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RELATÓRIO ENEM - VERGONHA, INJUSTIÇA E DECEPÇÃO

 
EM NOME DE UM 'JUSTIÇAMENTO' SOCIAL 'REVOLUCIONÁRIO', O EXAME NACIONAL VAI LEVAR O ENSINO SUPERIOR PÚBLICO DO BRASIL PARA O FUNDO DO POÇO!
 
Por Christina Fontenelle / Rebecca Santoro
21 de Janeiro de 2012

O presente relatório sobre o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi fruto de intensa pesquisa sobre um dos temas que considero de enorme gravidade, não só para o presente momento social, político e econômico do Brasil, mas especialmente para o futuro próximo da imensa geração de jovens deste país que não merece continuar a viver numa terra na qual não se possa ter um mínimo de confiança na Justiça e nem um pingo de esperança em que honestidade e mérito tornem-se os principais parâmetros de sucesso em suas vidas pessoais e profissionais.

Não se trata de demagogia e nem de sonho com um mundo perfeito baseado na igualdade e na solidariedade entre os homens. Sabendo estar longe desta pretensão, desejar viver num mundo onde se possa confiar na Justiça é esperar que esta exista para garantir que haja o máximo possível de justeza e de correção nas relações entre os homens e não de que esta Justiça seja instrumento de ‘justiçamento social’, de ajeitamento do que se considere ‘injustiça social’, como se cada cidadão fosse individualmente responsável pelo fracasso, pela falta de méritos ou até pela falta de sorte de cada outro cidadão.

A realidade não é assim e cabe aos homens trabalhar para torná-la o mais próximo possível de um ideal que permita que haja convivência pacífica e harmônica entre todos, bem como ambiente que proporcione condições para que o maior número possível de pessoas consiga realizar-se pessoal e profissionalmente. Porém, deve sempre continuar sendo papel da Justiça prezar pelo cumprimento do que seja justo e legal, ainda que o que seja tido como tal possa não ser nem o ideal e nem o perfeito, embora deva parecer tentar ser o que mais se aproxime dos dois.

O que me leva a escrever este relatório e a distribuí-lo entre vários segmentos dos Poderes de nossa República é a enorme vontade de provar a toda uma geração de jovens e aos meus próprios filhos que ainda se pode ter esperança na Justiça deste país e, mais importante ainda, fazê-los enxergar o quão fundamental é enraizar, perpetuar e trabalhar para sempre melhorar esta Instituição que deve ser pétrea, desde sempre, na constituição do contrato social entre as partes que formem a sociedade em sua totalidade.

Justiça, pelo que seja justo e legal, é o que venho pedir às autoridades competentes deste país, ao elaborar este documento, que visa mostrar o tamanho do erro de avaliação das competências individuais de milhões de jovens brasileiros que pleiteiam vagas nas universidades públicas espalhadas pelo território nacional.

Primeiramente, é preciso que fique claro para a sociedade o que se pretende com a manutenção e o permanente investimento em estabelecimentos de ensino superior públicos.

Nossas universidades públicas estão aqui para garantir ensino de nível superior a quem assim o deseje, o mereça e por este apenas não possa pagar? Ou estariam aqui para que apenas os melhores entre os melhores, a despeito de poderem ou não pagar, devessem contar com investimento de dinheiro público em sua formação, para que toda a sociedade pudesse vir a se beneficiar com suas futuras atuações profissionais, fosse no setor público ou no setor privado?

O que é mais proveitoso em termos de retorno em benefícios práticos para a sociedade, já que se trata de investimento com dinheiro público?

Ou, ainda, estariam aqui nossas universidades públicas sendo transformadas em estabelecimentos mantidos com dinheiro ‘dos que podem mais’ para a realização do que julga nosso atual governo ser o ‘sonho de consumo’ de 99 entre cada 100 brasileiros das classes tidas por este como desfavorecidas social e financeiramente? Não seria esta prática ato populista e de cunho eleitoreiro para manutenção permanente de ‘curral’ eleitoral para que se perpetue no poder o partido que nele se encontra e, consequentemente, também seus aliados?

Quem decide o que se devam querer de nossas universidades públicas? A sociedade, através de parlamentares eleitos? Governos que se apossam do país como se lhes pertencesse passado, presente e futuro de toda uma nação? A sociedade, recorrendo à Justiça, com base na Constituição? Quem decide? Quem está interessado em decidir? Com quem podem contar os interessados em enfrentar esta batalha ingrata?

Na minha opinião, não responder sincera, clara e publicamente a questões como estas é o que vem transformando paulatinamente, ano após ano, o Enem em mais um braço de aparelhamento político-partidário do que deveria ser público. É o que vem transformando o Enem numa espécie de ogiva dentro da qual se vêm misturando, perigosamente, ‘agentes explosivos’ como vazamentos de questões de provas, obscuridade no tratamento de avaliações objetivas e subjetivas (estas mais do que as primeiras), relativismo no tratamento de ‘aproveitamento coletivo’ relacionado a erros e acertos nas questões objetivas, ideologização de perguntas e respostas objetivas e o cometimento cada vez mais acentuado de injustiças na correção das redações, especialmente quando se faz destas a principal balizadora de quem entra e de quem não entra nas universidades que adotam o Enem como sistema de aprovação.

Com o peso bastante significativo que passaram a ter as redações, e em se tratando da parte mais subjetiva do processo de seleção, fica, não só teoricamente, mas na prática, nas mãos dos corretores admitidos pelo governo, o poder de decidir quem entra e quem não entra nas universidades públicas, a partir de critérios obscuramente subjetivos. Sim, porque o aluno não tem direito de ver os critérios adotados pelos corretores de sua redação para a nota atribuída, nem o direito de ver sua própria redação corrigida, além de ser obrigado a concordar em abdicar, previamente ao exame, desses direitos, mediante assinatura de termo de concordância para inscrição no mesmo, como se houvesse outra forma a ser eleita para prestar exame a fim de conseguir cursar determinada universidade pública que tenha optado por eleger o Enem como forma de aprovação em seus quadros de alunos.

Chegou-se ao ponto em que uma destas universidades, a UFF – Universidade Federal Fluminense - , no RJ, tenha estabelecido uma nota de corte para admissão de novos alunos acima da nota máxima que alunos normais pudessem ter tirado no Enem, de modo que somente alunos ‘cotistas’ acabaram podendo ser admitidos, já que, para estes, a nota de corte sofre 20% de desconto. Se esta arbitrariedade ao menos tivesse sido divulgada antes das inscrições para o Enem, nenhum aluno que pretendesse entrar nesta universidade teria gasto dinheiro e tempo para prestar tal exame, bem como não teria colocado a UFF como uma de suas opções no Sisu.

Resta perguntar a quem estes alunos podem recorrer, agora, para reclamar seus direitos, entre os quais deveria estar o do reembolso do dinheiro empregado na inscrição e o de pleitear perdas e danos morais pelo tempo perdido, que, desperdiçado, pode significar, a partir de agora, mais um ano inteiro de despesas e de estudos para tentar – SEM NENHUMA GARANTIA DE SUCESSO QUE DEPENDA DESTES ESFORÇOS – entrar em uma outra universidade, pública ou privada. A quem recorrer nesse caso?

Senhoras e senhores, autoridades deste país, casos como esse – um entre tantos outros envolvendo o Enem – envergonham o país, minam os corações e mentes das futuras gerações de trabalhadores deste país com desesperança, com a certeza da impunidade para os erros dos que nos governam e com a convicção de que seja inútil tentar trabalhar para colocar este país pelo menos no caminho em direção ao primeiro mundo. Senhores e senhoras, autoridades deste país, não há ninguém por estes jovens? Não há nenhuma autoridade sequer no Judiciário ou no Parlamento brasileiros capaz de colocar a Justiça acima de qualquer que seja a burocracia?

Sim, porque o Ministério da Educação, tendo à frente o ministro Haddad, alega mil e uma razões de ordem burocrática, sempre colocando a culpa na capacidade limitada do sistema informatizado, para não fazer o que deveria ser feito, em nome do que fosse justo, diante dos diversos problemas graves envolvendo o Enem, que ocorrem ano após ano, desde a sua criação. Até quando, senhoras e senhores?

Tirar das universidades públicas alunos que o governo julga poderem arcar com o pagamento por ensino superior nas instituições de ensino particulares, caríssimo em nosso país, parece estar sendo o objetivo do Ministério da Educação nos últimos anos, ao estar vindo sempre a empreender modificações no sistema de admissão nas universidades públicas, favorecendo escancaradamente alunos que venham de escolas públicas e os que pertençam, segundo análises de caráter duvidoso por parte do governo, às chamadas ‘minorias desfavorecidas’.

Dúvidas a respeito desta determinação do ministério da educação, seguindo orientação ‘democratizadora’ da educação estabelecida pelo governo federal? Então vejam na ilustração abaixo o que o Inep propõe aos alunos que se encaixem nos perfís acima citados:

Não se trata, aqui neste relatório, de não defender que o maior número possível de jovens brasileiros possam ter acesso às universidades, desde que assim seja sua vontade. Trata-se, porém, de fazer isso da maneira correta, oferecendo ensino de qualidade, do primeiro ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio, bem como condições sócio-econômicas e ainda ambientes em geral adequados para que surjam gerações e mais gerações inteiras de jovens bem preparados para ingressar no ensino superior, por mérito, por interesse ou por competência. Há que se criar estas gerações num ambiente em que haja empregos bem remunerados para os responsáveis adultos; transportes coletivos urbanos e rurais seguros, confortáveis e com preços acessíveis à população; segurança pública eficiente; Saúde a acesso de todos, desde a prevenção ao tratamento de todo o tipo de doença; condições de saneamento modernas e eficientes por todo o país, indiscriminadamente etc. Para dizer o mínimo.

Dessa forma, não seria preciso fazer o que certamente acabará tendo que ser feito, se o modelo de admissão às universidades continuar sendo o que hoje se vê empregado pelo ministério da educação, isto é, baixar o nível de qualidade do ensino para que alunos despreparados possam conseguir acompanhar os cursos superiores em que tiverem sido admitidos, isso sem falar na inevitável desvalorização da profissão de professor universitário. Tudo exatamente como ocorreu com as escolas públicas do país, em médio e longo prazos, desde que se resolveu priorizar a quantidade de alunos em sala de aula em detrimento da qualificação destes alunos. O filme já passou e todo mundo conhece o triste final. Por que repetir o erro?

Se a intensão do ministério da educação e do governo não fosse a discriminatória em relação às classes consideradas por estes como sendo um pouco mais bem favorecidas cultural e financeiramente – justamente as mais sugadas e sacrificadas por este mesmo governo para que ‘banquem’ o festival de ‘justiçamentos eleitoreiros’ do mesmo – não haveria motivos para constranger os alunos de todo o país a preencherem um questionário socioeconômico, como uma das etapas obrigatórias no processo de sua inscrição para o Enem. Na figura abaixo, extraída do site do Inep, isto está claro.

Quantos educadores comentaram sobre isso com seus alunos nas escolas? Quantos pais e responsáveis estão cientes do constrangimento a que foram submetidos seus dependentes para que pudessem ter-se inscrito no Enem? Quantos alunos foram orientados a mentir neste questionário para fugirem de imagináveis ‘perseguições’ na hora de disputar as vagas a que estavam concorrendo? E quantos não responderam, inocentemente, a verdade, sem supor que poderiam estar minando suas chances de conquistar a sonhada vaga em uma universidade pública do país?

Não existem inocentes? Então examinem abaixo o que posta em seu blog uma jovem sobre o preenchimento deste tipo de questionário ‘sócioeconômico’ a todo momento em que se faz qualquer tipo de inscrição:

A menina acerta nas críticas ao preenchimento deste tipo de questionário, mas parece não identificar nos mesmos um possível instrumento de discriminação, ainda que seja material a ser usado num possível futuro.

Abaixo, o questionário:

 

   

Pergunta-se: é legal obrigar brasileiros, principalmente os que forem menores de idade, a preencherem questionários ‘sócioeconômicos’ como estes, num país onde a Constituição proíbe qualquer discriminação por cor, credo ou gênero?

Depois destas breves considerações sobre constrangimentos discriminatórios, com objetivos não muito claros e questionamentos sobre o que se pretende com nossas universidades públicas, é conveniente ainda que se preste atenção ao pronunciamento de um Senador da República sobre o Enem, feito no dia 29 de setembro de 2011, no Senado, denunciando nada menos do que ‘ideologização retrógrado-revolucionária’ do exame em si e as conseqüências disso para o ensino fundamental e médio de nosso país.

Segue o pronunciamento, no qual peço que sejam observados com atenção os grifos feitos por mim em amarelo:

  Pronunciamento do Senador Demóstenes Torres sobre o Enem 2010

http://www.senado.gov.br/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=390137

Pronunciamento: Senador Demóstenes Torres (DEM - Democratas /GO)
Senado Federal
29/09/2011                                        

 Srª Presidente, Srªs e Srs. Senadores,

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou em 1998, fazendo o levantamento das unidades de ensino, e, agora, avalia o aluno. No anterior, como nesse, os três acabaram reprovados: a escola, o corpo discente e o Enem. O mais recente, de 2010, trouxe o retrato de que o Brasil abandonou o velho 2º Grau, inclusive depois de rebatizado, fotografou uma moldura que circunda aulas desinteressantes, escolas caindo aos pedaços, professores desmotivados e estudantes reduzidos a preparações para se filiar nos propósitos chavistas. A meta oficial é espetar uma estrelinha vermelha no peito de cada um dos 5,4 milhões que lotarão as salas no próximo mês para o Enem 2011.

Vestibular é um modo falho de aferir saber, e, por isso, aplaude-se e se adota o Enem em universidades sérias. O problema é o conteúdo das provas: abaixo da crítica, acima do tolerável. Elas insistem nos erros do vestibular, com o agravante da padronização nacional; equívoco que aparecia na seleção de uma faculdade ganhou amplitude de continente.

Na escala da gravidade dos desacertos, o pior é a doutrinação, e, logo, vem o generalizar da má gestão. As crianças se submetem à Provinha Brasil, no 2º ano de escolarização, e os adolescentes, à Prova Brasil, do 5º ao 9º ano. Quando o cidadão está entrando na juventude, o Governo o cerca com os salamaleques esquerdistas do Enem. Não importa a faixa etária: nos diferentes exames, existe o trabalho sujo de formar consciências sob mando dos burocratas.

Sr. Presidente, o ideal seria que 100% dos estudantes participassem do Exame, mas as seguidas trapalhadas desmoralizaram o Enem em seu período de maior soerguimento. Pouco mais da metade se inscreve, e, em alguns casos, a omissão é deliberada, para evitar que se balize o quadro negro escondido pelos boletins no azul. Por não ser obrigatório, o Exame esbarra nessa bagunça. A maioria dos ausentes é de escola pública, dificultando o diagnóstico. O Governo tentou mascarar o horror de outra maneira, supervalorizando a redação, que seus terceirizados corrigem de acordo com as ordens emanadas.

O tema da dissertação de 2010 foi “O trabalho na construção da dignidade humana”, com dois textos-base: “O que é trabalho escravo” e “O futuro do trabalho”. Certamente, quanto mais o examinando deitou falação contra o serviço e sobre o tanto de suor derramado para vencer na vida, maior foi a sua nota. Pelas demais provas, é possível deduzir o que o Enem deseja: basta fazer um panfleto contra a exploração da mais-valia. O truque para inflar os dados das escolas públicas reside também em um detalhe: o que o aluno escreve em até oito linhas vale o mesmo que as 180 questões das quatro provas de múltipla escolha.

Um representante dos colégios particulares tirou exemplo do funcionamento do estratagema do Governo: uma escola pública ficou na posição de nº 571 em Matemática e por causa da redação sobre trabalho escravo subiu para 19º lugar nacional. É ótimo que reconheçam a importância da escrita de punho e da elaboração própria, pois isso certifica a capacidade de intelecção. Porém, quem vai decidir isso é alguém do instituto responsável pela prova, contratado pelo Ministério da Educação, que tem total interesse em revelar que o ensino público vai bem.

O tiro saiu pelo lombo de quem mandou dar. Na ressonância magnética realizada pelo Enem, o laudo da educação básica a classifica como péssima, mesmo com a ajudinha sorrateira do Enem. Das 14.247 escolas públicas, 8 amealharam 700 pontos ou mais. Repito: apenas 8 em 14.247 escolas públicas obtiveram da nota 7 para cima. Foi incrível o descaramento das autoridades que comemoraram uma suposta alta na média do Enem de 2009 para 2010, de 501,58 pontos para 511,21 pontos. O máximo seria mil pontos.

Para subir esses meros 2%, apelou-se para uma série de mecanismos, sendo o principal deles o incentivo para que as Instituições de Ensino Superior (IES) colocassem o Enem no lugar do vestibular. Por isso, pululam cursos preparatórios para o Enem. Querem se ver livres do vestibular, repisando os vícios do vestibular. À Prova Brasil e ao Enem, acrescentem-se deslizes colossais, como a propagação de livros pornográficos por bibliotecas dos colégios.

Enfim, é desnecessário ser bom em adição para resolver uma operação simples: a meta maior não é educar, mas é doutrinar; não é convencer o aluno a ler os clássicos, mas a obedecer à cartilha.Nos cursinhos específicos, professores e aprendizes estão pegando o que chamam de “manha do Enem”, com os antigos macetes. Isso é o oposto de aprender ensinamento, serve unicamente para alcançar nota no Enem. Eles ouvem os discursos da bancada oficial no Congresso, acompanham os monólogos da Presidenta Dilma Rousseff e as explicações da aparvalhada equipe. Pronto! Estão diplomados em enrolação.

Os redatores do Exame são militantes que honram a tradição da turma, a ponto de perguntas e respostas terem a mesma linguagem dos jargões do Governo. O engajamento é tamanho, que, como o último Enem foi gestado ainda sob o Governo Lula, se houvesse prova oral, esta seria aplicada por um sujeito com a língua presa.

O inteiro teor dos testes segue igual diapasão. Os estudantes são treinados a responder o que o Governo quer, pois assim é elaborado o gabarito. Vamos conversar sobre tópicos do Enem de 2010, cujos resultados saíram há duas semanas. Além da redação, foram aplicadas provas de linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e matemática e suas tecnologias.

A tecnologia que falta na rotina das aulas sobra nos nomes complicados atribuídos às áreas do conhecimento. No geral, os testes mostram que o Enem é usado como concurso ideológico para membros da esquerda festiva. As folhas têm as mesmas questões, mas, para complicar a famosa cola, foram divididas em cores. A enfocada aqui é a prova amarela do primeiro dia de avaliação.

A Questão nº 02 clareia a linha de raciocínio do aluno ideal para o Governo. A página é ilustrada com um gráfico referente a 1998, com 53% do território rural brasileiro dividido em terrenos com mais de mil hectares: 30,5%, de 10 a 100 hectares; 15,2%, de 100 a 1.000 hectares; 1,3%, até 10 hectares. Portanto, não foram contabilizadas as glebas distribuídas nos últimos treze anos, principalmente no período Lula, em que a pressa para atender a companheirada do MST e entidades assemelhadas disparou o preço do alqueire.

Com as informações, o avaliador ostenta cinco alternativas nas quais o aluno deve indicar a que possui "característica da estrutura fundiária brasileira". Nenhuma delas faz referência à agropecuária, que permite o saldo positivo da balança comercial, uma das dádivas com que o campo brinda seus algozes do Plano Piloto, da Esplanada à Praça dos Três Poderes. Pelo contrário, os produtores são tachados de forma pejorativa, independentemente de qual parêntese vai granjear o "x" ou o quadrinho a ser marcado no cartão.

A opção "E" faz alusão a um sistema de plantations modernos “uma variação baseada em latifúndios e mão de obra escrava”. O Enem planeja associar alhos com bugalhos, pois a analogia fala por si: não importa o quanto melhorou a vida das pessoas no campo, com tratores de última geração, com GPS, com energia elétrica, pois, se elas laboram em grandes fazendas, elas, automaticamente, entram na lista de remanescentes de escravos ou de escravocratas.

A letra "D" é irônica. A resposta para a indagação "Qual a característica da estrutura fundiária brasileira?" seria "a primazia da agricultura familiar"? Não, os gráficos desenham uma produção de subsistência, sem efeito para superávit. Como desafio à inteligência dos alunos, a questão é ridícula, mas avaliar o desempenho dos estudantes nem sempre é o principal objetivo. O contraste entre o enunciado e a opção poderia despertar aquela revolta tão cara aos movimentos sociais. Tropeçam, ao intentarem um sentimento de indignação do proletariado, que se identificaria com o minifúndio, do chacareiro, do sitiante, do meeiro, um pessoal que transpira junto com a família e não almeja a dó de ninguém, só precisa de estradas boas e financiamento justo.

Quem escolhesse a alternativa "B" apostaria na "existência de poucas terras agricultáveis", o que é um absurdo, dadas a dimensão continental, a fertilidade do solo e a ainda resistente água doce.Os produtores que transformaram o Brasil no celeiro do mundo são tratados como réus, o que não é novidade no Enem.

A hipótese "A", apontada como correta, é o mantra de tipos como o incendiário João Pedro Stédile e o presidiário José Rainha. A resposta certa para a pergunta "Qual a característica da estrutura fundiária brasileira?" é "A concentração de terra nas mãos de poucos". Não é verdade. As características são o avanço na legislação de propriedade e a terra com função social, não importam os metros quadrados. O Governo se abstém de extensão e de pesquisa, mas as empresas do ramo suprem com laboratórios, com técnicos e com experiências.

De um lado, fazendas gigantescas são entregues com critérios questionáveis a quem sabe o que é roça por ter acampado perto de uma. No outro lado, lavouras e carnes estão preenchendo estômagos nos cinco continentes. Depois de fazer muito mal à democracia, de preparar trambiques de norte a sul, de torrar bilhões de reais arrancados dos cofres públicos, o MST está em declínio. Os pequenos lavradores viram que seus líderes não se contentavam em invadir plantação e em roubar dinheiro de convênios - eles estavam invadindo a boa-fé e roubando-lhes o rico dinheirinho destinado à refeição do dia a dia. Rainha está no trono da cadeia por malfeitorias desse jaez. Faltam os outros.

A Questão nº 10 traz em sua raiz a pretensão de demonstrar o caráter devastador do capitalismo. Depois de um trecho do livro Lideranças do Contestado, filosofa que uma série de empreendimentos chegou à região meio-oeste de Santa Catarina, gerando um impacto social que redundou na Guerra do Contestado. Cabe ao estudante apontar qual mazela do livre mercado desaguou no conflito com armas.

Opção A: afirma que "a absorção dos trabalhadores rurais numa serraria resultou em êxodo rural". O ser humano busca o melhor. Se a vida no campo naquela região estava ruim, natural migrar para horizonte com melhores chances de ser feliz.Opção B: "O desemprego gerado pela introdução das novas máquinas, que diminuíam a necessidade de mão de obra". Fechadas as aspas, é a surrada ideologia que pretende restaurar o linotipo, o tear, o martelo e a foice. A tolice de associar maquinaria a corte de vagas é superada pela propaganda do Governo: a tecnologia está nas indústrias e nos campos, e o índice de desemprego é o menor em anos.

Opção C, que o gabarito aponta como correta: diz que o fato gerador da guerra foi a "desorganização econômica tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais da região". Os empresários que ali sentaram praça espalharam ferrovia para o progresso entrar nos trilhos. Provocaram impacto na economia local, como é praxe em quaisquer mudanças de paradigmas, mas, a médio e longo prazos, todos ganham - a região, os investidores e os anfitriões. O propósito do Enem é formar uma geração de conformados, alheios a esforço, descrentes no mérito, à espera do Bolsa Família, sem despertar para a inovação, a criatividade, o empreendedorismo.

Opções D e E: uma equipara os investidores a velhos coronéis engalfinhados em disputa de poder, e a outra sugere uma guerra de classe entre operários e patrões, ligados ao capital internacional, o manjado e retrógrado discurso utilizado tantas vezes por sindicalistas. O examinando conclui que ascensão segura é na militância. Estudar é insuficiente, tem de entrar na ONG, na associação, na Oscip, na organização social, no partido aliado.

A Questão nº 12, Sr. Presidente, abriga a maçaroca que vou reproduzir como está: “A Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se transformava em lucro. As cidades tinham sua sujeira lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucrativa, sua desordem lucrativa, sua ignorância lucrativa, seu desespero lucrativo. As novas fábricas e os novos altos-fornos eram como as pirâmides, mostrando mais a escravidão do homem do que seu poder”.

Li o enunciado como o aluno o encontrou no Enem. A pergunta abarca a relação entre os avanços tecnológicos durante a Revolução Industrial Inglesa e as características das cidades fabris do início do século XIX. A hipótese A poderia ser considerada correta, não fosse o Enem tão direcionado. Ela diz que “a facilidade em estabelecer relações lucrativas transformava as cidades em espaços privilegiados para a livre iniciativa, característica da nova sociedade capitalista”. Extrair lucro do lixo, das favelas e da ignorância não torna o trabalho menos digno. Pela tese esposada, o professor se beneficia da ignorância, o médico se beneficia da doença, o policial se beneficia do crime, o gari se beneficia do lixo. Não há alternativa confirmando que assim se consegue erudição, cura, segurança e limpeza. E é o que ocorre.

A opção D levanta a proposta de que a grandiosidade dos prédios das fábricas revelou os avanços da engenharia e arquitetura do período, tornando as cidades locais de experimentação estética. O que deveria merecer elogio, no Enem é digno de reprimenda. A ideia é imprimir no aluno que o capitalismo é incompatível com a sensibilidade artística. A alternativa correta, letra E, é o mote do atraso. Vou ler como está na prova: “O alto nível de exploração dos trabalhadores industriais ocasionava o surgimento de aglomerados urbanos marcados por péssimas condições de moradia, saúde e higiene”. Para acertar e exibir boa nota no Enem é vital ratificar a frase, que despeja no desenvolvimento industrial o dolo pelo caos que convive com a prosperidade. E prosperidade à custa de suor, para esses aí dos palácios, é um pecado mortal.

O Enem pisca os dois olhos para o bolivarianismo de Evo Morales e dos hermanos latinos. A cegueira histórica, nada mais, justifica a Questão nº 13, que trata da anexação do Acre, desmerecendo o Tratado de Petrópolis, mas vamos retornar para o agronegócio, que os redatores do Enem consideram o vilão do desenvolvimento brasileiro.

Na Questão nº 14, a introdução fala sobre uma manifestação indígena na Avenida Paulista, em São Paulo. O avaliador lança a afirmativa para o estudante eleger argumento que a corrobore. Vou ler o enunciado: “A questão indígena contemporânea no Brasil evidencia a relação dos usos socioculturais da terra com os atuais problemas socioambientais, caracterizados pelas tensões entre”... Aí vêm os cinco modelos de abadás, em forma de alternativas, para os alunos saírem apitando e jogando espelhinhos nos exterminadores de caiapós, tupis, carajás e tantas outras tribos.

O ardil do Enem, Sr. Presidente, impele o incauto a armar seu protesto em defesa das reservas indígenas, dentro do coitadismo institucionalizado, como se índio criasse teia de aranha no cérebro. A outra maneira de fugir é equipar a caravela e deixar o País com vergonha dos seus antepassados exploradores. Vamos às alternativas indignas dos “protetores” indígenas:

Opção E: afirma que o conflito no Cerrado se dá entre o campo e a cidade, fazendo com que as reservas sofram com “invasões urbanas”. Pelo jeito que descrevem, dão a entender que está acontecendo uma guerra entre indígenas e não índios, com flecha voando para todo lado. Eu moro em Goiás e trabalho durante a semana em Brasília, duas unidades da Federação que compõem o Cerrado. Conheço bem as centenas de localidades e jamais vi no bioma megalópole plantada sobre aldeia, prédios substituindo as ocas e essas outras culpas jogadas sobre todos os brasileiros.

Opções D e C: o vilão é o capitalismo, como virou tradição no Enem. O conflito se dá entre os povos indígenas e a cruel elite industrial paulista.O Enem volta a bater nos produtores rurais, que seriam privilegiados pelo plantio em larga escala do solo em comparação com a brandura destinada ao uso tradicional. Nas entrelinhas, o jeito é deixar a lavoura sob controle dos índios, que eles dão conta de alimentar o Brasil e o mundo. Nem os indígenas saem em público para proferir bobagens assim, a menos que a diretoria da Funai ensaie com eles os termos. Quem acha isso são os que os supõem inválidos, e eles são brasileiros comuns, que sofrem com a demagogia.

Opção B: aponta uma conspiração entre “os grileiros articuladores do agronegócio” para atacar “os povos indígenas pouco articulados”. Não noticia quando foi a última matança de índios por fazendeiros.

Opção A, considerada correta, deixa assim a frase: “A questão indígena contemporânea no Brasil evidencia a relação dos usos socioculturais da terra com os atuais problemas socioambientais, caracterizados pelas tensões entre [...] a expansão territorial do Centro-Oeste e Norte, e as leis de proteção indígena e ambiental”.Não diz um “a” sobre o comércio de madeira, os garimpos, a falta de comida e de remédio.

Os avaliadores entram na Guerra do Paraguai, citando contradições entre dois pesquisadores. O primeiro é Júlio Chiavenato, em um trecho do livro Genocídio Americano: a Guerra do Paraguai. O outro é Francisco Doratioto, na obra Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai. A ideia do Enem é cristalizar no imaginário do jovem que Solano López foi vítima da Inglaterra. Conforme documenta Doratioto, López era um ditador sanguinário, cujos inimigos não eram a Coroa britânica ou a Tríplice Aliança, mas a própria covardia.

A Questão nº 23 foi baseada no poema “Perguntas de um trabalhador que lê”, do alemão Bertolt Brecht, um bom poeta, cuja exclusividade é reivindicada pela galera de boina. Depois de apresentar versos censurando a memória construída sobre determinados acontecimentos marcantes, o Enem pergunta a que se refere a crítica de Brecht.

Opção A: considera históricos os autores de feitos heróicos ou grandiosos, que, por isso, mereceriam ficar na lembrança. No entanto, a obra de Brecht é uma ode aos trabalhadores, não trata de quem merece ou não entrar para a história. Por analogia, a intenção do examinador é o estudantequestionar: por que celebrar Juscelino Kubitschek se milhares de operários o ajudaram a construir Brasília? Não passou pela cabeça da direção do Enem agradecer a ambos, a JK e a quem pôs a mão na massa.

Opção B: fala que a história deveria se preocupar em memorizar o nome dos reis ou dos governantes das civilizações que se desenvolvem ao longo do tempo. É uma maneira de atirar o jovem contra os administradores, prestem eles ou não. Usando a mesma analogia, companheiros, mandemos ao limbo o Monumento a JK e ergamos no chão desocupado uma estátua aos operários anônimos!

Opção C é a correta no gabarito: afirma que “os grandes monumentos históricos foram construídos por trabalhadores, mas sua memória está vinculada aos governantes das sociedades que os construíram”. A interpretação é repleta de ideologia. A prova do Enem parece gritar: “Companheirada, vamos tirar a sigla JK e os nomes Juscelino e Kubitschek das homenagens e substituí-los pela efígie e o nome do Lula”. Ora, os trabalhadores são, todos, importantes, e eles mesmos se sentem gratificados quando se erige algo em memória de seu líder.

E assim seguem as 180 perguntas e 900 possibilidades de respostas. Tratam de política, de homofobia, de Getúlio Vargas e de uma infinidade de assuntos. Em qualquer tema, em qualquer abordagem, o que interessa é inculcar as diretrizes da permanência no poder. Para isso, o jovem tem de desconsiderar tudo o que houve no Brasil da era pré-cabralina até 1º de janeiro de 2003, marco zero da era glacial tropical, um tempo infindável de otimismo e repartição de riquezas. Até o momento, as riquezas foram repartidas somente entre o Governo e os banqueiros, mas não custa continuar sonhando.

Gostaria de voltar a discutir o Enem antes de sua edição 2011, nos próximos dias 22 e 23 de outubro. As provas, é óbvio, já foram elaboradas e impressas. Mas é preciso rogar ao Ministério da Educação que atente para os testes. O Enem deve avaliar o nível de conhecimento, não o de militância. A iniciativa do exame é louvável e não pode ser atrapalhada pelo recrutamento de cabos eleitorais em que se transformaram as políticas públicas de Educação.

Muito obrigado, Sr. Presidente. Muito obrigado pela tolerância.

O conteúdo do pronunciamento do senador Demóstenes Torres traz denúncias gravíssimas! Não ‘emocionou’ nem seus colegas parlamentares, nem autoridades do Judiciário e não teve a repercussão que merecia na mídia. Parece que vivemos num país de acéfalos, de gente desprovida de capacidade de se indignar, de gente completamente descrente de que valha a pena tentar consetar o que esteja obviamente errado. Uma vergonha que não haja sequer uma autoridade competente neste país para exigir providências concretas contra todas as arbitrariedades denunciadas, nada mais nada menos do que, por um senador da República!

Será que somente a Deus resta aos brasileiros apelar por justiça e por correção?

Não bastasse tudo o que já foi acima exposto, seguem listas e mais listas de problemas que tornam a ocorrer no vergonhoso sistema de concorrência por vagas nas universidades públicas brasileiras – desta vez, tratando somente do Enem do ano de 2011. Uma barbaridade! Um desrespeito a milhões de alunos e aos profissionais que se envolvem na sua preparação para a realização deste exame que pode definir para sempre a vida de cada uma destas pessoas, às vezes de maneira cruelmente ruim. Uma irresponsabilidade inominável!

Senhores e senhoras, autoridades competentes deste país, peço paciência para que leiam todo este documento. Peço que atentem para a importância de que seja feita justiça para milhões de brasileiros cujas vidas podem ter sido definidas de maneira injusta da pior maneira possível. Milhares não terão segunda chance. Milhares podem não ter conseguido a sonhada vaga na universidade injustamente. Não há país que vá para frente de maneira saudável às custas de injustiças dessa gravidade cometidas contra milhões de jovens.

Prosseguindo, enumero abaixo uma série de Matérias – todas veiculadas na imprensa – tratando de erros inaceitáveis para a probidade de um exame da importância que passou a assumir o Enem, já que estabeleceu-se como balizador nacional de quem entra e de quem não entra em grande parte das universidades públicas do país. Arrisco-me a dizer que, em qualquer país sério do planeta, bastasse que tivesse ocorrido apenas um destes problemas para que todo o exame tivesse sido anulado e refeito.

MATÉRIA 1:

VAZAMENTO IDENTIFICADO NO CEARÁ – PRIMEIRA FALHA SÉRIA DO ENEM 2011

ENEM - FRAUDE OUTRA VEZ

Por Rebecca Santoro

Caio C., um rapaz que fez o Enem - Exame Nacional do Ensino Médio - deste ano (2011) publicou, ontem (25/10/2011, às 19:16 hs), no seu mural da rede social na internet, Facebook, as fotos de um razoável número de questões que estavam nas provas do exame nacional e que eram exatamente as mesmas que estavam no caderno de simulados do Colégio Christus - uma tradicional instituição educacional de Fortaleza-CE, que possui cinco sedes na cidade. A página do Facebook já não está mais no ar; porém, na figura ao lado (clique para ampliar) está o instantâneo feito da mesma quando ainda se encontrava ativa (Os olhos do adolescente foram tarjados porque não se sabe tratar-se de menor de idade ou não).

Não se trata de um colégio comum - é para quem pode pagar. Em 2010, por exemplo, o colégio passou a oferecer aulas adicionais em inglês, em período extra, para complementar o currículo americano e oferecer dupla certificação - brasileira e americana - ao final do ensino médio. Não é para o bolso de qualquer um. No ENEM do final do ano passado, o Christus obteve o 1° Lugar do Brasil em Redação, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, quando seus alunos obtiveram as notas máximas nestas matérias (http://www.baladain.com.br/nota/6398).

Talvez, a partir de hoje, esse possa não ser mais um motivo de orgulho para a instituição. Depois do episódio da distribuição, segundo denúncias de alunos na rede social, de uma apostila contendo 14 questões idênticas às que caíram no Enem, bem na véspera do exame nacional. O colégio também se pronunciou através do Facebook, informando que possui um vasto banco de questões fornecidas por professores e ex-alunos, e que sempre tem registrado um bom índice de acertos em questões de vestibulares. Pois é...

Na imagem abaixo, as fotos dos cadernos e das questões do simulado que seriam do Colégio Christus ao lado das fotos (escaneadas) das provas e das questões do Enem deste ano (2011). (Clique na Imagem para ampliar)

Como se pode ver, realmente as questões são iguais e, de acordo com o que está regulamentado para o Enem, estas deveriam ser originais e exclusivas, constando do banco de questões elaboradas por diversos professores para este exame nacional. Tais questões ficam armazenadas neste banco de dados, por 2 anos. Isto é, as que são usadas no exame passam a ser de domínio publico - após a realização do mesmo, é claro. As que não são usadas só podem ser publicadas depois de já terem ficado em sigilo, no banco de dados, por 2 anos.

OS ALUNOS QUE ESTAVAM NO FACEBOOK CONFIRMARAM A FRAUDE POR CAUSA DE CONVERSAS ENTRE ESTUDANTES DO COLÉGIO CHRISTUS NO TWITTER.

Quando comecei a redigir esta matéria, ainda não havia confirmação oficial da constatação da fraude que foi percebida e denunciada pelos alunos no Facebook e no Twitter. Porém, na madrugada, o procurador da República, Oscar Costa Filho, confirmou, em declaração ao site Jangadeiro Online que com as evidências apresentadas já poderia concluir que realmente teria havido vazamento das questões do ENEM 2011: “Houve vazamento. A materialidade (do crime) está comprovada. A investigação será só pra comprovar a autoria”. Hoje, quarta-feira (26), o promotor Oscar Costa Filho vai acionar o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais – INEP para que o exame seja anulado.

De modo que, mais uma vez, fica comprovada a existência de mais esse quesito de insegurança para os brasileiros adicionarem a tantos outros que já fazem parte da sua rotina. Desta vez, quanto ao sigilo que lhes deveria ser garantido por lei para, por exemplo, contas bancárias e de cartões de crédito, para conversas telefônicas e até, porque não dizer, para o voto. Tudo neste país da nova elite ‘social-lulo-petista e Cia.' é violável, é ‘comprável’.

Um enorme desrespeito com milhões de estudantes que têm passado os últimos 3 anos de suas vidas, se não se matando de estudar, pelo menos convivendo com a tensão de terem que prestar um exame para poder seguir as carreiras almejadas. Um desrespeito para com os milhões de pais, professores, dirigentes escolares - todos envolvidos nesse processo de perspectiva de mudança de vida de seus filhos e alunos.

Mas, a Copa 2014 vem aí, depois as Olimpíadas e por aí vai....

MATÉRIA 2: 

Alunos que tiveram Enem cancelado no CE dizem que vão melhorar nota

André Teixeira
Do G1 CE
27/10/2011 07h48

Estudantes dizem que querem 'melhorar a reputação da escola'.

Alunos do Colégio Christus, em Fortaleza, que tiveram o exame do Enem cancelado pelo MEC nesta quarta-feira (26), afirmam que vão estudar para melhorar a nota em relação à primeira prova. “Queremos melhorar nossa nota, passar a melhor imagem porque repercutiram de forma muito ruim essa notícia”, diz o pré-vestibulando Matheus Atalânio, 18 anos.

Matheus acertou 56 questões no primeiro dia do exame – de um total de 90 – 75 no segundo dia e afirma ter feito uma boa redação. “O colégio preparou bem, independentemente de questões iguais”, diz o aluno.

O aluno afirma também que, quando recebeu o material com as questões semelhantes às do Enem, o professor teria dito: “Esse é o melhor material que temos sobre o Enem; é melhor não mostrar para os concorrentes”. Ele diz também que a anulação da prova para os alunos do Christus é injusta.

Uma outra aluna do Christus, de 17 anos, que prefere não se identificar também afirma que a meta dela é melhorar a pontuação em relação ao primeiro exame, cancelado nesta quarta-feira. “Já conversei com os colegas e vamos formar grupos de estudo. O colégio também vai nos dar apoio”, afirma a estudante.

Candidatos de outras escolas afirmam ter tido acesso a questões do Enem.

Uma aluna de outra escola do Ceará, afirma que teve acesso a material distribuído no Christus. “Vários alunos também tiveram acesso ao material. Eu acho que é injusto. Se for para refazer, é para todo mundo pelo menos de Fortaleza”, diz..

O Ministério da Educação anunciou no final da tarde desta quarta-feira (26) que os 639 estudantes do Colégio Christus que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terão suas notas anuladas e vão precisar fazer novamente a prova.

O MEC constatou que a escola distribuiu apostilas nas semanas anteriores ao exame com questões iguais e uma similar às que caíram nas provas realizadas no sábado (22) e domingo (23). Os candidatos do Christus poderão fazer novamente o Enem em 28 e 29 de novembro, dias nos quais o exame será aplicado para pessoas submetidas a penas privativas de liberdade e adolescentes sob medidas socioeducativas. As questões do Enem que aparecem nas apostilas não serão canceladas.

Em nota, a direção do colégio afirmou que as questões constam em um banco de dados de perguntas que a escola recebe de professores, alunos e ex-alunos para promover simulados para o Enem. O colégio diz ainda que “como há o pré-teste de questões utilizadas no Enem, existe a possibilidade de que essas questões caiam no domínio público antes da realização oficial do exame, as quais eventualmente podem compor o banco de dados de professores e de outros profissionais da área de educação”.

Dez questões idênticas

Um estudante cearense ouvido pelo G1 relatou que, depois de ouvir comentários na escola dele sobre a antecipação das questões, resolveu comparar com a prova do Enem. “Comprovei que no material do outro colégio [Christus] havia questões idênticas as das provas de matemática, ciências e linguagens”, afirma. Dizendo-se indignado, o candidato tirou fotos das questões iguais e postou na internet, o que gerou repercussão nas redes sociais. Dois alunos do Christus confirmaram que receberam quatros livretos do colégio que continham pelo menos 10 questões iguais e uma similar ao Enem.

O G1 comparou as questões dos quatro livretos da escola com os cadernos Azul, da prova de ciências humanas e ciências da natureza, e Amarelo, da prova de linguagens e matemática, do Enem. Há pelo menos 10 questões iguais e uma similar nos materiais.

Na prova de ciências da natureza, foram detectadas 5 questões idênticas às dos livretos. Em matemática e ciências humanas, são duas questões iguais em cada um dos testes. Na prova de linguagem, uma questão idêntica

MAIS FALHAS SÉRIAS DO ENEM 2011:
 
1. CÁLCULOS OBJETIVOS E DE REDAÇÃO MISTURADOS
2. ALTO PESO INJUSTIFICADO E INJUSTO DAS REDAÇÕES
3. ERROS INADMISSÍVEIS NA CORREÇÃO DAS REDAÇÕES

MATÉRIA 3:

Cálculo de notas no Sisu mistura abobrinha com chantilly

http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/calculo-de-notas-no-sisu-mistura-abobrinha-com-chantilly/c1597475180622.html

Média baseada nas notas em cada prova do Enem
não representa o aproveitamento dos alunos
Mateus Prado
[email protected] - Educador analisa o Enem, os vestibulares e o ensino brasileiro.Mateus Prado cursou Sociologia e Políticas Públicas na USP. É presidente nacional do Instituto Henfil e autor de livros didáticos. Presta assessoria em Enem.

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Prouni, que selecionarão alunos para universidades a partir de janeiro, juntam grandezas diferentes para calcular as notas dos alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Fazendo uma média – com pesos iguais ou diferentes – das notas de cada prova não se chega ao real aproveitamento de cada aluno.

Pra começar, a redação é a única prova que tem seu valor absoluto divulgado e na qual o aluno pode alcançar nota 1000. Apesar da falta de padrão na correção, que tem feito a tristeza ou a felicidade de candidatos independente do mérito que tiveram, choveram notas 1000, assim como houve uma “tempestade” de notas baixas. Quem tirou nota alta já definiu, na maior parte dos casos, se conseguirá uma das 108 mil vagas do Sisu ou das 195 mil do Prouni. Essa vantagem, ou desvantagem, é ainda mais ampliada em universidades que dão um peso maior para a redação, como é o caso da UFRJ.

Nas provas objetivas, as notas não poderiam ser comparadas. Além de cada questão ter um peso diferente, cada área elabora a sua prova com modelo próprio. O que o Enem chama de nota é o lugar onde o aluno se situa no desvio padrão, calculado a partir do escore de cada candidato baseado em quantas questões ele acertou e na dificuldade delas. Para questões que são acertadas por menos pessoas, o peso é maior. Para questões que são acertadas por mais pessoas, o peso é menor.

Nesse processo de atribuir pesos às provas que os alunos acertam menos questões já começam a valer mais que as provas em que acertam mais. Matemática, em que os concluintes do Ensino Médio acertaram em média cerca de 13 questões, cada acerto dava um escore maior do que um acerto em Humanas, em que os alunos acertaram em média 20 questões.

Esta metodologia já faz com o que o peso de cada prova objetiva seja distinto, indiferente de uma universidade definir isso em seu edital de seleção. Essa diferença é ampliada quando as notas passam pelo cálculo do desvio padrão, que faz com que quanto mais distante da média do escore dos alunos estiver um candidato, mais distante sua nota estará de 500. Como os escores médios também são menores em Matemática, cada ponto obtido a mais nessa prova faz, novamente, o lugar do aluno disparar.

É por isso que, conforme pesquisa desta coluna com mais de 100 candidatos de todo o Brasil, quem acertou 30 questões, em cada prova, ficou com uma nota próxima a 570 em Humanas, 640 em Natureza, 590 em Linguagens e 730 em Matemática. E quem acertou 40 questões, em cada prova, ficou com uma nota perto de 670 em Humanas, 790 em Natureza, 680 em Linguagens e 810 em Matemática.

No fim, a nota que vai selecionar para as vagas do Sisu e do Prouni junta abobrinha, pasta de alho, requeijão, chantilly e guacamole apimentado, fazendo uma média disso tudo, como se fosse possível. Não é. As médias de cada prova são coisas totalmente distintas e a nota global, baseada nelas não representa o aproveitamento de cada aluno no Enem.

Comentários

Carlos | 02/01/2012 13:40

Fica o questionamento: Pra que complicar ??!! A intenção pode até ser boa, mas não existe transparência e nem maturidade para aplicar tais regras de avaliação dos estudantes. A própria prova do ENEM ainda tem muito o que melhorar e eles ainda querem fazer um sistema de avaliação sofisticado ??? "n"nIsto é uma vergonha e um desrespeito com o povo brasileiro. O máximo que poderia fazer é dar pesos diferentes de acordo com a complexidade da questão. Desde que esta complexidade seja mostrada claramente para todos na hora do resultado.

Anonimo | 01/01/2012 19:26

Pelo visto também mistura rapadura com terra.¨Para MPF, vazamento do Enem começou em Brasília¨, Veja.

MATÉRIA 4:

Às vésperas do Sisu, ex-avaliadores do Enem denunciam ineficiência da estrutura de correção e alunos protestam

http://extra.globo.com/noticias/educacao/vida-de-calouro/as-vesperas-do-sisu-ex-avaliadores-do-enem-denunciam-ineficiencia-da-estrutura-de-correcao-alunos-protestam-3560915.html

Beatriz Mota e Pedro Serra
04/01/12 às 07:00
 
Anos de aprendizado e dedicação no pré-vestibular já não bastam. Também é preciso ter um pouco de sorte para se dar bem no Exame Nacional do Ensino Médio. Em todo o país, às vésperas da abertura das inscrições para o Sisu (seleção unificada que leva em conta a classificação no Enem), no dia 7, estudantes ainda questionam a forma de avaliação das redações, denunciam resultados discrepantes e organizam protestos em várias capitais — no Rio, a manifestação será hoje às 14h, na Rua da Imprensa, no Centro.
 
— É evidente que algo está errado. Há um consenso entre alunos e professores de que a nota de redação não corresponde à habilidade do estudante. São inúmeros os relatos de candidatos qualificados tirando notas baixíssimas e de candidatos despreparados tirando notas elevadas. A impressão que se tem é de que as redações sequer são corrigidas — reclama o estudante Victor Maia, 19 anos, que criou o site Enem Urgente (enemurgente.com) para mobilizar seus colegas.
 
Relatos de ex-integrantes da banca avaliadora Enem evidenciam um processo desqualificado e ineficaz para a correção das redações dos candidatos. De acordo com os professores, a seleção dos avaliadores não é criteriosa (eles são escolhidos por indicação); o treinamento da banca é insuficiente; e o sistema de pagamento dos profissionais estimula uma correção superficial e leviana.
 
— Em 2009, quando participei da banca, eles pagavam R$ 1 por redação. Com a dedução dos impostos, recebi R$ 0,73 por texto. Como atrair professores bem colocados no mercado com esse valor? Além disso, o pagamento por número de redações estimula a leitura rápida, descompromissada. É preciso ser muito engajado socialmente para não fazer correções superficiais — conta Rafael Pinna, professor de Redação e coordenador do Curso e Colégio _A_Z, que participou da banca por um ano.
 
 

 

Ex-avaliador do Enem denuncia falhas no processo de correção das redações

Rafael Pinna, ex-avaliador do Enem fala sobre o processo de correção - Foto: Pedro Serra

Avaliador das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano de 2009, o professor Rafael Pinna, coordenador do Curso e Colégio _A_Z, fala sobre as falhas no processo de correção e comenta a estrutura da prova. Assista ao vídeo!

Leia mais:
http://extra.globo.com/noticias/educacao/vida-de-calouro/ex-avaliador-do-enem-professor-denuncia-falhas-no-processo-de-correcao-das-redacoes-3560971.html#ixzz1iqY3zviI

 


Em 2009, Rafael, que foi indicado para a função por um conhecido, participou do treinamento realizado pelo Enem — que se resumia a apenas um encontro, em que 10 exemplos de redações eram avaliadas.
 
— Não há qualquer contato entre os professores para unificação das correções, que são realizadas online. Desta forma, é impossível que haja qualquer coerência entre as notas — opina.
 
Em dezembro, o texto de um professor do Rio Grande do Sul, que foi corretor do Enem no ano de 2008, circulou pelo Facebook denunciando condições bem semelhantes. Em seu “desabafo”, o ex-avaliador diz: "As avaliações das redações do Enem não representam um resultado verdadeiro, pois a correção é, de fato, uma loteria. Tem sorte o candidato que teve sua redação avaliada por um profissional ético e interessado".
 

  Professor faz denúncia no Facebook Foto: Reprodução de internet


A assessoria de comunicação do Ministério da Educação (MEC) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) não comentam a correção das provas e informam que a seleção e capacitação dos corretores de prova do Enem são de responsabilidade do consórcio contratado para a organização da prova. O Cespe e Cesgranrio, por sua vez, não são autorizados pelo Inep sobre a falar sobre o processo de correção.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/educacao/vida-de-calouro/as-vesperas-do-sisu-ex-avaliadores-do-enem-denunciam-ineficiencia-da-estrutura-de-correcao-alunos-protestam-3560915.html#ixzz1iqFrn5I1

MATÉRIA 5:

MPF-CE pede que MEC desconsidere nota de redação do Enem no SiSu

Para procurador Oscar Costa, MEC deve explicar metodologia
da prova e diz que há muitas reclamações quanto à nota da redação.

Do G1 - CE
ARÁ
02/01/2012 20h45
 
O Ministério Público Federal no Ceará apresentou nesta segunda-feira (2) pedido à Justiça Federal para que a nota de redação dos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja desconsiderada no SiSu (Sistema de Seleção Unificada), cujas inscrições começam no próximo dia 7 de janeiro.
 
O SiSu é gerenciado pelo MEC e define se a nota do candidato no Enem é suficiente ou não para que ele seja aprovado no curso escolhido. Os candidatos deverão usar o resultado do Enem 2011 para se inscrever no SiSU em 2012. De acordo com o ministério, as inscrições terão início à zero hora do dia 7 de janeiro.
 
Na avaliação do procurador da República Oscar Costa Filho, autor do pedido, a nota de redação e as notas das provas objetivas não poderiam ser combinadas numa mesma seleção em função das diferentes metodologias de cálculo.
 
As notas das provas objetivas são calculadas com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), que leva em consideração erros e acertos dos candidatos e o nível de dificuldade das questões. A nota da redação, de acordo com o procurador, não envolve aspectos estatísticos, tendo valor absoluto.
 
O novo pedido do MPF-CE está registrado em uma ação civil pública ajuizada na semana passada. Nela, o Ministério Público Federal pede que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) explicite os critérios de correção das provas objetivas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), já que, segundo o Ministério Público, há muitos candidatos questionando as notas obtidas.
 
O candidato Ulisses Dias tirou a nota 520, de um nota máximo de 1000, e, para ele, houve equívoca na correção da nota. “Eu nunca fiz uma redação para tirar menos 80% do total da prova. Fiz a redação do Enem e conferir pelo meu rascunho, houve erro, mas não o suficiente para perder quase metade da nota”, diz o candidato. “O maior problema não é ter errado a nota da prova, é eu não poder verificar a minha redação”, diz o aluno.
 
Para o procurador da República Oscar Costa Filho, a menção a uma metodologia de avaliação não dispensa a administração pública de explicitar o seu conteúdo, principalmente levando em consideração que as notas obtidas no Exame serão utilizadas no processo seletivo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para o preenchimento de vagas em instituições públicas de todo o País.
 

Entenda o caso


No dia 26 de outubro, alunos do colégio Christus confirmaram ter recebido um material em que continha questões idênticas ou parecidas com as que havia caído no Enem. Segundo a escola, as questões fariam parte de um banco de perguntas que o colégio recebe de professores, alunos e ex-alunos para promover simulados. O MEC constatou que a escola distribuiu os cadernos nas semanas anteriores ao exame, com questões iguais e uma similar às que caíram nas provas realizadas no sábado (22) e domingo (23) e, no próprio dia 26, cancelou as provas feitas pelos 639 alunos do colégio.
O Ministério chegou a decidir que os alunos do Christus refizessem o Enem em 28 e 29 de novembro, dias nos quais o exame foi aplicado para pessoas submetidas a penas privativas de liberdade e adolescentes sob medidas socioeducativas.
 
O Ministério Público Federal do Ceará, porém, entrou com uma ação judicial para anular o Enem 2011 para todo o país, ou pelo menos as questões antecipadas. A Justiça Federal no Ceará optou por anular 13 questões para todos os mais de 4 milhões de estudantes que fizeram as provas. O MEC recorreu da decisão no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Recife.
 
O desembargador do TRF-5, Paulo Roberto de Oliveira Lima, aceitou os argumentos do MEC. A decisão em segunda instância determinou a anulação de 14 questões apenas para os alunos do Colégio Christus.
 
No dia 16 de novembro, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) decidiu manter a decisão de anular as 14 questões da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para 639 alunos do 3° ano do Ensino Médio do colégio Christus, negando o recurso protocolado pelo Ministério Público Federal do Ceará.
 

MATÉRIA 6:

Estudante de SP consegue na Justiça mudar a nota da redação do Enem

 Nota de jovem de São Paulo mudou de 0 para 880 pontos.

"Anulação por causa de impropérios eu acho absurdo",
afirmou o aluno.

Ana Carolina Moreno

Do G1, em São Paulo

04/01/2012
 
Um estudante de 17 anos de São Paulo conseguiu, na Justiça, a revisão de sua nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) realizado em outubro de 2011. O jovem Michael Cerqueira de Oliveira teve sua redação anulada na divulgação das notas do Enem no final de dezembro. Mas a nota foi alterada depois que a escola onde ele estudou, Lourenço Castanho, protocolou um pedido judicial para ter acesso à prova. O Ministério da Educação fez então uma nova correção da prova. Após a revisão, a nota da redação do estudante mudou de 0 para 880 pontos (o valor máximo é 1.000 pontos).
 
"Fui ver minhas notas esperando a nota correspondente ao esforço que tive durante o ano", contou o estudante ao G1. "Quando vi que a redação tinha sido anulada não acreditei naquilo."
 
A assessoria de imprensa do MEC afirmou que a redação havia passado por três corretores, o que acontece somente se as notas de dois deles tiverem uma diferença de mais de 300 pontos. Segundo o MEC, no caso específico do estudante de São Paulo, não houve erro na correção da redação porque ela passou por três corretores. No entanto, a assessoria de imprensa afirmou que não pode comentar detalhes sobre a prova e a razão pela qual ela foi anulada. O MEC afirmou que, após o pedido da Justiça, foi feita uma quarta correção da redação de Michael.
 
Uma redação é considerada "anulada", segundo o edital do Enem, se contiver "impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação".
 
"Se fosse fuga do tema, por mais que achasse estranho eu não ficaria tão bravo, mas anulação por causa de impropérios eu acho absurdo", afirmou Michael. "O Enem é um dos vestibulares mais importantes pra mim, eu não faria isso, é uma das minhas opções", disse.
 
De acordo com a mãe do estudante do colégio Lourenço Castanho, a cozinheira Cleonice Cerqueira Silva Oliveira, de 45 anos, Michael enviou mensagens aos seus professores e ao diretor da escola. Então, eles decidiram acionar a Justiça com um habeas data, para ter acesso à correção da prova. No dia 30 de dezembro, ele recebeu uma ligação de Brasília afirmando que a nota tinha sido alterada.
 
Michael mora com a mãe e outro filho mais novo no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo. O candidato do Enem cursou o ensino fundamental em escola pública e ganhou uma bolsa para cursar o ensino médio no Lourenço Castanho em 2009, selecionado em um programa de oportunidades para jovens com bom desempenho acadêmico gerido por uma ONG.
 
Além do Enem, que ele quer usar para conseguir uma vaga na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o vestibulando também foi aprovado para a segunda fase da Fuvest e da Unicamp, e fará as provas em janeiro. Ele também espera o resultado do processo seletivo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da segunda fase da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em todas as instituições, o candidato se inscreveu para cursar economia. "Quero focar minha carreira em administração pública", disse.
 

16 recursos estão na Justiça


Segundo Sylvia Figueiredo Gouvea, sócia-fundadora da escola particular, o estudante sempre teve notas altas e chegou a receber o primeiro prêmio em um concurso de redação realizado com os cerca de 100 estudantes do seu ano por um restaurante da vizinhança. "Nós contratamos um advogado em nome dele, porque ele não teria condições de pagar, juntamos no pedido o rascunho da redação dele, as notas dele durante o ano, notas sempre muito boas. Ele nunca pegou recuperação", afirmou Sylvia.
 
De acordo com ela, a Justiça acatou o pedido. "O despacho foi muito claro, disse que o aluno tem direito de ver a sua prova." Sylvia conta que a juíza responsável pelo caso deu cinco dias ao Ministério da Educação para que ele mostrasse a prova ao aluno, mas que, dois dias depois, o MEC informou o estudante de que sua nota havia sido revisada e, em vez de anulada, ela foi alterada para 880.
 
De acordo com o MEC, desde o dia 20 de dezembro, quando foram publicadas as notas do Enem 2011, tramitam na Justiça 16 recursos "variados com relação à redação", mas apenas esse resultou em mudança de nota. Ainda segundo o ministério, em 2010, foram 28 os recursos, tanto em relação à redação quanto sobre a nota das provas objetivas. A assessorida do MEC afirmou que nenhum deles foi aceito.
 

Motivos de anulação


De acordo com o edital do Enem 2011, há quatro motivos para que uma redação tenha nota zero. Ela pode ser considerada como "fuga ao tema", caso o texto não fale sobre o tema proposto, "em branco", se a redação não for feita, com "texto insuficiente", se não atingir o número mínimo de sete linhas, e "anulada", se contiver desenhos e rabiscos, palavrões ou outras formas propositais de anulação.
 
Além disso, segundo a assessoria do MEC, o candidato não pode se identificar no texto.
 
Sylvia afirmou que o estudante ficou satisfeito com a decisão porque agora poderá participar do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). "Só que nós ficamos muito preocupadas com o Enem e o Brasil em geral. O que aconteceu com essa prova? Foi trocada? Foi perdida? De onde sai esta mudança de uma redação anulada para nota 880 de no máximo mil, portanto, uma redação muito bem feita?"
 
De acordo com a sócia do colégio, "pode haver outros brasileiros por aí angustiados com seus sonhos jogados fora, porque trabalharam fizeram boa redação e pode ter acontecido o mesmo com eles".
 
Já Michael afirmou que agora está concentrado nos outros vestibulares, mas que gostaria de saber o que ocorreu com sua redação do Enem. "Esperava que junto com a correção viesse a explicação, o que não ocorreu. Acho super importante saber o que aconteceu, às vezes teve outros casos no Brasil. Não sei foi erro de digitação, se não corrigiram, se minha prova foi trocada. Só mudaram no sistema."
 

E VEIO A EXPLICAÇÃO INVEROSSÍMEL DO MEC!

Enem: redação de aluno tinha 2 erros em correção

11.01.2012

AGÊNCIA ESTADO

São Paulo
 
O estudante de São Paulo que teve a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) alterada recebeu ontem cópia de seu texto e das folhas de correção. As cópias mostram que houve dois erros: na primeira leitura, o corretor anulou a prova por fuga ao tema - situação em que deveria ter dado nota zero. Apesar de os outros dois corretores terem atribuído nota 880, devendo valer a última correção, o aluno acabou ficando com a primeira avaliação, que estava errada.
 
O Ministério da Educação (MEC) encaminhou por e-mail a correção ao aluno, de 17 anos, depois de tentar na Justiça evitar que ele visse sua prova. A nota do aluno já havia sido alterada após liminar garantir vista da redação, colocando em dúvida o sistema de correção do Enem.
 
Até agora, 71 alunos no País já tiveram acesso à cópia das redações por meio de decisões judiciais. Todos reclamavam da avaliação dos textos. O MEC diz ter analisado a revisão de notas em 27 casos, mas, por ora, só alterou o resultado do aluno paulista.
 

MATÉRIA 7:

Nota de corte em medicina na UFF no Sisu supera pontuação máxima do Enem 2011

http://noticias.uol.com.br/educacao/ultimas-noticias/2012/01/11/nota-de-corte-em-medicina-na-uff-no-sisu-supera-pontuacao-maxima-do-enem-2011.htm

Do UOL, em São Paulo
11.01.2012

O curso de medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) tem a maior nota de corte do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) 2012 - e está acima da maior nota possível que um estudante poderia ter tirado no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011. Nesta quarta-feira (11), a nota mínima da carreira estava em 913,13, por causa do bônus de 20% dado a alunos de escolas públicas municipais e estaduais.

Se forem somadas e divididas por cinco as notas máximas em cada uma das matérias do Enem, mais a redação, a média final seria 881,76. A UFF determina peso 1 para as disciplinas.
 
Em outros cursos de medicina, as notas são altas, mas não superam as da instituição fluminense. Na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por exemplo, a nota de corte é 822,56, para 96 vagas; na UFU (Universidade Federal de Uberlândia), 817,83, para 20 vagas.
 
São oferecidas 36 vagas pelo Sisu e 144 pelo vestibular tradicional. A partir do próximo processo seletivo, a UFF usará somente as notas do Enem.
 

Só alunos de escolas públicas

 

A nota alta da UFF pode fazer com que todos os 36 aprovados no Sisu em medicina sejam de escolas públicas, já que, por não receber bônus, a nota máxima que um aluno de instituição particular pode ter é exatamente a média das cinco maiores do Enem -881,76. Descontando-se o bônus de 20% da nota de corte, chega-se à nota real 760,94. Como as notas de corte mudam diariamente, é possível que essa “nota mínima” seja ainda maior no fechamento do sistema.
 
O coordenador-geral do vestibular da UFF, Néliton Ventura, disse que a função do bônus concedidos a alunos da rede pública não é “alijar” ninguém da universidade, mas que ajudaria a corrigir uma distorção. “Escola pública estadual ou municipal não tem o desempenho de uma [escola] privada, de modo que poucos candidatos [hoje] são oriundos de públicas. A gente observa que o desempenho de egressos [de instituições particulares] é bem superior”, disse.
 
- Apenas 3 entre 1.748 aprovados na UFF pelo Sisu passaram sem bônus.
- Ação afirmativa aumenta em 20% nota de quem estudou na rede pública.
- Segundo a UFF, candidatos ainda precisam comprovar documentação.

 

Ana Carolina Moreno

Do G1, em São Paulo

17/01/2012
 
A UFF divulgou em seu site uma lista com 1.748 nomes de candidatos aprovados na primeira chamada da instituição por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Segundo o documento, apenas três deles conseguiram a aprovação sem contar com o bônus de 20% aplicado na nota final do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011 para egressos de escola pública. A partir de 2013, a universidade  adotará só o Enem para aprovar novos alunos, abandonando o vestibular.
 
A instituição, que ofereceu vagas no Sisu em 98 cursos, confirmou que "uma grande maioria" dos aprovados teve sua nota incrementada pela política de ação afirmativa da UFF, mas afirmou que todos esses estudantes deverão comprovar, com documentos, que estudaram todos os anos do ensino médio na rede pública estadual ou municipal de ensino. "Caso contrário eles serão eliminados do concurso". Ainda segundo as regras da instituição, quem estudou em colégios federais ou militares não têm direito ao benefício.
 
De acordo com Neliton Ventura, que coordena o vestibular da Federal Fluminense, a instituição bonifica os candidatos egressos de escola pública há cinco anos porque "é uma forma de incentivá-los, mas de uma maneira que o esforço e o mérito precisam ser considerados". Segundo ele, é por isso que a UFF não reserva cotas para os candidatos.
 
Os três aprovados na primeira chamada do sistema do Ministério da Educação que não receberam bônus se inscreveram nos cursos de engenharia de recursos hídricos e do meio ambiente, letras - português e cinema e audiovisual.
 
Segundo Ventura, na edição de 2011 do Sisu, o resultado foi parecido: uma grande maioria dos aprovados recebeu o bônus. Ele não soube informar a porcentagem desses candidatos que efetivou a matrícula na instituição. "É uma política de inclusão social com um lado democrático muito acentuado", afirmou.
 
Nos primeiros quatro anos da política, o bônus era de 10% na nota final dos vestibulandos beneficiados. Isso fez com que, de acordo com Ventura, a porcentagem de estudantes que se formaram no ensino médio na rede pública e foram aprovados na UFF subisse de 12 a 15% para entre 20 e 25%, com aumento principalmente entre os cursos mais concorridos.
 
Ainda segundo ele, aumentar o bônus para 20% foi a maneira que a instituição encontrou para que essa porcentagem subisse para cerca de 30 a 35% no processo seletivo de 2012.
 
Neste ano, 80% das cerca de 9.500 vagas da UFF serão preenchidas pelo vestibular tradicional, e 1.748 estão em disputa por meio do Sisu. Ventura afirma que, como o processo seletivo da universidade exige que todos os candidatos passem na primeira fase sem bônus - aplicado apenas na nota final -, a porcentagem de egressos de escola pública aprovados por esse sistema será diferente.
 

Porém, esse é o último vestibular realizado pela instituição, que, a partir de 2013, utilizará apenas a nota do Enem. "Se houver necessidade de ter gradação desse bônus, vamos estudar."

ABSURDO! INVERSÃO DE VALORES CORRETOS! INJUSTIÇA!

MATÉRIA 8:

 

Candidata deixa prova do Enem 2011 em branco e tira nota maior que a mínima

Rafael Targino

Do UOL, em São Paulo

17.01.2012

 

Mesmo deixando prova em branco, candidata tirou mais que pontuação mínima no Enem

 


 
Uma candidata que fez o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011 e entregou a prova em branco tirou notas maiores que as mínimas registradas no teste. Além disso, ao questionar o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) sobre o motivo, recebeu um documento com uma série de erros de português.
 
Mônica Nunes é professora de física em um cursinho de Campinas (SP) e foi fazer a prova para poder levar o caderno de questões. A docente afirma que chegou a resolver a prova da disciplina que leciona, mas não passou a resposta para o gabarito –nem da prova de física, nem de nenhuma outra. Ela somente assinou a folha de respostas e preencheu a frase de verificação. “Eu deitei e dormi. Dormi o tempo inteiro”, diz. Veja as notas:
 

 Prova  Nota mínima  Nota da candidata

 Linguagens e códigos

 301,2

 304,2

 Matemática

 321,6

 321,6

 Ciências humanas

 252,6

 252,9

 Ciências da natureza

 265,0

 269,0

 Redação

 0

 0

 
Mônica diz que foi checar o resultado por curiosidade e se assustou quando viu que só tinha uma nota zero – a da redação. “Imaginei que fosse encontrar um monte de zero. Um professor de matemática, que é meu namorado, preencheu matemática direitinho. Ele tinha chutado todo o resto da prova. Mesmo com os chutes, havia tido uma nota razoável”, conta.
 
Por causa da TRI (Teoria de Resposta ao Item), não é possível tirar nota zero nas provas objetivas, só na redação. As menores notas possíveis são exatamente as mínimas, divulgadas pelo MEC (Ministério da Educação) no final de dezembro. Ao saber disso, Mônica decidiu questionar o Inep sobre o motivo de não ter ficado com o mínimo em três provas.
 
Ela entrou em contato com o “Fale com o Inep” no dia 2 de janeiro. A resposta continha problemas de concordância e de acentuação: “Foi divulgado uma nota técnica no portal do inep explicando o TRI, assim como tambem foram divulgadas as notas máximas e minimas para cada matéria, sendo que ninguém ficará abaixo do minimo disponibilizado como também não ficará acima da máxima disponibilizada. Atenciosamente, MEC/INEP.”
 
Mônica, então, enviou outro comunicado ao Inep, refazendo o questionamento. Na resposta, o órgão explica simplesmente como funciona a TRI, sem dizer o motivo de a candidata ter conseguido notas maiores que a mínima.
 
O Inep, em nota, afirmou que “as notas mínimas divulgadas referem-se a uma prova especial. Como o candidato estava inscrito para provas regulares, as notas apresentadas mostram uma pequena variação a maior”. Ou seja: de acordo com o órgão, a prova “especial” (como, por exemplo, a aplicada a estudantes deficientes visuais) é mais difícil -apesar de ser exatamente o mesmo exame- o que reduziria as notas.
 
Apesar disso, em uma nota técnica em que explica como é feita a correção das provas objetivas, o órgão diz claramente que quem, por exemplo, erra todas as questões, recebe a nota mínima. "Assim, uma pessoa que erra todas as questões recebe o valor mínimo do teste, e não uma nota zero, pois não pode-se (sic) afirmar a partir do teste que ela possui zero conhecimento", diz o documento. O texto está disponível no site do instituto.
 
O QUE SIGNIFICA ISSO EXATAMENTE? QUEM ERRA TUDO DEVE FICAR COM A NOTA MÍNIMA PORQUE DEVE SABER ALGUMA COISA?COMO ASSIM? QUE ESPÉCIE DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO EM CONHECIMENTOS FORMAIS E ESPECÍFICOS É ESTA?!
 
Em relação aos erros de português, o Inep disse que não se pronunciaria.

 

MATÉRIA 9:

Justiça dá 5 dias para que Inep se pronuncie
sobre mostrar redação do Enem a todos os candidatos

 

http://noticias.uol.com.br/educacao/ultimas-noticias/2012/01/10/justica-da-5-dias-para-que-inep-se-pronuncie-sobre-mostrar-redacao-do-enem-a-todos-os-candidatos.htm#comentarios


Rafael Targino
Do UOL, em São Paulo
10.01.2012
 
A Justiça Federal no Ceará deu cinco dias ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para que o órgão se pronuncie sobre o pedido do Ministério Público Federal no Estado de mostrar a todos os estudantes que desejarem a correção da redação do  Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011. A decisão foi tomada nesta terça-feira (10). Na decisão, a Justiça também deu cinco dias ao governo para dizer quais foram os critérios de correção da prova do Enem dos alunos do Colégio (e do cursinho) Christus, de Fortaleza, que tiveram acesso antecipado a questões por meio de um pré-teste.
 
De acordo com o MEC (Ministério da Educação), a quem o Inep está vinculado, não existe capacidade técnica para exibir a redação a todos os que fizeram a prova. Para a próxima edição, já há um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado pelo governo e pelo Ministério Público para que seja possível mostrar o teste. O edital do Enem 2011 não prevê a possibilidade de recurso e, tampouco, de vista das provas. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), os textos são corrigidos por dois avaliadores. Quando as notas dadas por eles têm uma diferença de 300 pontos, um terceiro corretor é chamado para reavaliar o teste. 
 
Defensoria Pública - RJ
 
A Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro também entrou com um pedido nesta terça, na Justiça Federal do Estado, para que os estudantes possam ver a redação. O defensor Daniel Macedo também pediu a abertura de um prazo para recurso contra a correção e uma nova abertura do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) após esse período. No Rio de Janeiro, de acordo com o TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), há pelo menos mais dois pedidos tramitando. As seis solicitações estão nas mãos de seis desembargadores diferentes. Os quatro pedidos já concedidos foram aceitos por meio de liminar pelo desembargador plantonista, no último final de semana.
 

Enem: defensor quer garantir revisão da redação para todos

http://extra.globo.com/noticias/educacao/vida-de-calouro/enem-defensor-quer-garantir-revisao-da-redacao-para-todos-3624900.html

Lauro Neto
O Globo - RIO
10/01/12
 

A Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro (DPU-RJ) vai ajuizar uma ação civil pública nesta terça-feira pedindo à Justiça que estenda a todos os candidatos do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) o direito à revisão da redação. Ontem, o juiz Gustavo Arruda Macedo, da 2ª Vara Federal da Justiça no Rio, concedeu mais quatro liminares garantindo a vista de provas. Com isso, subiu para 16 o número de estudantes cariocas que ganharam acesso à correção. No entanto, o Ministério da Educação (MEC) manteve a nota nos cinco casos julgados até agora. De acordo com o defensor federal Daniel Macedo(*), mais de 20 candidatos procuraram a DPU-RJ para reivindicar o direito de revisão da redação. Ele explica que a ação coletiva contra a União e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) tem o objetivo de beneficiar candidatos que não tenham condições de entrar com ações individuais: “Esse procedimento do MEC de inviabilizar o acesso aos espelhos das redações contraria o princípio da igualdade, da moralidade administrativa, da competição e da publicidade. O candidato tem que saber os critérios utilizados na correção para eventualmente recorrer da nota”, explica Macedo.

 

 (*) Dr. Daniel de Macedo Alves Pereira - 2° Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva

 

Porém, como o prazo terminou às 23h59 do último dia 12, vê-se que essa solicitação não foi atendida. Entretanto, ainda no dia 10, o Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) também ajuizou um pedido para que candidatos de todo país venham a poder ver suas redações e solicitar revisão da nota. A instituição já havia impetrado ação solicitando que o MEC explicasse os critérios de atribuição das notas do Exame.
 
"Muitos candidatos estavam revoltados afirmando que tinham certeza que tiveram uma pontuação bem maior e queriam, pelo menos, ter acesso ao espelho. O edital aponta que é irrecorrível, que não cabe recurso, mas achamos inadmissível que a União impeça a vista de prova. O estudante tem que saber os critérios utilizados na correção para eventualmente recorrer da nota", explicou o defensor, afirmando que a postura do MEC viola os princípios da moralidade, do contraditório, da publicidade e, sobretudo, da ampla defesa. Caso a Justiça decida favoravelmente ao pedido da Defensoria, o MEC terá de pagar multa diária de R$20 mil se não cumprir a decisão.
 
Insatisfeitos, vestibulandos de diversas regiões do Brasil têm questionado os resultados na redação. Alguns deles asseguraram, via decisão judicial, o acesso a prova. Para o procurador da República Oscar Costa Filho, autor do requerimento do MPF-CE, a extensão das liminares a todos os candidatos é a única via idônea para preservar os direitos violados dos estudantes.
 

O Ministério Público Federal também fez uma representação, na semana passada, para que o MEC não utilizasse a nota da redação no cálculo da pontuação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A alegação era de que não seria possível somar notas que usavam metodologias diferentes, já que as questões objetivas obedecem a Teoria da Resposta ao Item e a redação tem valor absoluto. A Justiça Federal, entretanto, não acolheu o pedido.

DEMAIS ESTADOS

No Rio Grande do Sul, também há duas decisões favoráveis e dois outros pedidos em tramitação. Já no Ceará, o juiz federal de plantão Leonardo Resende Martins determinou, após um pedido conjunto de dez candidatos e de dois individuais, que devem ser fornecidos aos estudantes o modelo padrão de resposta, as cópias da prova de redação e seus espelhos de correção. A decisão foi expedida no dia 5 de janeiro em "caráter" de urgência diante do prazo de inscrição para participação no processo seletivo do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que teve início no dia 7 de janeiro.
 
De acordo com o juiz, é “plenamente possível que o Judiciário autorize (...) o livre acesso às provas e critérios de correção dos exames, sem que com isto interfira na margem de discricionariedade inerente à gestão pública”.
 

Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro

Endereço: Rua da Alfândega, nº 70 - Centro.

CEP: 20.070-004 - Rio de Janeiro/RJ

Telefone: (21) 2460-5000

Fax: (0xx21) 2460-5030

Defensor Público-Chefe: Dr. Eraldo Silva Júnior

Defensora Pública-Chefe Substituta: Dra. Suzana de Queiroz Alves

 

E-mails:

[email protected] (ouvidoria); 

[email protected] (cartório);  

[email protected] (atendimento); 

[email protected] (RH);  

[email protected] (administração) 

[email protected]

COMENTÁRIOS

o.monte

Até parece q foi feito tudo para privilegiar alguns. Qualquer prova tem q ter os critérios antecipadamente claros. Se exstem pesos diferentes todo mundo tem saber quais são os pesos e quais as questões com seus pesos. Do jeito q esta, é uma caixa preta q pode favorecer amigos.

Marcelo Souza

Pelo que entendi , o sr. Haddad quer que agente engula resultado para não prejudicar a maioria? mas quem garante que a redação foi justa para maioria? eu acho que nem corrigiram (aquela redação que foi de 0 a 880).


MATÉRIA 10:

MEC responderá segunda-feira sobre acesso à redação do Enem

http://oglobo.globo.com/educacao/mec-respondera-segunda-feira-sobre-acesso-redacao-do-enem-3664469


Rodrigo Gomes
– RIO - 13/01/12

Ministério foi intimado pela Justiça Federal a
apresentar a correção da prova a todos candidatos

O Ministério da Educação (MEC) deve se manifestar judicialmente com um recurso na segunda-feira sobre os pedidos na Justiça para que mostre a correção da redação a todos os candidatos do Enem 2011. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a medida será questionada com base Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público Federal (MPF) em agosto de 2011 no qual o órgão se compromete a disponibilizar as provas de redação corrigidas de todos os candidatos a partir das edições de 2012.

MATÉRIA 11:

MEC acata Justiça e altera nota de redação do Enem

No primeiro caso de alteração por decisão judicial, avaliação de candidata carioca acompanhada pelo 'Estado' passou de 440 para 680 após 3 recursos.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mec-acata-justica-e-altera-nota-de-redacao-do-enem,823096,0.htm

Paulo Saldaña
Colaborou Carlos Lordelo
O Estado de S. Paulo
16 de janeiro de 2012

O Ministério da Educação (MEC) acatou decisão da Justiça e alterou nota de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de mais uma estudante. Esse é o primeiro caso em que o MEC teve de alterar nota por decisão judicial.

A candidata Bianca Peixoto Lucema, de 19 anos, do Rio de Janeiro, teve a nota alterada de 440 para 680. Ela foi uma das estudantes que conseguiram ter vista da redação depois de ficar insatisfeita com sua nota.

O primeiro corretor atribuiu 800 pontos à redação de Bianca, numa escala que vai até 1 mil. O segundo avaliador decretou que ela havia "fugido ao tema" e deu zero. O terceiro corretor atribuiu 440, a nota final.

A redação dela teve uma reavaliação por parte do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/Unb), que integra o consórcio responsável pelo Enem. Mas na página de correção encaminhada para Bianca, em que o Cespe/Unb argumenta a manutenção da nota, há uma distorção. Em parte do texto, os revisores afirmam que a nota final era 680. Entretanto, a estudante havia ficado com 440.

O MEC afirma que houve um erro de digitação. Bianca entrou com uma nova ação. A Justiça Federal determinou então que a nota fosse corrigida para 680, o MEC recorreu, mas a juíza Marcia Maria Ferreira da Silva determinou a alteração da nota.

A juíza afirma que "causa estranheza a esta julgadora que a parte ré, somente quando instada a cumprir a decisão judicial de fls. 82, tenha 'percebido' a ocorrência de erro material ao digitar a nota da autora, pretendendo que não haja a majoração da mesma de 440 pontos para 680." A estudante acredita que sua nota foi aleatória. "Vou entrar com nova ação", garante Bianca. Antes com média 637 no Enem, a estudante passou a ter 720. Insuficiente para uma vaga em Medicina, o curso almejado. Desolada, ela lamenta ter perdido a vaga: "Consegui boas médias nas outras áreas, mas por uma injustiça vou ter de estudar mais."

A redação de Bianca foi encaminhada para quatro corretores independentes convidados pelo Estado para que avaliassem o texto. Todos utilizaram a matriz de competências adotada pelos corretores do Enem, assim como a mesma escala de notas (mais informações abaixo).

As notas dadas pelos convidados variaram entre 760 e 920 pontos. Na opinião do professor Benedito Antunes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o texto merece boa nota. "A redação revela abordagem pertinente do tema, ainda que parcial, e bom domínio da língua padrão."

Antunes explica que a redação pode ter suscitado discussão "quanto à adequação ao tema proposto", uma vez que utiliza um título em princípio estranho ao tema. "Mas a redação obtém boa pontuação, sendo prejudicada apenas nas competências que avaliam diretamente a abordagem do tema, incluindo a organização dos argumentos."

A correção também foi feita, a pedido do Estado, por uma professora que corrige redações do Enem. Por contrato de sigilo, ela não pode se identificar. "Ela argumentou com bastante propriedade, aplicando várias áreas do conhecimento", explica E.M.S.

Critérios

A correção do Enem leva em conta cinco competências: (1) domínio da norma padrão da língua; (2) compreensão da proposta de redação e aplicação dos conceitos das várias áreas do conhecimento, dentro dos limites do texto argumentativo-dissertativo; (3) seleção, organização, interpretação e relação entre as informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do ponto de vista; (4) conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a argumentação e (5) proposta de intervenção para o problema abordado.

Retificações

O Estado revelou ontem que, ao contrário do que o MEC afirmava, não eram apenas 2 os estudantes com notas da redação do Enem alteradas, mas 129. A reportagem teve acesso a documento do Cespe com a lista dos nomes e, questionado, o MEC confirmou. Com o caso da estudante carioca, sobe para 130 o número de alterações. O de Bianca é o único em que a mudança não foi uma iniciativa do MEC.

Os casos de alterações na redação colocam dúvidas sobre sistema de correção. No Enem, a redação é o fator que mais descompensa a nota final e é decisiva para garantir uma vaga pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que reúne as vagas em instituições de ensino que adotam o Enem como vestibular.

Os novos casos provocam uma dúvida, segundo o procurador da República Oscar Costa Filho, sobre a existência de problemas em outras redações. "Por isso vou insistir que a Justiça obrigue o MEC a mostrar cópia das correções a todos os inscritos", defende o procurador, do Ministério Público Federal no Ceará. "Falta transparência na correção da redação e também das questões."

O MEC deve entregar hoje à Justiça parecer em que defende a inviabilidade de mostrar a redação a todos. A pasta insiste que vai seguir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o MPF no qual se compromete a dar vista aos textos no Enem deste ano.

O advogado carioca Diogo Rezende, que defende Bianca e já conseguiu vista da prova para outros 13 candidatos, ressalta que os casos de alterações só vieram depois de queixas ao MEC. "Tem gente que pode achar que não foi bem na prova, não tem noção que foi prejudicada. Uma pessoa pode ter tirado 600 e mereceu 800", diz Rezende.

MATÉRIA 12:

Avaliadores anularam 138 mil redações

Especialistas criticam subjetividade e falta de uniformidade nos critérios de correção

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,avaliadores-anularam-138-mil-redacoes,822760,0.htm

Carlos Lordelo, do Estadão
14 de janeiro de 2012

Os corretores da redação do Enem 2011 anularam 138 mil provas por “algum motivo”, informou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Pelo edital do exame, são considerados anulados textos com “impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação”. Cerca de 51 mil alunos deixaram a redação em branco e tiveram nota zero.

A redação é a única prova do Enem em que o desempenho do estudante é avaliado por outras pessoas, dando margem para uma subjetividade indesejada em um exame que se tornou o maior vestibular do País. No restante da correção, os gabaritos são processados por computadores de acordo com a Teoria da Resposta ao Item (TRI).

Os avaliadores atribuem nota de zero a mil às redações de acordo com cinco competências. Cada texto é corrigido por dois profissionais. Um não sabe a avaliação do outro e vale a média aritmética das duas pontuações.

No ano passado o Inep diminuiu o limite de discrepância entre as notas dos dois corretores para que haja uma terceira leitura. Nos casos em que a diferença passa de 300 pontos, o texto vai para um supervisor - antes, essa diferença era de 500. A última avaliação substitui todas. O instituto não informa quantas redações receberam três leituras.

Uma professora que trabalhou no exame disse, em conversa reservada, que o sistema de correção é “meio falho” porque favorece a atribuição de notas medianas. Segundo ela, os avaliadores praticam “autocensura” para evitar cair na supervisão.

“Se eu sei que o limite é de 300 pontos, evito dar uma nota muito alta ou muito baixa pensando no julgamento de meu colega”, disse a professora. “O supervisor sempre lembrava que Brasília (onde fica a sede do Cespe) estava nos acompanhando e poderia eliminar o corretor que dava notas muito distantes das dele.”

A dimensão da prova é outro agravante. O Inep afirma que todos os corretores passam por treinamento presencial, mas não detalha como ele é realizado. “São muitos corretores, em todo Brasil, e é impossível que todos mantenham o mesmo nível e critério”, afirma o professor da Unesp Rogério Chociay. “Uma redação que sai de 800 e vai para zero mostra que não há critério adequado de correção.”

Instituições públicas que usam a nota do Enem para selecionar alunos por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) adotam pesos diferenciados para as provas. Mas a redação é parte fundamental, o que preocupa o consultor em educação Leonardo Cordeiro. Mestre em Matemática e Econometria, ele diz que somar as pontuações dos exames objetivos ao da redação é um “erro conceitual” que produz “resultados drásticos”.

“Tirar 800 na redação não é a mesma coisa que uma nota 800 numa prova corrigida pela TRI”, afirma Cordeiro. “Essa distorção vem do fato de que a correção do texto é mais generosa e não adota o mesmo método dos testes. Não se pode comparar uma coisa com outra

MATÉRIA 13:

MEC admite ter mudado 129 notas do Enem

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,mec-admite-ter-mudado-129-notas-do-enem,822938,0.htm

AE - Agência Estado
15 de janeiro de 2012

Ao contrário do que o Ministério da Educação (MEC) afirma, não foram apenas dois estudantes que tiveram alterada a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Estado teve acesso a um documento em que o órgão que faz parte do consórcio organizador do exame elenca 129 candidatos que tiveram notas retificadas em função de "erro material". Questionado, o MEC confirmou os casos.

A lista foi entregue à Justiça Federal de São Paulo e consta do processo em que o estudante Michael Cerqueira de Oliveira, de 17 anos, pedia vista da prova. Oliveira teve a nota alterada de "anulada" para 880 - foi o primeiro caso de mudança de nota, colocando em dúvida o sistema de correção da redação do Enem. Na semana passada, o ministério confirmou que outro estudante, desta vez de Belo Horizonte, também teve a nota corrigida.

Os nomes dos dois estudantes constam da lista a que a reportagem teve acesso. O ofício n.º 3.351/2011 é intitulado como "Nova situação de participantes do Enem/2011". No texto, consta que o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/Unb) "informa que, em função do erro material, os participantes do Enem/ 2011 listados abaixo tiveram sua situação ou nota alterada". Na sequência, a lista com os nomes tem três páginas e meia.

O ofício é endereçado ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), braço do MEC responsável pelo exame. O documento é de 30 de dezembro de 2011, antes do primeiro caso de alteração da nota da redação vir à tona.

De acordo com o ministério, as mudanças registradas no documento não vieram depois de ação judicial, com exceção do caso do paulista Michael Cerqueira de Oliveira. Todos seriam casos simples, de problemas de registro ou falhas no scanner. Nenhum caso seria de mudança de avaliação. O MEC não explicou, no entanto, porque insistia até agora que só havia duas alterações em notas por erro.

MATÉRIA 14:

Enem: Justiça determina acesso de todos os candidatos à redação

http://oglobo.globo.com/vestibular/enem-justica-determina-acesso-de-todos-os-candidatos-redacao-3697165

Leonardo Cazes

Rodrigo Gomes

RIO -17/01/12 - 19h31

Pelo pedido do procurador, disponibilização deve ser imediata, mas Inep pode recorrer

A Justiça Federal do Ceará determinou, nesta terça-feira, que o Ministério da Educação (MEC) libere acesso à redação para todos os mais de 4 milhões de estudantes que fizeram o Enem 2011. O pedido foi feito pelo procurador da república Oscar Costa Filho. De acordo com a sentença do juiz Luís Praxedes Vieira da Silva, da 1ª Vara Federal, a medida é para ser cumprida em caráter de urgência.

“Assim, defiro o pedido de tutela antecipada, apenas para o fim de determinar à promovida que assegure a disponibilidade das cópias das provas de redação, e respectivos espelhos de correção, de todos os candidatos que concorrem ao Processo Seletivo em questão. Intimem-se, com urgência, a digna a parte promovida para imediato cumprimento deste decisum”, escreveu o magistrado.

Praxedes alegou que a medida tomada pelo MEC cerceava o direito de defesa dos candidatos. No mesmo pedido, o procurador pedia que o direito da revisão das notas fosse concedido a todos os candidatos, o que foi negado pelo juiz. O Ministério Público Federal do Ceará tem cinco dias para recorrer desta decisão.

Procurado, o MEC informou que ainda não foi notificado oficialmente, mas irá recorrer com base no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público Federal no ano passado, que previa a concessão desse direito somente a partir deste ano. O mesmo argumento foi apresentado à primeira instância no Ceará, na segunda-feira, assim como à Justiça Federal no Rio, onde tramita outra ação impetrada pela Defensoria Pública da União, com o mesmo pedido. Na sua argumentação, o ministério alegou não haver ferramenta disponível para que todos os estudantes possam ter acesso à suas redações.

O procurador Oscar Costa Filho acredita que a decisão pode jogar luz sobre outras denúncias de irregularidades: “As consequências dessa decisão são imprevisíveis, porque agora podemos investigar denúncias já feitas, como a de que houve orientação para tabular a redação em 600 pontos, por exemplo” - afirmou o procurador, citando revelação feita por um corretor do exame ao GLOBO, de que o Cespe orientou os corretores a darem notas entre 900 e 1.000 para textos que deveriam receber 600.

MATÉRIA 15:
 
- Justiça do Ceará concedeu acesso aos estudantes à correção do Enem.
- MEC alega que não tem condições tecnológicas de dar acesso às provas.

- MEC recorre da decisão sobre a redação do Enem

 

Débora Santos

Do G1, em Brasília

20/01/2012
 
O procurador regional federal na 5ª Região, Renato Rodrigues Vieira, protocolou nesta sexta-feira (20) recurso contra a decisão da Justiça Federal do Ceará que determinou acesso de todos os estudantes do Brasil ao espelho de correção das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), feito em outubro de 2011.
 
O recurso foi apresentado à presidência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Pernambuco, ao qual está subordinada a Justiça Federal do Ceará. De acordo com o MEC, atualmente o governo não possui uma ferramenta devidamente testada que comporte essa consulta.
 
O ministério ressalta ainda que firmou em agosto do ano passado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público Federal, no qual o governo se compromete a dar vistas à redação apenas a partir da edição de 2012 do Enem.
 
Além de ordenar a apresentação de cópias das provas de redação, e respectivos espelhos de correção, a decisão de primeira instância da Justiça Federal do Ceará, divulgada no dia 17, concedeu aos candidatos o direito de pedir revisão administrativa das respectivas provas, para permitir a utilização das novas pontuações eventualmente obtidas no resultado da edição atual do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
 
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, qualquer eventual mudança de regra para o Enem deveria valer também para outros concursos. "O que nós defendemos é que as regras que valerem pro Enem têm que valer para todos os vestibulares e concursos públicos do país. Não pode ter uma regra para um concurso e outra regra pra outro concurso."
 
A decisão, em caráter liminar, havia sido dada na terça-feira (17) por um juiz federal de Fortaleza, dentro de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal do Ceará. O recurso pede a suspensão da liminar, que continua valendo até o seu julgamento. O TRF afirmou que "pela dimensão do processo" o julgamento do recurso deve demorar cerca de 5 dias.
 
A AGU informou que não poderia dizer qual a tese de defesa adotada no recurso antes que o presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª região --responsável pelo julgamento-- analisasse a peça. O ministério também havia afirmado que a argumentação se basearia na existência um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o Ministério Público Federal do Distrito Federal. O acordo prevê, segundo a pasta, que as vistas da última prova não serão disponibilizadas por questões técnicas, mas que no próximo exame todas as redações corrigidas ficarão disponíveis na internet.
 

Edição de abril


Em entrevista nesta quinta-feira (20), o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que a decisão da Justiça do Ceará torna difícil viabilizar edição do Enem em abril, conforme previsto anteriormente. A quatro dias de deixar o Ministério da Educação para se dedicar à disputa pela prefeitura de São Paulo nas eleições de outubro, ele disse que a pasta poderá abrir mão de realizar duas edições do Enem em 2012.
Segundo o ministro, o governo "não pode lançar a ideia" sem ter condições de "atender". "O coroamento do Enem passa por duas edições por ano, mas não podemos colocar a máquina em fadiga, sobretudo com essas novas exigências que estão sendo feitas pelo Ministério Público”, afirmou em entrevista após participação no programa de rádio "Bom Dia, Ministro", produzido pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).
 

FIM DA APRESENTAÇÃO DE FARTO MATERIAL QUE, COMO DISSE ANTERIORMENTE, EM QUALQUER PAÍS SÉRIO DO PLANETA, TERIA PROVOCADO A ANULAÇÃO IRREVOGÁVEL DO EXAME, COM A REMARCAÇÃO DO MESMO PARA MARÇO/ABRIL (JÁ QUE HAVIA A PREVISÃO DE REALIZAÇÃO DE UM ENEM NESTA ÉPOCA); COM A REFORMULAÇÃO IMEDIATA DO PROCESSO DE CORREÇÃO DAS REDAÇÕES E DO PESO ATRIBUÍDOS ÀS MESMAS; E A DEMISSÃO SUMÁRIA DE TODA A CÚPULA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.
 
NA IMPOSSIBILIDADE DE TOTAL REELABORAÇÃO E REAPLICAÇÃO DE UM NOVO EXAME, O MÍNIMO QUE SE PODERIA FAZER PARA FAZER JUSTIÇA A MILHÕES DE JOVENS SERIA DESCONSIDERAR AS NOTAS DE REDAÇÃO DO ÚLTIMO EXAME.
 
 

Senhores e senhoras, autoridades deste país, não é possível que ninguém dentre tantos, sensibilize-se com estas denúncias e se interesse por trabalhar para fazer justiça.
O ministro da educação diz que não mais realizará novo Enem em abril, como previsto, porque não teria como mobilizar a ‘máquina’ do ministério para atender às reivindicações que vêm sendo determinadas pela Justiça e ainda fazer novo exame em abril. Ao mesmo tempo, seu ministério entra com recursos e trabalha fervorosamente para que não se cumpra nenhma das exigências judiciais.
 
Ora, ou o ministério opta por não atender às determinações da Justiça, entrando com recursos e mais recursos até que não importe mais, na prática para os interessados, o cumprimento das mesmas, e, portanto, podendo ocupar a ‘máquina’ com a realização do prometido exame em abril; ou atende à Justiça e, por isso, não realiza novo Enem em abril.
 
Entretanto, parece que a atitude do ministério, sob o comando do ministro da educação, Fernando Haddad, assemelha-se à de criança ‘birrenta’ contrariada, que não vai fazer nem uma coisa nem outra, para se ‘vingar’ dos prejudicados, cometendo injustiça maior ainda contra eles.
 
E ainda quer o ministro candidatar-se à Prefeitura de São Paulo, a maior e mais desenvolvida cidade do país. Não consegue nem realizar um exame nacional decente para ingresso nas faculdades públicas do país (e olha que nem todas fazem parte do Enem) e quer ficar à frente de uma prefeitura como a de São Paulo. Só mesmo contando com a inestimável ajuda das verdadeiras caixas-pretas que são nossas urnas eletrônicas e com a também inestimável colaboração daquelas enormes listas com todos os nomes e números dos títulos de eleitor (especialmente úteis os daqueles que não comparecem) que ficam à disposição dos milhares de mesários – todos, natural e presumivelmente, pessoas de absoluta confiança de toda a sociedade.
 

Tenham piedade, senhoras e senhores, autoridades deste país, mostrem aos jovens brasileiros que pode haver luz no fim do túnel! Coloquem esperança e razões nos coações e mentes destes jovens para que acreditem que é possível fazer de nosso país um lugar decente e que vale a pena lutar por isso.

ENTENDENDO O ENEM - PARTE 1

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS PROVAS ENEM – IMAGEM + LINK

 

A Prova
 

Para a elaboração da prova do Enem, constituída de uma parte objetiva e uma redação, é utilizada uma matriz de competências. Neste caso, a palavra competência está ligada à capacidade do estudante, entre outras coisas, em dominar a norma culta da Língua Portuguesa, compreender fenômenos naturais, enfrentar situações-problema, construir argumentações consistentes e elaborar propostas que atentem para as questões sociais. A cada competência corresponde um conjunto de “habilidades”, que seriam a demonstração prática dessas competências.

 

Parte Objetiva  

 

Quem já fez ou teve contato com a prova objetiva do Enem percebe que se trata de uma avaliação diferente. Isso porque as 63 questões do Exame não favorecem a decoreba, não oferecem pegadinhas, nem exigem macetes.
 
A prova do Enem é interdisciplinar, ou seja, ao contrário de muitos vestibulares, não é dividida por disciplinas, mas procura reunir conhecimentos de diversas áreas em uma mesma questão, relacionando-os.
 

O Exame avalia a sua capacidade em resolver situações-problema. Esta é outra das suas particularidades. Entendida como uma forma de aprendizagem, a situação-problema propõe interação com a questão e a reflexão sobre ela. É por esta razão que os conceitos decorados e macetes, técnicas comuns em cursinhos pré-vestibulares, não ajudam muito. O que conta é o conhecimento adquirido na vida escolar e no dia-a-dia.

O site enem-urgente (http://enemurgente.com/) traz uma série de observações criticando e apontando algumas possíveis soluções para o problema da metodologia de correção das provas de redação, bem como da pontuação nas provas objetivas. Tais ibservações podem ajudar os leitores a entender com mais objetividade a gravidade da situação de desequilíbrio entre o real conhecimento dos alunos e seus desempenhos no Enem.

1. O que é e como deveria funcionar o TRI?

O TRI é um modelo estatístico utilizado, por exemplo, para avaliar a habilidade de um candidato a uma vaga em uma Instituição de Ensino Superior, baseando-se em seu padrão de respostas e atribuindo-lhe uma nota que compara seu resultado com os de seus concorrentes. O Ministério da Educação - MEC - utiliza-o, desde 2009, para definir vagas no novo Sistema de Seleção Unificada (SiSU). Ele torna tão obscuro quanto possível os detalhes de sua implementação do modelo. Mas alguns deles são conhecidos.  Observe:
Em uma distribuição normal, o TRI força esse modelo para todas as 4 provas. Por exemplo, não importa os resultados, o sistema força que 34.1% dos alunos fiquem com uma nota entre 500 e 600. Da mesma forma, podemos afirmar que apenas 0.1% dos candidatos vão tirar acima de 800 em qualquer prova que siga o TRI.

O que agrava ainda mais a situação?

A péssima qualidade da correção das redações. Como se não bastasse a redação quebrar e desbalancear o modelo estatístico idealizado pelo TRI, há um consenso entre alunos e professores de que a nota de redação não corresponde à habilidade do estudante. São inúmeros os relatos de candidatos qualificados tirando notas baixíssimas e de candidatos despreparados tirando notas elevadas. A impressão que se tem é de que as redações nem sequer são corrigidas. Pronunciamentos de ex-corretores sustentam essa impressão: "Como ex-avaliador de redação do ENEM, torno público que o processo não é qualificado, não prima pela qualidade, mas sim pela quantidade e agilidade na entrega das redações”. (Osvaldo Arthur Menezes Vieira" - link para o pronunciamento completo)

Era de se esperar: "São 4,5 milhões de redações corrigidas por apenas mil corretores espalhados por todo país e com critérios distintos, em suas próprias casas, em apenas 3 meses e meio, dando uma média de leitura de 37 redações por dia contando os finais de semana." - analisa Isadora Pimenta.

Argumento do INEP para não reavaliar as notas:

A qualquer um que requisite reavaliação de sua nota de redação, o INEP responde com a seguinte mensagem: “Segundo os itens 6.7.6/6.7.6.1/6.7.6.2 do Edital do Enem 2011. O INEP entende que a metodologia empregada na correção das redações contempla recurso de ofício, pois em caso de divergência entre corretores, uma terceira correção é automaticamente disponibilizada. Por isso, não é disponibilizado recurso”.

A contra-argumentação:

Argumento inválido pelos seguintes 4 principais motivos:

1. A avaliação do terceiro corretor é a que vale, independentemente das outras, deixando a nota final suscetível ao erro deste.

Se o terceiro corretor errar, é isso que conta. Imagine que, por exemplo, um candidato receba 600 do primeiro corretor e 960 do segundo. Nesse caso, sua redação será enviada a um terceiro corretor. Suponha que este atribua 200 à nota. Esta será a nota final! Em outras universidades, geralmente, o terceiro corretor só pode escolher uma nota entre a dos outros corretores, de modo a evitar o cenário exemplificado.

2. Uma diferença de 300 não é pequena.

É uma nota comum em humanas 500, por exemplo, enquanto 800 já ultrapassa seu valor máximo! Bastam 50 pontos para eliminar um bom candidato de todas as vagas mais concorridas. Para que o método funcione, uma divergência bem menor que 300 deveria ser utilizada para qualificar uma redação para terceira avaliação.

3. Este método reduz as chances de erro, mas não as elimina.

É por esse motivo que todas as universidades brasileiras permitem ao candidato recorrer de sua nota de redação. Não é tão raro que 3 corretores se enganem; ainda mais quando, como no ENEM, há centenas de milhares de redações a serem corrigidas. O recurso e o espelho das redações são absolutamente necessários para que a justiça seja garantida.

4. A Constituição Brasileira – lei que está acima de todas as outras e que a todas estas deve guiar em princípios – prevê, intrinsecamente, ao candidato o direito de obter o espelho de sua redação!

Constituição Federal/1988 art 5º, parágrafos:

XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; (Regulamento)

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;


Como esse problema pode ser resolvido?

http://www.enemurgente.com/

O problema da formulação matemática pode ser resolvido utilizando a mesma metodologia para computar as 5 notas, ou, ao menos, ajustando a escala da nota de redação para coincidir com a das demais. Idealmente, uma redação regular deve valer 500; uma boa, 600; uma excelente, 700. A nota máxima deve ficar em torno de 800.

Para resolver o problema das correções, é necessário que o MEC reavalie seus métodos e se reestruture a fim de honrar a responsabilidade de corrigir todas as redações de uma nação com a qualidade que não apresentou até o momento. Além disso, o espelho das redações deve passar a ser divulgado - o que já é uma obrigação legal - e deve-se permitir ao candidato recorrer de sua nota.

Se não for possível adotar nenhuma destas soluções já para o SiSU 2012, é necessário que a redação seja desconsiderada deste processo seletivo, garantindo que a seleção seja feita baseada nas demais notas que, estas sim, tem êxito em medir a capacidade e proficiência do aluno.

5. Resumo

Existem falhas fundamentais e estruturais que invalidam a atual utilização do ENEM pelo SiSU em seu processo seletivo. Os problemas são: 1. computar, indiscriminadamente, a nota de redação junto às outras 4 no cálculo da nota final, o que gera distorções expressivas na classificação final do processo seletivo (veja o estudo); 2. a falta de critério e qualidade na correção da redação, tornando o ENEM uma verdadeira loteria (leia sobre). É necessário reavaliar o sistema. Se isto não for possível já para o processo de seleção do SiSU 2012, as redações devem ser desconsideradas deste para que a seleção de vagas universitárias não seja afetada pelos erros apontados.

ENTENDENDO O ENEM - PARTE 2
 
Redação
 

A proposta de redação do Enem é baseada em diferentes textos e linguagens que tratam de temas atuais e nacionais. Estes textos estimulam a reflexão e a avaliação a respeito dos argumentos, informações, fatos e opiniões que apresentam. A partir dessa análise, o participante do Enem deve criar um novo texto argumentativo-dissertativo, onde apresente seu ponto de vista.


A Nota 
 

O Enem trabalha com uma escala clássica de 0 a 100 para a atribuição da nota final, tanto na parte objetiva da prova quanto na redação. As 63 questões que compõem a parte objetiva do exame possuem o mesmo valor. A nota que vai figurar no seu boletim individual de desempenho é a porcentagem de acertos que você teve. Assim, uma nota 74,60, por exemplo, indica que você acertou 47 das 63 questões. Diferentemente do critério adotado por algumas universidades nos seus processos seletivos, no Enem uma resposta errada não anula uma certa. Portanto, os participantes devem responder a todas as questões.

Importante: A redação só é corrigida se tiver estrutura de dissertação, mais de quinze linhas, respeitar o tema proposto, estiver legível, não tiver identificação do autor e for escrita a caneta. Se não respeitar qualquer um desses critérios, é contabilizada como nota zero.

 

A proposta de redação

O tema da redação do Enem muda a cada ano. Sempre são propostos temas atuais, que têm a ver com a realidade do próprio estudante que faz a prova. Antes de partir para a escrita, o participante é instigado a refletir sobre o tema por meio de textos de outros autores.

Uma ótima dissertação da questão pode ser encontrada no blog ‘Tem que pôr título?’

Tem que pôr título?

... e outras dúvidas de redação que você sempre teve e não sabia a quem perguntar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
 

Projeto de Texto Dissertativo Parte 1: Elementos da Dissertação

Tipo de texto mais pedido em provas e vestibulares: dissertação argumentativa.

Para começar, é fundamental saber quais são as características do texto que você vai escrever, especialmente o propósito. No caso da dissertação, sabemos que é um texto argumentativo, ou seja, que apresenta argumentos em defesa de uma tese. Podemos dizer, portanto, que o propósito da dissertação é provar uma tese, ou seja, convencer o leitor de que a opinião do autor é verdadeira. Os argumentos são as justificativas para a tese: os motivos que o autor tem para acreditar que a tese seja verdadeira. A argumentação sempre envolve um julgamento e os argumentos se sucedem, tendo como meta provar a opinião original do autor. Pode-se dar um novo argumento ou reforçar seu argumento original com uma informação, que, ao contrário daquele, não envolve julgamento e pode ser verificada objetivamente.

Resumindo: são elementos da dissertação: 1. Tese (opinião sobre o tema); 2. Argumentos (justificativas para a tese); e 3. Informações (fatos verificáveis que sustentam a tese ou os argumentos).

Quando se escreve uma dissertação para uma prova ou concurso, o texto deve ter o que chamamos de autor impessoal. Isso quer dizer que, quando você escreve uma dissertação, não deve se revelar no texto; não é recomendável usar a primeira pessoa do singular (“eu”) e não é válido usar características e experiências pessoais nos argumentos.

O interlocutor do texto dissertativo também não é, normalmente, um amigo seu, mas, classificado como genérico ou universal. Em teoria, o texto dissertativo deveria ser compreensível e convincente para qualquer leitor. Sabemos que isso é impossível, mas você, como autor do texto, ainda deve ter em mente que seu alvo é um leitor médio, não um professor de Redação: um erro muito comum é imaginar que o alvo de uma dissertação é o professor ou o corretor que vai avaliar o texto. Quando pensa nesse interlocutor, o aluno muitas vezes escreve um texto que exige, para sua compreensão, um conhecimento específico que o professor pode até possuir, mas o público em geral não. Assim, mesmo que a redação seja compreendida pelo avaliador, talvez ela não esteja adequada, pois não atinge o leitor médio.

Concluímos até aqui que a dissertação é um texto em que um autor impessoal tenta provar uma tese para um leitor genérico, por meio de argumentos e informações. No próximo post, vou falar dos passos necessários para elaborar o projeto.

Projeto de Texto Dissertativo Parte 2: Quatro Passos

http://temqueportitulo.blogspot.com/2012/01/projeto-de-texto-dissertativo-parte-2.html

 

Neste post (um pouco longo, é verdade), vamos ver os quatro passos necessários para elaborar o projeto de texto dissertativo. É importante lembrar que o método explicado aqui não é o único existente, mas é uma possibilidade que funciona bem e não é tão difícil de entender. Se você preferir, pode modificar o método e deixá-lo mais adequado ao seu estilo de escrita. Mas não deixe de fazer um projeto de texto, porque ele aumenta muito a qualidade final da redação.

Uma sugestão: se não tiver tempo ou ânimo neste momento, não precisa ler o post inteiro. Leia um passo de cada vez, de preferência tentando fazer um projeto de texto ao mesmo tempo. Dessa forma, você saberá muito mais claramente se entendeu o processo.

Projeto de texto não é o mesmo que rascunho: enquantoorascunho tem um formato igual ao da redação final (ou seja, pode ser entregue a um corretor), o projeto só precisa ser compreendido pelo próprio autor. Pode ser escrito em tópicos, com abreviações e outros elementos que serão eliminados da versão final. E, o mais importante, sua ordem costuma ser inversa em relação ao texto definitivo.

Passo 1: Elaborar a tese

Se a tese é o que definirá todo o texto (pois os argumentos serão elaborados para prová-la), ela deve ser o primeiro elemento a ser definido. Digamos que sua tarefa seja a seguinte:

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema VIVER EM REDE NO SÉCULO XXI: OS LIMITES ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

É importante ler com atenção a proposta toda, não apenas o trecho em negrito. No caso do tema do ENEM, por exemplo, é necessário não apenas opinar sobre a vida em rede no século XXI, mas também apresentar “proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos”.

A tese que vamos elaborar será propositiva, portanto (em outro post, vou falar com mais calma sobre os vários tipos de tese). Vamos também tentar usar as palavras-chave do tema na tese (rede, século XXI, público e privado), porque isso aumenta a probabilidade de que a redação esteja adequada ao tema.

Logo após a leitura da coletânea, que pode ser encontrada no link http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2011/05_AMARELO_GAB.pdf, vamos definir uma opinião sobre esse assunto e escrevê-la em um espaço à parte da folha de redação.

É importante notar que uma tese não é obrigatoriamente uma opinião “a favor de algo” ou “contra algo”. Por exemplo, se o tema é “pena de morte no Brasil”, parece óbvio para a maioria das pessoas que a tese será a pena de morte deve ser adotada ou a pena de morte não deve existir. Porém, alguém poderia defender a tese de que adotar ou não a pena de morte não fará diferença. Essa tese pode funcionar tanto quanto as outras, desde que o autor ofereça argumentos para defendê-la durante o texto.

Vamos começar a elaborar a tese com uma ideia simples, pertencente ao senso comum e claramente exposta na coletânea:

“As redes sociais são parte integrante da vida no século XXI”

Se ficarmos com essa tese, agora a tarefa será provar que ela é verdadeira. Não é tão difícil, porque a própria coletânea oferece argumentos que justificam essa opinião (como o fato de 72% das pessoas pretenderem criar um perfil na rede, ou a afirmação de que não fazer parte de uma rede social hoje é como não ter telefone). Mas vamos tornar a tese um pouco mais complexa e, ao mesmo tempo, acrescentar a ela uma proposta de conscientização social. O modelo é o seguinte:

“Como as redes sociais são parte integrante da vida no século XXI, é necessário...”

Agora vamos pensar no que deve ser feito (se for para o ENEM, respeitando os direitos humanos, o que quer que isso signifique. Minha sugestão é simplesmente evitar propostas muito polêmicas).

A coletânea fala que a ONU reconheceu o direito de acesso à rede como algo fundamental para o ser humano. Pode ser uma proposta (os governos deveriam garantir o acesso das populações à rede). Outra pode ser encontrada no final do segundo excerto da coletânea: as pessoas devem tomar cuidado com o que publicam na internet, para não prejudicar suas reputações. Nada impede que as duas estejam presentes na tese, mas vamos escolher uma só, para deixar o exemplo mais simples e fácil de seguir.

Ao se elaborar uma proposta de intervenção, faz sentido pensar no seguinte: se a proposta for seguida, qual será a vantagem? Se não for seguida, qual será o prejuízo? Então, é possível mencionar a vantagem, o prejuízo ou ambos, como parte da tese ou como argumentos. No caso das redes sociais, vamos mencionar o possível prejuízo (a perda de privacidade) e a vantagem, que será a facilidade de comunicação.

“Como as redes sociais são parte integrante da vida no século XXI, é necessário que as pessoas tenham cuidado ao usá-las, para poder aproveitar a comunicação mais ágil trazida por elas sem que haja perda de privacidade.”

Agora, vamos incluir as palavras-chave que ficaram faltando (público e privado) e, se necessário, reescrever a tese para deixar as orações mais legíveis:

“As redes sociais, parte integrante da vida no século XXI, trazem vantagens, como a facilidade de comunicação, mas também trazem riscos de perda de privacidade. Por isso, é necessário que as pessoas, ao usar essas redes, tenham clara consciência dos limites entre público e privado.”

Note que a tese acima não é a única possível e alguém poderia argumentar que nem é a melhor; mas ela serve bem à função que tem neste texto: exemplificar o processo de elaboração de uma dissertação.

Passo 2: Levantar Argumentos e Informações

Como deve ter ficado claro no passo anterior, uma tese pode ser composta de mais de uma afirmação (e, vale lembrar, nem sempre essa afirmação é “a favor de” ou “contra” algo). Cada uma dessas afirmações deve ser provada durante o texto, com argumentos e informações. Na maioria dos grandes vestibulares, provas e concursos (como Unicamp, USP, Unesp e ENEM), há uma coletânea de textos que contém diversas ideias e pode servir como auxílio nessa etapa.

Vimos no post anterior que os argumentos são justificativas para a tese, ou seja, ideias que ajudam a provar a veracidade da opinião do autor. No exemplo que estamos usando, temos que provar as seguintes afirmações:

a)   as redes sociais são parte integrante da vida no século XXI;

b)   as redes sociais trazem vantagens, como a facilidade de comunicação;

c)   as redes sociais trazem riscos de perda de privacidade;

d)   é necessário que as pessoas, ao usar essas redes, tenham clara consciência dos limites entre público e privado

Portanto, vamos procurar argumentos e informações, na coletânea ou na vida real, que sustentem as afirmações feitas. Digamos que, após reler a coletânea e pensar um pouco, chegamos aos seguintes:

a) as redes sociais são parte integrante da vida no século XXI:

1) prova disso é que as pessoas no Brasil passam cerca de 20% do seu tempo online em redes sociais;

2) 72% dos internautas pretendem ter um perfil em redes sociais;

3) o filme “A Rede Social” mostra a importância do Facebook no mundo de hoje.

b) as redes sociais trazem vantagens, como a facilidade de comunicação:

1) é possível se comunicar com pessoas distantes;

2) é possível organizar mobilizações políticas;

3) as pessoas podem ficar menos alienadas, pois têm acesso a ideias que não aparecem na grande mídia.

c) as redes sociais causam o risco de perda de privacidade:

1) informações postadas nas redes podem chegar ao conhecimento de qualquer um, incluindo companheiros e empregadores;

2) assim como no livro 1984, de George Orwell, somos vigiados o tempo todo e não temos mais direito a uma vida privada;

3) crackers podem invadir os computadores e roubar informações importantes, como senhas de bancos.

d) é necessário que as pessoas, ao usar essas redes, tenham clara consciência dos limites entre público e privado:

1) quem publica nas redes é o próprio usuário, portanto a responsabilidade é dele.

Passo 3: Selecionar Argumentos e Informações

Se você fez uma boa leitura da coletânea, é possível que tenha um número de argumentos e informações maior que o necessário. Portanto, será preciso fazer uma seleção. Esse é um dos momentos em que a presença do projeto de texto oferece uma enorme vantagem, pois permite que o autor escolha, conscientemente, as melhores ideias, ao invés de ficar preso às primeiras que lhe ocorrerem.

Um primeiro critério para escolher quais são os argumentos que devem constar na versão final da redação é o da irrefutabilidade: quanto mais irrefutável (ou seja, difícil de contra-argumentar) um argumento for, mais ele cumprirá sua função de defender a tese. Uma forma de escolher os argumentos, portanto, é tentar derrubá-los com contra-argumentos e verificar quais são os que sobrevivem ao processo. Iremos, como exemplo, tentar contra-argumentar um dos argumentos levantados no passo anterior:

Argumento: As redes sociais são parte integrante da vida no século XXI: prova disso é que as pessoas no Brasil passam cerca de 20% do seu tempo online em redes sociais.

Contra-argumento: o número de pessoas com acesso à internet no Brasil é pequeno. A maioria dos brasileiros não usa redes sociais.

Se todos os argumentos em que você pensou puderem ser rebatidos, não se desanime. Dificilmente haverá um argumento completamente irrefutável. O que você pode fazer para melhorá-los é reescrever seus argumentos levando em conta a possível contra-argumentação que ele devem enfrentar. Por exemplo, vamos reformular o primeiro argumento para que ele fique mais forte e resista ao seu contra-argumento mais comum:

Argumento a1) reformulado:

“as redes sociais são, cada vez mais, parte integrante da vida no século XXI; prova disso é que as pessoas no Brasil passam cerca de 20% do seu tempo online em redes sociais. É verdade que nem todos usam a internet, mas a tendência é que o acesso à rede seja cada vez mais universal e necessário, tanto que a ONU já o classifica como direito fundamental do ser humano”.

Ainda é possível discordar desse argumento, mas ele já está mais bem elaborado que a sua primeira encarnação. Normalmente, argumentos mais irrefutáveis terão de ser bem explicados e por isso vão gastar mais espaço. Por esse motivo, é importante selecionar alguns para receber esse tratamento, e não tentar encaixar todos os argumentos imaginados no espaço do texto sacrificando para isso sua qualidade.

No exemplo acima, será eliminado, entre outros, o argumento que fala sobre os crackers. Vamos fazer isso para não ter que explicar o que é um cracker e porque a proposta que estamos usando na tese está mais voltada à perda de privacidade causada pelo próprio usuário, não àquela causada por invasores. Os outros argumentos sairão principalmente por falta de espaço.

Passo 4: Ordenar

Ordenar uma dissertação é dividi-la em introdução, desenvolvimento e conclusão. O projeto de texto deve ter, até esse momento, uma tese, alguns argumentos e informações. Então, não será difícil distribuir esses elementos para formar uma dissertação coerente. Veremos com mais detalhes como elaborar cada uma das partes da dissertação em uma postagem futura, mas aqui vai um resumo.

Em primeiro lugar, a introdução deve apresentar o tema ao leitor. Deve ficar claro para o leitor qual será o assunto discutido na redação.

Importante: Embora muitos defendam que a tese deve ser exposta na introdução, isso não é necessário (e pode até mesmo prejudicar o texto, como veremos no futuro). Lembre-se de um dos primeiros posts deste blog (http://temqueportitulo.blogspot.com/2011/11/de-onde-vem-as-lendas-de-redacao-parte_1170.html), em que eu mencionei o fato de que muitos professores criam regras baseados apenas em seus próprios preconceitos e opiniões, e passam essas leis aos alunos como se elas fizessem sentido. Uma dessas regras é justamente a de que toda introdução deve conter a tese. A verdade é que a introdução do texto dissertativo-argumentativo deve conter o tema; a tese pode aparecer nesse momento ou não. Recomendo fortemente o uso da tese na conclusão, mas, como essa é uma questão um pouco mais complexa, vou deixá-la para depois.

Vamos usar aqui no nosso projeto uma introdução indutiva, que parte de um fato específico e o usa como exemplo para chegar ao tema mais geral. No caso, o filme “A Rede Social”, citado anteriormente:

“O sucesso do filme “A Rede Social”, que conta a conturbada história por trás da criação da rede Facebook, chamou a atenção de muitos para um fenômeno da comunicação moderna: as redes sociais virtuais, em que milhares de pessoas compartilham suas informações, trocam ideias e até mesmo se engajam em movimentos políticos.”

Entre outras possibilidades se encontram a introdução dedutiva, interrogativa ou histórica, de que eu também vou falar em outro momento (eu sei que estou prometendo muita coisa pro futuro, mas não dá para condensar um curso de redação inteiro em um post!). Dito isso, vamos ao desenvolvimento.

O desenvolvimento é a parte em que aparecem os argumentos e as informações; uma boa ordem para apresentá-los é começar pelos menos discutíveis e seguir até os mais discutíveis. Assim, será mais fácil obter a concordância do leitor, pois ele irá encontrar primeiro argumentos que não o levarão a questionar o texto. Além disso, pode-se fazer com que os primeiros argumentos sirvam de base para os últimos, deixando-os mais fortes.

Vejamos como vão ficar nossos argumentos, ordenados e reescritos para melhorar a coesão textual (a ligação entre os elementos do texto):

Por fim, a conclusão deve apresentar ou retomar a tese (no caso de ela já ter sido apresentada). É possível, na conclusão, retomar também um ou dois argumentos mais importantes, mas é preciso tomar cuidado para não tornar o texto repetitivo. Para isso, basta explicar o argumento quando ele aparece pela primeira vez, no desenvolvimento, e depois, na conclusão, apenas mencioná-lo, sem explicar novamente. Como no nosso exemplo o tema exige uma proposta de intervenção, esta também deve estar presente:

“As redes sociais, parte integrante da vida no século XXI, trazem vantagens, como a facilidade de comunicação, mas também trazem riscos de perda de privacidade. Por isso, é necessário que as pessoas, ao usar essas redes, tenham clara consciência dos limites entre público e privado. Os usuários precisam ser cuidadosos com o que publicam e devem evitar, por exemplo, postar ideias que não falariam em público”

O título não é sempre obrigatório, mas vamos criar um aqui para exemplificar. O motivo para criar o título na última etapa do projeto é justamente a possibilidade de ler o texto inteiro e depois elaborar um título que seja coerente com ele. Como nosso texto fala sobre vantagens e desvantagens da vida em rede, é possível usar esses conceitos no título:

Veja como ficou a versão final do texto:

Redes sociais: a vida sob o olhar do Grande Irmão

O filme “A Rede Social”, que conta a história por trás da criação da rede Facebook, chamou a atenção de muitos para um fenômeno da comunicação moderna: as redes sociais virtuais, em que milhares de pessoas compartilham informações, trocam ideias e até mesmo se engajam em movimentos políticos.

Essas redes são, cada vez mais, parte integrante da vida no século XXI: prova disso é que as pessoas no Brasil passam cerca de 20% do seu tempo online em redes sociais. É verdade que tais números se referem apenas a uma parcela da população, já que nem todos os brasileiros usam a internet. Porém, a tendência é que o acesso à rede mundial de computadores seja cada vez mais universal e importante, tanto que a ONU já o classifica como direito fundamental do ser humano.

Nem todos enxergam essa expansão de forma positiva: muitos afirmam que, dada a onipresença da internet e das câmeras na sociedade, perdemos os limites entre o público e o privado. Como no livro “1984”, de George Orwell, viveríamos em um mundo controlado por um Grande Irmão, sem direito a vida particular, e a única solução seria nos recolhermos e abandonar a vida em rede. No entanto, essa visão ignora as possíveis vantagens das redes sociais, como a comunicação com pessoas distantes e a possibilidade de mobilização social, que podem até mesmo servir como um antídoto para a alienação imposta pela grande mídia.

As redes sociais, parte integrante da vida no século XXI, trazem vantagens, como a facilidade de comunicação, mas também trazem riscos de perda de privacidade. Por isso, é necessário que as pessoas, ao usar essas redes, tenham clara consciência dos limites entre público e privado. Os usuários precisam ser cuidadosos com o que publicam e devem evitar, por exemplo, postar ideias que não falariam em público. Dessa forma, será possível aproveitar a comunicação moderna em rede sem temer o olhar impiedoso do Grande Irmão.

 

Veja abaixo o exemplo de uma boa redação com base no tema da prova do Enem 2011 feita pelo professor Rafael Pinna do Colégio de A_Z:
 
http://oglobo.globo.com/vestibular/veja-aqui-exemplo-de-uma-boa-redacao-com-base-no-tema-da-prova-do-enem-2011-feita-pelo-professor-rafael-pinna-do-colegio-de-az-2897703
 
O Globo
23/10/11

Quinze minutos de privacidade

Quando afirmou que, no futuro, todos teriam direito a quinze minutos de fama, Andy Warhol indicou o desejo pela fama como uma tendência da sociedade de massa. A famosa frase foi cunhada no fim da década de 1960, quando a internet só existia como uma rede acentrada ainda com objetivos militares. Hoje, a grande rede se faz presente em boa parte das atividades cotidianas, como as próprias relações interpessoais, uma "'evolução" que transformou a crítica do conhecido artista plástico em uma espécie de profecia a ser seguida. O problema, nesse caso, é que a vida virtual muitas vezes elimina a tênue fronteira entre o público e o particular.
 
Basta ter uma conta de e-mail ou navegar eventualmente pela internet para perceber os perigos que ela oferece. De fato, invasões de contas e crimes de diversas naturezas tornam a rotina em banda larga pouco segura, transformando informações sigilosas em conteúdo público com a mesma velocidade da comunicação em tempo real. Embora haja uma discussão acerca da correção do caso, o trabalho da organização conhecida como "Wikileaks" evidencia como nem mesmo empresas e governos, com suas redes de seguranças supostamente seguras, estão imunes a esses riscos.
 
Nem sempre, porém, o problema é fruto de invasões e crimes: o desejo pela exposição e pelo reconhecimento virtual tem levado a perigosos exageros na vida real. Por trás de perfis em redes sociais e de pseudônimos em chats e blogs, muitas pessoas expõem suas intimidades, com frases ou fotografias comprometedoras profissional e socialmente. Prova disso são os casos de demissões e processos causados pela publicação de conteúdos considerados inapropriados, mesmo que isso tenha sido feito em ambientes tipicamente "pessoais". Assim, trata-se de uma ilusão imaginar que a vida em bytes, revelada no interior de um quarto fechado, possa ser dissociada da vida em carne e osso, em ruas e calçadas.
 
Diante de um panorama complexo, repleto de variáveis, é fundamental buscar caminhos para o estabelecimento de limites entre o público e o privado na grande rede. O primeiro passo deve ser dado pelos governos, com a criação e o aprimoramento de legislações específicas e mecanismos de identificação e punição capazes de inibir crimes relacionados a invasões de privacidade e manifestações preconceituosas. Afinal, o que é sociamente ilegal e imoral na vida real também o é na internet. Na mesma perspectiva, a mídia pode divulgar - tanto no noticiário quanto em dramaturgias - os perigos da exposição na internet, de modo a sensibilizar a sociedade.
 
Fica claro, portanto, que são necessárias medidas urgentes para evitar uma confusão danosa entre o particular e o público na internet. Contudo, a transformação profunda deve ser feita na nova geração de crianças e adolescentes, que já nasceu e vem crescendo em um ambiente paralelamente real e virtual. Por isso, o trabalho de ONGs e, sobretudo, de escolas parece ser a solução mais eficaz. Com aulas e palestras sobre o uso seguro e socialmente adequado da internet, é possível imaginar um futuro em que menos pessoas se prejudiquem com a vida em banda larga, e mais indivíduos usem esse recurso para, por exemplo, compreender melhor a frase de Andy Warhol.
 
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Abaixo, mais exemplos de redação. Desta vez, exemplos de redações que foram nota 10 para os examinadores do Enem. Depois de lerem tudo o que leram acima sobre o que seria uma redação de ótima qualidade para ser apresentada numa prova como a do Enem, vejam os leitores se concordam com os corretores do Enem. Logo após cada uma das redações, segue um modelo de correção adotado por nosso site (imortaisguerreiros) para corrigir estas mesmas redações e que notas elas obteriam

REDAÇÕES DO ENEM 2007 – EXEMPLOS NOTA 10
 
A proposta de redação do ENEM em 2007 teve como tema ‘O desafio de se conviver com a diferença’. Foram apresentados os seguintes textos de reflexão e proposta:
 

Ninguém = Ninguém


Engenheiros do Hawaii

Há tantos quadros na parede
há tantas formas de se ver o mesmo quadro

há tanta gente pelas ruas
há tantas ruas e nenhuma é igual a outra

(ninguém = ninguém)

me espanta que tanta gente sinta
(se é que sente) a mesma indiferença
há tantos quadros na parede
há tantas formas de se ver o mesmo quadro

há palavras que nunca são ditas
há muitas vozes repetindo a mesma frase

(ninguém = ninguém)

me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira
todos iguais, todos iguais
mas uns mais iguais que os outros


Uns Iguais Aos Outros


Titãs

Os homens são todos iguais

(...)
Brancos, pretos e orientais
Todos são filhos de Deus

(...)
Kaiowas contra xavantes

Árabes, turcos e iraquianos

São iguais os seres humanos

São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros

Americanos contra latinos

Já nascem mortos os nordestinos

Os retirantes e os jagunços

O sertão é do tamanho do mundo

Dessa vida nada se leva

Nesse mundo se ajoelha e se reza

Não importa que língua se fala

Aquilo que une é o que separa

Não julgue pra não ser julgado

(...)

Tanto faz a cor que se herda

(...)

Todos os homens são iguais

São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros

UNESCO. Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural.

Todos reconhecem a riqueza da diversidade no planeta. Mil aromas, cores, sabores, texturas, sons encantam as pessoas no mundo todo; nem todas, entretanto, conseguem conviver com as diferenças individuais e culturais. Nesse sentido, ser diferente já não parece tão encantador. Considerando a figura e os textos acima como motivadores, redija um texto dissertativo-argumentativo a respeito do seguinte tema.

 

O desafio de se conviver com a diferença

Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras. 

Observações:

Seu texto deve ser escrito na modalidade padrão da língua portuguesa.


O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.


O texto com até 7 (sete) linhas escritas será considerado texto em branco.


O rascunho pode ser feito na última página deste Caderno.


A redação deve ser passada a limpo na folha própria e escrita a tinta.


 


EXEMPLO 1

http://historico.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=107&Itemid=0

OBSERVAÇÃO: números em vermelho e grifos em amarelo foram feitos por este site, para realçar erros ortográficos, gramaticais e/ou de concordância verbal ou nominal.

A Necessidade das Diferenças


De acordo com a Teoria da Educação das Espécies (1), o que possibilita a formação do mundo como conhecemos hoje foi (2) a sobrevivência dos mais aptos ao ambiente. A seleção natural se baseia na escolha das características mais úteis. Estas somente se originam a partir das diferenças determinadas por mutações em códigos genéticos com o passar do tempo.
Se no âmbito Biológico as variações são imprescindíveis à vida, no sociológico não é diferente. Uma vez todos iguais, seriamos atingidos pelos mesmos problemas sem perspectiva de resolução, já que todas as idéias seriam semelhantes.
 
A maioria das pessoas está inserida em um contexto social. Contudo grandes inovações se fazem a partir do reconhecimento da individualidade de seus integrantes. Assim é de nossa responsabilidade respeitar nossos semelhantes independentes (3) do sexo, raça, idade, religião, visto que dependemos mutuamente (4).
 
Obviamente nem todas as diferenças são benéficas. Por exemplo, a diferença entre classes sociais não poderia assumir tal demissão(5). Para somá-la (6), necessitamos de uma melhor distribuição de renda aliada a oportunidades de trabalho, (7) educação e saúde para todos.
 
Devemos nos conscientizar (8) que somos todos iguais em espécie (9) mas conviver com as diferenças (por mais difícil que pareça), pois elas nos enriquecem como pessoas. Nossos esforços devem ser voltados contra discriminações anacrônicas e   vis (10),  como o racismo ou (11) perseguições religiosas. Estas não nos levam a lugar algum (12), apenas nos desqualificam como seres humanos.
 
CORREÇÃO DESTE SITE – PROPOSTA DE MODELO DE CORREÇÃO:
 

CORREÇÃO OBJETIVA:

(1) – Teoria da ‘Educação’ das Espécies não existe. O corretor seria Evolução das Espécies.

(2) – Ou se escreve ‘possibilita’ concordando com ‘é’; ou ‘possibilitou’ concordando com ‘foi’.

(3) – Duplo erro. A palavra correta seria ‘independentemente’. No máximo, costuma-se errar para ‘independente’. Mas, não se flexiona advérbio – neste caso, o aluno colocou no plural ‘idependentes’.

(4) – Visto que dependemos ‘uns dos outros’ mutuamente ou ‘nos’ dependemos mutuamente.

(5) – A palavra é ‘dimensão’ e não ‘demissão’.

(6) – O correto é ‘Para sanar tal problema’. Erro 1: palavra errada (somá-la). Erro 2: A palavra ‘Para’ deveria atrair o pronome (la).

(7) – O correto seria escrever ‘aliada a oportunidades de trabalho, (7) de educação e de saúde para todos’ ou, então, ‘aliada a oportunidades de trabalho, à educação e à saúde para todos’.  

(8) – O corretor seria ‘conscientizar’ de que...

(9) – Falta uma vírgula: ‘em espécie, mas conviver com’.

(10) – Faltou acento agudo em ‘vís’.

(11) – Para escrever corretamente: ‘como o racismo ou as perseguições religiosas’; ou ‘como racismo ou perseguições religiosas’.

(12) - Erro de concordância: ‘Estas não nos levam a lugar algum’; o correto seria: ‘Estas não nos levam a lugar nenhum’.
 

CORREÇÃO SUBJETIVA:

Embora o desenvolvimento do tema pelo aluno pareça uma mistura de frases e de idéias repetitivamente promovidas pelo atual apego exagerado ao que se chama de ‘politicamente correto’, não demonstrando, portanto, elaborar uma idéia própria, há que se considerar que houve uma tentativa por parte do mesmo de estabelecer um texto com começo, desenvolvimento e conclusão. Percebe-se nitidamente o seguimento por parte do aluno do modelo convencional da redação bem estruturada.
 

CONCEITOS PARA NOTA:

ORTOGRAFIA: 9

GRAMÁTICA: (225 PALAVRAS – 12 ERROS) 7

DESENVOLVIMENTO ESTRUTURAL: 10

DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL: 5

MÉDIA: (9+7+10+5)/4= 7,75

NOTA FINAL: 7,75 = 775

EXEMPLO 2

http://historico.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=108&Itemid=0


O valor da diferença

O desafio de se conviver com a diferença na sociedade é complicado, mas necessário. Diante da grande pluralidade cultural e étnica que se choca com freqüência no mundo globalizado (1) é preciso, além de tolerância, respeito incondicional aos direitos humanos.
Diariamente, nos deparamos com pessoas das mais variadas culturas, opiniões e classes sociais. Muitas vezes, são nossos vizinhos, colegas e amigos. Essa convivência enriquece nossas vidas, pois aprendemos a respeitar o nosso próximo, nos tornando (2) pessoas mais fraternas. Porém (3) nem sempre essa relação acontecem (4) facilmente (5) fatos divulgados pela mídia nos mostram que, para alguns ainda, a simples diferença fenotipica (6) gera discriminação e violência, como no caso do brasileiro que foi confundido com um terrorista em Londres. Ele foi brutamente (7) exterminado pela policia inglesa por ter feições diferentes da maioria dos britânicos. (8)
 
Para o bom funcionamento das sociedades, a diferença precisa ser respeitada. Nas relações econômicas internacionais, se lida (9)  com diferentes culturas ao menos (10) tempo. Não há espaço para discriminação para quem quer ser competitivo no mercado.(11)
 
CORREÇÃO DESTE SITE – PROPOSTA DE MODELO DE CORREÇÃO:
 

CORREÇÃO OBJETIVA:

(1) – Faltou uma vírgula: ‘Diante da grande ... mundo globalizado, é preciso...’

(2) – Fica melhor escrever ‘tornando-nos’’.

(3) – Faltou uma vírgula: ‘Porém, nem sempre...’

(4) – Concordância: ‘essa relação acontece’ facilmente’.

(5) – Faltou um ponto final: ‘essa relação acontece facilmente. Fatos divulgados...’

(6) – Faltou acento agudo em ‘fenotípica’.

(7) – O correto seria escrever ‘brutalmente’.  

(9) – “Com” atrai o pronome “se”: ‘lida-se com’

(10) – Erro: ‘ao mesmo tempo’; e não ‘menos’.
 

CORREÇÃO SUBJETIVA:

(8) - Erro de informação sobre o ocorrido... O elemento foi confundido com uma pessoa que já estava sendo procurada como suspeita, justamente por apresentar semelhança física com a mesma. Se o procurado fosse loiro, de pele alva, ou negro, de pele bem escura, o brasileiro não teria sido confundido.

(11) – Simplesmente não houve conclusão sobre o tema. O aluno parou no segundo parágrafo de um possível desenvolvimento.

Não há originalidade no desenvolvimento do tema. Originalidade essa que começava a aparecer no segundo parágrafo do desenvolvimento, mas que se foi com o encerramento abrupto do texto.
 

CONCEITOS PARA NOTA:

ORTOGRAFIA: 8

GRAMÁTICA: (164 PALAVRAS – 10 ERROS) 6

DESENVOLVIMENTO ESTRUTURAL: 6

DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL: 5

MÉDIA: (8+6+6+5)/4= 6,25

NOTA FINAL: 6,25 = 625

EXEMPLO 3

http://historico.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=109&Itemid=0

Respeito a (1) Vida
 
Durante bilhões de anos, segundo Darwin, a vida vem se diferenciando por meio de processos evolutivos, através das (2) quais surgiu o homem, (3) portanto somos fruto da diferença. Embora pertençamos á (4)mesma espécie, aspectos étnicos (5) culturais nos diferenciam uns dos outros. Dificilmente iremos concordar com todas as manifestações culturais a que seremos expostos, porem (6) temos de respeitar a todas, o que só acontecerá com a educação e com a civilização (7) do individuo.
 
Para compreendermos um determinado povo ou costume e (8) necessário entendê-lo. Para entendê-lo e (9) preciso estudá-lo. A escola de qualidade proporciona um aprendizado dos motivos pelos quais uma determinada cultura age desta ou daquela maneira. Não da (10) para entender o bumba-meu-boi (11) sem saber quais são as raízes históricas e a formação da população do Amazonas. O ensino também ajuda a moldar a ética através de valores morais, como a da cidadania. (12)
 
As varias (13) liberdades, de religião, de imprensa, de opinião, estão estabelecidas na constituição (14)de nosso país e respeitá-las (15) é de nosso dever e exercê-las (16) é nosso direito. No entanto, as nossas liberdades não devem ferir as liberdades alheias, (17) temos, como cidadãos, de respeitar a opinião, o costume e os valores dos outros. A civilização (18) da pessoa implica, entre outras coisas, na aceitação, no respeito e na convivência com os outros cidadãos.
 
Somos diferentes, mas somos todos oriundos de uma mesma diferença, a vida. Respeitar o outro, independente (19) de sua cor, credo ou cultura, é (20) alem (21) de uma questão ética é (22)legal, é (23)respeito  a (24) própria vida.
 
CORREÇÃO DESTE SITE – PROPOSTA DE MODELO DE CORREÇÃO:
 

CORREÇÃO OBJETIVA:

(1) – Faltou crase: ‘Respeito à vida...’

(2) – “através dos quais...’’

(3) – Faltou um ponto final: ‘o homem. Portanto somos fruto da diferença’.

(4) – Faltou crase: ‘pertençamos à mesma...’

(5) – Há duas formas a considerar corretas: ‘aspectos étnico-culturais nos diferenciam...’ ou ‘aspectos étnicos e culturais nos diferenciam...’

(6) – Acento agudo: ‘...expostos, porém...’

(7) – Erro de emprego de palavra e de otografia: e com a civilidade do indivíduo.

(8) – ‘...costume é necessário...’

(9) – ‘... entendê-lo é preciso...’

(10) – ‘...Não para entender...’

(11) – ‘...o Bumba-meu-boi sem saber quais são...’

(12) – ‘... como os da cidadania...’

(13) – ‘...As várias liberdades...’

(14) – ‘...na Constituição de nosso país...’

(15) – ‘...e lhes respeitaré (de) nosso dever

(16) – ‘...e lhes exercer é nosso direito...’

(17) – ‘...alheias. Temos...’

(18) – ‘... A civilidade da pessoa implica...’

(19) – ‘...outro, independentemente de sua cor...’

(20) – ‘...é, além de uma questão ética...’

(21) – ‘...além de uma questão ética

(22) – ‘... além de uma questão ética e legal

(23) – ‘...legal, (é) respeito à própria vida.

(24) – ‘...respeito à própria vida’.
 

CORREÇÃO SUBJETIVA:

(8) - Erro de informação sobre o ocorrido... O elemento foi confundido com uma pessoa que já estava sendo procurada como suspeita, justamente por apresentar semelhança física com a mesma. Se o procurado fosse loiro, de pele alva, ou negro, de pele bem escura, o brasileiro não teria sido confundido.

(11) – Simplesmente não houve conclusão sobre o tema. O aluno parou no segundo parágrafo de um possível desenvolvimento.

Não há originalidade no desenvolvimento do tema. Originalidade essa que começava a aparecer no segundo parágrafo do desenvolvimento, mas que se foi com o encerramento abrupto do texto.
 

CONCEITOS PARA NOTA:

ORTOGRAFIA: 8

GRAMÁTICA: (247 PALAVRAS – 24 ERROS) 5

DESENVOLVIMENTO ESTRUTURAL: 6

DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL: 7

MÉDIA: (8+3+6+7)/4= 6

NOTA FINAL: 6,00 = 600

OUTRAS REDAÇÕES (NOTAS DO ENEM 2011) – VOCÊ CONCORDARIA?

REDAÇÃO 1

Aluna: Carolina
NOTA NO ENEM: 740
 
Muito se discute acerca da inclusão digital, atualmente torna-se inevitável a necessidade de se fazer parte deste novo ambiente social. Seguindo o pensamento de Rousseau, na qual todos os homens são iguais, as oportunidades e facilidades de acesso à rede deveriam ser equivalentes as mais diversas classes. A nova Era digital vem aos poucos mostrando sua influência no cotidiano, esta também apresenta limites, os quais devem ser observados. Usufruir da rede em busca de melhorias é uma opção a qual vem sendo muito praticada. Em outubro de 2011, a revista eletrônica Fantástico apresentou uma reportagem mostrando consumidores em busca de seus direitos. A utilização de meios tecnológicos permite a população uma postura mais firme frente às preocupações cotidianas. Contudo a segurança de dados pessoais e informações privadas é desprezada devido ao fácil intercâmbio de informação, fazendo-se necessário o cuidado do usuário.

Apesar das vantagens e facilidades promovidas pela rede, esta mostra-se sensível a invasões de hackers e a falta de privacidade. Um problema que é enfrentado não só pela população, mas também pelo governo. No primeiro semestre de 2011 sites de órgão públicos foram invadidos e permaneceram fora do ar devido a um grupo de hackers conhecidos como "Anonimus". Casos de pessoas as quais são vítimas de golpes através da internet e tem seus dados pessoais furtados são exemplo da fragilidade deste sistema interligado de redes. As redes sociais são um marco do século XXI, segundo Durkhein a sociedade deve viver de forma organizada e organicista, apesar de existirem funções diferentes deve-se ter um objetivo em comum. Em dezembro de 2010 deu-se início na Tunísia a chamada Revolução Jasmim, a qual a população aliada às redes sociais derrubou ditadores presentes a décadas no poder. O acesso a tecnologia possibilita a sociedade a se organizar em busca de melhores condições de vida e sociais.

O acesso às redes tornou-se uma necessidade, utilizá-la é inevitável para melhoria e interação da sociedade. Contudo o avanço da tecnologia traz um receio em relação à privacidade. Faz-se necessário o cuidado e também a informação aos usuários acerca do convívio neste novo ambiente social proporcionado pela integração global de redes.

REDAÇÃO 2

(NOTA ENEM: 580)

Contrastes do mundo virtual

A falta de limites entre o público e o privado na rede é um mal no mundo contemporâneo. Pois tem sido a causa de muitas tragédias sociais. Chegou o tempo, portanto, que é preciso ponderar o que se publica, intensificar a fiscalização e suprimir a impunidade de crimes virtuais.

É indubitável que o acesso a rede traz benefícios sem precedentes para a sociedade. Hoje podemos acessar bibliotecas virtuais, museus, jornais, disseminar idéias, nos comunicar com pessoas que estão em locais distantes, entre muitas outras possibilidades. Tudo isso é precípuo para o progresso da sociedade e, nesse sentido, é dever do estado garantir a todos o acesso livre e gratuito a rede.

Todavia, a falta de controle que existe tem tornado esse ambiente propício para que criminosos e pessoas inescrupulosas possam atuar. Nesse contexto, casos de invasão de privacidade, cyberbullyng, pedofilia e pirataria ocorrem com frequência.

É preciso ponderar o que se publica, para que dessa forma não sejamos alvos fáceis de bandidos e que tragédias pessoais não sejam transformadas em espetáculo por pessoas maliciosas. Outrossim, aumentar a fiscalização e suprimir a impunidade é vital para extirpar qualquer tipo de prática ilícita.

Diante de tudo isso, fica evidente que o acesso a rede é essêncial para o progresso. Mas é preciso ter cuidado, pois a falta de controle da mesma pode nos trazer muitos problemas. Somente com essa consciência, poderemos continuar progredindo, e o mundo virtual será um lugar seguro, onde só haverá conhecimento, idéias, transformação e vida.


REDAÇÃO 3

TEXTO DE LARISSA PEREZ
NOTA ENEM: 560

INTERNET: UMA BLINDAGEM INEXISTENTE

A sociedade do século XXI tem sido presenteada com tecnologias cada vez mais práticas e rápidas. Tal oferta tem beneficiado principalmente os campos da comunicação e da difusão da informação. Há, no entanto, contradições a respeito dessas vantagens.

A internet, principal avanço tecnológico dos últimos anos, reconhecida mundialmente por ser uma importante ferramenta para a inclusão, pode também apresentar uma perigosa armadilha. O fato de redes sociais serem um ambiente confortável e convidativo pode ser tentador, aos internautas, para escreverem aquilo que não deveria ser de esfera pública.

A utilização deste meio exige o discernimento dos indivíduos de não escreverem o essencialmente privado, visto que a internet não é capaz de manter fortes pseudônimos e anonimatos. Além da existência de números de identificação dos computadores, cada vez mais vírus e maneiras de invadir os sistemas de informática estão surgindo.

Para se proteger de situações indesejáveis, os usuários da rede devem ponderar sobre o que escrevem e conhecer as consequências do que é dito publicamente.
Desta forma, conclui-se que é imprescindível aos que participam deste meio saber que, apesar deste representar uma liberdade maior, os resultados do que é exposto são os mesmos de qualquer outra situação. A internet não tem o pode de tornar menos público o que de fato o é.


REDAÇÃO 4

Vânia Casari
NOTA ENEM: 740

Com o crescente acesso da população á rede de computadores, podemos observar que Fernando Pessoa se torna tão atual ao escrever:”Navegar é preciso”, óbvio que neste contexto essa navegação tem em diferente os meios de locomoção, porém a semelhança em não haver um limite de espaço, como por exemplo poder apreciar monumentos da China, sem precisar sair da confortável cadeira à frente do computador no Brasil.

No entanto, a ferramenta que quebra a barreira de espaço é a mesma que passa por cima das portas da privacidade, afinal é da natureza humana viver em sociedade, e com isto criar um perfil em redes sociais afim de interagir com amigos, apenas nos esquecemos que os inimigos também possuem este acesso.

A visão dualista aplica-se a qualquer interação humana, visto que ao podermos formar grupos de discussões com o mesmo interesse, divulgar informações vitais para a formação de um senso crítico, podemos também deparar com roubos e calúnias, ou até mesmo por em risco toda nossa família.

Tendo em vista, que nesse meio não há heterônimos perfeitos, e ninguém passa desapercebido uma vez que torna algo público, temos que nos policiar, a cada comentário, cada foto e cada atualização de localização, pois uma vez lançada a garrafa ao mar, qualquer navegante poderá encontra-lá.

COMPILAÇÃO DE CASOS DE INJUSTIÇA PUBLICADOS NO SITE: http://www.enemurgente.com/casos.html

Como o INEP não divulga as redações, temos apenas relatos. Mas os casos são tantos que basta consultar qualquer vestibulando para confirmar que a nota das redações, em sua maioria, não correspondem ao que seria esperado. Essa é apenas uma pequena compilação oportuna. Ajude a extendê-la enviando um email para [email protected].

Rosana Veiga

Caro amigo,

Parabéns pela iniciativa de criar este site. Minha filha é excelente aluna, estudou o ano inteiro, sempre teve notas altas em redação, inclusive no enem 2010, quando ela cursava o 2º ano, obteve 975 pontos na redação, porém este ano apesar de suas notas serem maiores teve a redação anulada. Gostaria de uma orientação de como devemos proceder para solicitar que as redações sejam recorrigidas ou mesmo desconsideradas da nota final.

Suas notas:

Ling 657,3
Mat 845,3
Ch 650,5
Cn 713,9
Redação - anulada

Grata pela atenção.


Mah

Boa tarde pessoal!

Primeiramente gostaria de agradecer por terem me aceitado no grupo. Meu nome é Maira, sou do estado de SP e acabei de concluir o E.M. Também estou revoltada e indignada com a nota da minha redação. Prestei o ENEM, compareci durante os 2 dias de provas, me preparei durante toda minha vida, sempre obtive notas exemplares na escola e no critério redação, sempre fui a melhor aluna da sala. No entanto, quando verifiquei a minha nota do ENEM, praticamente não acreditei. Mas o que mais me revolta é que muitas pessoas que elaboram redações inferiores a minha tiveram notas muito elevadas. Não estou querendo me exaltar e nem me impor superior a ninguém, apenas desejo que a avaliação e as notas sejam justas, de acordo com critérios e as normas padrão de ensino. Desejo transparência, e justiça.


Mayara Custodio

Vou contar a história da Mayara Custodio , ela passou em medicina na UFS e ficou com a melhor redação do grupo dela, resumindo a melhor redação do grupo dela fez com que ela passasse em medicina e chegando no ENEM ela tirou 480, ninguém aqui nem ela pode ver o por que desse desastre, um absurdo essa falta de transparência.


Paula Campos

Sou de BH e tirei uma nota absurda na redação. (ABSURDA MESMO: 120) sendo que as minhas médias nos dois últimos ENEMs foi 850!!!

Eu tinha o rascunho da minha redação e dois professores meus corrigiram e falaram que sendo os mais chatos possíveis a nota MÍNIMA que eu podia ter tirado é 750!!!

Estou correndo um SÉRIO risco de não passar na UFMG por causa dessa palhaçada!!
Já estou com um advogado que está olhando as medidas possíveis!!! Quem for de BH e quiser se juntar a mim, estou precisando muito de ajuda!!!!!!


Marcela Whey

Isso é ridiculo gente, como assim, eu tirei 520? Nunca tirei menos que 9 em uma redação desde a 7ª série, tendo feito introdução desenvolvimento, conclusão citação de fator histórico? A prova nem parece ter sido feita por mim, tirei quase 700 em matemática, eu nunca tirei mais que 4 em matemática, kkkkkkkk
tá muito errada essa prova. Minha amiga Lívia Holanda acertou 39 questões de portugues e tirou 600 e pouco. Isso é um absurdo.


Dimas Dark

É tenso isso, me deram um mero 480! e eu fazia 1 redação por semana esse ano sem tirar menos que 7,5 em nenhuma. Mas como vamos proceder pra fazer isso organizadamente em vários estados?


Mineiro Mansur

Pessoal, olha que absurdo, faço cursinho há 5 anos pletando uma vaga em med, acertei 162 questoes e me deram apenas 600 na redaçãoo, logo minha nota final foi 695. Ano passado acertei 30 questoes a menos, fiz uma redaçao lixo que tirei 800, nota final 789. Definitivamente nao dá para acreditar nisso! Estou bem indignado, ja vejo mais um ano de cursinho devido a um erro que no final nao creio ter sido meu! Espero que tenhamos força em ser ouvidos e que promovam mudanças nessa absurdo! Grato pela atençao!


Nádia

Prestei as três últimas edições do ENEM. Na primeira, que ocorreu em 2009, eu cursava a primeira série do Ensino Médio. Tirei 750 pontos na redação e a minha aritmética das cinco provas foi 728. Na época, eu fiquei razoavelmente contente com a nota da redação, especialmente por ser o meu primeiro vestibular, mas, agora, percebo que a nota foi elevada demais, pois eu não tinha conhecimento algum de estrutura argumentativa. Na segunda edição do novo ENEM, em 2010, eu cursava, é claro, o segundo ano do EM. Infelizmente, demorei demais para resolver a prova de Exatas e não tive tempo para passar toda a minha redação a limpo.

Organizei-me mal e uma série de erros (meus) levou a isso (embora também possa culpar a falha do ENEM em não fornecer espaço para rascunho nas provas...). A minha redação consistia em quatro parágrafos, sendo que os dois últimos não foram passados para a folha definitiva. Temi que a minha letra fosse considerada ilegível, devido ao nervosismo e à pressa, e recordo claramente de ter deixado a redação “finalizada” no meio de uma frase! Surpreendentemente, minha nota foi 650 (!) e, na média geral, fiquei com 745 pontos. Agora, na prova atual, de 2011, eu fiz uma redação coerente, planejada, estruturada corretamente e... tirei 620 pontos! Como isso é possível? A minha redação incompleta do ano passado valeu mais do que esta, que eu realmente acreditei estar boa?

Graças a isso, a minha média será de 740 pontos!! A minha média diminui! Essa incoerência é extremamente injusta, após ter mudado de cidade sozinha para estudar em uma escola melhor! Após um ano de terceirão em que eu estudei como nunca! Eu acertei, na parte objetiva, 163 questões, o que corresponde a pouco mais de 90% da prova! Ano passado, acertei 144 questões, ou seja, 80% da prova. A minha melhora, sem a TRI e sem a redação, foi coerente com o meu esforço. Gostaria que esse valores pudessem ser levados em consideração no SiSU.


Yasmin Dantas

Sou do RJ, e essas notas foram revoltantes, pessoas que fizeram de qualquer maneira tiraram entre 900 pontos e pessoas que 'suaram' , tiram notas a baixo da média, isso é uma vergonha e uma baita de uma injustiça. Esse ano foi a segunda vez que fiz ENEM, sinceramente, esperava ter ido muito melhor do que ano passado. Fiz curso, tirava notas boas nas redações, tudo certo, bons argumentos, os parágrafos um ligado ao outro.. e no dia da redação sai confiante de que seria pelo menos acima de 700 pontos a minha nota, já que no ano passado me achei fraca na redação e tirei 700, esperava uma nota ótima esse ano, estava mais confiante na redação do que em qualquer outra matéria.

Quando fui ver minha nota e me deparei com um mísero 280, sério, eu entrei em choque, como pode? ano passado, sem estruturas, ter feito a redação apenas com a matéria que tinha na escola tirar 700 e esse ano fiz curso e tirar isso? Humildemente, fui bem melhor do que ano passado. Se fosse qualquer outra nota que tivesse sido ruim eu até aceitaria, questionaria, mas aceitaria, agora uma nota que tenho certeza que está errada, não aceito. E por causa desse erro não poderei participar do Prouni, nem SiSU, já que para tais programas, é necessário ter as médias de todas as matérias acima de 400.


Mariana Resende

Também estou indignada com a minha nota de redação... Após conferir o gabarito do enem, fiz 162 (90%), portanto já estava contando com uma aprovação em medicina pelo sisu na UFRJ, onde pretendia estudar. Pelo edital da universidade, a redação tem peso 3, maior que o peso de todas as outras áreas. Assim, fiquei um pouco em dúvida, a redação poderia me complicar. Porém, fiquei tranquila, pois nos outros dois anos que fiz enem, minha nota foi 750, e ainda por cima minha redação do segundo ano ficou um lixo. Logo, fazendo uma redação por semana com um excelente professor de redação, que inclusive é corretor da Unicamp, e tirando notas ótimas, esperava pelo menos 850.

Tudo desabou quando vi minha nota: 740. Vocês não podem imaginar tamanho desespero em que entrei aquele dia. Como posso ter tirado uma nota menor que os dois ultimos anos, em que o enem era só treino e eu não tinha condições de produzir um ótimo texto ainda?

Agora, minha aprovação na UFRJ está incerta, sem falar de todas as outras universidades que prestei vestibular, como UNIFESP, UFMG, Unicamp, que utilizam as notas do ENEM. Vejo que terei de fazer cursinho ano que vem, apesar do excelente resultado que obtive nas provas objetivas.

Muito obrigada, governo brasileiro.


SISU 2012 - ESCLARECIMENTO DE DÚVIDAS

http://blog.vestibulardeaaz.com.br/

No formspring, no twitter e no facebook do _A_Z, têm aparecido muitas dúvidas ainda sobre o SiSU (Sistema de Seleção Unificada). Com o fechamento das inscrições programado para o dia 12 de janeiro, cumpre reforçar algumas orientações, algumas delas conforme as explicações do próprio Inep (que se encontram aqui).

Nossos esclarecimentos e dicas são os seguintes:

1) Em linhas gerais, o SiSU tem um processo de inscrições muito bem explicado. Alguns estudantes, porém, não têm paciência para ler tudo o que está escrito. Assim, nossa primeira dica é que você leia todos os detalhes da sua inscrição, pois muitas dúvidas banais serão esclarecidas ali.

2) Algumas universidades destinaram apenas as vagas de primeiro semestre para esse SiSU (caso da UFRJ e da UFF). Ainda não se sabe ao certo quando se dará o preenchimento das vagas do segundo semestre. No caso da UFRJ, o edital estabelece que todas as vagas para ingresso em 2012 se darão em um novo SiSU, com as notas do ENEM 2011. Essa disputa pelas vagas do segundo semestre não teria qualquer relação com o ENEM de Abril. Precisaremos aguardar mais informações a esse respeito.

3) Em relação aos resultados parciais e notas de corte, a lógica é simples: a cada segundo, estudantes de todo o país fazem e refazem suas inscrições. Essa mudança constante faz com que a classificação e a nota de corte sejam muito dinâmicas. O Inep optou por fazer apenas uma divulgação diária desses dados, como forma de orientação aos estudantes em suas escolhas. Obviamente, há certa artificialidade em certos resultados prévios. Muitos estudantes, por exemplo, talvez estejam se inscrevendo nas ações afirmativas da UFF (que geram bonificações de 20% na nota final), mas não terão como comprovar essa condição no dia da pré-matrícula. Também é bastante comum que um estudante se inscreva em uma instituição, mas não compareça no dia da pré-matrícula, fazendo com que sua vaga volte ao sistema. Devemos lembrar ainda que os resultados de muitos vestibulares importantes (UFF, UERJ, Fuvest, Unicamp etc.) ainda não foram divulgados, o que "infla" um pouco as notas do SiSU. Apenas com a divulgação dos resultados das chamadas e com a lista de espera poderemos ter uma visão apurada de todas essas tendências. Infelizmente, porém, até lá, os estudantes terão que fazer suas escolhas.

4) Para esse SiSU (ou seja, para as vagas disponibilizadas), não haverá outro período de inscrição. O período se encerra, definitivamente, em 12 de janeiro! É preciso ter cuidado, pois o sistema tende a ficar muito lento no último dia e, principalmente, nas últimas horas.

5) Diferentemente do ano passado, quando houve três chamadas, agora haverá apenas duas chamadas, isto é, divulgação de listas de aprovados, mas todas elas vão se basear nas inscrições feitas até o dia 12 de janeiro.

6) Ao escolher a primeira e a segunda opções, pense realmente na sua ordem de preferência e, se possível, tente estimar suas reais chances de se chamado para a opção escolhida. Em tese, a primeira opção deve ser mesmo o curso mais desejado, ainda que você esteja, por enquanto, fora da zona de classificação. Obviamente, de nada adianta escolher um curso que, de tão concorrido, não oferecerá chances de reclassificação para a sua posição atual. Infelizmente, não há números que permitam tomar essa decisão. Então, o estudante vai ter que ponderar o que considera razoável, já sabendo da "artificialidade" de algumas notas de corte, pelo que divulgamos acima. O que não conseguimos estimar é o grau dessa "artificialidade". Certamente, as reclassificações do SiSU são numerosas, mas não chegam a ser mágicas.

7) A segunda opção, preferencialmente, deve ser de um curso que você aceitaria fazer e no qual tenha chances de classificação bastante reais. Do contrário, você estará jogando fora essa chance de vaga.

8) Se for chamado para a primeira opção, você deverá efetuar sua matrícula. Se, por acaso, perder a data da matrícula, perderá a chance de continuar no sistema, pois o Inep interpretará que você atingiu seu objetivo e o dispensou.

9) Se for chamado apenas para a segunda opção, você poderá continuar no sistema, mesmo que efetue sua matrícula nessa segunda opção. Caso abra uma vaga na sua primeira opção, você participará da chamada seguinte e poderá efetuar nova matrícula, abrindo mão da vaga anterior.

10) Se não for chamado nenhuma das opções, você poderá continuar no sistema. Na segunda chamada, continuará participando com as duas opções, mas na lista de espera apenas para sua primeira opção.
11) As datas dessas duas chamadas após o fechamento do sistema são: 15/01 e 26/01, (conforme calendário já divulgado aqui, em post abaixo). Não perca essas datas, pois as matrículas ocorrem nos dias seguintes.

12) Tendo ou não sido chamada para sua segunda opção (e tendo ou não feito a matrícula), você poderá reforçar seu interesse entre os dias 26/01 e 01/02, quando estará aberta a Lista de Espera. Caso haja vaga, você ainda tem chance de participar da seleção. A Lista de Espera considerará apenas o que foi escolhido como sua primeira opção até o dia 12 de janeiro e não é automática, ou seja, você precisará manifestar seu interesse no site do SiSU! Não há nova inscrição em outros cursos ou instituições.

13) No caso de alguns cursos com vagas em dois semestres, o SiSU classifica por ordem de nota, e o estudante não pode escolher o semestre.

14) No caso de Arquitetura e demais carreiras em que se exija o teste de habilidade específica (THE), a própria UFRJ divulgará a lista de classificados na mesma data das chamadas dos SiSU, com base nas notas obtidas no ENEM. Não está claro se, em paralelo, os estudantes interessados nessas vagas podem se inscrever no SiSU, de modo a garantir a aprovação em outro curso, caso não sejam convocados para o curso de interesse. Nesse caso, sugerimos que tentem entrar em contato com a UFRJ no telefone 2598-9430 ou preencham o formulário de contato do site da instituição.

15) Sobre a polêmica das notas de redação, há duas considerações importantes. Em primeiro lugar, alguns especialistas estão explicando que, ao não usar a TRI para atribuir a nota da redação, cria-se uma distorção estatística, que tende a afetar muito o resultado final. Na prática, isso significa que a nota da redação acaba tendo um peso muito maior do que se imaginava. Para os interessados, sugerimos acompanhar o site ENEM urgente, que inclui o estudo de Leonardo Cordeiro sobre o assunto.

16) O segundo aspecto relevante sobre a redação é que tem havido debates acerca da qualidade da correção feita pelo consórcio que aplica o ENEM. Alguns estudantes de todo o Brasil estão entrando com liminares que garantam o acesso às provas e às notas dadas por cada examinador, de modo a questionar a correção. Apesar de ter havido uma mudança significativa de nota em São Paulo, nos outros casos temos observado a tendência do Inep em defender a nota atribuída, com argumentos às vezes um tanto quanto questionáveis. Se, ainda assim, algum de vocês quiser entrar com recurso, conte com nossa ajuda na elaboração de algum tipo de parecer.

17) (NOVA DICA, IMPORTANTÍSSIMA) A primeira opção deve ser um curso que você queira muito fazer e no qual tenha chance de entrar, mesmo que apenas com as reclassificações. Avaliar essa chance é difícil, mas sabemos que o SiSU costuma ter muita gente se inscrevendo e não se matriculando. Quanto à segunda opção, a situação também é crítica. Ao escolher um curso em que você está fora da zona de classificação, você está apostando suas fichas na segunda chamada, imaginando que muitas pessoas não vão se matricular de fato. Até aí, tudo bem. Mas, atenção: depois da segunda chamada, vem a lista de espera, na qual você só vai poder se inscrever com sua primeira opção. Ou seja, se não for chamado para a segunda opção até a segunda chamada, você dispensou essa vaga! Para ilustrar, imaginemos o seguinte caso: um estudante colocou Medicina na UFRJ como primeira opção (na qual tenha chances na reclassificação) e Medicina na Unirio como segunda opção. Ele está na posição 450 da Unirio, que oferece 154 vagas no curso. Mesmo que todos os primeiros 154 estudantes chamados para a Unirio não se matriculem, na segunda chamada serão chamado outros 154 candidatos. A soma (308) não chega à posição do aluno. Assim, ele terá simplesmente jogado fora sua chance de vaga pela segunda opção. Por isso, pensem bem na segunda opção, imaginando algo que aceitariam cursar e em que tenham chances de aprovação até a segunda chamada.

Caso haja outras dúvidas, estamos à disposição de vocês.

COMO DESVIAR UM BILHÃO DE REAIS !

COMO DESVIAR UM BILHÃO DE REAIS!

 

Denúncia feita por um ex-diretor financeiro do fundo de pensão do Banco do Brasil (PREVI). O texto segue como a este site chegou, sob a autoria do senhor Arnaldo, associado da PREVI. Alguns dos fatos podem ser comprovados por notícias de jornal, mas, outros devem ser rigorosamente apurados pelas autoridades competentes. A denúncia está feita e publicada. 

 

COMO DESVIAR UM BILHÃO DE REAIS !

 

Minha atividade profissional nos últimos 20 anos permitiu-me certo ponto de vista privilegiado. Sou auditor e consultor de órgãos públicos.

 

Vou contar uma história real e bem recente: COMO DESVIAR UM BILHÃO DE REAIS SEM SER PEGO.

 

Em 2004 um amigo meu era Diretor Financeiro de um Fundo de Pensão de uma empresa estatal. Certo dia recebeu uma “ordem” do Ministério da Casa Civil no sentido de que aquele Fundo deveria vender um bilhão de reais de títulos da dívida pública, de sua carteira, a uma determinada corretora de valores. Meu amigo achou um absurdo e foi contra. Na reunião do conselho de administração, por 6 votos a 5, não foi autorizada a venda dos títulos. Trinta dias depois meu amigo foi demitido.

 

Acontece que o fundo de pensão do Banco do Brasil – Previ, vendeu 5 bilhões de reais de sua carteira de títulos da dívida pública. Como esses títulos eram resgatáveis para 15 a 20 anos houve um deságio de 30%, portanto a Previ recebeu 3,5 bilhões de reais pelos títulos, que, como já disse, tinham e foram vendidos especificamente para uma determinada corretora de valores.

 

Alguns dias depois o Governo Federal, através do Ministério da Fazenda – Tesouro Nacional, recomprou esses títulos daquela determinada corretora, com deságio de 10%. Assim essa determinada corretora que na verdade tinha endereço num Flat Service na Barra da Tijuca, lucrou 20% dos 5 bilhões de reais, ou seja, UM BILHÃO DE REAIS.   

 

Essa história foi relatada por esse amigo na CPI dos Correios. Tentou-se abrir uma CPI dos Fundos de Pensão, mas não conseguiram assinaturas suficientes.

 

Portanto colegas, não percamos tempo em discutir ideologias, em criticar o Decreto dos Direitos Humanos, as imbecilidades do Lula, etc., tudo isso são efeitos pirotécnicos dos PeTralhas para desviar as atenções e assim continuarem a engordar suas contas na Suíça, paraísos fiscais e Cuba.

 

Em uma única (e rápida) “jogada” surrupiaram um bilhão de reais. Os PeTralhas não são amadores. Coitado do Maluf. Perto dos PeTralhas o Maluf é caso de juizado de pequenas causas. 

 

O que mais lamento é que os PeTralhas deram asas ao delírio debilóide do “Ministro das Relações Exteriores” de conquistar para o Brasil um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, como se para nós, brasileiros, fizesse alguma diferença.  Com isso e por isso, o Brasil chefia a missão de paz da ONU no Haiti, o que custou a vida de colegas, em especial do nosso querido Tenente Coronel Cysneiros.

 

Essa turma, prezados colegas, o tal “núcleo duro” dos PeTralhas entrou no governo para se locupletar ao máximo. Usam e abusam dos chamados inocentes úteis, de factóides, das asnices do Lula, de 150.000 nomeações em cargos de comissão, dos bilhões de reais em propagandas que pagam para a imprensa brasileira, enfim, fazem e manipulam grande parte da sociedade brasileira.

 

Como, apesar de tudo,  ainda acredito na democracia, em todos os ambientes em que vou, mesmo que haja apenas uma pessoa, faço meu papel de cidadão, que ama esse país e argumento, esclareço e mostro quem são os PeTralhas. Essa atividade estou intensificando com a proximidade das eleições. Cada pessoa que convenço é um voto a menos para os PeTralhas. Isso é o meu maior estímulo!!!    Por favor, vote consciente, para o bem de todos nós!

 

Abraços,

Arnaldo, associado da PREVI 

 

 

 

CAMPANAS - OS SINOS DOBRAN PELA GRIPE A - PORTUGUÉS from ALISH on Vimeo.

CAMPANAS - OS SINOS DOBRAN PELA GRIPE A

TERESA FORCADES, doutora em Saúde Pública, faz uma reflexão sobre a história da GRIPE A, dando informações científicas e enumerando as irregularidades envolvidas no assunto. Explica as consequências da declaração de PANDEMIA e suas implicações políticas. Além disso, faz uma proposta para manter a calma, convocando-nos a ativar urgentemente os mecanismos legais e de participação cidadã relacionados ao tema.

Nossos profundos agradecimentos às pessoas que colaboraram desinteressadamente na tradução e revisão dos textos em português do Brasil: Marise Carvalho, do Rio de Janeiro, Darley Farias Oliveira, de Porto Alegre, Darlou Farias Oliveira, de Porto Alegre, Vicente Rockenbach, de Porto Alegre.

Incrustación de los subtítulos "Mondo Services"
(mondo services.com/Subtitulacion.612.0.html).