentem para o teatro boliviano, senhoras e senhores, porque lá se passa uma amostra do que aqui poderá vir a ocorrer. Nosso consolo é que, por motivos óbvios, o Brasil ficará por último. Então, não se preocupem, pelo menos os três próximos Carnavais estão garantidos.

 

 

Vejam os três vídeos abaixo e saibam o que realmente se passa naquele país:

 

BOLÍVIA - PARTE 1 - A EVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO COMUNISTA DE EVO

 

 

BOLÍVIA - PARTE 2 - ATAQUE A CAMPESINOS INOCENTES?

 

BOLÍVIA - PARTE 3 - O VERDADEIRO MASSACRE DE PANDO

 

 

O MISTERIOSO, RICO E ESTRATÉGICO CORREDOR QUE PASSA POR RORAIMA

 
Por Rebecca Santoro
19 de setembro de 2008
 
O jornal inglês The Economist, em 01/10/2007, publicou nota sobre uma decisão da ONU, de 20 de setembro daquele ano, que determinara como pertencente à Guiana uma área marinha que estava em disputa com o Suriname. O jornal dizia que “o Serviço Geológico dos EUA (USGS) acredita que as águas turvas da Bacia Guiana-Suriname podem conter mais petróleo não descoberto do que as reservas comprovadas no Mar do Norte (...)”.

 

Pois é, a Guiana tem petróleo. Ela tem petróleo não só no mar, mas também no interior. Nos dias de hoje, por exemplo, a empresa de exploração de petróleo Groundstar aposta nesta potencialidade da Guiana e fechou um pacote de contratos, dentro dos quais estabeleceu 3 pontos para as primeiras perfurações: nas regiões dos rios Karanambo, Rewa e Pirara. (consultem:http://www.searchanddiscovery.net/documents/2004/webster02/images/poster03.pdf ou http://www.frasermackenzie.com/presentations/Groundstar%20at%20FM%20Conference.pdf). Toda esta predisposição petrolífera na vizinha Guiana concentra-se num tipo de terreno geológico-ambiental classificado como bacia sedimentar.

 

O que é uma bacia sedimentar? É uma depressão topográfica de grande extensão, como o Vale do Rio Taubaté, por exemplo, na qual, ao logo dos tempos vão sendo depositados fragmentos de erosão das áreas elevadas que a margeiam e transportados para a bacia por rios, geleiras ou ventos, juntamente com restos de animais ou de plantas, como pedaços de conchas, de folhas, de ossos etc. Os sedimentos vão sendo depositados lentamente, os mais novos cobrindo os mais antigos, enchendo a bacia. O resultado é uma pilha de rochas de diferentes idades, que podem revelar a história da região durante a sedimentação. Entre outros, essas bacias contém recursos de água subterrânea, de rochas como calcário e carvão mineral, acumulações de minerais resistentes como ouro, cassiterita, diamante e ilmenita e, se as condições forem adequadas, petróleo e gás. No mapa ao lado estão mostradas as maiores bacias sedimentares do Brasil. No total atingem 6.430.000 km2 (64% do território nacional), dos quais 4.880.000 km2 em terra e 1.550.000 km2 na plataforma continental.

 

O petróleo dessas bacias é originário de decomposição de matéria orgânica acumulada com os sedimentos. Para que existam depósitos econômicos de petróleo e gás é necessário que essas bacias tenham rochas geradoras, rochas acumuladoras e estruturas que favoreçam a acumulação do petróleo e do gás. Rochas geradoras são aquelas que que contém material orgânico em quantidade suficiente para gerar volume significativo de petróleo ou gás. Rochas acumuladoras são rochas porosas e permeáveis, que constituem reservatórios para gás e petróleo. O petróleo e gás produzido nas rochas geradoras é mais leve que a água dos sedimentos e migra para cima, através da coluna de sedimentos. O fluxo ascendente é interrompido onde encontra uma camada impermeável à sua ascenção, como uma camada de argila. Se a rocha sob essa argila for acumuladora, isto é, tiver grande volume de espaços vazios, o petróleo e o gás podem acumular aí até atingir grandes volumes. Essa acumulação é ainda maior onde houver falhamentos e dobramentos das rochas, formando “traps”, ou armadilhas, de onde o petróleo e o gás não podem mais sair.

 

Voltando à Guiana, a exploração do petróleo/gás naquele país acontece na bacia sedimentar do Tacutu, que tem cerca de 30.000 km². Parte dessa bacia, cerca de 12.000 km², está no Brasil, dentro do estado de Roraima. A Bacia de Tacutu originou-se do mesmo movimento tectônico (separação dos continentes) que produziu as bacias cretácicas produtoras de petróleo da costa do Brasil, como a a do Recôncavo, na Bahia, e a Potiguar, no Espirito Santo. A Bacia do Recôncavo  tem um terço do tamanho da bacia do Tacutu, produz há mais de 50 anos e, mesmo assim, ainda hoje se descobrem novos campos produtores de óleo.

 

Entretanto, o que já se fez na bacia do Tacutu, aqui no Brasil, até hoje? Muito pouco. Na década de 80, a Petrobrás realizou levantamentos sísmicos de reconhecimento, mas com tecnologia de baixa capacidade e que hoje já está ultrapassada. Foram perfurados apenas dois poços na área, os quais comprovaram a existência de camadas geradoras e de rochas acumuladoras, mas que não mostraram (nos locais furados) indícios de óleo/gás. Acontece que, ainda hoje, apesar do enorme progresso obtido nos variados métodos de pesquisa, mais de 80% dos poços pioneiros (os primeiros a serem perfurados em uma bacia sedimentar) não resultam, nem aqui no Brasil e nem no mundo, em descobertas aproveitáveis, oferecendo, porém, valiosas informações quanto às possibilidades petrolíferas da área, permitindo refinar a pesquisa e redirecionar os próximos furos, os quais passam a ter melhores condições de acerto. Na bacia de Campos (Rio de Janeiro), por exemplo, os 10 primeiros poços foram negativos, mas forneceram valiosas informações para localizar o primeiro poço positivo, furado em 1974.

 

O mapa ao lado, copiado do site da Groundstar, mostra a posição da Bacia do Tacutu na região de fronteira entre o Brasil e a Guiana. Mostra também a localização dos principais alvos de pesquisa da companhia. Na Guiana já houve produção de petróleo. Segundo artigos dos geólogos Jaime Fernandes Eiras e Joaquim Ribeiro Wanderley Filho, que já trabalharam para a Petrobrás, "houve produção inicial (1982) de 409 barris de óleo/dia, em basalto atravessado no fundo do poço Karanambo 1. Após a completação, o poço passou a depletar, chegando a produzir por pistoneio, água salgada e apenas 60 barris de óleo/dia. Como o poço foi perfurado sobre um amplo arco regional, acredita-se que situações geológicas mais favoráveis poderiam ser encontradas em zonas mais tectonizadas". De acordo com estes mesmos geólogos, o tipo de acumulação da Bacia do Tacutu é similar ao da Bacia do Solimões e, por isto, tem grandes chances de também conter petróleo, já que na do Solimões “a Petrobrás produz diariamente cerca de 57 mil barris de óleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás".

 

Essa questão da necessidade de se voltar a pesquisar petróleo/gás na bacia do Tacutu é tão séria que foi, inclusive, tema de tese de dourado no Instituto de Geociências da UFRJ: “Análise Tectono-estratigrágica da Bacia do Tacutu em Território Brasileiro”, do geólogo Renato Lopes Silveira. De acordo com seus estudos, Silveira conclui que o “potencial petrolífero da Bacia do Tacutu não foi adequadamente avaliado e que a aquisição de novos dados geofísicos e a aplicação de parâmetros de aquisição e de processamento mais adequados propiciariam avaliar convenientemente a referida bacia”. Para o geólogo “a ausência de reservatórios convencionais arenosos na bacia do Tacutu, propícios à acumulação de hidrocarbonetos, não seria compatível com a maioria das bacias do tipo rifte que ocorrem no mundo”.

 

Já em 2001, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) publicava um mapa com as reservas brasileiras de hidrocarbonetos no qual marcava a bacia do Tacutu entre essas reservas (figura ao lado). Ou seja, o fato de haver reservas de petróleo e de gás na região não é desconhecido por autoridades ligadas à área petrolífera e nem por parte do governo, que, em novembro de 2006, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, empregou recursos da ordem de R$ 1,5 milhão, através de emenda parlamentar, na Universidade Federal de Roraima, para a implementação do Núcleo de Pesquisas Energéticas (Nupenerg) com propostas de pesquisar petróleo na bacia do Tacutu, e na Bacia Sedimentar do Amazonas, na região sul de Roraima.

 

Grande parte da porção brasileira da Bacia do Tacutu está dentro da área da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Ou seja, como se não bastasse haver nióbio, tântalo, ouro e diamantes, na Raposa Serra do Sol também tem petróleo e/ou gás.

 

Além disso, há outra coisa muito importante que precisa ser observada. Esta semana, o escritor Félix Maier publicou um artigo sobre uma nova demarcação de reserva indígena pretendida pela FUNAI e pelo Instituto Sócio Ambiental (ISA): a dos Cué-Cué Marabitanas, no Amazonas. A descrição geográfica da posição desta Terra Indígena (TI) feita por Maier impressiona:

 

"Na extremidade sul da TI Cué-Cué Marabitanas fica a cidade de São Gabriel da Cachoeira... Entre a TI Balaio, a leste (que, por sua vez, já faz fronteira com a TI Ianomâmi); a TI Alto Rio Negro, a oeste; a TI Médio Rio Negro I, ao sul; e a Venezuela, ao norte. Abaixo da TI Alto Rio Negro, existe ainda a TI Rio Apapóris (próximo à Vila Bittencourt). E a leste da TI Médio Rio Negro existem as TI Médio Rio Negro II e TI Rio Tea. Abaixo da TI Médio Rio Negro I - depois de uma faixa de terra ainda não pleiteada pela Funai para os indígenas - existe a TI Uneiuxi. Todas estas TI ficam no Amazonas. Com as demarcações de Balaio e Cué-Cué Marabitanas, o município de São Gabriel da Cachoeira terá 90% de suas terras destinadas aos índios!" Observem o mapa acima (clique para ampliar).

 

A criação da Reserva Indígena Balaio foi feita depois que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão do Ministério de Minas e Energia, identificou Seis Lagos, um imenso depósito de nióbio logo a norte de São Gabriel da Cachoeira. Esse depósito pode ser até maior que o maior depósito de nióbio hoje conhecido no mundo, que é o de Araxá, em Minas Gerais, que produz 95% do nióbio consumido no mundo. Aliás, antes mesmo de criar a reserva indígena foi criado um parque nacional sobre o depósito, para impedir seu estudo. A quem interessa isso?

 

Mas, as ambições não param por aí. A pretensão da FUNAI e do ISA é juntar todas estas terras indígenas numa única, que receberia o nome de TI Balaio (veja mapa ao lado), na qual São Gabriel da Cachoeira estaria COMPLETAMENTE inserida. Acompanhando todas as demarcações de TI(s) e de reservas ambientais na região da Amazônia Legal e até nas suas redondezas, pode-se observar a formação de um corredor de riquezas com importância estratégico-geográfica impressionante. Uniria o Oceano Atlântico ao Pacífico, partindo da Guiana e passando pelo Brasil e Colômbia,

 

Olhando o mundo a partir da suposição de uma Terceira Guerra Mundial, quem tiver o domínio sobre esta região do ‘corredor’ estará muito bem arranjado. Sobre isso, leiam “Coloquem os óculos, senhoras e senhores: enxerguem!”. O imortante é começar a pensar sobre quais seriam as razões por trás da construção deste corredor...

 

 

Coloquem os óculos, senhoras e senhores: enxerguem!

Coloquem os óculos, senhoras e senhores: enxerguem!

 

Por Rebecca Santoro

16 de setembro de 2008

 

Estamos vivendo um momento crucial na História da humanidade. Momento difícil de ser compreendido, principalmente se observado por análises dos fatos de maneira isolada. Mas, quando digo ‘isolada’, isso não significa que quem for capaz de identificar os vários fatores e agentes envolvidos em determinados fatos não os esteja analisando também de maneira isolada. Na verdade, entender um fato em sua plenitude, principalmente nos dias de hoje, significa ser capaz de identificar e de compreender a conexão entre os vários acontecimentos, aparentemente desconexos, que estão envolvidos naquele fato.

 

A crise financeira norte-americana, que aflige o mundo, e a crise política na Bolívia, que a nós brasileiros e a todos os nossos vizinhos particularmente aflige, são desses fatos importantes que precisam ser muito bem analisados, cuidadosamente analisados, para que não se descambe para análises completamente distorcidas da realidade e totalmente desligadas das verdadeiras razões – o que acaba colaborando para o sucesso dos planos dos verdadeiros operadores do teatro mundial (planos estes, desta vez, realmente ambiciosos e nada bons para os amantes da Criatura e da Liberdade).

 

Nesse cenário mundial, não se pode mais, por exemplo, interpretar os fatos importantes sem que seja levado em consideração o recrudescimento da ‘Guerra Fria’, porém, agora, ampliada e representando o confronto entre toda a sociedade ocidental-cristã (esteja ela onde estiver) e o resto do mundo – que reúne diversas forças para destruí-la.

 

Não é nenhuma novidade o fato de que os comunistas sempre tenham dito que o sucesso do comunismo dependesse da consumação daquele regime em todo o planeta. Também não é nenhuma novidade o desejo do Islã de reinar sobre todos os povos da terra. Os adeptos desses dois projetos de poder mundial estabeleceram uma trégua entre suas diferenças e se uniram para destruir o ‘gigante imperialista ocidental cristão’ representado em sua liderança pelos EUA. Estas forças de destruição atuam, não só mundo afora, como dentro do território norte-americano, há anos – os presidentes Jimmy Carter, Bush (o Pai) e Bill Clinton e, agora, o candidato Barak Obama que o digam (são todos, dentre outros, provas vivas disso).

 

Infelizmente, eu devo insistir para que todos vocês leiam ou releiam estes dois artigos: “AMÉRICA: DA LIBERDADE AO FASCISMO” e “Quem é o inimigo?”. Digo ‘infelizmente’ porque é mais coisa para ler, mais coisa para interpretar, para absorver. Mas, não dá para explicar tudo nesse artigo. Também seria bom que todos pudessem ler: Série CAI O PANO, Série CAI O PANO - 2, Série CAI O PANO - 3, Série CAI O PANO - 4, Série CAI O PANO - 5, Série CAI O PANO - 6, Série CAI O PANO - 7 e Série CAI O PANO - 8. São capítulos de um livro que ainda não acabei de escrever e que está parado no capítulo 8, entre outras coisas, por total falta de tempo de minha parte, já que o projeto necessitaria de dedicação integral - o que não posso fazer no momento.

 

Observe-se que Bush, a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, tem acelerado o processo de construção/aprimoramento do escudo antinuclear norte-americano, estendendo-o para a Europa. Putin, o verdadeiro comandante da Rússia, por seu lado, ameaça com ataques – inclusive nucleares – aos americanos e a seus possíveis aliados. A Rússia reativou bases militares em territórios estrangeiros na Ásia e os EUA reativaram a IV Frota (e tem gente que acha que isso se deva por causa do petróleo brasileiro do Pré-Sal). Todos os inimigos dos EUA estão sendo abastecidos com armamentos e munições de todos os tipos – seja isso feito de forma legal e aberta ou não, direta ou indiretamente, pelas mãos dos russos.

 

Em relação à crise financeira dos EUA, talvez, por ter subestimado seus inimigos, o Estado norte-americano, por questão de sobrevivência, não tenha outra alternativa além de acabar cedendo aos planos da oligarquia transnacional e trocar sua moeda, fazendo com que muita gente e muitos países pelo mundo fiquem com aquele volume todo de dólares, como uma pesadíssima batata quente, nas mãos. Isso sempre esteve nos planos dessa oligarquia, que, há tempos, já vem trocando ‘riqueza’ financeira por riqueza real (terras, bens de produção e minérios), para acabar tendo controle total sobre todas as cadeias de produção de bens de consumo finais. Só que, talvez, se o Estado norte-americano antecipar essa troca de moeda, a oligarquia transnacional não se saia completamente vitoriosa. Ainda é cedo para avaliar.

 

Não tenham dúvidas de que a América do Sul – portanto, o Brasil, que ocupa, sozinho, a maior parte do Continente – está sendo alvo de ação no contexto dessas disputas. Em tendo o escudo antinuclear, parte da Europa e dos Estados Unidos relaxaram na ‘manutenção’ de zonas de retaguarda, para abastecimento e sobrevivência a um conflito nuclear. Subestimaram a capacidade de infiltração e de ação do inimigo dentro de suas fronteiras, assim como avaliaram mal a importância, em termos de quantidade, de se poder contar com povos e territórios aliados. Não ligaram para a esquerdização da América-Latina (completamente patrocinada pelos mesmos inimigos que atuam dentro do estado norte-americano) e, depois de 2001, tentam, sem sucesso (com exceção da Colômbia), trazê-la de volta para o bloco dos aliados do grupo ‘ocidental-cristão’. Outra razão para a criação da IV Frota.

 

Ao mesmo tempo, sabe-se que a vocação da América-Latina jamais foi a comunista, ainda que tenham prevalecido na região ditaduras paternalisto-populistas – que são coisas diferentes. É natural, portanto, que venezuelanos, argentinos e, agora, bolivianos saiam às ruas para lutar contra a implantação do comunismo em seus países. Ao contrário, como já disse, parte do mundo tem feito vista grossa em relação à esquerdização da América do Sul e outra tem patrocinado exatamente esse processo. Não é preciso, portanto, que haja ingerência nenhuma dos EUA para que reações internas aconteçam. No Brasil, por exemplo, essa reação tem-se dado, AINDA, nos níveis judiciais e intelectuais. Os povos da região também não têm o menor desejo de se unificarem na União das Repúblicas Socialistas Latino-Americanas (o nome muda toda hora...).

 

Esse ‘projeto’ de união, patrocinado pela oligarquia financeira internacional, através da ONU, vem, portanto, de fora, e, aqui, atua pelo braço do Foro de São Paulo. Como o processo de ‘união’ em bloco é completamente antinatural, vem sendo imposto, sem disfarçastez por parte dos governantes do Foro que chegam ao poder em seus países. Por isso é que, para o PT e para outros esquerdistas, ‘perder’ duas refinarias da Petrobras para a Bolívia não se tratou de perda e sim de remanejamento de administração – já que o que se tem em mente é o bloco continental e não um pedaço dele, no caso o Brasil. E funciona esse tipo de olhar para tudo o que se faça por aqui, com o Brasil quase sempre perdendo, porque é visto como o gigante imperial-capitalista da região. Outro dia, por exemplo, Marco Aurélio Garcia já declarou que toda a América-Latina precisa se beneficiar da futura exploração do petróleo do Pré-Sal. E Uruguaiana? E Itaipu? Leiam ‘A VACA ATOLADA’ de Percival Puggina – está tudo ali.

 

Entretanto, nesse novo cenário de ‘Guerra Fria’, é bem possível que os movimentos de reação ao comunismo acabem recebendo, sim, apoio (sabido, por estes, ou não) de grupos aliados aos ocidentais-cristãos, que, agora, começam a entender (talvez um pouco tarde demais) que têm um inimigo poderosíssimo em comum e que age à revelia de fronteiras – geográficas e ideológicas. Não é hora de olhar o mundo com olhos anti-americanistas e, sim, com olhos (e bem abertos) anti-internacional-comunisto-fascistas. Identifiquemos bem os inimigos do homem e da liberdade, senhores.

QUEM NÃO SOUBER DESVENDAR A LÓGICA DA FALTA DE LÓGICA PERECERÁ

QUEM NÃO SOUBER DESVENDAR A LÓGICA DA FALTA DE LÓGICA PERECERÁ

Rebecca Santoro

30 de agosto de 2008

 

A maior preocupação manifestada por aqueles que se opõem à demarcação das terras indígenas – especialmente as de grande extensão, situadas nas fronteiras do país – é a de que estas reservas possam vir a se transformar em nações independentes. A temeridade, bastante justificável, se baseia no fato de o Brasil, pelas mãos de Celso Amorim, como ministro das Relações Exteriores, assinou a Declação dos Direitos dos Povos Indígenas, da ONU, em 1993, ratificando-a em 2007.

 

Autodeterminação, autogoverno, necessidade de consulta aos ‘povos’ para instalação de unidades militares (ou mesmo para a realização de exercícios/atividades militares) e para a exploração recursos do solo e do subsolo, bem como o direito que os indígenas teriam de ter sua própria nacionalidade (e não se trata da brasileira, no caso Brasil) são apenas alguns dos itens constantes da Declaração que suscitam as suspeitas de que possam, na prática, virem a se transformar em nações independentes.

 

Porém, ninguém fala da Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais da qual o Brasil já é signatário. Adotada em Genebra, em 27 de junho de 1989, foi aprovada pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo no 143, de 20 de junho de 2002, e retificada pelo governo brasileiro, junto ao Diretor Executivo da OIT em 25 de julho de 2002. Tendo entrado em vigor internacional, em 5 de setembro de 1991, e, no Brasil, em 25 de julho de 2003, a Convenção “será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém”, de acordo com DECRETO Nº 5.051, DE 19 DE ABRIL DE 2004. assinado pelo presidente Lula e pelo ministro Celso Amorim.

 

Nessa Convenção já estavam delineados – só que com menos especificidades e com denominações menos explícitas, digamos assim – tudo isso que tanto se teme a respeito do que traz a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. E o que é pior: já passou pelo Congresso, já assinamos e ratificamos. Na Convenção 169 da OIT, por exemplo, passa toda a questão da negociação com os ‘povos’ sobre a exploração de recursos minerais e naturais (para a construção de hidrelétricas, por exemplo). Os mesmos princípios adotados em relação aos índios também devem ser observados no tratamento com outras ‘minorias’, como os quilombolas, no caso do Brasil. Ela estabelece ainda, em seu artigo 32, que “Os governos deverão adotar medidas apropriadas, inclusive mediante acordos internacionais, para facilitar os contatos e a cooperação entre povos indígenas e tribais através das fronteiras, inclusive as atividades nas áreas econômica, social, cultural, espiritual e do meio ambiente”.

 

Na prática, já estamos compromissados com causas e princípios supranacionais, para nortear a maneira como índios, brancos e negros se relacionarão entre si, aqui dentro do Brasil, e cada um, respectivamente, com a terra. Estamos comprometidos com a ‘desmiscigenação’ de nosso povo – uma de nossas mais marcantes características, inclusive responsável pela tão bem sucedida expansão e manutenção da integridade territorial e social de um país de dimensões continentais como o Brasil.

 

É o tal negócio: a inveja e a ambição têm movido muito mais a humanidade do que algo como amor ou respeito, por exemplo. Entendam como quiserem esse meu rápido ‘devaneio’ – uma dica: não estou falando dos Estados Unidos, não.

 

Voltando.

 

Ficamos mais envolvidos nesse comprometimento com a ‘internacionalidade’ depois que as mesas da Câmara dos Deputados e do Senado promulgaram a Emenda Constitucional  Nº 45 - DE 8 DE DEZEMBRO DE 2004, que reformulava uma série de artigos da Constituição e que estabeleceu, entre outras coisas, no seu Artigo 5º:

 

§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

 

§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.

 

Estavam nas Mesas, os senadores José Sarney, Paulo Paim, Eduardo Siqueira Campos, Romeu Tuma, Alberto Silva, Heráclito Fortes e Sérgio Zambiasi; e os deputados federais Inocêncio de Oliveira, Luiz Piauhylino, Geddel Vieira Lima, Severino Cavalcanti, Nilton Capixaba, Ciro Nogueira e João Paulo Cunha.

 

Estes e outros cidadãos de tão ‘primorosa’ estirpe é que têm guiado nossos destinos, como brasileiros e como indivíduos, ao longo dos últimos 23 anos – impunemente.

 

Tão convencidos de que sua política indigenista internacional prosseguirá vitoriosa na conquista de seus objetivos, organizações nacionais e internacionais seguem cumprindo suas agendas. Já estão lá frente, discutindo como deverão ser os acordos que ‘povos’ indígenas deverão firmar com seus vizinhos, e ex-países, sobre as concessões de direitos para exploração de riquezas minerais e naturais em suas terras.

 

Nesse mês de agosto, por exemplo, o Instituto Sócio Ambiental (uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip - que ‘defende’ bens e direitos sociais, coletivos e relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos dos povos, etc.), está lançando uma publicação especial sobre “o direito de consulta livre, prévia e informada dos povos indígenas e tribais”, previsto na Convenção 169 da OIT, e realizado em parceria com a Fundação Rainforest da Noruega, que apóia a idéia de trabalhar na implementação desse direito no Brasil.

 

Ou seja, enquanto estamos preocupados com a manutenção de cidades, de fazendas, de unidades militares e de população não índia na região da Raposa da Serra do Sol, e com a questão das demarcações de outras reservas imensas em Mato Grosso do Sul (que são mais agressivamente desapropriadoras do que a de Roraima), as entidades nacionais e internacionais – completamente seguras de que as desapropriações se concretizarão, por bem ou por mal – já estão, lá na frente, discutindo como vão lucrar com as terras ‘reservadas’. Criaram situações surrealistas, que criaram empregos surrealistas, que criaram mentalidades deformadas, incapazes de identificar a lógica surrealista pela qual se guiam.

 

O que eu estou querendo neste breve artigo é chamar a atenção das pessoas sobre discussões inúteis a respeito de ‘legalidades’ e de ‘constitucionalidades’, na medida em que ‘tudo o que já se tem assinado e escrito pode ser usado contra o Estado e/ou contra o povo brasileiro’, dependendo de interpretações ‘judiciais’ que poderão sempre estar convenientes a quem se esteja servido. Tudo, depois de 1988, tornou-se relativo. Até a verdade, agora, é relativa. O principal de toda essa crise que vivemos, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo, ninguém tem a coragem de desnudar – com raríssimas exceções de pessoas que não temem a pecha de louco e de outros adjetivos não menos ‘descredenciadores’. 

 

E aí, vem-me outro devaneio. É o tal negócio: o golpe mais perfeito do diabo foi convencer a humanidade de que ele não existe. Quem é que vai se preocupar com o que não existe?

DE FARSA EM FARSA, A ESQUERDA NOS IMPÕE O FUTURO

DE FARSA EM FARSA, A ESQUERDA NOS IMPÕE O FUTURO

 

 

Por Rebecca Santoro

29 de agosto de 2008

 

A Agência Reuters de notícias divulgou, hoje, que Tarso Genro, o ministro da justiça do PT, em rápidas declarações sobre o julgamento do STF sobre a Raposa da Serra do Sol, “se mostrou convencido de que a demarcação contínua será mantida pelo STF”, e completou “quem ouve o ministro falar acha que a vitória já foi garantida”. Tarso disse mais, com ares de satisfação: “Não adianta estourar pontes, fazer ações violentas contra o estado e fazer mobilizações que levem à violência. Não é uma vitória de índio contra branco ou de índio contra arrozeiro".

 

O ministro, como em raríssimas ocasiões, tem razão. Não se trata de uma vitória de índio contra branco ou de índio contra arrozeiro. Não mesmo. Trata-se de uma vitória do comunismo internacionalista defendido e idolatrado por gente como Tarso sobre todos os brasileiros – excluindo a corja que está no poder e os que a ela tentam se juntar por medo de sucumbir à triste realidade que se instala no país (podem esperar: sucumbirão ainda mais terrivelmente...).

 

O voto do relator do processo, o ministro Ayres Brito, foi brilhante, como disseram alguns de seus colegas à imprensa. Brilhantemente cínico e hipócrita, isso sim. Como é que um homem com aquela envergadura cultural toda deixaria de saber que na área de savana onde se encontram os vilarejos e fazendas de Roraima jamais habitou tribo indígena nenhuma? Há fotos, inclusive publicadas por este site, que mostram isso perfeitamente. São fotos tiradas por um geólogo que esteve pesquisando a região no início dos anos 70. Há, também, um programa de TV sobre a região feito por Amaral Neto – O Repórter, em 1973. Nele, Amaral Neto mostra as fazendas da região e as cidades, falando do crescimento daquela área. Os índios de aldeia e de tanga? O repórter os encontrou em regiões de mata mais fechada, bem distantes das áreas onde estavam as fazendas. Todos os outros índios estavam perfeitamente integrados à vida nas fazendas, em suas pequenas propriedades e nas cidades.

 

Como é que um homem tão ‘erudito’, como ele mesmo gosta de qualificar seus colegas de toga, não saberia que os laudos apresentados, para embasar a homologação da reserva em terras contínuas, são forjados contra centenas de evidências que os desmascarariam? Como é que um homem que ocupa a mais alta corte de justiça brasileira – juntando a ele, aqui, o procurador geral da república, Fernando Souza – pode dizer, com toda a calma do mundo, que quem continuou naquela região, depois de 1996, ocupou as terras praticando ‘esbulho’ – que é se apossar de algo que tem dono, de má fé? Meu Deus?! Desde os anos 60/70 essa gente já estava naquelas terras! E mais: acusá-los de estar provocando danos ambientais e culturais aos silvícolas, POR OCUPAREM CERCA DE 1% DA IMENSIDÃO DE TERRAS QUE, AGORA, QUEREM ENTREGAR AOS ÍNDIOS – MUITOS DELES PARA LÁ TRAZIDOS, SEM JAMAIS TEREM SIDO CRIA DAQUELAS TERRAS?

 

E o parecer do relator sobre os municípios legalmente constituídos e que estão, agora, com a homologação em terras contínuas, dentro da reserva Raposa da Serra do Sol? Os registros de nascimento, de propriedade, de casamento, de identidade, de título de eleitor – tudo isso vai virar poeira? E as fazendas, casas de comércio, casas particulares – devem ser destruídas antes que se volvam aos índios do CIR? Tomara mesmo que não ficasse pedra sobre pedra no que os ‘brancos’ tivessem que deixar pra trás, caso se concretizassem as previsões de Tarso Genro.

Entendam, Roraima está muito longe de onde estou e eu não conheço ninguém por lá. Se o caso se desse no Espírito Santo, por exemplo – e como está efetivamente acontecendo em Mato Grosso do Sul -, eu estaria falando exatamente as mesmas coisas. Eu não estou nem ao menos fazendo alarde em relação à exposição ao perigo de nossas fronteiras. O fato é que há uma injustiça sendo cometida pelas mãos de um governo – que tomou o Estado – contra brasileiros. Hoje são eles, amanhã pode ser qualquer um de nós.

 

Um governo não pode ter o poder de dar canetas e sair submetendo uma nação inteira aos seus desejos. Foi uma canetada que nos impôs a Lei Seca: não foi voto popular, não foi voto de Congresso eleito. Agora, como se não bastasse os absurdos constantes do Estatuto do Desarmamento, vão passar por cima do desejo dos brasileiros de que não sejam legalmente desarmados (porque, na prática, é isso o que o Estatuto praticamente já nos impõe) e começam nova campanha para desarmar o povo. O governo pretende fazer novo referendo sobre o tema. Porém, dessa vez, não haverá mais a preocupação de que as urnas revelem a verdade, porque o senhor Luiz Inácio já está eleito, depois de ter enfrentado ‘duro’ e ‘democrático’ segundo turno. Não precisa mais demonstrar que a ‘democracia do voto eletrônico’ funcione perfeita e seguramente por aqui.

 

Podem apostar: se nada de extraordinário acontecer, se nenhuma reação popular imprevisível sobrevier, as coisas vão se encaminhar no sentido de que tenhamos centenas de nações indígenas, completamente independentes do Brasil, aqui dentro do país. Teremos também centenas de reservas ambientais, centenas de áreas reservadas para reforma agrária do MST e para quilombolas. Teremos ainda concentração dos meios de produção nas mãos de poucos amigos da nomenklatura petista, bem como nas mãos dos membros desta própria e também do Estado. Nossa classe média se nivelará por baixo, formando uma nação de ignorantes, técnicos, de apertadores de parafusos, de profissionais incompetentes de nível superior (que de superior não terão nada) e de funcionários públicos militantes partidários dependentes do Estado. A população será desarmada e ficará completamente à mercê do terrorismo de estado, bem com da militância do crime organizado – que o estado finge combater.

 

Os militares que atuaram no regime militar – e que são acusados (com palavras e não com provas) de tortura – serão julgados e condenados. Não dá para confiar em leis e em tribunais superiores por aqui. Seremos, também, e, finalmente, parte de um bloco neo-comunista latino-americano, no qual nossas fronteiras serão apenas desenhos em mapas e do qual (prestem atenção nisso) não poderemos sair, senão por falta de condições financeiras, por causa de outras imposições – sejam elas internas ou praticadas no exterior.

 

Seremos governados por um bando de corruptos esquerdopatas de cujas garras não poderemos escapar. É esse o futuro que nos espera – o futuro no qual viverão nossos filhos, se sobreviverem, e nossos netos, portanto. Passaremos para a História como a geração mais covarde que já habitou essas terras. Esse carimbo eu não vou ter nas minhas costas. Terei outros: louca, rebelde, inconformada, neurótica e mais sei lá quantos puderem inventar. Mas, omissa e covarde – isso eu não fui.

Denúncia Grave Sobre Campanha de Vacinação Contra Rubéola

Denúncia Grave Sobre Campanha de Vacinação Contra Rubéola

 

Rebecca Santoro

24 de agosto de 2008

 

No último dia 14 deste mês (14/08/2008), o site LifeSiteNews.com publicou matéria do brasileiro, escritor e ativista pró-vida Júlio Severo (de 12/08/2008), denunciando que “o início de um programa compulsório de vacinação em massa no Brasil está levantando suspeitas entre ativistas pró-vida internacionais, que notam que o programa é semelhante a outros em anos recentes que incluíam um agente esterilizante oculto nas vacinas”.

 

Estes agentes anti-fertilidade provocariam uma esterilidade, provavelmente temporária, ao fazerem com que o sistema imunológico da mulher se voltasse contra a gravidez, passando a confundir o hormônio natural da gravidez com um germe de infecção. Dessa forma, o corpo da mulher acabaria abortando quaisquer possíveis óvulos fecundados, porque o organismo o encararia como um corpo estranho danoso.

 

Quando a gente se depara com uma denúncia como esta, a tendência é não acreditar (“não é possível que exista gente capaz de fazer um negócio desses”). Mas, então, a gente respira fundo e se põe a fazer um mínimo de investigação a respeito do assunto, para ver se é coisa que se deva apurar mais profundamente ou não. Foi o que fiz e, por isso, não posso deixar de também levantar a questão publicamente, uma vez que há pontos obscuros suficientes na campanha de erradicação da rubéola do ministério da saúde para que assim seja feito. Infelizmente, devo dizer.

 

A rubéola é uma doença benigna, que não deixa seqüelas. Seu perigo é quando contraída por mulheres grávidas, podendo causar aborto ou deformações graves no feto - o bebê pode nascer com problemas como cegueira, surdez e retardo mental, característicos da Síndrome da Rubéola Congênita. A rubéola é uma doença contagiosa causada por vírus, cuja transmissão é feita de pessoa a pessoa, geralmente, pela via respiratória. O período de incubação pode ser de até 20 dias e os sintomas mais freqüentes são febre, manchas vermelhas pelo corpo e ínguas no pescoço e na nuca. Há casos que podem não apresentar os sintomas e a doença passar despercebida.

 

Na verdade, por intuição, desde a divulgação da vacinação em massa, eu havia decidido que não tomaria a vacina e nem tampouco meus filhos. Isso foi antes de a faixa etária alvo da campanha ser mais amplamente divulgada – o que não nos incluiria, afinal. Mas, por que eu havia tomado a decisão de não tomar a vacina? Ora, porque eu sei muito bem que a vacina contra rubéola ou é tomada na infância, em duas doses, ou na idade adulta em uma única dose e que, nas duas hipóteses, a imunização vale para a vida toda. E eu e meus filhos já tomamos as vacinas – eles, na infância, de acordo com a tabela de vacinação, e eu, quando jovem adulta.

 

Todas as tabelas de vacinação existentes no país assim o estabelecem – as de clínicas particulares, do IBGE e as do próprio ministério da saúde (verifique na tabela abaixo – clique em cada figura para ampliar). Aliás, o próprio site da campanhaBrasil Livre da Rubéola(link ‘A RUBÉOLA’, item n. 27) está escrito:

 

27. Uma pessoa vacinada na infância pode manifestar a doença quando adulta?

Se a pessoa apresentou resposta imune após a primeira dose, terá proteção duradoura, provavelmente para a vida toda.

 

 TABELA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE  TABELA DO IBGE TABELA CLÍNICA PARTICULAR
     

 

 

Bem, por que, então, estaria sendo gasta uma fortuna para vacinar, indiscriminadamente, toda uma população de jovens entre 20 e 39 anos, mesmo os que já tenham tido a doença (podendo comprovar com atestado médico ou com teste imunológico) ou os que já tenham sido vacinados?

 

Respondendo a esse questionamento, o site da campanha afirma que O caráter da campanha de vacinação é de realizar a eliminação da circulação do vírus da rubéola no País”. Ora, se o objetivo é mesmo eliminar ‘a circulação’ do vírus, por que deixar de fora crianças e adultos mais velhos? Eles não estão entre todos os outros membros que circulam pela sociedade? Não respiram o mesmo ar?

 

Observem, então, outra resposta que está no site: “Estudos de soroprevalência demonstraram que as pessoas maiores de 40 anos já estão protegidas, pois adoeceram em algum momento de suas vidas. Além disso, os surtos demonstram que as faixas etárias mais acometidas foram entre 12 a 39 anos, sendo a maior incidência de 20 a 29 anos. Existem muitas doenças com manifestações idênticas à rubéola, pelo qual o antecedente de enfermidade exantemática não indica que a pessoa teve rubéola”.

 

(Vamos combinar de fingir que não estamos vendo os inúmeros erros de concordância cometidos nas duas respostas)

 

Bom, então, vamos ter que rever a lógica do ministério da saúde. Se ele diz que os jovens que tenham tido a doença devam ser vacinados por não poderem ter certeza de que realmente tenham tido rubéola, é óbvio que esta mesma dúvida devesse pairar sobre os menores de 12 e os maiores de 39 anos. Por que os indivíduos com mais de 39 anos estariam imunes por provavelmente já terem tido a doença – dessa vez, com certeza absoluta – e os com idades entre 12 e 39 anos não?

 

Além disso, há que se considerar que a vacina contra rubéola (vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba) foi implantada no calendário oficial de vacinação da rede pública, em 1992, a partir de quando passou a ser aplicada nas crianças, em duas doses: a primeira, aos 12 meses, e o reforço entre 4 e 6 anos de idade. Igualmente, desde aquela época, crianças mais velhas, jovens e adultos que não tivessem tido especificamente a rubéola puderam fazer a imunização – e assim muita gente procedeu. Tanto é que, se em 1997, o país registrou cerca de 32 mil casos da doença, em 2005, foram apenas cerca de 300 casos. E os dados são do próprio ministério da saúde. De modo que, seria de se esperar que, em virtude da época em que a vacina começou a ser administrada na rede pública, pelo menos todos os jovens, hoje com até 16 anos (2008–1992), estivessem imunizados pela vacinação ordinária, independentemente de campanhas.

 

Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por exemplo, revelavam que o Estado havia registrado, em 2005, o menor índice de rubéola da história – foram apenas 27 casos. Os dados de outros estados do Brasil também não eram nem um pouco alarmantes. Levantamento da Secretaria de Saúde do Paraná - outro exemplo - mostravam que, de 2003 a 2005, não havia nenhum caso de rubéola registrado naquele estado. Subitamente, entretanto, a partir do segundo semestre de 2006, o quadro nacional de incidência da doença se modificou repentinamente. Foram registrados, em 2007, 2852 casos no Rio Grande do Sul, 1.698 no Rio de Janeiro, 1.659 em São Paulo, 472 no Distrito Federal, 452 na Paraíba,342 no Ceará, 284 em Goiás, 212 em Minas Gerais, 209 na Bahia, 95 em Mato Grosso, 90 em Santa Catarina, 73 no Espírito Santo, 63 no Paraná, 50 em Pernambuco, 43 em Alagoas, 35 no Tocantins, 23 em Mato Grosso do Sul, 11 no Rio Grande do Norte e 7 no Maranhão. – totalizando 8.683 casos, dos quais 69% em homens – número que corresponde a 5.992 casos.

 

Como isso aconteceu? Por que? Podem pesquisar... Não há informações a respeito do assunto, excetuando-se uma investigação feita no Rio Grande do Sul sobre a suspeita de ‘importação’ do vírus, que teria chegado a aquele estado trazido por trabalhadores estrangeiros vindos da Ásia para trabalhar em uma fábrica. A suspeita foi a de que, como havia brasileiros homens adultos não imunizados contra rubéola que se misturaram com os estrangeiros recém chegados, a doença tenha acabado por se espalhar entre eles e, através deles, para outras pessoas da população.

 

Como se sabe, a doença não é grave, a não ser que seja contraída por mulheres grávidas. Entretanto, apesar de todos os surtos, em 2007, foram registrados, de acordo com dados do ministério da saúde, um total de apenas 17 casos de Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) confirmados: 7 em São Paulo, 2 em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, respectivamente, e 1 no Espírito Santo e outro no Piauí.

 

A pergunta é: num país como o Brasil, de proporções territoriais continentais e com cerca de 200 milhões de habitantes, repleto de problemas muito mais graves e urgentes, inclusive na área de saúde pública, 17 casos de SRC justificam uma vacinação, em massa, contra rubéola, em 70 milhões de pessoas – total que a campanha pretende vacinar? Justificam o empenho de milhões e milhões de reais que estão sendo gastos somente com a campanha publicitária? Campanha esta, aliás, que parece estar pretendendo muito mais convencer as pessoas de algo que não lhes pareça muito lógico, do que simplesmente informar sobre a existência da vacina e da possibilidade de que seja tomada gratuitamente nos postos autorizados por quem ainda não tiver tido a doença ou tomado a vacina anteriormente (o que, obviamente, seria o lógico).

 

No site do ministério da saúde, vemos recomendações de lógica duvidosa a respeito da campanha de vacinação contra rubéola. Em matéria que divulga que o ministério, em articulação com o estado de São Paulo e a prefeitura de Barretos, firmou parceria com a organização da 53ª Festa do Peão de Boiadeiro, para vacinar homens e mulheres de 20 a 39 anos, podemos observar o ‘esclarecimento’ sobre se quem tiver tomado a vacina recentemente deve se vacinar novamente na campanha: “Com certeza. A estratégia da vacinação de campanha é diferente da rotina. Isso porque durante uma campanha há a vacinação em massa de indivíduos, o que forma uma rede de proteção individual e coletiva. Tomando a vacina, o indivíduo fica protegido, não transmite a doença e contribui para que o vírus seja eliminado do meio ambiente. Tanto quem já se vacinou no passado e quem já teve a doença de se vacinar”.

 

Em outras palavras: o ministério está dizendo que quem já tomou a vacina e que quem já teve a doença não pode se considerar imunizado (o que NÃO É VERDADE) o bastante e em tempo, devendo, pois, vacinar-se, de qualquer maneira, na campanha. E que, para que todos que convivam em sociedade (exceto num ambiente onde haja indivíduos fora da faixa etária 12 – 39 anos, considerada na campanha – ou seja, num mundo que não existe) fiquem realmente imunes à doença, deve-se vaciná-los, a todos, na mesma época. Isso é mais ou menos como dizer que a cada novo filho que nascesse numa família, por exemplo, todos os membros desta tivessem que se submeter (novamente, é claro) a todas as vacinações que tivessem que ser administradas ao novo membro, para que ‘qualquer eventual vírus fosse eliminado do ambiente familiar’. Ou seja, um absurdo.

 

As informações divulgadas na campanha também vão de encontro ao que informa um dos centros de informações em saúde para viajantes mais importantes do país, o CIVES, da Universidade Federal do RJ (http://www.cives.ufrj.br/informacao/agenda/agenda.html), que tem como objetivo “a prevenção de doenças em viajantes, através do atendimento indivídual e de consultoria para empresas e instituições”. Clique no quadro ao lado, para ampliar, e veja alguns dos principais esclarecimentos e recomendações que o CIVES faz em relação à rubéola e aos procedimentos de imunização. Trata-se de informações sérias que são dadas a estrangeiros que entram no país bem como a brasileiros que saem daqui para o exterior – coisa que deve, e efetivamente é, levada muito a sério por países desenvolvidos que recebem visitantes estrangeiros do mundo todo.

 

Além de todas estas questões mal respondidas e que por isso podem levantar sérias dúvidas quanto aos reais propósitos da vacinação em massa contra rubéola aqui no Brasil, há antecedentes de verificação de substâncias alienígenas nos componentes que seriam os normais em determinadas vacinas, que foram usadas em campanhas semelhantes, todas também patrocinadas pelo UNICEF, e acontecidas em outros países – nenhum deles desenvolvido, é claro, embora haja denúncias antigas, nos EUA, de que algumas vacinas, alguns remédios e até alguns alimentos sejam veículos através dos quais se incuta nos cidadãos substâncias que pretenderiam obter outros efeitos (não informados aos consumidores) além daqueles para os quais se propõem oficialmente.

 

É o caso da campanha de vacinação em massa contra a pólio na Nigéria, em 2004, [http://www.lifesitenews.com/ldn/2004/mar/04031101.html] (clique na fig. acima) e a da contra a rubéola, na Argentina, em 2006, [http://www.diario7.com.ar/nota_completa.php?id=1536] (clique na fig. abaixo). 

 

Na Argentina, foi a Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de Buenos Aires que confirmou a presença do hormônio gonadotrofina coriônica em vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde daquele país. Esse hormônio, em pequena dose, inoculado junto com a vacina, seria esterilizante, por impedir, não a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, dentro da mulher; mas, sim, o desenvolvimento do corpo lúteo – o que impediria a implantação do óvulo fecundado no útero da mãe. Tanto no da Nigéria como no da Argentina, confirmadas as contaminações, a Organização Mundial da Saúde e o UNICEF disseram, oficialmente, que os ‘achados’ teriam sido casos isolados de contaminação por manipulação inadequada do produto (no caso, as vacinas). Será?

 

Por isso, as suspeitas levantadas por Júlio Severo em relação à campanha de vacinação em massa contra a rubéola que se está realizando aqui no Brasil fazem sentido, sim, e deveriam ser consideradas por autoridades competentes no país. Severo diz que "É difícil responder” se há agentes anti-fertilidade (e, digo eu: ou ainda outros tipos de agentes nocivos) nas vacinas da campanha Brasil Livre da Rubéola, “até porque”, justifica ele, “quem criou esses agentes teve a clara má intenção de usá-los da forma mais indetectável e imperceptível possível. Mas o que não é segredo são os sentimentos de Temporão (o ministro da saúde) e da UNICEF com relação à vida dos bebês em gestação”... “Assim, o que temos hoje no Brasil é o presidente de um partido pró-aborto, com um ministro da saúde pró-aborto, juntamente com um UNICEF pró-aborto promovendo a inocente campanha Brasil Livre da Rubéola...

 

Severo ressalta que “Aborto, segundo a ideologia dos engenheiros sociais, é uma medida social para reduzir a população mundial. Daí que o interesse de Temporão na legalização do aborto tem — debaixo de todo o confete de ‘preocupação com questões de saúde pública’ — a marca registrada e óbvia de interesses internacionais que querem reduzir a população brasileira” (os pobres, de maneira geral, eu diria)... “Aborto e contracepção são o primeiro item na lista de objetivos dos controlistas — indivíduos e instituições dedicados a promover a redução da população mundial. Para levar a população mundial a apoiar políticas pró-aborto, os controlistas apelam para a propaganda da explosão populacional e outras estórias de horror. Tudo é válido para se controlar e reduzir a fertilidade humana, até mesmo a promoção do homossexualismo”... “Pela própria natureza, o homossexualismo é infértil, sendo o sexo ‘ideal’ para alcançar o objetivo da redução da população mundial”.

 

O escritor afirma ainda que “durante os anos, o UNICEF tem deixado claro que, por trás de sua suposta preocupação com as crianças, o interesse maior é o aborto e outros meios de redução da população”... “Em 1987, o UNICEF, oficialmente, apoiou ‘serviços de aborto de boa qualidade’ na Conferência Internacional de Melhores Políticas de Saúde para as Mulheres e Crianças em Nairóbi, Quênia”... “Em 1993, o UNICEF aumentou — de 2 para 5 milhões de dólares — sua contribuição para o UNFPA, órgão da ONU que vem apoiando a política da China comunista de forçar esterilização e abortos em mulheres com mais de um filho”... “Em 1995, o Supremo Tribunal Federal das Filipinas deteve uma campanha de vacinação em massa contra o tétano. A campanha, apoiada pelo UNICEF, envolvia vacinas contaminadas com o B-hCG, um hormônio que esteriliza e causa abortos espontâneos em mulheres vacinadas”.

 

Tudo isso é muito grave e deve ser apurado, mesmo que saibamos que, por aqui, muita coisa acabe em pizza. Culpados não são presos e raramente devolvem dinheiro aos cofres públicos, apesar de existirem, por parte da Justiça, inúmeras determinações nesse sentido. Ao que parece, já existe um requerimento de informações que foi ou será protocolado na Câmara dos Deputados tratando desse tema e pedindo esclarecimentos aos órgãos ‘competentes’. O assunto deveria estar, também, sendo apurado pelas rádios e Tvs, que têm maior poder de divulgação e de pressão. Por aqui, assim como alguns outros cidadãos brasileiros, faço a minha parte.

OURO BRASILEIRO COM RAÇA E CLASSE

OURO BRASILEIRO COM RAÇA E CLASSE

Por Rebecca Santoro

16 DE AGOSTO DE 2008

 

Ele é brasileiro, tem 21 anos, e foi o primeiro nadador brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos. César Augusto Cielo Filho venceu a prova dos 50m nado livre, quebrando o recorde olímpico com o tempo de 21s30. A prova foi emocionante, assim como, em especial para nós brasileiros, a vitória. Mas, o que mais impressionou a todos nós por aqui e à torcida presente ao Cubo D’água foram a emoção externada por Cielo e seu amor à família e ao Brasil.

 

Eu havia decidido que não escreveria sobre os jogos olímpicos, assim como muitos o fizeram, pela simples razão de a China ser um dos ícones do neo-comunismo em franca expansão. Não vou entrar nesse mérito aqui. O fato é que não pude resistir a traçar umas linhas sobre esse rapaz e suas conquistas.

 

César Cielo nasceu pré-maturo, de 7 meses, e decidiu se dedicar à natação, aos oito anos, pelas mãos de sua mãe, que cursara Educação Física. Ela o levou para o clube Pinheiros, em São Paulo, em 2003, onde foi treinar ao lado do famoso nadador brasileiro Gustavo Borges. De ídolo, Gustavo passou a ser conselheiro do novato. Foi ele quem, anos depois, o apresentou à universidade norte-americana de Auburn, nos Estados Unidos, recomendando-lhe ao técnico David Marsh. Além de nadar, Cielo estuda Comércio Exterior naquela universidade e é o aluno estrangeiro de melhor desempenho. Antes da medalha de ouro e do bronze conquistados na Olimpíada de Pequim, Cielo se tornou mais conhecido do público brasileiro após os Jogos Pan-Americanos do Rio-2007, quando levou três ouros e uma prata.

 

Por que resolvi falar de Cielo? Por que ele é o representante típico da classe-média tradicional brasileira – essa que o lulismo tanto massacra, com palavras e atos. O garoto é inteligente, estudioso, aplicado e esforçado – tudo o que o lulismo abomina, tendo à frente o próprio presidente Lula que, em seus discursos, tanto se esmera em debochar dos estudiosos e em jogar pobres contra ricos, índios e negros contra brancos e ainda ‘os que têm’ contra ‘os que não têm’ (seja lá o que for). É claro que sua excelência não menciona (assim como a grande mídia também o evita fazer) que toda a sua família - netos, principalmente - faz e tem tudo aquilo que fazia e tinha a velha e tradiconal classe média, que em nada devia aos modelos de educação também cultivados pelos mais abastados. Entretanto, já vi reportagens com o balé de uma neta, com bons colégios e direito à festa de aniversário temática naquelas caríssimas casas de festa.

 

Voltando ao César Cielo. Como se não bastassem todas essas qualidade, o rapaz é um belo exemplar masculino brasileiro, de Santa Bárbara d'Oeste (estado de São Paulo - Região Metropolitana de Campinas), com seus 1,96m de altura, cerca de 83 kg, cabelos loiros e olhos claros – é o protótipo do que o lulismo invejoso qualificaria de ‘boyzinho-filhinho-de-papai’. Uma distorção, é claro, e nesse caso, principalmente, uma grande mentira. Cielo é modelo vivo da 'meritocracia' em pelo seu estado de manifestação comprobatória. Ele nunca precisou que mamãe e papai se tornassem 'importantes' para que pudesse cultivar seus talentos. Nem tampouco que isso acontecesse, para que se transformasse, por exemplo, de biólogo mal sucedido, digamos, em empresário de games e mega investidor multimilionário. Ou seja, para que mudasse da água para o vinho. Não. Cielo teve tudo de que se precisa para correr atrás de um sonho: família estruturada, disposição para sacrifícios e muita obstinação. Chegou lá.

 

O garoto poderia até ter pedido cidadania/naturalização norte-americana para ir para às Olimpíadas e outras competições internacionais, como muitos atletas fazem, em melhores condições e mais bem acompanhado em termos de chance de medalhas. Ele tem todas as condições para isso – o tipo de cidadão que um país como os EUA faz questão de acolher: tem bom caráter, méritos intelectuais, inegáveis qualidades físicas e é um excelente atleta. O garoto poderia ter feito como uns e outros brasileiros inúteis que andam por aí, que pedem cidadania dupla, por exemplo. Não fez nada disso. Em todas as competições internacionais, lá está ele, competindo pelo Brasil – terra de seu berço, de seus familiares, de seus amigos.

 

Em muito me lembraram, esta vitória de Cielo, as conquistadas por negros norte-americanos nas Olimpíadas de Berlim, quando Hitler era o Füher. Apesar de se saber que há outras duas justificativas para que Hitler não tivesse cumprimentado e nem assistido às premiações daqueles atletas (leia aqui: http://www.duplipensar.net/dossies/2004-Q3/olimpiadas-1936-hitler.html), em vista do que vejo, hoje, acontecer no Brasil, algo me faz tender a acreditar que realmente o Füher tenha deixado o estádio, por raiva mesmo, de ver sua teoria de puritanismo ariano superior ser desmentida daquele jeito, com fatos, na frente de milhares de pessoas. Cada vez encontro mais coincidências entre a Alemanha nazista e o que se passa hoje por aqui.

 

Estão vendo como é que funcionam as coisas?... A gente começa a ver, em tudo, razões de classe. Foi inevitável fazer esse encadeamento de idéias, de percepções. Um garoto que deve tudo o que é a seus próprios méritos e à ajuda de seus familiares e amigos (e, de quebra, aos recursos encontrados num país estrangeiro, para treinar) demonstra todo o amor que os brasileiros cultivam por esta terra e por nossa gente. Parte de toda aquela emoção demonstrada por Cielo, com certeza, se deve a aquele ‘filmezinho’ de nossa vida que passa em nossa mente, em momentos de grande tensão ou de grandes alegrias. No que passou pela cabeça de Cielo, certamente, posso apostar, estavam impressos seus sacrifícios, a falta de apoio que é dada aos nossos atletas e a tristeza de viver numa terra que judia tanto de seus filhos.

 

Não, eu não tenho o direito de politizar, digamos assim, a vitória de César Cielo, nem suas emoções externadas, mas, posso, sim, interpreta-las à luz desse ponto de vista, que é o meu e não necessariamente o dele. Vai dizer que ninguém enxergou, nem minimamente, isso que eu vi...

 

Assistam ao vídeo com a vitória de Cielo, vale a pena:

 

ANISTIA: GOVERNO MUNDIAL TERÁ QUE SE EXPOR CADA VEZ MAIS

ANISTIA: GOVERNO MUNDIAL TERÁ QUE SE EXPOR CADA VEZ MAIS

 

Por Rebecca Santoro

16 DE AGOSTO DE 2008

 

Finalmente, a ONU ‘dá as caras’. O Brasil é um país ‘atípico’ dentro da América Latina, não só por suas proporções gigantescas e pelo português que falamos, de norte a sul e de leste a oeste, mas por nossas tradições e costumes, completamente diversos dos que se cultuam em nossa vizinhança. Temos tradições de sempre buscar a paz e o entendimento, tanto interna como externamente. Tivemos sido, e ainda o somos em maioria, um povo pacífico, em essência, pelo menos até que orda de comunistas tivesse começado a destilar seu veneno entre nós, digamos, mais maciçamente, nos últimos 25 anos – o que já produziu geração de jovens adultos mentalmente deformados pela visão esquerdopata do mundo (uma doença crônica e incurável). Somos um país no qual a tradição religiosa – mais a católica (e é só por isso que nossos governantes falam e usam o nome de Deus; pois Nele não repousam sua fé, comunistas que são) nos levam a valorizar o respeito à família, a vontade de trabalhar e de progredir e a liberdade, embora não nos mostre assim, muitas vezes, o que sai na imprensa.

 

Estas e outras características particulares do Brasil, que nos aproximam muito mais dos norte-americanos, como concepção de nação, do que de nossos vizinhos mais próximos, estão dificultando, ENORMEMENTE, a implantação das condições necessárias para o progresso da implantação do neocomunismo internacional, cujo principal articulador é a ONU. Tudo aqui tem sido mais difícil. Nossas Forças Armadas (muito mais pelo que sempre representaram para a História do país do que pelas suas próprias ações hoje em dia), a Igreja (ou a grande parte dela que não está infiltrada pelo comunismo) e nossas Tradições são um enorme entrave enfrentado por aqueles que querem fazer do Brasil parte de uma grande pátria latino-americana – um bloco governado por mãos comunistas.

 

Por isso, estas três ‘figuras’ nacionais estão sendo bombardeadas por todos os lados – tudo em nome de um ‘progressismo humanitário’ que não existe senão para nos levar para o inferno da prisão comunista. O fenômeno é internacional, já que o comunismo sempre teve e sempre terá ambições de dominar o mundo para dele usufruir uma elite privilegiada e no qual realizarão seu experimento primordial de transformar o homem e ser coletivo, retirando dele sua essência individual, que, no final das contas, é o que o torna ‘a criatura’ de Deus.

 

Os EUA, por exemplo, hoje, enfrentam sua pior guerra. Milhões de cidadãos norte-americanos debatem-se em agonia diante do fenômeno de tentativa de destruição daquela sociedade e do seu próprio Estado, principalmente como Nação. Milhares deles tentam alertar outros cidadãos, principalmente, sobre o perigo que representa uma provável eleição de Barak Obama – cidadão de origem desconhecida (pois, até hoje, não apresentou seu verdadeiro registro de nascimento) e ventríloco mor da internacionalização comunista patrocinada pela ONU. No Brasil, o fenômeno age e repercute de maneira diferente. Mas é o mesmo.

 

No caso específico da revisão da Lei da Anistia, agora (acho que, finalmente, não taxarão de ensandecidos aqueles que assim o falarem daqui para frente) está mais do que evidente que se trata de campanha internacional, patrocinada pela ONU (leia-se a nova Internacional Comunista), que pretende eliminar da face da terra, como exemplo vivo, para que futuras gerações não se atrevam a reagir, da única maneira que esse inimigo entende e leva sério – pelas armas, à institucionalização do Governo Mundial. É comprometido com esse Governo que muitos de nossos últimos governantes agiram. O atual não é diferente.

 

No Brasil, a ONU vem tentando anular nossa Lei de Anista não é de hoje. Tentaram em 2001, quando um comitê daquela organização mundial sugeriu ao governo brasileiro que revisse sua Lei de Anistia. Novamente, em 2004, veio ao país outro comitê da ONU para levantar o assunto com o governo. Acontece que, em tendo visto falhar todas as tentativas de anular ou de mudar essa Lei por aqui, agora, a ONU teve que ‘se arriscar e se expor’, enviando representantes ‘peritos’ ao país para pressionar, publicamente, o governo a fazê-lo. Traduzindo: o governo fingiu que convidou os tais peritos, assim como fingirá estar sendo pressionado pela ONU para rever a Anistia – o que, sabemos, significa punir militares que lutaram contra comunistas, para aniquilá-los, fazendo-os de exemplo para os que venham a tentar reagir à futura implantação do comunismo internacional, e até mesmo para facilitar o processo.

 

Um destes ‘peritos’, Jean Ziegler, ativista em ‘direitos humanos’ disse que "Está mais do que na hora de o Brasil enfrentar esse assunto da anistia. Não por vingança contra os militares. Mas porque o Brasil é praticamente o único grande país latino-americano que não tratou do assunto"... "A manutenção da lei corrói a moral do País."

 

Ora, senhor perito, o país e nosso povo não está nem um pouco sequer interessado em rever Anistia nenhuma, mesmo porque ainda existe entre nós inteligência e senso de justiça – o que nos obrigaria a julgar e a condenar figuras nacionalmente conhecidas – muitas delas no próprio governo – que cometeram crimes comuns, inclusive muitos deles hoje considerados hediondos, passíveis de julgamento e de condenação. Não devemos e não queremos enfrentar revisão nenhuma, principalmente porque outros países o fizeram e nós não. Isso não é razão que se apresente, por motivos lógicos tão infantis que não cabe nem argumentar. Por último, o que nos corrói – e que, diga-se de passagem só diz respeito a nós – é nossa corrupção endêmica, inclusive extremamente piorada no atual governo. Digo isso, como se este indivíduo não fosse mestre de falsificação da lógica – pois o que ele faz não é inconscientemente não; ele sabe perfeitamente o que está fazendo.

 

Não é uma piada. É a mais pura verdade. Entre os opinadores de plantão está Miguel Alfonso Martinez, um cubano outro perito da ONU. Não, ele não está empenhado em colocar Fidel Castro no banco dos réus, por genocídio e por escravizar e expulsar (voluntariamente ou não) de Cuba milhões de cidadãos daquele país, DURANTE MAIS DE 50 ANOS!!! Muito menos em denunciar a ditadura que continua plenamente ativa na Ilha, depois que Raul Castro sucedeu seu irmão Fidel no trono de Cuba, ops, ‘na presidência’. O perito cubano presidiu a reunião do Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que aconteceu esta semana. A organização acaba de criar um órgão para ‘pensar inovações’ nessa área de punição aos anistiados que lutaram contra os comunistas nos lugares em que estes atuaram para tomar o poder – e, naturalmente, não conseguiram (como em Cuba saíram vitoriosos, a Ilha não está no foco dos ativistas). Martinez disse que "O tema cresce e ganha espaço". Só porque a ONU quer e não porque o tema cresça coisa nenhuma – é inegavelmente imposto por aquela organização internacional.

ISTO É: JORNALISMO EXEMPLAR

ISTO É: JORNALISMO EXEMPLAR

Por Rebecca Santoro

12 de agosto de 2008

 

A matéria intitulada “Tortura não é crime político”, publicada na última edição da revista Isto É, de 11/08/2008, e assinada pelos jornalistas Alan Rodrigues e Octávio Costa, deveria entrar para o hall daquelas que podemos chamar de exemplar. Deveria ficar eternizada nos livros acadêmicos da Comunicação Social, nos capítulos que tratassem especificamente de “tudo o que não se deve fazer em jornalismo”, ou de “jornalismo a serviço da militância esquerdopata”, ou ainda de “como envergonhar seus colegas de profissão”.

 

Infelizmente, há maus profissionais em tudo quanto é área e a de jornalismo não haveria de ser exceção.

 

Vamos dissecar a tal matéria.

 

De cara, o título “Tortura não é crime político”, por ser uma frase alardeada na imprensa pelas falas do ministro Tarso Genro, deveria vir entre aspas. Mas, veio como afirmação. E, se veio como afirmação, esperava-se, no mínimo, que houvesse, ao menos, a menor tentativa que fosse de definir ‘crime político’. Entretanto, não haveria como fazer isso sem deixar de dizer o óbvio, ou seja, que crime político é um crime (portanto não o deixa de ser) que é cometido por motivos supostamente ideológicos. Uma falácia: todos os crimes são ideológicos, ainda que a ideologia seja a própria do criminoso.

 

Não? Então consultem os livros sobre o tema e os dicionários. Neles, entre uma variação e outra, estarão definições mais ou menos assim: “ideologia: 1 Sistema que considera a sensação como fonte única dos nossos conhecimentos e único princípio das nossas faculdades; 2 Maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas; 3 Ciência que trata da formação das idéias; 4 Tratado das idéias em abstrato. A origem do termo teria ocorrido com o criadoor da própria palavra, Destutt de Tracy, que lhe deu o significado de ‘ciência das idéias’. Antes dele, entretanto, na antiguidade clássica e na Idade Média, os pensadores já entendiam ideologia, sem se referir ao termo, como o conjunto de idéias e opiniões de uma sociedade. Foi, porém, uma teoria a respeito de ideologia, desenvolvida pelo alemão Karl Marx, que passou a ser confundida com o real significado do termo. Muito resumidamente, para Marx, ideologia seria uma falsa percepção da realidade provocada nos trabalhadores, dentro da sociedade capitalista, por causa da divisão entre trabalho manual e intelectual – este último realizado pela elite burguesa dominante. O homem era mesmo o gênio da tergiversação, temos que admitir!

 

Logo depois, continua a matéria, uma frase: A punição de torturadores da ditadura pode ser um caminho para o Brasil conhecer verdades ainda ocultas do regime de 1964. Tão mal colocada, a tal frase mais parece a conclusão pessoal do repórter a respeito do assunto tratado do que a descrição de um fato ou do que pensam os envolvidos na disputa sobre o mesmo. Não haveria nada de mal nisso caso se tratasse de um artigo opinativo e não de uma suposta reportagem.

 

Em seguida, duas fotos e uma descrição: “REBELIÃO DOS MILITARES - Generais e coronéis, da reserva e da ativa, se manifestam contra Tarso Genro no Clube Militar, no Rio, enquanto, do lado de fora, estudantes apóiam o ministro”. Primeiro, os militares, em visível estado de ‘bom comportamento’, são apontados como estando a fazer uma “REBELIÃO MILITAR”, tudo em caixa alta, que é para reforçar essa idéia. Já os estudantes, bastante efusivos, apenas “apóiam o ministro” (Tarso). A primeira foto está perfeita, técnica e esteticamente.

 

A segunda - a dos estudantes - parece aquelas que se tiram com máquinas fotográficas amadoras, que acabam registrando movimentos mais acelerados sob forma de ‘rabiscos de luz’, de ‘embaçado’, de falta de foco. O efeito disso nessa foto? Ora, o leitor não consegue determinar o número de pessoas presentes à manifestação e nem o desprezo dos transeuntes pelo ato, para o qual nem mesmo dirigiam o olhar. E, é claro, a matéria não revela, em lugar nenhum, o número de manifestantes – de insignificantes 15 a 30 estudantes, no máximo, perto das cerca de 800 pessoas presentes ao evento.

 

Depois, a matéria vem com um partidarismo tão absurdo que praticamente dispensa comentários quanto à intenção: “Mas a lei incluía os chamados "crimes conexos" - um eufemismo para livrar torturadores do regime de processos futuros. Aprovada em agosto daquele ano, a Lei da Anistia beneficiou 4.650 pessoas e gerou uma espécie de amnésia coletiva - os militares nunca tornaram públicos os detalhes das ações de repressão ao terrorismo, se aposentaram como se todos os arbítrios da ditadura fossem uma página virada e jamais foram legalmente cobrados pelos crimes que porventura tenham cometido”.

 

Primeiro, define os “crimes conexos” como “eufemismo para livrar torturadores do regime de processos futuros”. Como assim? Tortura seria ‘mais crime’ do que seqüestros, assassinatos, assaltos e até mesmo do que a tortura praticada pelos ‘revolucionários’ contra civis e contra militares? E, depois, por que essa perseguição somente aos militares e não aos policiais que, afinal, são muito mais citados nas denúncias ‘oficiais’ de tortura, que quase sempre se referem a agentes (dos DOPS etc.) e não a tenentes, capitães etc.?

 

Depois, para não perder a oportunidade, esclareça-se aos alunos que a palavra eufemismo foi empregada de maneira errada, porque não cabe em ‘ações’ (ninguém pratica eufemismo) – trata-se de um recurso lingüístico que nos permite substituir palavra que se suponha ‘feia’ ou ‘agressiva’ por outra ‘mais agradável’ e que, por isso, só deve ser atribuído a palavras ou ao uso das mesmas. Ou seja, uma pessoa, uma coisa ou um fato não podem ser ‘eufemismo’, nem praticá-lo. Sendo assim, a matéria poderia trazer “crimes conexos – um eufemismo para ‘impunidade’ (que é o que queria expressar), no caso, dos torturadores do regime em processos futuros”. É, alunos, não basta florear, tem que saber como.

 

Em seguida, mais outra frase: “os militares nunca tornaram públicos os detalhes das ações de repressão ao terrorismo... e jamais foram legalmente cobrados pelos crimes que porventura tenham cometido”. Ora, faltou mencionar que isso acontece, simplesmente, porque implicaria, também e obviamente, em que fossem revelados todos os crimes cometidos pelos ‘revolucionários’, desde sempre os maiores interessados em que ‘os arquivos’ jamais fossem tornados públicos. Pergunte para a Dilma Rousseff, chefe da casa civil, que está, há anos, com a ‘chave da porta dos tais arquivos’ e não abre. É que, primeiro, segundo a própria ministra, estaria sendo feito um processo de ‘filtragem’, para não expor ao constrangimento público ‘uns e outros’ (que, é claro, não seriam os policiais e os militares).

 

No final das contas, em se revendo a Lei da Anistia, meu caro repórter, com otimismo, seriam uns dez ‘militantes’ a terem que ser presos, para cada ‘agente’ que tivesse que ‘pagar por seus crimes’, e uns vinte para cada militar. Não é por outro motivo que ‘heil’ Tarso e companhia só querem que apenas o crime de tortura – sobre os quais, diga-se de passagem, não há uma única prova concreta e sim ‘palavra contra palavra’ – seja ‘reconsiderado’, ou, como diz o ministro, ‘considerado’, porque a ele, nominalmente, não se tenha referido na Lei da Anistia.

 

Continua matéria:Até que, num seminário interno, de nome tão caudaloso quanto prolixo (Limites e Possibilidades para a Responsabilização Jurídica dos Agentes Violadores de Direitos Humanos durante o Estado de Exceção no Brasil), o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que não considerava tortura e violação de direitos humanos crimes políticos, mas comuns... "A partir do momento em que o agente do Estado pega o prisioneiro e o tortura num porão, ele sai da legalidade do próprio regime militar e se torna um criminoso comum", disse Genro, repetindo um raciocínio que havia exposto recentemente numa entrevista à ISTO É. Mas aí veio a frase que ressuscitou a ira dos militares: "Ele (o torturador) violou a ordem jurídica da própria ditadura e tem que ser responsabilizado (...) atos de tortura não podem ser beneficiados pela anistia."

 

A declaração do ministro, sem dúvida, impressiona – não pelo conteúdo, é claro, completamente falso, mas pela capacidade de fazer com que um possível interlocutor necessite de alguns segundos para processá-la. No caso de um repórter, ‘alguns segundos’, dependendo da situação, são fatais para que não se possa fazer uma outra pergunta que esclareça as falhas da declaração feita. Um exemplo: “Mas, senhor ministro, seqüestros, assaltos e assassinatos, entre outros crimes, como explodir bombas em aeroportos e em embaixadas, por exemplo, matando e aleijando civis - todos estes crimes praticados pelos ‘revolucionários da época’, também não estavam ‘fora da legalidade do próprio regime militar’, como afirmou estar a ‘tortura’? E, por isso, não estariam também ‘eles’, os ‘revolucionários’, no caso, violando a ‘ordem jurídica’?"

 

Ou seja, o homem falou um absurdo e o repórter ‘engoliu’, sem esboçar reação.

 

Continua a matéria: Tarso Genro não pretende reabrir a Lei da Anistia, mas defende que os responsáveis pela tortura durante o regime militar respondam criminalmente com base na Convenção Internacional de Direitos Humanos, um pacto internacional feito em 1969 em São José da Costa Rica - e que o Brasil só assinou durante o governo Fernando Henrique Cardoso”.

 

A reportagem deveria, mas não esclareceu: Tarso, naturalmente, deve estar se referindo à Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos e Punições Cruéis, Desumanos e Degradantes, que entrou em vigor em 26/06/1987, depois de aprovada pela ONU, em 10/12/1984. O Brasil retificou a esta Conveção, em 28/09/1989. Seu Protocolo Opcional, de 18/12/2002, e que vigora desde 22/06/2006, também foi ratificado pelo país, em 12/01/2007. Em 1988, a nossa constituição Federal, em seu artigo 5o, XLIII, já consagrara a tortura como crime, que acabou vindo a ser definida nos termos da lei n° 9455, de 7 de abril de 1997.

 

É bom que se diga, na Convenção contra a Tortura não há uma única linha sequer na qual se possa ler que se trate de um crime ‘imprescritível’, como diz Tarso Genro, bem como há claríssimas cláusulas afirmando serem prioritárias as leis estabelecidas nas constituições, e as regras dos códigos penais, de cada país membro signatário. Toda e qualquer ação de julgamento, em se tratando de exceção, pode ser julgada por tribunal estabelecido internacionalmente (*) (e não localmente), geralmente em se tratando de julgar crimes de guerra, já definidos por acordos internacionais (Convenção de Genebra e Estatuto de Roma). Alguns crimes de guerras conhecidos foram os cometidos por Adolf Hitler e por seus oficiais, na época da II Guerra Mundial, além de os cometidos por alguns rebeldes, na "guerra" de Ruanda, África, em disputa entre etnias pelo poder naquele país. Em ambos os casos foram criados cortes especiais, como o Tribunal de Nuremberg e uma ‘corte para Ruanda’, respectivamente.

 

Além disso, não se sabe como Tarso recorreria a um tribunal internacional para levar seus projetos de ‘vingança’ à diante, uma vez que a posição do país, na atualidade, no simples cumprimento do que estabelecem os acordos internacionais, beira o vexame, com dezenas de compromissos ignorados. Basta que se leia o “Relatório Sobre Tortura no Brasil”, concluído, em 2005, pela nossa própria comissão de Direitos Humanos no Congresso. Vale lembrar, também, que, em maio de 2000, o relator especial da ONU sobre a tortura, Nigel Rodley, esteve no Brasil, por três semanas, levantando dados para elaborar um relatório final. Na época, vejam o que declarou à Folha de São Paulo:

 

Eu não posso adiantar nada do relatório. Mas o próprio governo disse que há tortura frequente no Brasil. As autoridades federais e estaduais reconhecem isso... Há coisas incontroversas: as condições de detenção nas delegacias de polícia são absolutamente estarrecedoras. Fomos a uma delegacia policial em São Paulo onde as pessoas são levadas para aguardar julgamento. Fomos no dia mais limpo, o domingo, porque a limpeza é aos sábados. Vimos excrementos por toda parte. Os próprios presos me olharam: "Como o senhor espera que o juiz reaja diante de nós se nós parecemos animais e cheiramos como eles?" Eles estão certos.

 

No final da entrevista, Rodley foi claro: “O relatório não trará sanções para o Brasil. A ONU não entra em sanções, a não ser em casos extremos”.

 

Apesar de toda esta situação vexatória, no presente, e que necessitaria de providências urgentes, muito trabalho, dinheiro e dedicação por parte dos poderes públicos e dos governos estaduais e federais, “corre em São Paulo uma ação civil pública contra os comandantes do DOI-Codi”, diz a matéria da Isto É, sem mencionar ‘detalhes’ como os que foram acima citados – que, certamente, reforçariam as chances de que leitores pudessem ensaiar uma lijeira impresão de que as tendências da ação do ministro da justiça estariam mais para 'vingança'. Um dos autores da ação, o procurador da República de São Paulo, Marlon Alberto Weichert, justifica: "Do ponto de vista técnico, a lei não pode perdoar agentes do Estado que praticaram esses crimes."

 

Do ponto de vista técnico? Só se for o ‘técnico-ideológico’. Não se trata de 'tecnicidade' nenhuma aqui. Foi um acordo entre inimigos, depois de uma batalha, supostamente, em nome da paz e da reconstituição democrática do país. O mínimo que uma boa reportagem sobre o tema Anistia tem que obrigatoriamente mencionar é que a exigência de que esta fosse 'ampla, geral e irrestrita' foi da esquerda de Tarso, que hoje está no poder. O ministro está dando, afinal, com essa proposta de 'revisão', mais uma prova histórica de que não se pode confiar em comunista.

 

O fato é que, num país onde impera a ignorância e no qual se lê muito pouco, principalmente sobre assuntos técnicos e sobre política, a imprensa deveria tomar cuidado redobrado, não ao divulgar o que se diga, mas em explicar que o que está sendo dito não se trate da mais pura verdade, ainda que tenha saído da boca de presumíveis ‘autoridades’.

 

Mais adiante, continua a reportagem: “O general Enzo Martins Peri, chefe do Exército, disse ao presidente Lula que ‘é preciso pôr uma pedra sobre esse assunto, até porque, este tema abre feridas e provoca indignação’. Tem razão e não há mal nenhum nisso até porque as feridas não foram fechadas - e é isso que prova a indignação do ministro da Justiça com a tortura. Num caso que beira à indisciplina, o comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, tirou o uniforme e foi "como pessoa física" a um seminário sobre a Lei da Anistia no Clube Militar do Rio de Janeiro, na quinta- feira 7. Tudo um eufemismo para se criar o palco para protestos destemperados contra Genro.”

 

Bem, meus caros, chamar essa matéria de reportagem, depois do que foi dito acima pelo jornalista que a escreveu, é ofender a inteligência do leitor. Trata-se de texto para defender um determinado ponto de vista. Ponto final. Caberia num artigo ou num editorial, que pressupõem essa intenção. Depois, para não perder a oportunidade, esclareça-se aos alunos que a palavra eufemismo foi empregada, novamente, de maneira errada.

 

O mais grave, entretanto, sobre esta ‘reportagem’, está nos bastidores. Coisa rara termos acesso ao processo de composição de uma matéria jornalística. No caso desta matéria da Isto É, tivemos essa oportunidade porque um dos entrevistados foi o escritor, articulista e psicanalista Heitor de Paola. Foi ele quem divulgou a entrevista que deu e que deveria ter sido veiculada junto com esta reportagem da revista. O jornalista Alan Rodrigues, um dos que assina a tal matéria, entrevistou Heitor, por e-mail. Notem: não foi um ‘bate papo’, uma conversa informal, sobre a atitude do ministro Tarso e sobre a própria Anistia, para que o jornalista se preparasse para abordar o tema dentro de uma futura reportagem, mas, sim, o envio de perguntas formais que, supostamente, deveriam ser publicadas junto à matéria.

 

Entretanto, como se constata ao ler a entrevista que Heitor concedeu, nenhuma linha sequer da mesma foi publicada, assim como também não existe, na matéria, nem mesmo a mais longínqua abordagem do tema sob seu ponto de vista, que é contrário ao de Tarso – o qual a reportagem nitidamente defende.

Isso não é jornalismo; é militância – que, aliás, não é crime nenhum, desde que essa abordagem fique bem clara ao leitor, ao ouvinte ou ao telespectador. No caso desta matéria veiculada pela Isto É, não há esse tipo de esclarecimento. Trata-se de um exemplo bastante abrangente, e triste, de como não fazer jornalismo.

SÓ AQUI NO BRASIL: ESTUDANTES E UM FANTASMA

SÓ AQUI NO BRASIL: ESTUDANTES E UM FANTASMA

Por Rebecca Santoro

14 de agosto de 2008

 

Resumo:

Só mais um detalhe que achei curioso: o nome do site é Brasil Escola, não é? Então, por que o mapa que aparece no logotipo é o da América Latina? Pois é: um Brasil que é America Latina num site cujo responsável se apresenta como uma 'entidade' por trás da qual não há nomes, nem telefones, nem endereços...

 

Nossos estudantes estão muito mal servidos. Isso, infelizmente não é novidade. Mal servidos em praticamente tudo: escolas, professores, material didático, conteúdo e, principalmente, em acesso à informação de qualidade. Desculpem, usei ‘informação de qualidade’ quando deveria ter usado a palavra ‘verdade’. É que a gente acaba evitando usar determinadas palavras por causa da patrulha do relativismo – aquela turma dos ‘filósofos de plantão’ que, conscientemente ou não, trabalha para desconstruir os fatos e a realidade, e que vem logo com um daqueles questionamentos clássicos como, nesse caso, ‘o que é verdade?’.

 

Eu sei que não é fácil isolar um determinado fato ocorrido, para descrevê-lo apenas em sua seqüência cronológica – aconteceu assim, ponto. Depois disso, é claro, podem vir as interpretações particulares de cada um em relação ao mesmo. Esse tipo de exercício de lógica – isolar a seqüência cronológica - vem sendo sistematicamente abolido na educação escolar/acadêmica, com a justificativa de que o importante é conhecer e interpretar os fatos e não se prender em ‘decorebas’ de datas, nomes, locais e tudo quanto possa ser ‘exato’. Acontece que isso acaba por permitir, que se ‘ideologise’ a interpretação dos fatos, além de ‘tirar’ do aluno a capacidade de confirmar, ou não, se determinada interpretação lhe pareceria a mais correta, uma vez que não lhe são dados nem TODOS os fatos, nem COMO e QUANDO eles foram acontecendo.

 

Um ótimo exemplo deste tipo de deformação no ensino e na aprendizagem dos fatos pode ser visto no que se sabe e no que se divulga, hoje, sobre a Revolução de 1964 e sobre os governos militares. Mente-se, à vontade, sobre este episódio da História do país, simplesmente, porque o que se sabe dele é o que a esquerda hegemônica quer que se saiba e, pior, COMO ela quer que seja visto e/ou interpretado. Não se fala em fatos, não se fala em datas, não se fala na seqüência dos fatos. O que a maioria das pessoas sabe da Revolução de 1964 (na verdade um Contra Golpe), não é o fato histórico, mas uma grande interpretação do mesmo. A versão suplantou o fato.

 

Enfim, o objetivo deste artigo não é ‘filosofar’ a respeito de ‘lavagem cerebral’ e sim continuar denunciando – pois já tem sido iniciativa de muitos - a irresponsabilidade, a aleatoriedade e a falta de compromisso com a verdade com que inúmeros instrumentos de ‘instrução’, como livros e sites, supostamente construídos para ensinar e/ou enriquecer o aprendizado de estudantes de todo o país, vêm fazendo justamente o contrário: emburrecendo-os, castrando-lhes o direito à luz e ‘enquadrando-os’ dentro dos padrões do ‘idiota útil’. Um assassinato virtual, digamos assim, de cérebros, que sabe-se lá o quê (de bom ou de ruim – é um risco que se corre) poderiam vir a oferecer à sociedade, caso tivessem tido o direito de crescer e de conhecer a verdade.

 

Pesquisando mais ou menos sobre essa questão, eis que me deparei com um site chamado BRASIL ESCOLA, que se autodefine como um dos maiores portais educacionais brasileiros e o maior com conteúdo totalmente de graça – “são mais de 2 mil trabalhos escolares, focados no Ensino Fundamental e Médio”. Na página que descreve as características do site, para efeito de publicidade, está escrito que são “4 milhões de visitantes únicos mensais e mais de 8 (oito) milhões de pageviews por mês”.

 

Ora, são números impressionantes. Fui checar para ver o que é que 4 milhões de nossos estudantes estão consultando e ‘aprendendo’. Cliquei em Filosofia, que agora se tornou matéria obrigatória no ensino médio. Cadê os filósofos? Nada. Então cliquei em Ideologia. Vejam o que eu encontrei, agora clicando vocês na figura ao lado...

 

Impressionante, não?! Reparam que a definição de Ideologia passou a ser a própria teoria a respeito de ideologia desenvolvida por Karl Marx? Chamou-me atenção esse fato, porque havia comentado em meu último artigo exatamente sobre essa confusão.

 

Fui para Biografias, então, para ver o que encontrava. Tem para todos os gostos. Mas, vejam só, o único presidente da república que consta da galeria é Luis Inácio Lula da Silva, cuja biografia publicada (clique na figura ao lado) é uma ode ao ‘presidente do povo’. Uma enorme e conhecida mentira veiculada por um site que se diz “um dos maiores portais educacionais brasileiros”. Quanto aos outros presidentes, alguns deles aparecem, sim, no site, mas em História, com seus nomes precedidos por “Governo de” e sem direito a biografias tão detalhadas – muito menos em tom de apologia.

 

Diante disso, fui visitar a página sobre 1964 e Governos Militares. Não vou falar nada – leiam vocês mesmos (com um lenço na mão, para enxugar as lágrimas – que podem vir a ser de tanto rir também)...

 

Leram? Já conseguiram se recompor? Então, vou continuar.

 

A partir daquele momento pós-leitura-traumática, resolvi pesquisar sobre quem era o (ou os) responsável pelo site, tentando, obviamente, recorrer a um daqueles famosos links como QUEM SOMOS, PERFIL etc. Nada... Reparei que os artigos estavam assinados, mas não traziam e-mails dos autores. Fui para o Google... Nada de encontrar nomes... Achei uma página no Orkut... Entrei. Nada de nomes... Quem fala é sempre ‘O Brasil Escola’. Voltei ao site e procurei links como NOSSA POLÍTICA, NOSSO OBJETIVO, O QUE FAZEMOS e coisas afins... E nada... Resolvi recorrer ao FALE CONOSCO. Aparece o formulário, mas nada de nomes, telefones ou endereços. Mesmo assim, enviei mensagem tentando saber sobre os responsáveis. Vocês receberam resposta? Eu também não. De modo que temos um site ‘de ninguém’, acessado por 4 milhões de estudantes brasileiros para aprender isso aí acima, do que os senhores puderam ver uma parte. Que tal?

 

Não é por nada não, mas esse pessoal que está nos bancos escolares, hoje, é o mesmo que, mais cedo ou mais tarde, vai estar à frente do comércio, da política, da seguança... e dos governos. Nós estaremos lá, bem mais velhos e, muito provavelmente, indefesos e à mercê desses a que, hoje, se permite 'educar' dessa maneira e com esse conteúdo. Já pensaram nisso?!

 

Só mais um detalhe que achei curioso: o nome do site é Brasil Escola, não é? Então, por que o mapa que aparece no logotipo é o da América Latina? Pois é: um Brasil que é America Latina num site cujo responsável se apresenta como uma 'entidade' por trás da qual não há nomes, nem telefones, nem endereços...

ACABANDO COM AS FARC?

ACABANDO COM AS FARC?

Por Rebecca Santoro

6 de agosto de 2008

 

RESUMO: Seria uma espécie de programa de anistia, certo? E o que tem acontecido nos países que solucionaram, com anistia aos revolucionários, seus problemas de luta armada contra grupos que pretenderam promover a revolução comunista pela via das armas? Em todos os lugares nos quais isso aconteceu, os ‘revolucionários’ acabam aparelhando as instituições e a mídia, o que, mais cedo ou mais tarde, provoca uma mudança no discurso de tratamento de seus atos e de suas posições político-ideológicas passados, de forma a que se transformem em heróis dos ‘pobres e dos oprimidos’, fazendo com que, já pelas vias ‘democráticas’, cheguem ao poder, e, de lá, comecem a se vingar de seus ‘inimigos’ e a implantar seus projetos de poder comunistas – todos, é claro, de longuíssimos prazos. Nós já vimos esse filme – estamos dentro dele agora mesmo.

 

A semana começou com a denúncia da revista colombiana Cambio de novas evidências sobre laços clandestinos entre o governo brasileiro e as Forças Armadas Revolucionárias Comunistas da Colômbia (Farc). Seriam 85 mensagens eletrônicas trocadas por representantes das Farc entre 1999 e 2008. Apreendidos nos computadores de Reyes - o número 2 das Farc, morto pelo Exército da Colômbia, na polêmica operação na fronteira com o Equador. Os arquivos chegaram às mãos do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e ainda foram objeto de uma conversa mantida pelo presidente brasileiro com o da Colômbia, Álvaro Uribe, na última visita que Lula fez a aquele país. Embora nenhuma das mensagens divulgadas até agora seja endereçada a autoridades ou a membros do PT e do governo brasileiros, existem diversas referências comprometedoras aos mesmos.

 

Novidade nestas ‘revelações’ só mesmo para aqueles que ainda insistem em se informar apenas através dos veículos de esquerda e dos de comunicação de massa (se é que falar assim não seja redundância) e o fato de que, agora, se possa ligar inúmeras revelações já feitas por sites como o Mídia Sem Máscara, por exemplo, com evidências representadas nos tais e-mails. Aliás, estou lendo o livro de Heitor de Paola – O Eixo do Mal Latino-Americano, recentemente lançado. Quem quiser se alfabetizar na história real do que vem acontecendo na América-Latina, leia – o livro é sensacional!

 

Voltemos às antigas revelações e às novas evidências.

 

Em 2005 (em 2005!!!), o jornalista Carlos I.S. Azambuja escrevia um artigo chamado ‘A guerrilha na Colômbia’ (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4333), no qual citava as ligações das FARC com governos da América Latina, principalmente por sua participação no Foro de São Paulo. Azambuja lembrava uma entrevista de Raul Reyes à Folha de S. Paulo, de 27 de agosto de 2003 (2003!!!), em que o próprio Reyes declarava abertamente que as FARC tinham “contatos, não apenas no Brasil, com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais” e citava nomes: “... o PT e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas...” e ainda os ‘intelectuais’ “Emir Sader, frei Betto e muitos outros”.

 

Azambuja dizia que “Essas relações, inclusive, com autoridades governamentais, são enormemente facilitadas pelos contatos estabelecidos pelos membros do Departamento Internacional das Farc”, formado por militantes que “desde a Argentina até o México, passando pelo Paraguai e Honduras”, mantinham “vínculos com membros de grupos de pressão de extrema esquerda e, em muitos lugares, realizam juntamente com o chamado crime organizado, atividades ilícitas como seqüestros, tráfico de drogas e contrabando de armas, além de inserir seus simpatizantes dentro de grupos sociais e de pressão”. Este ‘Departamento Internacional’ tinha “representantes na União Européia, Japão, Austrália, México, Canadá, EUA, Honduras, Costa Rica, Panamá, Cuba, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Argentina, Chile e Brasil, isso apesar de ser considerada pelos EUA, OEA e União Européia uma organização”, revelava o jornalista em seu artigo.

 

Entre os e-mails agora revelados pela Câmbio, estão os de Olivério Medina (Cura Camilo) para Reyes:

 

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

17 de janeiro de 2007

Na segunda-feira, dia 15, a "Mona" começou em seu novo emprego e para garanti-la ou impedir que a direita em algum momento a hostilize, a colocaram na Secretaria da Pesca, trabalhando no que chamam aqui de cargo de confiança ligado à Presidência da República”.

 

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

14 de abril de 2007

Devo atuar com cautela para não facultar ao inimigo argumentos que levem a questionar o refúgio. Nesse sentido, ter conseguido a transferência de “La Mona” e “La Timbica” para a capital do país foi importante. Manterei essa discrição até a neutralização. Obtida esta, terei passaporte brasileiro, e a primeira coisa que devo pensar é ir vê-los

 

Ora, quando o colunista da Veja, Diogo Mainardi, revelou que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pessoalmente, teria pedido a transferência da mulher do terrorista Olivério Medina, Angela Maria Slongo, para Brasília, o Ministério da Pesca informou que Mona apenas mandara um currículo e fora selecionada por critérios profissionais. Então, Mainardi não teve escolha: publicou o documento de pedido transferência oficial e assinado pela ministra. Encoberto por outros escândalos, o assunto ficou na ‘geladeira’. E agora, com mais esta prova contundente de que houve uma orquestração, a partir de dentro do Planalto para proteger Medina – o companheiro do Foro de São Paulo, ‘embaixador das FARC’ no Brasil, o que ‘inventará’ o governo como resposta?

 

Segundo o jornal El Tiempo, uma das funções de Medina, no Brasil, seria recrutar pessoas e traficar armas e que a principal fachada das Farc, hoje, seria a Coordinadora Continental Bolivariana (CCB), da qual Olivério integrava o comando, em companhia de Raúl Reyes e de Orlay Jurado Palomino, ou "Hermes", que estaria na Venezuela. O atual esforço da CCB seria tentar instalar-se nos EUA por intermédio de uma ONG e de uma entidade ambientalista.

 

Ambientalista? Isso mesmo. Recentemente, o site Mídia Sem Máscara publicou a tradução de um artigo de Cliff Kincaid – O Novo Comunismo – que falava sobre o livro Blue Planet in Green Shackles, do presidente da República Tcheca, Václav Klaus, denunciando que o movimento para “salvar” o meio ambiente foi tomado por ideólogos que defendem o controle total do governo sobre as nossas vidas. Klaus diz que o ambientalismo pode ser considerado uma forma de comunismo, de socialismo ou mesmo de fascismo. O resultado? Segundo o autor, será a extinção da liberdade humana. Cliff Kincaid lembra em seu artigo que “Staudenmaier escreveu que ‘a incorporação ao movimento Nazista de temas ambientalistas foi um fator crucial para a ascensão deles à popularidade e ao poder estatal’”... “Klaus, por seu lado, escreve que ‘a atitude dos ambientalistas em relação à natureza é análoga à abordagem marxista relacionada à economia. O objetivo em ambos os casos é substituir a evolução livre e espontânea do mundo (e da humanidade) pelo suposto planejamento otimizado central ou – utilizando o adjetivo mais elegante atualmente – global, do desenvolvimento mundial’”.

 

Voltemos novamente às antigas revelações e às novas evidências.

 

Outro que está comprometido pelos e-mails é o procurador da República Luiz Francisco de Souza, que, durante muito tempo, pertenceu aos quadros do PT, chegando a se candidatar a deputado federal pelo partido, não conseguindo ser, entretanto, eleito. Luiz Francisco é mencionado em um extenso e-mail de Olivério Medina (Cadena Colazzos) a Raúl Reyes, datado do dia 22 de agosto de 2004, relatando o diálogo que Medina havia tido com o procurador, que o aconselhava a como se proteger das investigações policiais: “Ande com uma máquina fotográfica e, quando possível, com um gravador, para o caso de voltar a acontecer de um agente de informação o fotografar e o gravar, tendo o cuidado de não permitir que ele pegue a câmara e o gravador. Que em relação com o sucedido fizemos uma denúncia dirigida a ele, como procurador, para fazê-la chegar ao chefe da Polícia Federal e à Agência Brasileira de Informação”.

 

Que investigações eram essas? Bem, a principal delas era sobre a doação de US$ 5 milhões das Farc para campanhas eleitorais do PT, em 2002, quando faltavam 6 meses para as eleições. Um agente da Abin, infiltrado na reunião, que aconteceu no dia 13 de abril de 2002, numa chácara nos arredores de Brasília, comunicou o fato a Agência Brasileira de Investigações (Abin), num documento datado de 25 de abril de 2002, que foi catalogado com o número 0095/3100 e que recebeu a classificação de “secreto”. O arquivo informava que na tal reunião, que durara cerca de 6 horas, havia um grupo de 30 pessoas - todos militantes de esquerda e simpatizantes das Farc - e Olivério Medina, que anunciou a doação dos US$ 5 milhões a candidatos petistas.

 

Numa CPI instalada já depois das eleições, o ex-general Armando Félix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, disse que o fato não era verdadeiro e que o documento da Abin havia sido classificado como ‘secreto’ para que as informações não vazassem e viessem a prejudicar a campanha presidencial de Lula da Silva. Até hoje, não se sabe direito o que teria acontecido nesse episódio. Não deixem de ler a versão, bem oposta, dos agentes que participaram das investigações da Abin AQUI.

 

A mensagem agora revelada pela Cambio apenas reforçam as já conhecidas relações entre o procurador Luiz Francisco e o ex-padre Olivério Medina. Reportagem da revista Consultor Jurídico, publicada em maio de 2006, mostrou que o procurador interveio, indevidamente, na Justiça, em favor Medina. Atitude arriscada, porque colocava em xeque a autoridade do Supremo Tribunal Federal. O ex-padre era acusado de assassinato na Colômbia. Preso no Brasil, aguardava o julgamento do pedido de extradição. O STF, através dos ministros Carlos Britto e Gilmar Mendes, solicitou que ele fosse alojado no Centro de Internamento e Reeducação do Distrito Federal. Foi então que o procurador Luiz Francisco de Souza, que, aparentemente, nada tinha a ver com o caso, entrou em ação, pedindo à Justiça do Distrito Federal que o colombiano fosse devolvido à Polícia Federal – o que foi providenciado, sem que se desse ciência ao STF, porque o pedido foi encampado pelas autoridades interessadas do Distrito Federal — Ministério Público, Polícia Civil e pelo juiz da Vara de Execuções Criminais, Nelson Ferreira Junior. Dois meses depois do episódio, o guerrilheiro colombiano obteve asilo político do governo brasileiro. Nesse período, a mulher de Medina, servidora pública, conseguiu ser transferida para Brasília, onde pode permanecer com o ex-padre, que estava em prisão domiciliar na capital. Hoje, sabe-se que a transferência da mulher de Medina foi conseguida pela atuação direta da ministra Dilma Roussef, como já mencionei acima.

 

ACTUAR CON CAUTELA

14 de abril de 2007

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

“Devo atuar com cautela para não facultar ao inimigo argumentos que levem a questionar o refúgio. Nesse sentido, ter conseguido a transferência de “La Mona” e “La Timbica” para a capital do país foi importante. Manterei essa discrição até a neutralização. Obtida esta, terei passaporte brasileiro, e a primeira coisa que devo pensar é ir vê-los”

 

Já está mais do que sabido que uma das principais estratégias dos terroristas é enviar ao exterior representantes que acabam ganhando o status de refugiados políticos. O jornal El Tiempo já forneceu alguns nomes de membros do grupo que atuam em vários países. Entre eles, está o de Francisco Antonio Caderna Collazos – o ex-padre Olivério Medina -: "(...) o contato das Farc, o 'Camilo' — casado com uma professora brasileira e encarregado de trocar cocaína por armas e do recrutamento de simpatizantes —, não pôde ser extraditado para a Colômbia porque goza do status de refugiado desde 2006".

 

A Abin – de Lacerda de Lula - está analisando o teor dos e-mails das Farc. Como a Folha da São Paulo revelou em julho (portanto, bem antes da Cambio) há mais de 60 brasileiros citados nos 85 e-mails apreendidos nos computadores de Reyes. Neles, além dos nomes acima referidos, também são mencionados assessores do próprio Lula, como Selvino Heck e Gilberto Carvalho, deputados, vereadores, acadêmicos e sindicalistas.

 

Foi Lula quem encaminhou o caso ao general Armando Félix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, ao qual a Abin está subordinada. Como se sabe, uma análise preliminar havia concluído não haver vínculo direto entre integrantes do governo e membros das Farc. Não me digam...

O mais difícil, entretanto, é driblar as evidências, que acabam sendo noticiadas na imprensa como fatos isolados, mas que cuja interligação com o tema ‘governo do Brasil – as Farc’ não passa despercebida por analistas mais atentos.

 

Em 2004, por exemplo, uma ação da Polícia Federal apreendeu, numa lancha acidentada da guerrilha, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), região sob forte influência da guerrilha colombiana, cinco lotes de medicamento usado em tratamento contra leishmaniose - havia 2.768 ampolas de glucantime, substância distribuída exclusivamente pelo Ministério da Saúde e que saíram de Brasília, conforme investigação da PF, obtida em inquérito policial instaurado em novembro de 2004 para apurar o caso.

Como esse, há inúmeros outros fatos espalhados entre as notícias dos mais diversos jornais do continente.

 

Mas, o principal motivo desse artigo, a despeito da longa introdução que julguei necessário fazer, é tratar de números em relação às Farc e, a partir destes, fazer uma análise de qual teria sido o ‘cenário’ imaginado pela esquerda em ascensão do continente que acabasse favorecendo a transformação da guerrilha em partido político, sem desperdiçar, entretanto, o ‘talento’ narcoguerrilheiro-armamentista de parte de seu contingente – que poderá vir a ser útil aos objetivos revolucionários na região.

 

A Inteligência militar do governo da Colômbia revelou que, quando o presidente Álvaro Uribe chegou ao poder, em 2002, Bogotá estava cercada por várias frentes da Farc e sofria com o crime e o terrorismo. A guerrilha contava então com 19 mil membros, distribuídos em 70 frentes. Hoje, os seqüestros anuais diminuíram de 2.883 para pouco mais de 500; os atentados, de 1.645 para 328; as principais estradas do país já são novamente transitáveis; o Estado retomou o controle do território; o efetivo das Farc estaria em torno de 8 mil guerrilheiros e as frentes não passariam de 45 (a guerrilha, entretanto, insiste em informar que ainda contaria com 17 mil homens e mulheres em armas).

 

Façam as contas: seriam 8 mil homens a menos. De acordo com as autoridades colombianas, desde 2002, mais de 9.000 integrantes do grupo teriam deixado a guerrilha. Além disso, as informações são de que cerca de 3 mil dos guerrilheiros teriam sido mortos, 1 mil feridos. Somente no ano de 2006, de acordo com declarações do ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, ao jornal "El Pais cerca de 2.500 combatentes haviam deixado a guerrilha. Para onde teriam ido? Teriam sido acolhidos por um programa do governo colombiano que beneficia quem aceita se entregar oferecendo benefícios jurídicos, subsídios e acesso à educação, à saúde e à capacitação profissional.

 

Seria uma espécie de programa de anistia, certo? E o que tem acontecido nos países que solucionaram, com anistia aos revolucionários, seus problemas de luta armada contra grupos que pretenderam promover a revolução comunista pela via das armas? Em todos os lugares nos quais isso aconteceu, os ‘revolucionários’ acabam aparelhando as instituições e a mídia, o que, mais cedo ou mais tarde, provoca uma mudança no discurso de tratamento de seus atos e de suas posições político-ideológicas passados, de forma a que se transformem em heróis dos ‘pobres e dos oprimidos’, fazendo com que, já pelas vias ‘democráticas’, cheguem ao poder, e, de lá, comecem a se vingar de seus ‘inimigos’ e a implantar seus projetos de poder comunistas – todos, é claro, de longuíssimos prazos. Nós já vimos esse filme – estamos dentro dele agora mesmo.

 

Com políticos ligados, senão às próprias Farc, pelo menos a seu perfil ideológico, já plenamente instalados na vida política colombiana, somados à massa ‘desertora’ do grupo e aos simpatizantes, poderíamos ver nascer daí, ‘novas forças políticas’ na Colômbia. De perfil de esquerda, é claro, e perfeitamente alinhado ao estabelecido pelo Foro de São Paulo – de Lula, de Fidel (de Raul), de Chavez, de Ortega, de Evo, dos Kirschner, etc. Mais tarde, chegariam ao poder, pelas vias democráticas.

 

Paralelamente, as atividades narcogerrilheiras da organização se espalhariam pela América Latina, descentralizando-se, através de ‘dissidentes’ das Farc (e da ELN) que seriam ‘adotados’ pelos mais diversos ‘movimentos sociais’ e poderosas organizações criminosas (máfia chinesa, máfia russa, PCC, CV, Al Qaeda), todas escondidas por trás de grupos criminosos, aparentemente surgidos das práticas de crime comum (assalto, tráfico de drogas, seqüestros, contrabando, etc.). Afinal, quantas já são as denúncias, no caso do Brasil, por exemplo, de ligações das Farc com tantos desses grupos, que, realmente, diga-se de passagem, já adotam, visivelmente, táticas de ação de guerrilha?

 

Sem querer desmerecer o trabalho honesto de muitos inocentes úteis que, sinceramente, combatem a guerrilha colombiana, e seu terrorismo, querendo a paz e a prosperidade da Colômbia, e da própria América Latina, não se pode desconsiderar esta hipótese na rápida ‘eliminação’ das Farc.

Com a palavra, os senhores e senhoras estrategistas e especialistas em crime organizado...

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