“Show é ganhar”, disse há poucos dias o técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, ao rebater as críticas de que o time vinha se apresentando mal e com um futebol sem brilho. Nem sempre, Parreira, nem sempre. Show é perder como perderam Inglaterra e Argentina, suando até o fim, nos pênaltis. Show é voltar para casa como a Holanda, eliminada num jogo duríssimo contra Portugal, onde homens lutaram incansavelmente até o final, sendo alguns deles expulsos de campo, tamanho era seu desespero em busca da vitória – recorreram até às últimas armas. Eles puderam voltar para casa de cabeça erguida, porque demonstraram respeito pelas camisas que vestiam.
Antes do jogo, o francês que colocou a bola no fundo do gol brasileiro, Thierry Henry, havia dito que não tinha como competir contra os brasileiros, porque eles passavam o tempo todo jogando futebol, enquanto eles (os franceses) tinham que estudar. Ora, todos nós sabemos que o francês não tem razão; os brasileiros não passam o tempo todo jogando bola. Mas talvez um pouco mais de aplicação nos estudos tivesse feito com que nossos craques não interpretassem de forma errada as palavras do capitão Cafu, antes do início do jogo, ao ler um manifesto da FIFA contra o racismo: pensaram que fosse para jogar sem raça nenhuma.
Dida, Zé Roberto, Lúcio e Juan são as únicas e honrosas exceções, não só na partida contra a França, mas durante toda a Copa. Robinho também se esforçou - ele sempre entrou bem no time, embora não tenha feito nenhum gol. Zé Roberto se dedicou muito ao time e foi um dos poucos que chorou em campo, após a derrota para a França. O goleiro Dida tomou dois gols no campeonato inteiro e, em ambos não teve culpa nenhuma. Fez ótimas defesas e deixa a Alemanha com a sua tarefa cumprida. Lúcio fez a sua primeira e única falta na Copa contra a França e, nem ele nem Juan, tiveram a menor culpa no gol que tomamos da França, aos 12min do segundo tempo.
O centroavante Thierry Henry entrou para marcar o gol numa zona que deveria ter sido coberta por Roberto Carlos. Onde estava você, Roberto Carlos? Ah! O Roberto estava ajustando seu meião. Ele passou 15 segundos fazendo isso. Quinze segundos muito mais caros para os brasileiros do que deve ser o valor de seu passe – que vale milhões, supostamente pagos para que ele jogue bola e para que esteja, no mínimo, concentrado no jogo durante todo o tempo regulamentar. Roberto Carlos se destacou nesta Copa foi mesmo fora de campo, levando camisa autografada para o Presidente Lula, antes de partir para a Alemanha, e de lá mandar que ninguém menos do que Pelé ficasse “quietinho” e parasse de criticar o técnico Parreira.
O jogo contra a França foi exatamente igual aos demais. Começávamos um pouquinho melhor, os adversários cresciam, mandavam no jogo e ficávamos a depender única e exclusivamente dos rompantes individuais de nossos atacantes. Só jogamos algo parecido com o que se poderia esperar de uma seleção brasileira no jogo contra o Japão. O Brasil jogou tão mal nessa Copa que nosso melhor atacante foi o zagueiro Lúcio, que cansava de esperar atitude e corria em direção à área adversária na esperança do gol.
Os torcedores imaginavam que com Ronaldinho, Ronaldo, Kaká e Adriano – o famoso quadrado mágico - seria impossível que todos falhassem. Mas foi exatamente o que aconteceu e todas as vezes que funcionou foi com Robinho e com um lateral ofensivo. Mas, Parreira insistiu na formação original e ficamos presos a um esquema tático que apagou nossas estrelas. Carlos Alberto Parreira conseguiu perder uma Copa com um time que tinha os melhores jogadores do mundo e acabou colocando um ponto final na discussão que tanto perturba os brasileiros em todas as Copas – jogar bem ou ganhar? O Brasil jogou mal e perdeu – pronto acabou a discussão.
“Não me arrependo em nenhum minuto. Quem comanda tem que ter coragem em tomar decisões", analisou Parreira após a derrota. "Tenho que ser muito sincero, é um momento duro, ser eliminado nas quartas-de-final. Não me preparei. Ninguém estava preparado para sair da competição antes das finais", afirmou o técnico da equipe brasileira.
O Capitão Cafu, apesar da derrota e ao contrário da maioria de nossos jogadores, deixou o vestiário do estádio Waldstadion, em Frankfurt, bem descontraído. Questionado, explicou: "Da mesma forma que me preparei para as vitórias, me preparei para as derrotas. Desde 1994 venho chegando em todas as finais com a seleção e sabia que em algum momento a gente podia perder. Futebol é assim e a gente estava preparado... Tenho uma história na seleção e não é esta derrota que vai manchar minha carreira”.
Para Parreira, a culpa da decepção do torcedor brasileiro é da grande expectativa que foi criada em torno da seleção: "A expectativa criada foi muito grande. Ficaram cobrando a expectativa, não à
Quando é que esses homens que vestem a camisa da Seleção Brasileira vão entender que o trabalho deles não é simplesmente entrar em campo, jogar bem e vencer? Quando é que eles vão perceber que a única coisa em que o Brasil parece ter luz própria e em que se destaca no resto do mundo é o futebol – e por isso nele residem as únicas esperanças de sucesso de milhões de brasileiros? É uma responsabilidade que só deve ser dada a quem a encare dessa mesma maneira. Vestir a “amarelinha” exige compromisso com essa expectativa popular. Não dá para jogar pelo Brasil achando que é a mesma coisa que jogar profissionalmente para outro time qualquer – não é; e não dá para exigir compreensão e espírito esportivo da torcida brasileira.
O negócio é a gente entender, de uma vez por todas, que o Brasil não vive de futebol; que a derrota da Seleção Brasileira não pode e nem deve ser a nossa derrota. Somos maiores do que nossas cores e do que nossos símbolos - somos quase 190 milhões em campo para lutar pela vitória de nosso país e não podemos exigir de 22 de nossos representantes - ali na Seleção Brasileira de Futebol - aquilo que não exigimos de nós mesmos nas verdadeiras batalhas que precisamos travar para levar o Brasil à vitória do crescimento e do desenvolvimento. Temos uma eleição pela frente, vamos cobrir o país de verde e amarelo e apagar de vez o vermelho sangue que uns e outros insistem em nos impor.
Christina Fontenelle
2/07/2006
PORQUE NÃO TEM COMO NEM PARA ONDE FUGIR
Há cerca de 20 anos, o dito popular “os incomodados que se mudem” se aplicava bem à classe média. Leia-se, aqui, a classe média típica, pelo menos no resto do mundo, como aquela que tem casa própria, carro na garagem, telefone, investe em estudos e compõe os quadros de profissionais liberais, de micro-empresários e de funcionários públicos concursados, com nível superior, inclusive os militares.
Naqueles idos tempos, quando alguém estivesse insatisfeito com a situação do país, e me parece que isso tenha sido a realidade dos últimos 500 anos, simplesmente pegava suas bagagens, tanto materiais como intelectuais, e deixava o solo nacional, levando consigo as brasilidades saudosas do jeitinho, da comida, do carnaval e do futebol. Destino: o mundo das sociedades ocidentais desenvolvidas.
Hoje, as coisas são bem diferentes. Nos últimos anos, as ditas desenvolvidas têm-se transformado em verdadeiras ditaduras dos direitos individuais, sob a permanente vigilância de um cidadão sobre o outro, cheias de processos das mais variadas origens e de leis repressoras - desde o ingrato “assédio sexual”, cuja radicalidade acabou por reprimir as mais simples manifestações de apreço pelo sexo oposto, até às malfadadas regras do “politicamente correto”, que pretendem fazer com que um negro não possa ser chamado de negro ou um gordo de gordo. Isso sem falar na ditadura da beleza, na da juventude eterna e na do saudável.
Além disso, as constantes ameaças de ataque terrorista, o cada vez mais evidente preconceito contra imigrantes, as ameaças de fenômenos naturais avassaladores (tsunamis, furacões, terremotos), as guerras e as ditaduras políticas reduziram muito as atuais opções de destino dos “fugitivos” brasileiros. Para onde ir com a família? Para onde mandar os filhos? Parece que o lugar de brasileiro está se tornando, cada vez mais, o Brasil.
Mas, que Brasil é este que encontramos construído para nós e para nossos filhos? Uma republiqueta de bananas, pobre, subdesenvolvida, intelectualmente retardada, dominada por uma classe política corrupta e coronelista, pela indústria do superávit, por banqueiros ladrões inimputáveis e pela mídia da “bundalização” – aquela que, além de mostrar muitas caras, bocas e “traseiros”, também omite, deliberadamente, importantes informações da população, impõe valores próprios como norma, usa pessoas como objetos de consumo descartáveis e se auto-promove, com uma programação de enaltecimento de seus próprios personagens e atos, pagando salários astronômicos e cobrando horrores para veiculação de imagens e propagandas.
Como se não bastasse tudo isso, a classe média tem assistido, impotente, ao espetáculo do redirecionamento indisfarçável do dinheiro para as mãos de entidades do crime organizado, empresários desonestos, artistas e esportistas promovidos pela mídia (e eles só estão lá, porque há muita gente que vive – e muuuuuiiiiitttto bem! – da sua utilização como produto gerador de capital). Assiste, também, ao emburrecimento de sua própria classe, cada vez mais relegada à categoria de simples força-de-trabalho, em evidente situação do que se poderia chamar de neo-escravidão: na qual as pessoas trabalham para morar, comer e se alfabetizar – muito parecido com o que acontecia com os escravos do passado, guardadas as devidas proporções.
A institucionalização da indústria do crime e da desonestidade impôs à classe média a condição de força-de-trabalho e de fonte pagadora de impostos. Nem ao menos apoio estatal esta classe tem. A carência da atuação estatal, em todos os setores, fez com que a classe média, além dos impostos – usados para distribuir migalhas aos pobres e para alimentar a voracidade dos assaltantes da nova classe milionária dominante – tenha que pagar planos de saúde, segurança particular comunitária, escolas particulares para seus filhos, etc.
A desesperança não mora no coração dos pobres, porque o seu oposto é que lhe serve de alimento. Nem tão pouco reside no coração das classes mais abastadas, uma vez que quase nunca têm que esperar por nada – mandam vir, providenciam, etc. A desesperança se instalou naqueles que percebem a cada vez mais nítida impotência diante do estabelecido – não há como sair desta crise sem que instituições de peso e força se prontifiquem a reagir e combater abertamente o cenário de corrupção e de ingovernabilidade que se instalou no país, em nome do resgate do Brasil para os brasileiros. Mas, pelo que se vê por aí, isso não vai acontecer.
O povo, mesmo não contando com nada, ainda tem as ilusões, a santa ignorância – se tiver que se mudar do imundo para o sujo ou desse para o mal lavado, continuará sempre achando que o melhor ainda estará por vir. Os ricos, bilhardários, não precisam que nada mude, pois vivem muito além desse mundinho medíocre dos meros mortais – o país deles é o mundo e esse negócio de pátria é só coisa do coração mesmo. A classe média está condenada ao ostracismo político, na busca incessante de mais e mais dinheiro, para arcar com seus compromissos e sustentar o país, pagando impostos e trabalhando - abandonada, por ser politicamente “incorreto” defendê-la. Não tem mais onde ficar nem para onde nem como fugir, até que chegue à extinção.
Christina Fontenelle
21/06/2006
A videoconferência acertada com o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo, Marco Polo del Nero, entre o Presidente Lula, do Palácio do Planalto, e alguns membros da Seleção Brasileira, lá da Alemanha, já deu o que falar. O Presidente disse, entre outras coisas, que não admite nada além do que o título e que a expectativa pela participação da Seleção é " possivelmente a maior de todas as épocas". Depois dessa, eu sou capaz até de acreditar que Lula realmente seja "o cara" que nunca vê nem sabe de nada.
Apesar da intensa campanha "Global" e da incontestável paixão do brasileiro por futebol, a tal da expectativa pela participação da seleção brasileira está muito, muito longe mesmo, de ser a maior de todas as épocas. Existem mil e um motivos circunstanciais para o fenômeno "apatia estupefata geral" dos brasileiros, mas, sem dúvida nenhuma, as verdadeiras manifestações terroristas da esquerda radical, ligada clara ou camufladamente ao PT, têm mostrado, especialmente ao longo dos últimos quatro anos, que aquele Brasil que habitava o inconsciente coletivo dos brasileiros, todos unidos num só coração – aquela noção de povo como conjunto de todos os brasileiros, indiscriminadamente – foi literalmente assassinado (e provavelmente enterrado como indigente, já que ninguém apareceu para reclamar "o corpo").
A vermelhização das cores tradicionais dos símbolos nacionais parece mesmo querer ensangüentar o verde, o amarelo, o azul e o branco da história nacional. Não é a primeira vez; só não se sabe se será a última. E, se for, na verdade, não se sabe nem para quem ou para o que será a última vez. Foram muitos os espetáculos fratricidas patrocinados pelos, digamos assim, simpatizantes do PT. Mas o que o Brasil assistiu no Congresso, no último dia 6 de junho, foi estarrecedor: brasileiros destruindo patrimônio público e atacando outros brasileiros em nome de ideais revolucionários alienígenas. Isso para não falar das crianças metralhadas numa escola municipal do RJ por traficantes que pretendiam expulsar policiais que entravam na comunidade para fazer uma investigação.
Episódios como esses, que na sua maioria de isolados não têm nada, levam incontestavelmente ao seguinte questionamento: que entidade é essa chamada Brasil, para qual torceremos na Copa do Mundo? Estaremos torcendo por um país que nos será subtraído (ou já foi) e pelo qual, por isso mesmo, devemos torcer enquanto ainda nos resta a ilusão de tê-lo? Estaremos torcendo por um Brasil que amamos para torcer no futebol, mas não para defender daqueles que querem tirá-lo de nós? Ou uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa? Será?
Longe do entusiasmo jamais visto proclamado por Lula, faltam as bandeiras nas janelas e nos carros; faltam as ruas pintadas e decoradas; faltam as marchinhas musicais do ano e o comércio não vendeu 1/3 do que investiu em roupas e apetrechos de torcida. Até a TV Globo, a única que comprou os direitos de transmissão dos jogos da Copa, por 80 milhões de dólares, desistiu de procurar por ruas enfeitadas em suas reportagens sobre os preparativos dos brasileiros para a Copa. Dessa vez apelou e pediu no ar,
Bom, nessa estória, a Globo é que não está nem aí para entusiasmo, vitória ou derrota da Seleção e muito menos para prejuízo. Apesar de ter investido essa soma astronômica de dinheiro na exclusividade das transmissões, vendeu seis cotas de patrocínio, por cerca de 60 milhões de reais cada. Os patrocinadores terão garantida uma forte presença no vídeo durante todo o período da Copa do Mundo - nas transmissões dos jogos e na programação normal, em todas as chamadas, flashes e boletins de cobertura. Não é à toa que lá na Alemanha a expressão que os repórteres de todos os outros órgãos de comunicação mais ouvem é: " Desculpe, somente a Rede Globo!" Ou melhor, "Sorry, only Rede Globo!" Quem diz isso é o colunista Chico Maia, no site do jornal eletrônico O Tempo. E fazer o quê? Pagou, levou.
Na tal da videoconferência, Zagallo fez campanha para o Presidente Lula: " Presidente, o dia da estréia do Brasil contra a Croácia é dia 13. É o 13 do PT. Vamos juntos rumo à vitória ". Treze, como todo mundo sabe, também é o número da sorte do ex-técnico. Não é só ele que torce pelo PT e faz festa na Copa. A Vila Isabel, escola de samba de Hugo Chávez, está em efusivas comemorações verde, amarelo e vermelho – tem samba, bateria, mulata, cerveja e telão.
Carlos Alberto Parreira, como de costume, adotou uma postura mais sóbria. Comentando a iniciativa do Presidente, Parreira disse: " Eu estou na seleção desde 1970. Todas as vezes fomos até Brasília nos despedir dos presidentes. Não vejo nenhum oportunismo político nisso". O ex-capitão do Exército e atual técnico da Seleção Brasileira está falando a verdade. A Copa de 1970 é uma das mais emblemáticas nesse sentido.
Em 70, o técnico da Seleção, João Saldanha, comunista declarado, desentendeu-se, através da imprensa, com o então Presidente da República, General Emílio Garrastazu Médici, que cobrava a presença do atacante Dario, o Dada Maravilha. '' Eu não dou palpite no ministério dele, por que ele vai dar na Seleção?'', desafiava Saldanha. Por isso ou não, ele acabou demitido da Seleção, sendo substituído por Zagallo, que já era bicampeão como jogador (Suécia e Chile). Zagallo mexeu só um pouquinho no time de Saldanha: escalou apenas Pelé, Tostão e Rivelino, que jogavam na mesma posição - teoricamente. Saldanha havia dito que Pelé não poderia jogar por causa de um problema de vista.
Na verdade, agora em 2006, nenhuma delegação da Seleção Brasileira foi ao Planalto despedir-se de Lula. O jogador Roberto Carlos esteve com o Presidente, mas disse que foi por motivos pessoais. O que, aliás, deve ser verdade, uma vez que Lula já disse ser muito amigo do pai do lateral esquerda da Seleção. Roberto Carlos afirmou que foi à Brasília cumprir uma promessa feita a Lula durante o Jogo da Paz, contra a seleção do Haiti, realizado em agosto de 2004, naquele país.
A sala reservada para a videoconferência, lá na Alemanha, estava cheia. Comissão técnica e muitos jogadores presentes, inclusive Rogério Ceni, que já criticou publicamente a corrupção protagonizada pelo PT. Entretanto, estavam todos ali para responder ao Presidente Lula, somente - era expressamente proibido perguntar. A já conhecida falta de habilidade de Lula em pensar antes de falar acabou fazendo com que tocasse num tema que já está dando "pano para manga". Do Palácio do Planalto, em Brasília, ao lado a mulher, Marisa Letícia, e do ministro dos Esportes, Orlando Silva, o Presidente, querendo dar uma de "enturmado", perguntou ao técnico Carlos Alberto Parreira sobre o atacante Ronaldo: " Ele está gordo ou não está gordo?" O treinador foi polido na resposta: "O Ronaldo está muito forte. Já não é mais aquele garotinho e mudou o biótipo (sic) ".
Ronaldo que, com febre e de repouso, não esteve presente à videoconferência, não gostou de saber por seus colegas da pergunta feita pelo Presidente. No dia seguinte, na hora do almoço, reunido com alguns repórteres disparou: " Ele (o Presidente) não deveria ter perguntado isso. Deve estar sendo influenciado pelo que sai na imprensa. Assim como nós somos em relação a ele. Na verdade nós também gostaríamos de perguntar muitas coisas ao Presidente ". "O que, por exemplo?", perguntou um repórter da TV Bandeirantes. Ronaldo deu um sorriso de lado e se saiu muito bem: "A imprensa vive dizendo que ele (o Presidente) bebe pra caramba. Ele bebe? Tanto é mentira que eu estou gordo como deve ser mentira que ele bebe pra caramba".
Na verdade, Ronaldo frisou que era proibido fazer perguntas ao Presidente na videoconferência. E que, se fosse possível, todos nós (brasileiros, no caso) gostaríamos de lhe fazer muitas perguntas. O sorriso de lado e o olhar do jogador expressaram muito bem a que tipo de perguntas ele estava se referindo. É por isso que, diante da insistência do repórter, bem ao contrário de Lula – que não pensa antes de falar -, Ronaldo saiu-se com a estória da bebida. Mostrou que sabe jogar muito bem fora de campo também.
Seria ótimo se a Seleção Brasileira fosse ganhando os jogos, animando a torcida aqui no Brasil e chegasse à vitória final, sagrando-se hexacampeã e, como na Copa de 1994, quando abriram uma faixa dedicando a conquista do mundial ao então recentemente falecido Ayrton Senna, nosso herói da Formula 1, levantassem, este ano, uma outra faixa dizendo: " Essa Vitória E Mais Essa Estrela São Verde E Amarela. Não Vermelha".
Christina Fontenelle
9/06/2006
Ah! Tá bom, agora eu entendi! O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, mais conhecido como advogado do PT, esteve com o controlador do Opportunity, Daniel Dantas, no último dia 17, para mais um daqueles famosos encontros “vamos esquematizar”, na casa do Senador Heráclito Fortes (PFL-PI), um dos coordenadores da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), supostamente de oposição.
Nessa altura do campeonato, “esquema” já não é mais novidade. Mas, na casa da oposição?! Na verdade, quando o nome do ex-Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi o escolhido do PSDB para disputar a próxima eleição presidencial, que eu costumo chamar de eleição para o cargo de Supervisor-Chefe da Venda do Brasil, ficou uma estranha sensação de precipitado suicídio político.
Afinal, o que poderia estar passando pela cabeça daqueles que comandam o PSDB ao escolher um candidato cuja filha mais velha, por exemplo, a jovem advogada Sophia Alckmin (25 anos), é gerente de novos negócios da Daslu, a butique mais chique do Brasil (envolvida em escândalos de sonegação fiscal)? “Chiqué” esse, aliás, que vai de encontro ao símbolo mor da “pobreza no poder” (ainda que há muito tempo falsa) que é o candidato da oposição, Luiz Inácio Lula da Silva - uma bandeira, inegavelmente mais popular.
Isso para não falar do escândalo que, já em setembro de 2005, levantou a suspeita de que a filha do ex-governador teria agilizado a concessão do chamado "regime especial" à Daslu, através do qual várias lojas do complexo passaram a utilizar um único caixa para realizar as cobranças e emitir os respectivos comprovantes fiscais - mecanismo que seria utilizado pela empresa para burlar a fiscalização e sonegar impostos. E ainda outras coisas que vão pipocando aqui e ali, como vestidos da Primeira-Dama e ligações “naturebo-acupunturísticas” entre as famílias de Alckmin e de seu guru oriental, o médico Jou Eel Jia, cujos filhos têm em comum uma empresa de produtos naturais, que vem lucrando com o receituário do doutor e com a fama que o acupunturista vem desfrutando desde que sua revista, a "Ch"an Tao", recebeu R$ 60 mil em publicidade da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, em 2005, e que um convênio com a Secretaria Estadual de Educação, assinado em novembro de 2003, permitiu o treinamento de professores em técnicas de meditação chinesa.
Eu diria que talvez tenha havido um pouco de má vontade em relação aos trabalhos de seleção dos possíveis pré-candidados do PSDB, uma vez que havia alguns bons nomes como os do Senador Arthur Virgílio (Amazonas) e do Deputado Federal Gustavo Fruet (Paraná) que tiveram uma boa projeção nacional depois da atuação na CPI dos Correios e em outros inúmeros episódios que suscitaram suspeitas de corrupção envolvendo o governo do PT nos quatro anos de governo. Propaganda gratuita da qual muitos souberam tirar proveito, como é o caso da Senadora Heloísa Helena, que será candidata à Presidência pelo PSOL.
Enfim, boa parte dos que costumam analisar o que se passa no universo da política e que não têm compromisso nem financeiro nem ideológico com Lula, candidato à reeleição, partiu para apoiar o que parecia ser a única opção capaz impedir a provável permanência do atual Supervisor-Chefe da Venda do Brasil no cargo que ocupa, por mais 4 anos.
Outros ficaram calados. Alguns perderam tempo analisando pesquisas, relacionando probabilidades e elocubrando sobre possíveis coligações político-partidárias. Outros permaneceram calados. O tempo foi passando e começaram a surgir os primeiros questionamentos um pouco mais sérios sobre os erros e acertos na opção do PSDB. O melhor deles, na minha opinião, foi o da jornalista Liliana Pinheiro, da Primeira Leitura, no artigo “O Zen-Nadismo” (http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=7419). E ainda outros continuaram calados.
Entretanto, depois do episódio do dia
Parece que o PSDB lançou um candidato que não se empenha em apoiar, para fingir que pretende emplacar o próximo nome na presidência da República. Não pretende. Em nome daqueles para os quais governam (as transnacionais globalistas), precisam deixar que Lula (que governa para as mesmas entidades) fique mais 4 anos na presidência (que eu insisto em chamar de cargo de Supervisor-Chefe da Venda do Brasil).
Alckmin circula pelo país mendigando apoio e clamando por uma notoriedade que nunca chegará porque a mídia permanece dando uma cobertura, digamos, institucional ao que faça ou fale o candidato – aquela que a gente chama de “pronto, já divulguei a nota!”, que entra nos intervalos do que se considera notícia. A não ser quando se trata de falar sobre o suposto envolvimento do candidato em falcatruas ou para criticar seu posicionamento em relação aos grandes acontecimentos nacionais, como no caso da tomada da Petrobras pela governo de Evo Morales, na Bolívia, ou no da tomada de SP por ataques do crime organizado. Nestes casos, as declarações de Alckmin são enfadonhamente polidas e previsíveis: “este é um assunto suprapartidário, de interesse nacional, que não pode ser usado para disputas eleitorais... etc.”.
O próprio Ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, sempre em destaque na mídia e que já apareceu numa série de programas de entrevistas, entre eles o Programa do JÔ (Globo) e o Canal Livre (Bandeirantes), só fala de Alckmin e/ou cita seu nome, se não puder referir-se a ele com um genérico “PSDB”.
Sobre as íntimas e ocultáveis relações entre PSDB e PT, como se os dois partidos não estivessem comprometidos com um projeto de continuidade de venda e esquerdização do Brasil, a maior das pistas (os jovens diriam que foi “a maior bandeira”) foi dada por Jorge Lembo, atual Governador de São Paulo, por ocasião da reação do governo do Estado aos ataques do crime organizado (que insistem em dizer – as autoridades e a mídia - estarem somente sob a batuta do PCC, graças ao telefone celular).
Lembo e Lula orquestraram, em perfeita sintonia, a manobra que matou dois coelhos com uma só cajadada: expuseram ao mundo, uma SP que disseram ser refém do mau governo de Alckmin e ainda culparam a mitológica figura da burguesia branca. É bem verdade que, ao mesmo tempo, xingaram todos os pobres do Brasil de criminosos, mas isso não causa desconforto aos dois personagens, uma vez que têm absoluta convicção da burrice e da ignorância da pobretalha que costumam usar como objeto de manobra para acondicionar o país aos moldes que precisam para se eternizar no poder.
Vale esclarecer um detalhe. Quando Lula se refere às elites ou Lembo à burguesia branca, não estão a falar daqueles mega-empresários de negócios lícitos e ilícitos que estão por trás do financiamento do projeto de poder da esquerda comuno-populista, ou dos que se beneficiam dele e que por isso tem seu silêncio comprado. Na verdade, estão falando do que ainda resta de pequenos e médios empresários, de profissionais liberais razoavelmente bem sucedidos e daqueles que a duras penas (muito trabalho e muito estudo) conseguiram bons empregos no funcionalismo público, nas empresas nacionais ou nas multinacionais. Ou seja, estão se referindo aos que trabalham e pagam impostos. É esse pessoal que eles querem que fique num patamar de igualdade (nivelado por baixo, é claro) com o que chamam de massa pobre do país. São deles os bens e o dinheiro que querem usurpar para dividir.
Então, ficamos assim: no circo da falso-democracia-populista, os brasileiros descobrem que não têm em quem votar e, pior que isso, são obrigados a ir às urnas para corroborar essa falsidade democrática escancarada.
Christina Fontenelle
24/05/2006
Evo Morales faz a festa na Bolívia. O índio subiu assustadoramente na opinião pública boliviana, e nas eleições para a Assembléia Constituinte da Bolívia, que será eleita em 2 de julho, vai fazer a maioria que precisa (no caso, esmagadora) para modificar a Constituição boliviana nos moldes da que foi feita na Venezuela.
Já se sabe que Morales vem ameaçando expropriar terras de estrangeiros, ainda que produtivas. Dias (2 ou 3, no máximo) antes da eleição, ele cumprirá a ameaça, que cairá como uma bomba no colo de Lula: expropriará as terras dos brasileiros que plantam soja - responsáveis por toda a exportação agrícola boliviana. Escândalo e indignação no Brasil!
O Governo brasileiro reage assim que Morales tiver assegurado a maioria na Assembléia, depois das eleições – quem sabe até no mesmo dia, depois da apuração. Lula vai à televisão, em rede nacional, e fala que, diante da gravidade dos fatos, tomou a difícil decisão de cortar relações diplomáticas e comerciais com a Bolívia ( o que inclui a importação de gás e acaba de vez com o dinheiro da Bolívia), e alerta para os tempos de dificuldades que os industriais paulistas terão, pois precisarão substituir o gás boliviano.
Diante de reação tão contundente, a Bolívia volta atrás, mas não apenas como tem feito ultimamente, com blá blá blá de foi tudo um mal-entendido. Desta vez, “humildemente”, o índio não só confessa ter passado dos limites, como também, “em consideração ao bom samaritanismo com que foi tratado por Lula, durante toda a crise com a Bolívia”, fará muito mais que isso: devolverá a Petrobrás e as terras expropriadas a seus donos - até mesmo a siderúrgica do Eike.
Os “brasileiros” saem às ruas, com camisas verde-amarelas, e bandeiras vermelhas, saudando a coragem do Presidente e a derrota das pretensões do índio boliviano – que agora volta ao lugar que lhe cabe. Desta vez, ninguém terá medo de ir às ruas, já que as comemorações serão bastante incentivadas pela grande parte da mídia vendida e já sabidamente parceira de Lula e do PT, mostrando uma enchente de matérias de gente cantando, brincando e sorrindo. Quem sabe, até a vitória do Brasil na Copa do Mundo já esteja pra lá de “acertada” para dar um quê a mais de embevecimento popular, fazendo com que Lula e vitória estejam associados no “consciente coletivo” daqueles que irão às urnas, logo ali, em outubro de 2006. Um show de populismo cubano-chavista!
Enquanto isso, Lula, Chávez e Morales, em Cuba, ao lado do grão-mestre Fidel, comemoram o sucesso dos planos do Foro de São Paulo, às gargalhadas dos súditos idiotas.
Quem avisa amigo é! Para que isso não venha a acontecer só há uma chance: escancarar os planos antes que venham a se concretizar – colocar a boca no mundo!
Christina Fontenelle
15/05/2006
Tem gente que diz que Deus é brasileiro. Olha, no fundo, a gente sabe que não é; mas que “milagres de última hora” sempre acabam livrando esse país de males maiores, isso lá tem parecido ser verdade sim, e eles vêm acontecendo na história do Brasil, desde que os portugueses informaram ao mundo que haviam descoberto esta terra em que hoje vivemos.
Não é que quando parecia que os planos do Foro de São Paulo estavam sendo concretizados, um por um, e o Brasil caminhava para uma situação em que talvez fosse difícil evitar um conflito armado para retomar os caminhos da democracia, um índio boliviano resolve deixar de lado “essa balela de gramscianismo” e partir para uma ação tribal – mais de acordo com a sua personalidade e com a sua maneira de entender o mundo. Nada mais coerente. O índio avisou...
O Presidente da Bolívia, Evo Morales, pensa que comanda uma tribo, dentro de uma imensa reserva florestal muito rica em petróleo e gás. Cansou de trocar sua riqueza por espelhos e miçangas. O índio fez uma confusão danada com toda essa teoria revolucionária que colocaram na cabeça dele e, como diria um famoso personagem de novela, “foi logo para os finalmente”: nacionalizou a exploração dos negócios de petróleo e de gás e ocupou com tropas do Exército boliviano os campos de produção das várias empresas estrangeiras, inclusive os da estatal brasileira Petrobras.
O que há de bom nisso? Trouxe os planos do Foro de São Paulo (inclusive para aqueles que fingiam ignorar a sua existência) para as primeiras páginas dos jornais do mundo todo, ainda que sob as manchetes da nacionalização. Ficará difícil para o colega Luiz Inácio Lula da Silva fingir que, junto com a turma do Foro (Fidel, Chávez, Kirchner, etc.), não tenha se empenhado pessoalmente (e financeiramente) para colocar Evo Morales na presidência da Bolívia – há um imenso arquivo de imagens e declarações espalhadas pela imprensa. Não haverá análise da situação que possa fugir do contexto do Foro de São Paulo.
Cai o pano que encobria as verdadeiras intenções de homens como Hugo Chávez que, à frente de Fidel Castro, pretende fazer da América Latina uma agremiação populisto-ditatorial a serviço do que chamam anti-imperialismo norte-americano. Com o dinheiro do petróleo venezuelano, Chávez vem financiando a ascensão de líderes comunistas (todos participantes do Foro de São Paulo), disfarçados de democratas, para formar a grande aliança latino-americana. Todos esses líderes governam sob as orientações e para os objetivos do Foro. São Chefes de Estado que passam por cima dos interesses de seus países para favorecer os objetivos da revolução bolivariana.
No caso do Brasil, os problemas com os investimentos da Petrobras, na Bolívia, vêm se arrastando há mais de um ano (aliás, desde os primeiros investimentos da empresa brasileira, ainda sob o governo de FHC, em 1995). Para as operações da Petrobras, na Bolívia, o Brasil não possui acordo de proteção de investimentos, que são controladas por uma subsidiária holandesa - PIB-BV. Este procedimento resguarda capitais aplicados mutuamente entre os signatários, fixando garantias de que o investidor poderá recorrer a uma corte internacional para se defender e reivindicar ressarcimentos. Por outro lado, como a Holanda possui acordo de proteção com a Bolívia, a Petrobras poderá se valer disso.
“Temos um acordo de confidencialidade com a Bolívia para não fazer debates públicos” – foi a frase proferida por José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, no final de março deste ano, referindo-se a um pacto de camaradas estabelecido entre ele e Evo Morales, quando estiveram
O Presidente da Bolívia havia garantido que o Brasil receberia tratamento preferencial no processo de renegociação de contratos de concessão das jazidas de gás e de petróleo, como também no de comercialização dos produtos. Parece que as coisas mudaram e, agora, para os venezuelanos, os brasileiros são imperialistas, que sempre trataram a Bolívia como uma “colônia". Será verdade alguém mudar tão rapidamente de posição assim? Tudo parece levar a crer que Hugo Chávez tenha traído o camarada Lula, já que, depois da reunião com Evo Morales e Fidel Castro, em Havana, ficou decidido que quem assumiria os investimentos estatizados da Petrobras na Bolívia seria a PDVSA - estatal venezuelana. O caso pode afetar as negociações para a aquisição e socorro à Varig, que interessava aos venezuelanos, e também a ajuda de Chávez para a campanha de Lula, para a qual já teria doado U$ 4 milhões.
Senhores, cabe uma reflexão: estaria o índio imbuído de espírito suicida? Estaria Hugo Chaves abrindo mão da parceria com o Brasil do camarada Lula? Acho que não. Talvez as coisas sejam diametralmente opostas a aquilo que pareça óbvio.
Não me parece que, também nesse caso, o Presidente não soubesse de nada. O problema não é tão repentino assim. Por outro lado, a diplomacia brasileira apóia, ainda que não oficialmente, a nacionalização de setores estratégicos por parte do governo boliviano. O Itamaraty sempre fez questão de deixar claro que o governo brasileiro não estava preocupado com o processo de nacionalização dos recursos naturais da Bolívia. O pacto de silêncio entre a Petrobras e Evo Morales se deu exatamente dentro deste contexto. Não há verossimilhança no quadro de gravidade que se apresenta diante dessa crise entre Bolívia e Brasil.
Há poucos dias, esteve em destaque no noticiário a expulsão da empresa siderúrgica do empresário brasileiro Eike Batista, a EBX, do território boliviano. O Governo de Lula ficou em “cima do muro” e disse que havia questões de legalidades envolvidas, coisa e tal... A EBX saiu da Bolívia e ainda corre o risco de não recuperar nem ao menos o material que ficou por lá. O fato é que o episódio deu o que falar e escandalizou a opinião pública brasileira, que pôde perceber que talvez haja coisas bem piores do que “mensaleiros” e “quebras de sigilo bancário”. Enfim, desviou um pouco o foco das atenções da imprensa da “quadrilha petista”. Imaginem se o caso fosse com a Petrobras? Bom, agora foi com a Petrobras.
Bem, então, ou o Presidente da Bolívia destruiu o trabalho de anos de idealização e construção do projeto de poder dos movimentos populisto-comunistas para a América - Latina, com um jeito suicida e tresloucado de ser, ou as conseqüências que cito abaixo se auto-explicam:
Bem, eu tenho certeza de que o tal “milagre” que tem salvado o Brasil, “aos 45 do segundo tempo”, em questões de grande aflição nacional, vai acontecer sim, só que ainda não foi dessa vez.
Christina Fontenelle
2/05/2006
Por Trás do Óbvio II
No primeiro artigo eu levantei uma suspeita. Agora, podemos ter certeza. Depois da publicação do artigo de Olavo de Carvalho, “Os Inventores do Mundo Futuro” (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4819), e de receber algumas informações, foi só juntar a fome com a vontade de comer.
Resumo: “nada dos acontecimentos políticos locais pode ser explicado sem referência ao novo esquema de poder que está se formando no planeta... O apoio descarado das fundações globais bilionárias a movimentos revolucionários como o MST é o fato fundamental que vai determinar o destino nacional nos próximos anos... o sucesso no plano do Foro de São Paulo, a implantação da URSAL, União das Repúblicas Socialistas da América Latina, não somente não se opõe em nada aos objetivos do globalismo, mas contribui decisivamente para eles, fomentando uma integração regional...” (Olavo de Carvalho). Junte-se a isso, a seguinte informação: para controlar os negócios com o “ouro negro”, as oligarquias globalistas, sob a figura de Hugo Chávez, preparam-se para criar uma grande e única empresa, fundindo a PDVSA (Venezuela), a YPFB (Bolívia) e a Petrobras.
A grande questão nisso tudo, pelo menos para quem gosta de “filosofar” é saber se todos os homens que estão por trás destas manobras globalistas tem consciência do que estão fazendo ou se são meros inocentes úteis, já que seus discursos não combinam em nada com os resultados finais daquilo que estão contribuindo para construir, uma vez que, como bem disse o artigo de Olavo de Carvalho, a América Latina ficará sempre e cada vez mais dependente dos bancos internacionais – o que não condiz com os sonhos megalômanos de hiperliderança de homens como Hugo Chávez, por exemplo, que pretende ser rei e não súdito.
No artigo anterior, eu disse que o Foro de São Paulo não estava em crise coisa nenhuma e que tudo se resolveria com a intervenção “conciliadora” do Presidente da Venezuela. Disse também que o Palácio do Planalto e o Itamaraty apoiavam as nacionalizações de Evo Morales, na Bolívia. Portanto, em nada surpreendeu a decisão do Governo de sentar à mesa para discutir a melhor solução comercial para a Petrobras (e para o Foro) diante do fato consumado. As pessoas não entendem, a oposição grita no Congresso e na imprensa, mas de nada adiantará. Disse também, no artigo, que Hugo Chávez não sairia da estória como traidor – e não sairá.
A nota do Palácio do Planalto não deixa dúvidas: “a decisão do governo boliviano de nacionalizar as riquezas de seu subsolo e controlar sua industrialização, transporte e comercialização é reconhecida pelo Brasil como ato inerente à sua soberania”. Até mesmo as organizações dos trabalhadores do setor petrolífero apóiam a decisão da Bolívia de expropriar uma parcela dos bens de empresas estrangeiras no país, segundo o próprio coordenador da Fundação Única dos Petroleiros (FUP) que disse que a decisão de Evo Morales é legítima e sábia. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já adiantou que a empresa não vai parar de operar na Bolívia, apesar da expropriação de partes de seus bens. Segundo ele, o aumento de impostos sobre a produção e comercialização de gás incidiria apenas sobre o mercado interno boliviano, não pressionando o preço do gás boliviano distribuído no Brasil - de modo que a Petrobrás terá, sim, uma perda de rentabilidade, mas somente naquele mercado.
Morales já garantiu que o Brasil não terá nenhum problema com o abastecimento de gás e que os preços não vão subir assustadoramente, como temem alguns empresários brasileiros. Nessa estória toda, bem pior do que a do Brasil está a situação do Chile, que não receberá nem um metro cúbico sequer do gás boliviano, enquanto não atender às já antigas reivindicações da Bolívia de uma saída para o mar.
O Presidente Lula, que sempre governou pelo e para o Foro de São Paulo não surpreende ao dizer que aquele “povo sofrido da Bolívia” tem todo o direito de ter mais poderes sobre suas riquezas, embora também tenha dito, para parecer que governa em prol do Brasil, que "o fato de os bolivianos terem direitos não significa negar o direito do Brasil" e completou: "Não vamos descobrir uma arma qualquer na Bolívia para justificar uma briga com o país", em óbvia referência à principal razão alegada pelo Presidente dos EUA, George W. Bush, quando invadiu o Iraque com tropas militares norte-americanas.
Nas comemorações do Dia do Trabalhador, Lula, discursando na igreja matriz de São Bernardo do Campo, disse que o seu julgamento “não pode ser feito pelo baixo nível da disputa pela imprensa, tem que ser feito pelo comportamento do povo. São vocês que vão julgar quem é quem na política brasileira”. Bem, senhor Presidente, como se já não bastasse tudo o que nós brasileiros já tenhamos visto a seu respeito, agora, depois da sua lamentável e indisfarçável demonstração de subserviência a interesses supranacionais, certamente ficamos sabendo um pouco mais sobre quem é quem.
Já está mais do que na hora de entendermos, de uma vez por todas, que o antiamericanismo do qual Hugo Chávez é o porta-voz – na linha direta de sucessão de Fidel Castro –, na América Latina e Caribe, é o mesmo do qual são vítimas a sociedade e o Estado norte-americanos, que devem e precisam ser dissolvidos em nome do Império Global. Como é quase lei que os governantes que se sucedem no governo dos EUA sejam homens compromissados com as oligarquias globalistas, eles acabam por confundir o mundo em relação a o que seja feito em nome do Estado norte-americano (e em prol deste) com aquilo que é praticado e orquestrado em nome dos globalistas.
“Por enquanto, a multidão ainda não atinou com a unidade estratégica por trás de mutações catastróficas de escala global que aparecem na mídia idiota como frutos espontâneos da metafísica do progresso. Aos poucos, a identidade dos agentes por trás do processo vai aparecendo...” (Olavo de Carvalho)
Christina Fontenelle
3/05/2006
O Documentário “Falcão – Meninos do Tráfico”, de MV Bill e de Celso Athayde, com edição de imagens, produção executiva, roteiro e edição final da Rede Globo é muito bom sim. Não há dúvidas de que foi um trabalho difícil, sério e realista. Não se propõe a abranger todos os problemas do tráfico, nem todos os problemas das favelas e nem todos os aspectos da violência urbana. Limitou-se a mostrar a vida de um grupo específico de pessoas que trabalham para o tráfico e vivem sob sua influência direta. Foi perfeito: conciso, direto e, dispensando explicações, deixou que o discurso dos personagens e as imagens falassem por si mesmas. O trabalho, sem dúvidas, merece respeito.
Entretanto, não há como fazer análises sociológicas, filosóficas ou religiosas conclusivas a partir somente do filme
Infelizmente, poucas coisas ainda podem chocar o telespectador brasileiro, que assiste diariamente nas telas de TV a uma infinidade de atrocidades bárbaras que são mostradas nos telejornais e nos filmes de ficção. No caso específico do que foi mostrado no documentário, o filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e o seriado Cidade dos Homens, da Rede Globo, já mostraram situações parecidas e outras tantas até bem piores.
E é uma pena que este filme seja exibido somente agora, com anos de atraso, numa sociedade onde já esteja acontecendo o que falei, no artigo anterior a este - TRANSFORMADO PELO COITADISMO - sobre os fenômenos decorrentes do coitadismo inconseqüente que tomou conta das diretrizes políticas, econômicas e sociais dos sucessivos governos deste país. E é uma pena também que o documentário chegue às telinhas nas circunstâncias em que o choque que poderia provocar nas pessoas seja infinitamente menor do que o que provocam as atrocidades ditatoriais cometidas pelo atual “Desgoverno” do PT. Violar o sigilo de uma conta bancária à revelia de qualquer autorização judicial, provando estarem as Instituições TODAS a serviço de um partido que está no Governo, constitui muito mais perigo e gravidade para o país do que o que foi visto no filme de MV Bill.
Algumas considerações são importantes a respeito do que se viu, ou do que não se viu, no documentário. E, naturalmente, sobre o momento escolhido para exibí-lo:
O “cara” (o MV Bill) é bom. É do tipo que nasceu com os genes da inteligência e, por isso mesmo é bom, forte, talvez até bem intencionado. O trabalho que ele já incentiva e gostaria que fosse feito nessas comunidades é o mesmo que milhões de brasileiros gostariam de ver realizado e até mesmo de fazer por conta própria. Bill diz que não sabe como resolver o problema, que acredita que ninguém saiba mais o que nem como fazer. Mas, o que todo mundo sabe, com certeza, e inclusive ele, pela sua inteligência, é que não há muito mesmo o que se possa fazer, enquanto essas comunidades estiverem sob o domínio do crime. É imperativo que o crime saia para que a sociedade e o Estado possam entrar.
Culpar toda a sociedade pelo atual estado de coisas é muito fácil, mas esse discurso já não convence mais ninguém. “Toda a sociedade uma vírgula!”. Há milhares de cidadãos que trabalham neste país que doam anualmente 4 meses de salário para que o governo trate de melhorar a vida não só outros dos cidadãos, mas de toda a população. Sem falar que o brasileiro assalariado paga imposto de renda sobre uma coisa que efetivamente não é renda – é salário – e ainda é extorquido com taxas criadas “emergencialmente” (mas que na realidade nunca são extintas) para fins específicos, como a CPMF, por exemplo, que acabam tornando-se instrumentos de arrecadação para outras finalidades que não as que deram origem à sua criação.
Periodicamente a população vai às urnas renovar os quadros políticos na esperança de que alguma coisa mude. São vítimas indefesas de mentirosos compulsivos e inimputáveis – não só por não cumprirem o que prometeram, mas por roubarem mesmo. Que poder tem a sociedade, hoje em dia, sobre o que é imposto – veiculado - pela mídia? Essa sim tem posturas extremamente duvidosas em relação ao que seria indispensável à construção de uma sociedade livre e mais saudável. Toda a sociedade “uma ova”! Incluam-se a mídia e os políticos inescrupulosos, as ONGs (financiadas por oligarquias globalistas), os cidadãos desonestos (do pobretão ao mega-empresário) e o Estado omisso e condescendente. Entretanto, excluam-se aqueles que trabalham e cumprem com as obrigações de cidadão. E excluam-se também aqueles que há anos vêm levando fama de “reacionários de direita” por estar denunciando as práticas de todos os “incluídos” – diga-se de passagem sem nenhum apoio moral e muito menos financeiro de mega-empresas como a Globo.
Quando o rapper disse aos jornais que as comunidades precisam ser invadidas pelo exército, “não o Exército das Forças Armadas, mas por exércitos de professores, de ONGs e de gente querendo ajudar”, correu o risco de associar seu trabalho à campanha revanchista da mídia contra as FFAA. E é claro que todos nós supomos que não seja esse o objetivo – do MV Bill, pelo menos, porque, quanto à Rede Globo, a campanha contra as FFAA já é pública e notória e, é lógico, a emissora não poderia perder a chance de usar um trabalho desses como mais uma de suas covardes ofensivas, mais especificamente contra as investidas do Exército, nas duas últimas semanas, em várias favelas da cidade, buscando encontrar armas roubadas de um quartel. Muitas pessoas até chegaram a acreditar que essa teria sido a “hora certa”, escolhida pela emissora, para transmitir o documentário, para rechaçar, de vez, a idéia, tão apoiada pela população, de usar as FFAA no combate ao narcotráfico.
Mas, não se enganem, a Globo apenas uniu o útil ao agradável e não dispensou a oportunidade, mesmo que isso pudesse abalar a seriedade e deturpar as reais intenções do documentário. Os motivos da exibição do filme, neste exato momento histórico, poderiam ser bem mais maquiavélicos do que parecem. É só parar e racionalizar “tudo, ao mesmo tempo, agora”:
Se: 1) as favelas são Estados paralelos governados pelo tráfico, sem que nenhuma força policial possa acabar com essa situação... 2) nenhum aparato estatal pode resolver o problema da violência e da exclusão das crianças e jovens que vivem nessas comunidades...3) as centenas de ONGs que desempenham o papel de intermediárias entre as comunidades e os Estados, realizando uma infinidade de projetos em prol das pessoas que ali habitam, provaram já, em tantos anos de trabalho, que não dão conta de solucionar o problema...4) o trabalho voluntário de tantos cidadãos, muitos deles bem conhecidos, apesar de sua extrema importância, não consegue dar conta de tanta carência...5) à nenhuma das crianças “abandonadas” poderá ser dada uma família...6) a intervenção militar das FFAA é condenada pela mídia, pelas ONGs, pelo Ministério Público, etc...Qual será o próximo primeiro pensamento: Por que essas pessoas simplesmente não param de ter filhos que não podem criar?
Pode ser por aí! Talvez seja exatamente para onde queiram direcionar o pensamento da população. Vários artigos veiculados no MSM já têm alertado sobre as pesadas investidas da esquerda internacional globalista em campanhas mundiais para a legalização do aborto. Podem estar preparando terreno...Quem viver, verá!
Christina Fontenelle
23/03/2006
A classe média brasileira tem que parar de ter vergonha de assumir seus valores, seus objetivos e proclamar, orgulhosa, aos quatro ventos, seu direito de existir, passando a valorizar e a exercer os poderes que de fato tem. No limite entre ascensão e queda, se não se mobilizar – agora – caminhará inexoravelmente para a extinção.
Na infinidade de cálculos e tabelas que tentam desenhar o quadro social do Brasil, parece haver a recusa em descrever o óbvio (mesmo que, semanticamente, isso pareça redundância): a classe média, como costumava ser identificada, em três categorias (alta, média e baixa) está desaparecendo. A polarização está cada vez mais evidente e ficaria bem mais de acordo com a realidade se as estatísticas revelassem apenas duas classes – os ricos e os pobres – com suas respectivas subdivisões. Teríamos, então, numa ponta, três categorias: milionários, ricos e emergentes; e, na outra ponta, quatro categorias: sobrevivente, pobre-emergente, pobre-decadente e miserável. Sendo que o abismo que separa os emergentes, da primeira classe, dos sobreviventes, da segunda, é gigantesco.
Não se trata apenas de um fenômeno financeiro. A ascendência do pensamento e dos valores socialistas sobre a mídia, as religiões e as instituições de ensino - do maternal ao doutorado – fez com que a classe média perdesse sua identidade, na medida em que suas aspirações sócio-econômicas passaram a entrar em confronto direto com o pensamento filosófico dominante, disseminado pela ditadura do politicamente correto – que amordaça e algema aqueles que pretendem partir da realidade, dos fatos e da natureza humana, para buscar caminhos mais justos e eficazes na solução dos conflitos da vida em sociedade.
Instalou-se a cultura do apadrinhamento parasitário dos pobres, como se fossem seres inferiores e incapazes, por natureza, e a da desaprovação da riqueza, como se ela fosse, em si, representativa do gosto pela injustiça social. A idealização da pobreza como símbolo de desprendimento e como provedora de nobreza espiritual está tão longe da realidade quanto desmerecer os méritos e esforços pessoais que possam conduzir a um conseqüente enriquecimento – exigindo, de indivíduos assim, a redistribuição “justa” de sua riqueza e não, dos governos, as mesmas oportunidades e recursos.
A mesma lógica de distorção da realidade fez com que o Estado brasileiro se transformasse num instrumento ora de justiçamento social, através, principalmente, da atuação da Justiça do Trabalho, ora de extorção, praticando a cobrança de taxas e impostos nitidamente abusivos – tanto pela quantidade como pelo valor – sob o pretexto da redistribuição das riquezas. Quando, na realidade, deveria estar muito mais voltado para garantir o máximo de igualdade possível, em termos de oportunidades.
Senão, que tipo de justiça é essa que acha que ao Estado cabe dispor da riqueza alheia – fruto do trabalho e da disposição ao risco e que, ainda por cima, emprega e contribui para melhorar as condições de vida de muitas pessoas – para distribuí-las aos pobres, sem que a estes sejam dadas as condições para sair da posição de eternos pedintes? Só há uma explicação plausível para a perpetuação deste tipo de atuação estatal: há muita gente ganhando com essa intermediação do Estado entre capital, trabalho e mão-de-obra excedente. Não se pode dar ao juiz a faculdade de criar as leis. Mas, isso já é outro assunto.
A discriminação da riqueza deixou livre a sua busca para os que, em sua maioria, são desprovidos de ética, de honestidade e de retidão de princípios. Sem o peso da culpa e de formação duvidosa, os novos ricos associaram a malandragem ao poder financeiro. Ao mesmo tempo, o desamparo por parte do Estado – por ausência, omissão ou por, muitas das vezes, até atrapalhar – explica, embora não justifique, o fato de que muitos dos que enriqueçam, neste país, soneguem impostos ou pratiquem uma série de delitos fiscais, não somente para que o negócio sobreviva mas também por julgarem o sistema injusto.
A pobreza só é meritória e engrandecedora – posto que libertadora – quando é opcional. Desde o religioso que se despe de bens materiais para levar a palavra de Deus aos quatro cantos do mundo até o sujeito que simplesmente quer levar a vida na “flauta”. São opções pessoais. Fora desse contexto, a pobreza não tem nada de belo ou enobrecedor – ao contrário: é triste, sofrida e castradora. Embora não seja, isoladamente, causadora de desvios de conduta, quando acompanhada de falta de instrução e de oportunidades, em um ambiente onde impere a “Lei do Cão”, é sim deformadora de conceitos pré-estabelecidos socialmente, como certo e errado ou justo e injusto.
Nesse balaio de desencontros, a riqueza nunca foi tão parecida com a pobreza em termos de visão de mundo e de incorporação, ao seu cotidiano, da prática corrente de delitos considerados permitidos, cada um em seu universo. A imagem do rico esforçado e trabalhador e a do pobre ingênuo, indefeso e honesto estão cada vez mais distantes – não é à toa que a evidência de qualquer um dos dois vira notícia. E a classe média? O que resta dela está flutuando no abismo cada vez maior entre os emergentes e os sobreviventes.
Assistindo, paralisada de horror, à sua transformação de profissional liberal ou servidor público, intelectualizado, em força-de-trabalho especializada, desprovida de recursos que lhe possibilitem acesso aos meios de aprimorar seu grau de instrução, trabalhando apenas para ter casa e comida, a classe média ainda não conseguiu sair do estado de letargia, embora comece a dar os primeiros sinais de conscientização em relação ao seu status de refém do pensamento socialista de esquerda e de vítima da ditadura do politicamente correto.
Sufocada pelo achincalhamento permanente de seus valores, sobrecarregada de impostos e abandonada pelo Estado, graças aos computadores domésticos e à Internet, a classe média vem formando guetos de resistência e começa a perceber que, apesar de ter respeitado a riqueza e de ter se solidarizado com a pobreza, não obteve o mesmo, em contrapartida, agora que se vê necessitada. Está só. Sua única chance de sobreviver está nas condições que ainda dispõe de buscar a verdade dos fatos e de encontrar uma maneira de se despir dos pudores que sente em se assumir como classe especificamente caracterizada, sem status de intermediária.
Um bom começo seria apropriar-se das técnicas de trabalho de defesa das minorias – coisa que o que resta da classe média já se tornou há muito tempo – e partir para colocar no Congresso, através do voto, candidatos que se declarem abertamente como defensores de seus interesses – coisa, aliás, bastante difícil, uma vez que envolvem, quase sempre, questões “politicamente incorretas”, como a valorização da família e dos princípios cristãos, o desmascaramento daqueles que insistem em fazer do Brasil um país de racistas e também daqueles que querem impor ao povo o delírio comunista – gentilmente apelidado de socialismo – e ainda outras, mais complexas, como combate ao assistencialismo, redimensionamento salarial, valorização da instrução como meio de ascensão sócio-econômica, etc.
Uma coisa é certa: não existem mais anjinhos inocentes no paraíso social. É cada um por si e a quem couber mais perspicácia e inteligência será dada a chance de concorrer à vitória. Ou a classe média sai do ostracismo ou desaparecerá do mapa social brasileiro.
Christina Fontenelle
Jornalista
17/01/2006
Quando Lula venceu as eleições presidenciais, a máxima do partido era dizer que a esperança tinha vencido o medo. Hoje, já se sabe que foram a lavagem cerebral socialista e a mentira que venceram a lucidez e o discernimento. Foi a colheita de anos de permissividade à pregação ideológica comunista. Não havia mais medo a ser vencido, mas uma ignorância a ser conquistada. O medo, agora sim, é que mantém o governo do PT onde está. A falta de escrúpulos, a atuação mafiosa, o poder de coerção e as provas que o partido vem dando de seu profundo domínio sobre as instituições e as áreas de poder acovardam as oposições, calam os intelectuais e impõem ao povo a inércia da desesperança.
Diante da resistência do governo perante o desmascaramento de sua atuação criminosa, com a conivência das instituições e de boa parte dos nossos duvidosos formadores de opinião, o medo de reagir soma-se à capacidade de fuga, característica da sobrevivência individual, permitida pela ilusão materialista de certa estabilidade econômica. Alimentar os donos do capital com o que lhes convém – o dinheiro – compra seu silêncio e o salvo-conduto para continuar agindo, mesmo que um dia seja para destruí-los, antes que possam esboçar reação.
Como bem disse o presidente Lula, Palocci é fundamental – não se referindo especificamente à esta missão, é claro, mas ao engodo da manutenção da estabilidade econômica. O ministro passou no teste da falta de confissão assinada, como a única prova que poderia incriminá-lo, em relação ao seu envolvimento em alguns graves casos de arrecadação ilegal de dinheiro para o PT. Se não passasse, poderia ser afastado sob pretexto de discordâncias com Dilma e Alencar. Palocci é imprescindível para manter o silêncio e a ilusão do capital, mesmo diante do terrível quadro de corrupção e do visível crescimento do populismo comunista na América Latina.
O custo da omissão – o que, nesse caso, infere um caráter de conivência - daqueles que poderiam agir, em bloco, para desestruturar o verdadeiro esquema de assalto ao poder, por parte dessa esquerda comunisto-populista, é a entrada do país num caminho de retrocesso inimaginável, em todos os níveis e setores da sociedade, com conseqüências desastrosas, na medida de seu grau de irreversibilidade. Dos fenômenos econômico-sociais que estão ocorrendo, em completa oposição aos desejados rumos que levariam ao desenvolvimento de primeiro mundo, o Brasil vem transformando sua classe média em força-de-trabalho desintelectualizada, os pobres em arma de luta de classes e mudando de mãos o dinheiro, que transforma em ricos, cada vez mais, os agentes da ilegalidade e da pobreza intelectual, de berço ou adquirida.
O medo, a sensação de impotência, a certeza da imputabilidade criminal dos envolvidos em escândalos de corrupção e a “descompensação” da honestidade e do crescimento intelectual vão se alastrando pela sociedade brasileira, como tão certos quanto a morte – incombatíveis –, calando e paralisando, um a um, aos que esboçam reação, acovardando até mesmo instituições inteiras, abafando os ecos da verdade suja que todos, bem lá no fundo, sabem qual é. Almas vendidas ou vencidas inventando realidades e afazeres para fugir da culpa e justificar a consciente covardia.
Ainda há os que acreditem que o PT e associados deixarão o poder pelas urnas. Pois convém que comecem a refletir que não foi à toa que o PT passou pelo vexame de engolir a esmagadora vitória do SIM, no referendo sobre um dos artigos do Estatuto do Desarmamento. Serviu para duas coisas: 1) foi o teste para saber que o partido vai precisar de muito mais do que discursos, bolsa família e mentiras para se perpetuar no poder, através do resultado das urnas; 2) criou um forte argumento para sustentar a segurança das verdadeiras caixas-pretas que são as urnas eletrônicas, sem voto impresso – esse assunto, que sempre repito, ainda é tabu, no Brasil, merece um artigo só para ele. Juntando-se a isso, não se pode esquecer do afastamento “blindado” de Delúbio Soares, Silvinho Pereira e José Genoino. José Dirceu continua na ativa e voltará – é só aguardar.
Se houver fraudes nas eleições de 2006, será muito difícil tomar alguma atitude para reverter seu resultado. Argumentos fortes para garantir, com verossimilhança, a legitimidade do resultado das urnas, não faltarão, pois foram construídos com o sacrifício de cortes na própria carne. Não se sabe, com segurança, o grau de penetração do PT e associados no secretíssimo mundo da programação das urnas eletrônicas – cada vez mais fechado e inacessível. Auditorias e conferências, sob às ordens do Judiciário, não são mais garantias de vitória da justiça.
Estão aí os entraves enfrentados pelas CPIs, para confirmar o que há de mais duvidoso em relação à independência do Judiciário, que muitas vezes tem atuado francamente como instrumento advocatício do PT. Casos de fraudes em documentos bancários, como os do Banco Rural, por exemplo, que não poderiam ter acontecido, sem a participação, ou mesmo devido a uma ineficiência imperdoável do Banco Central, eram uma possibilidade impensável antes deste governo; e aconteceram, até agora, impunemente.
O brasileiro entra em 2006 com gosto amargo de retrocesso, impotência e abandono, vítima dos caminhos socialisto-populistas de governantes que atuam em função dos objetivos e interesses supranacionais do Foro de São Paulo, aguardando a implosão completa dos sonhos de liberdade democrática e de economia de mercado, em vias de se tornar um grande bloco socialista latino-americano, que certamente se renderá às forças imperialistas da esquerda internacional – sejam elas norte-americanas ou chinesas.
Na economia, a despeito das reportagens intencionalmente otimistas e da divulgação dos resultados de pesquisas que quase sempre escondem dados que acabam por distorcer a verdade, a realidade das ruas mostra uma situação sintomática de países que estão bem longe dos chamados desenvolvidos. A época das festas de Natal e Ano Novo é o termômetro de como andou a vida econômica do povo durante o ano. E o resultado não contrariou o óbvio: a economia informal e a ilegal cresceram a olhos vistos, provocando a falência do pequeno, médio e até do grande empresariado, empurrando mesmo alguns para a prática de ilegalidades.
O Natal foi magro e a maratona de comércio, aberto 24 horas, nos últimos dias que antecederam à comemoração, foi inútil. Dessa vez, as pessoas não compraram nem na última hora – o que prova que não foi a falta de tempo e sim a de dinheiro que afastou o povo das lojas. As ruas de comércio popular venderam milhões em mercadorias que, pelo baixíssimo preço, colocam em cheque suas procedências e o tipo de mão-de-obra utilizado em suas confecções. Em termos de preço, não existe como concorrer legitimamente com essa espécie de mercadoria e, em tempos de desemprego e escassez, não há como impedir que haja pessoas que busquem ganhar seu sustento, lidando com este tipo de atividade e nem tampouco como impedir outras tantas de comprar em locais que ofereçam a única opção de consumo que efetivamente caiba em seus orçamentos.
Um círculo vicioso que enriquece a ilegalidade e destrói as possibilidades da construção de uma economia de mercado, legal e sólida, que fomente o desenvolvimento, em cascata, de toda a sociedade. É o preço que o atual governo impõe a toda a sociedade brasileira, à revelia de seus sonhos e interesses, para construir o bloco retrógrado-socialista latino-americano. O dinheiro que vem mudando de mãos, ao longo dos últimos anos, é conseqüência do desencontro entre progresso econômico individual e legalidade.
Quando a nobreza perdeu seu status financeiro, e conseqüentemente o poder, para a burguesia, no final da Idade Média, foi por causa de mudanças estruturais no modo de vida e do desenvolvimento “tecnológico” do mundo – que não pára e está sempre
O Brasil de hoje é o retrato dessa inversão de valores, que caminha para o lado oposto do que já foi o desejo de construir, aqui, as condições para a realização do “sonho americano”. O brasileiro entra em 2006, com passagem comprada para 1917, sem esperança, sem opção de um candidato à presidência, que quebre esse círculo vicioso de corrupção e atraso, e à espera de um milagre.
Termino com um trecho do artigo de Arnaldo Jabor, “Só Nos Restam As Maldições”: “Malditas sejam também as "consciências virginais" , as mentes "puras" que se escandalizam com os horrores, mas nada fazem; malditos os alienados e covardes, malditos os limpos, os não culpados, os indiferentes, que se acham superiores aos que sofrem e pecam; malditos intelectuais silenciosos que ficam agarrados em seus dogmas e que preparam a espúria reeleição dessa gente e a chegada posterior dos populistas e falsos evangélicos mais sórdidos do País!”
Christina Fontenelle
Jornalista
28/12/2005
O mundo pensa que o Brasil está em franco desenvolvimento, com economia em expansão e que o governo do presidente Lula é um sucesso. O homem que mentiu e ludibriou toda uma nação e que é o eleito das esquerdas internacionais globalizantes como pólo aglutinador e propagador de seus ideais e metas na América Latina, pretende continuar no poder ainda por longo tempo.
Lá fora, os gringos pensam que Lula não foi atingido pelas denúncias de corrupção. Nem passa pela cabecinha deles que, mesmo que nada tenha sido provado contra o presidente, nem tanto por falta de evidências, mas sim por falta de empenho da oposição e pelo comprometimento das instituições, sua simples ignorância ou conivência já seriam suficientes para incapacitá-lo para o cargo de representante máximo da nação.
Há algum tempo, em declaração à Folha, o embaixador do Brasil em Portugal, Paes de Andrade, ex-deputado e peemedebista que apoiou Lula em 2002, disse: "A oposição está investigando e batendo duro no governo há cinco meses. E não pode dizer nada do presidente. Ele não foi comprometido
Logo depois das primeiras denúncias, eu já havia escrito um artigo falando da plena certeza de impunidade que demonstravam as expressões faciais de todos os envolvidos do PT. Definitivamente temos que concordar que eles estão conseguindo se sair muito bem. Por mais que haja gritos de indignação por parte das pessoas mais esclarecidas do país, eles parecem inócuos. Em breve e enquanto ainda for possível, os incomodados terão que eleger outro país para viver, porque o Brasil parece não ter mais salvação mesmo.
A roubalheira é menos aviltante que a manipulação e as mentiras usadas pelo governo para se manter no poder. A cada dia nossa inteligência é francamente insultada com fatos, omissões e estatísticas distorcidas. É humilhante ser brasileiro.
É vergonhoso, também, ver, a cada dia, políticos fazendo concessões como quem transmite ao povo a seguinte mensagem: diante da impotência, achei melhor ceder, porque de nada adiantará perder tudo que tenho, por vocês.
Na pizza gigante preparada pelo Governo, Roberto Jefferson foi derretido como queijo de grife e Paulo Maluf é azeitona importada. Os dois ingredientes são emblemáticos: que sirvam de lição – ai de quem denunciar e de quem roubar, se não for com e para o PT. José Dirceu foi para casa, para dar uma espécie de cala boca à opinião pública – continua levando a vida normalmente, sem imputações financeiras e muito menos legais.
E por aí vai...Como o tempo e a verdade são implacáveis, nossa vingança é que o governo Lula entrará para a história como a “República da Mentira”. E, em se podendo perdoar sua primeira eleição como fruto de engodo, no caso de reeleição não caberá mais complacência com eleitores iludidos – que paguem, e caro, por sua burrice.
Christina Fontenelle
Jornalista
14/10/2005
O ano de 2005 vai terminando com a economia estagnada, sem investimentos, urgentíssimos por sinal, em infra-estrutura e com os sistemas de educação e saúde abandonados. O desgoverno do PT parou o país, num assalto ao erário e no corrompimento das instituições nacionais, espalhando a discórdia, ao destilar o veneno da luta de classes, muitas vezes sob a máscara da cultura do politicamente correto. Enquanto engana o capital internacional, cumprindo as metas dos organismos financeiros internacionais, o Partidão espalha suas raízes trotskistas por todo o país.
Seguros de sua sólida infiltração e militância, passeiam pelo poder como se fossem surdos às mais de 100 denúncias de corrupção que envolvem o PT, que somam milhões de dólares, aludindo que só seja válido como prova contra eles a confissão criminal assinada. Desfilam como inimputáveis aos olhos da lei e da sociedade. Impuseram o império da mentira, subestimando um mínimo de inteligência de toda uma população – que fizeram escrava do bolsa família, do salário de fome, da falta de perspectivas e da desinformação.
Nosso presidente brinca de casinha, falando em reeleição, defendendo a inocência de camaradas como José Dirceu e discursando sobre os números da economia. Fecha o ano com crescimento pífio e se vangloriando por ter reduzido a diferença entre a renda de ricos e pobres. Os primeiros empobreceram, enquanto o número de trabalhadores que ganham de
O que o presidente esqueceu de explicar é que quem ganha salário mínimo não tem como criar empregos. Já com os mais ricos é diferente: eles é que promovem a circulação do dinheiro do consumo, que fomenta o comércio, que, por sua vez, cria empregos, paga mais impostos e faz aumentar a produção industrial (ou agrícola), gerando mais empregos. Isso sem falar nos empregos domésticos que oferecem e nos impostos que pagam. Em outras palavras: quando os ricos empobrecem, toda a sociedade acaba perdendo. O ideal seria que a renda dos pobres tivesse aumentado em proporção maior que a dos ricos, sem que houvesse queda de padrão.
O Natal dos brasileiros será pobre de ceias, de presentes e de perspectivas. Segundo pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo), 32% dos consumidores não pretendem fazer compras neste Natal. A metade dos que pretendem ir às compras planeja gastar seu dinheiro com artigos de vestuário e calçados – mesmo assim, por absoluta necessidade, já que não puderam comprar quase nada nos últimos 2 anos. Dentre as mil pessoas entrevistadas, em 70 municípios, de nove regiões metropolitanas do país, 600 estão trabalhando na informalidade e, por isso, não receberão 13° salário. Prevendo esta situação o comércio investiu em facilidades de pagamento, aumentando o número de parcelas do crediário – o problema é que nem prestação de crediário cabe mais no orçamento dos brasileiros.
Enquanto isso, mesmo depois de ter enfrentado a destruição deixada por três grandes furacões e os aumentos do preço do petróleo, o Presidente norte-americano, George W. Bush - “imperialista”, “terroristo-maníaco” e “incompetente”, segundo todo o segmento da mídia financiado, direta ou indiretamente, por G. Soros, não só nos EUA, mas no mundo – conseguiu fechar o ano premiando os americanos com um crescimento econômico de 3,8%, no terceiro trimestre de 2005 e com um PIB que cresceu cerca de 4,3%. Mesmo assim, conforme noticia incessantemente a mídia brasileira, 62% dos americanos desaprovam o governo de Bush. É, devem mesmo desaprovar as cores das gravatas do Presidente, porque seria muito difícil de acreditar que estivessem insatisfeitos com a fartura que têm tido este Natal – os americanos estão comprando como nunca e realimentando o ciclo de crescimento econômico.
Já na bem mais próxima, não só física como também ideologicamente, Venezuela, Hugo Chavez comemorará sua permanência no poder, nas festividades de fim de ano – seguindo os passos de seu ídolo e amigo Fidel Castro. Como se sabe, lá, as oposições se recusaram a concorrer às eleições, por já terem sentido, na própria pele, a vulnerabilidade das urnas eletrônicas, sem voto impresso, em relação a resultados fraudulentos (no Brasil ainda é assunto intocável). Os lucros do petróleo financiam o populismo de Chavez, que gasta exorbitâncias em armamentos e no aparelhamento da militância bolivariana. Para o povo da Venezuela, Chavez distribui discursos, em que culpa os EUA pela miséria do país. Neste Natal, os venezuelanos, diante da pobreza, cearão palavras regadas a ódio anti-americano.
Quando o Presidente Bush esteve no Brasil, em recente visita, deixou bem claro que havia dois caminhos a escolher para traçar o futuro de países como o Brasil: economia de mercado e democracia ou populismo socialista. À revelia dos brasileiros e ignorando anseios nacionais, o PT arrasta o país para a segunda opção, numa trajetória da qual, se conseguir sair, levará anos para se recuperar. Nesse arrastão, a Venezuela entra para o Mercosul, levando consigo, na figura de Hugo Chavez, os projetos do Foro de São Paulo, definindo “mui claramente”, o caminho escolhido pelo governo brasileiro. Só não enxerga quem não quiser.
Assim, este é o presente de Lula, aos brasileiros, neste Natal: populismo retrógrado ditatorial, disfarçado de democracia. Enquanto isso, a primeira dama, Dona Mariza, e filhos pediram, e conseguiram, cidadania italiana – provavelmente, se tudo der errado para o PT, é na Itália que Lula e família passarão o resto de seus dias. Os brasileiros que fiquem por aqui, amargando muitos e muitos Natais como esse.
Christina Fontenelle
Jornalista
9/12/2005
Ao veicular, no Fantástico do dia 13/11, matéria sobre trotes aplicados a sargentos recém promovidos, no quartel do 20º Batalhão de Infantaria Blindado, em Curitiba-PR, a intenção da Rede Globo, foi demonstrar poder e reagir à enxurrada de críticas que recebeu, pelos ataques feitos às Forças Armadas, no mesmo programa, em 6/11.
O material não tem identificação de procedência nem de propósitos. Somente estes dois pequenos detalhes já seriam suficientes para que a matéria não fosse ao ar. Mas, como o objetivo estava acima de qualquer intenção de alerta, de esclarecimento ou de clamor por justiça, a reportagem mostrou ao que veio. O recado foi bem claro: a Rede Globo tem poder, vai dizer o que quiser e o que diz é levado a sério, mesmo que não seja verdade.
Em artigo anterior a este, “Reação ao Fantástico Ato Falho”, estariam bem respondidas e esclarecidas todas as intenções desta emissora, ao divulgar o material, se não fosse a ação, ocorrida logo depois e, no meu modesto ponto de vista, precipitada, do Comandante do Exército, de afastar o Comandante do 20º BIB de Curitiba. Por dois motivos: 1) atribui à Rede Globo um poder que ela não tem e que, muito menos publicamente, deveria parecer ter e 2) pune, mesmo que não legalmente, um comandante militar, antes das devidas investigações e por causa das denúncias de uma emissora que age pública, notória e intermitentemente no sentido de denegrir a imagem das FA.
Por outro lado, “esfrega na cara” do país inteiro uma atitude de providência imediata, no combate às irregularidades, mesmo que movidas por denúncias ainda não averiguadas. Coisa que não acontece, atualmente, em quase nenhum outro lugar do Brasil, principalmente no ambiente político - em especial, no atual governo.
Já está mesmo na hora das Forças Armadas encararem com mais seriedade o papel da Comunicação Social e das Relações Públicas em seus quadros. Vê-se que, neste terreno, suas noções de tática e estratégia estão bem longe da eficiência que mereceriam ter. Isso é uma crítica construtiva. No mundo de hoje, e acho que já há tempo suficiente, a propaganda e as estratégias de comunicação são a alma de todo negócio ou empresa bem sucedidos – no caso das FA, poderiam até ser decisivos numa guerra.
Se a intenção do Comando do Exército era a de não causar polêmica, colocando um ponto final no assunto, o mais rápido possível, errou redondamente. O tema está circulando pela mídia, com força total, contribuindo, inclusive, para desviar a atenção da população de fatos imensamente mais graves, como o são todos os que tratam da intentona comunista do PT – a mídia, em geral, e o governo costumam chamar este episódio da história recente do Brasil de “crise”.
Apareceram muitos indignados, saídos do enorme silêncio em que se encontravam, diante das denúncias de corrupção e da falência dos governos de esquerda no país. Chegou-se a comparar o trote com as torturas e humilhações aplicadas, por soldados americanos, aos prisioneiros iraquianos, na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Isso mesmo, nossos soldados que são mundialmente conhecidos por renderem respeito e tratamento digno a todos os civis e prisioneiros de guerra, onde quer que tenham estado pelo mundo, foram comparados àqueles soldados americanos – que, aliás, também, diga-se de passagem, já foram punidos.
Com todo o respeito, a nota do Comando do Exército deveria ter tomado os rumos da defesa, citando, por exemplo, inúmeros outros casos que aconteceram, infelizmente, no mundo civil, inclusive com finais bem mais trágicos, como conseqüência de trotes. E, naturalmente, deveriam terminar com as devidas referências às providências que seriam tomadas. Estaria mais de acordo com quem teria o dever de defender toda uma instituição e não de fazê-la assumidora de uma “carapuça” que, definitivamente, não lhe caberia.
A Folha de São Paulo (15/11) ouviu os sargentos envolvidos – coisa que deveria ter sido feita pelo Comando do Exército, antes de tomar as decisões que tomou.
O 20º BIB tem cerca de 900 soldados. Fica no bairro Bacacheri, norte de Curitiba. A 2ª Companhia, conhecida como Pantera, conta com 15 sargentos. Segundo a Folha, apenas três não participariam das constantes "brincadeiras", que teriam começado há dois anos, para comemorar o aniversário de um deles, com a participação de antigos sargentos, que já teriam ascendido na carreira. O soldo dessa patente é de R$ 1.254 brutos, o que significa cerca de R$ 800,00 líquidos.
Oito dos doze terceiros-sargentos da 2ª Companhia de Fuzileiros de Curitiba, identificados nos vídeos que foram ao ar, disseram à Folha, que não seriam novatos, que teriam se submetido ao trote voluntariamente e que, em várias "brincadeiras", teriam figurado no papel invertido – fato que caracterizaria uma encenação feita especialmente para a câmera. Na condição de voluntário, um deles exigiu a exclusão da sessão de afogamento e sua vontade teria sido respeitada. Na versão dos oito, o ferro de passar, que foi colocado nas orelhas dos "novatos" estaria frio, tanto que não teria deixado marcas, e os choques elétricos seriam de baixa amperagem.
Na entrevista, o grupo se exalta quando a pergunta é sobre se a inspiração vinha das prisões de Abu Ghraib (Iraque), em que soldados do Exército norte-americano torturavam prisioneiros iraquianos e as sessões eram filmadas. "Aqui ninguém sai ferido nem está preso", teria reagido o militar mais falante, segundo a Folha.
As imagens mostradas pela reportagem da Globo foram feitas pelo próprio grupo, em câmera digital, no dia 25 de agosto, quando se comemorava o Dia do Soldado. Os sargentos dizem ter feito apenas uma cópia, supostamente roubada e cedida à Rede Globo por alguém do quartel. "O que apareceu na reportagem é um mal-entendido. As imagens foram forçadas e distorcidas pela edição", declarou um sargento, que não foi identificado pela reportagem.
A Central Globo de Comunicação negou que tenha "forçado" a edição. Disse que a prática de tortura foi reconhecida pelo próprio Exército em uma nota no final da reportagem, na qual afirma que as imagens são "verídicas" e anuncia a abertura de sindicância para "apurar os fatos e punir os responsáveis". A Globo afirma ainda que dois especialistas atestaram a veracidade das imagens.
Entretanto, o que a emissora não esclarece, acredito que propositadamente, é que a nota em que o Comando Exército confirma a existência de imagens verídicas saiu no dia 11/11 (http://www.exercito.gov.br/05Notici/paineis/2005/novembro/notaimp.htm), dois dias antes da veiculação do vídeo, no Fantástico. Isso significa que o Comando não estaria se referindo especificamente à fita divulgada. O fato de especialistas terem atestado a veracidade das imagens não elimina uma edição maldosa e não significa, absolutamente, que os peritos sejam confiáveis.
Christina Fontenelle
Jornalista
15/11/2005
Segue, abaixo, artigo anterior, que achei merecedor do complemento que acima fiz, devido ao desencadeamento dos fatos.
Reação ao fantástico ato falho: agora, a Globo deu um tiro no outro pé
Uma coisa ficou clara: a editoria do Fantástico, da TV Globo, sentiu-se diretamente atingida pelas críticas recebidas após a exibição do programa do dia 6 de novembro, quando pretendeu, mais uma vez desqualificar e, por que não dizer, ofender os militares. Isso ficou evidente no programa seguinte (de 13/11) quando veiculou um vídeo que mostrava atos de barbárie cometidos por jovens militares contra outros jovens militares, a pretexto da prática conhecida como trote.
Trotes muitas vezes acabam se transformando em casos de polícia, não só nos meios militares como em acadêmicos, levando esta prática a ser até mesmo proibida em vários estabelecimentos. Existem casos famosos a respeito de mortes ocorridas durante os rituais de recepção dos “calouros” ou ainda das humilhações a que são submetidos.
Em 1980, um estudante de jornalismo morreu em decorrência de socos na cabeça, quando veteranos insistiram em cortar seu cabelo. Um outro estudante, de Goiânia, teve uma parada cardíaca ao fugir do trote. Edison Teng Hsueh foi encontrado morto, na piscina da Associação Atlética da Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo, vítima de afogamento mecânico (o que significa que, mesmo não sabendo nadar, tenha sido jogado, várias vezes, na piscina, até que não resistisse mais).
Nas instituições militares não é diferente, nem no Brasil nem no resto do mundo. Existem muitos relatos de trotes. Em 2004, por exemplo, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), considerado o melhor do País, na formação de engenheiros aeronáuticos, houve denúncias de que os calouros estavam sendo obrigados a mergulhar de madrugada numa piscina de água gelada, ficar noites sem dormir e enfrentar brincadeiras violentas e humilhantes.
Tanto no meio militar como no civil, o trote é uma tradição que vem perdendo força e sendo condenada, em sua prática abusiva, pelos vários setores da sociedade, por se tratar do que muitos consideram um ranço medieval que contraria os direitos humanos e os do cidadão, numa total falta de sintonia com os princípios éticos e legais que devam fazer parte das sociedades modernas e com pretensões de civilidade.
Reação desproporcional, vingança covarde e despreparo editorial são as qualificações que merecem ser dadas à veiculação da matéria sobre o trote militar. Não que esse tipo de atrocidade, como nenhuma outra, deva ser omitida, quando se tratar de denúncia que vise alertar as autoridades e a sociedade para que práticas como estas deixem de ocorrer. Mas, nesse caso, a intenção foi outra. E todo mundo, novamente, percebeu. Foi um tiro no outro pé.
Porém, ao tentar calar a boca dos que reagiram ao último Fantástico e, mais uma vez, humilhar os militares, em praça pública, o programa carro chefe das noites dominicais da Globo forneceu o que, na linguagem jornalística, chamamos de gancho, para alavancar a veiculação de alguns temas que os militares e os entendidos no assunto vêm tentando trazer à discussão e ao conhecimento público.
O primeiro deles se refere à qualidade das pessoas que os inomináveis baixos salários e a necessidade de contingente humano têm obrigado as Forças Armadas a aceitar em seus quadros. Embora a matéria do Fantástico não tenha citado a participação de oficiais superiores, guardadas as devidas proporções, os baixos salários já trazem sérias conseqüências a este contingente também. As gravíssimas conseqüências que poderão advir deste problema, total e propositadamente ignorado pelos subseqüentes governos dos últimos 30 anos, poderão revelar surpresas bastante desagradáveis, e porque não dizer trágicas, num futuro bem mais próximo do que muitos suspeitem.
Segundo: a traição, para quem conhece o peso de sua relevância no meio militar, por causa do tamanho do estrago que pode fazer numa missão, é um crime gravíssimo que enquadra não só o traidor, mas também aquele que o tenha estimulado, seja por compensação financeira, omissão ou por se aproveitar das vantagens obtidas com a traição. Sendo assim, a matéria presta um desserviço ao país por estimular e dar notoriedade ao produto de um ato de traição.
O despropósito da matéria fica caracterizado pela ausência de denunciantes. Isto é, ninguém foi mencionado como tendo levado o material à reportagem do Fantástico, mesmo que pedindo anonimato, com o propósito de fazer uma denúncia que reclamasse por justiça ou pretendesse providências. Simplesmente começa dizendo que o Fantástico teve acesso às imagens de tortura praticadas em quartel do Exército e termina com divulgação de nota do seu Comando. Demonstrou a matéria ao que veio: provocação e revanche.
Só tem uma diferença, que naturalmente não terá a mesma vultosa veiculação: os responsáveis realmente serão punidos – muito diferentemente do que acontece com jornalistas criminosamente irresponsáveis e com a maioria dos políticos do país e que, diga-se de passagem, recebem salários bem melhores.
Enquanto isso, a Bandeirantes veiculava uma entrevista exclusiva com o Deputado Federal e Ex - Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, no programa Canal Livre, fazendo com que muitos jornalistas sérios e honestos continuem a ter orgulho da profissão que exercem. Que fique, também, uma sugestão à Record: passar a revista de entretenimento do domingo para o mesmo horário do Fantástico. A população que não tem TV a cabo agradeceria esta nova opção mais saudável.
Christina Fontenelle
Jornalista
13/11/2005
O comunismo deveria entrar para a lista de patologias psiquiátricas. Caberia muito bem, no mundo de hoje, defini-lo como uma doença que debilita de tal maneira o cérebro de uma pessoa, que ela é tomada pela idéia fixa de que uma multidão de indivíduos (portanto, individualidades) deva ser transformada em um bloco uniforme, despersonalizado, de pessoas que dediquem suas vidas e trabalhem para sustentar um grupo de estirpe superior (no qual ela está inserida, naturalmente), que veio ao mundo com a capacidade de determinar como o resto das pessoas deva agir, pensar e viver, em nome de uma sociedade igualitária - para todos, menos para essa estirpe superior, que se roga o direito de viver diferente e nababescamente.
Comunista é o indivíduo tomado por esta doença, que, ainda por cima, é crônica. São raríssimos os relatos de cura. O desgaste da palavra comunismo é tão grande, por sua incontestável falência, que os acometidos por esta patologia viram-se obrigados, por uma questão de sobrevivência, a adotar diversos outros tipos de nomenclatura para definir sua postura sócio-política - que desconhecem ser patológica. Sugiram, inclusive, e por incrível que pareça, os que se denominam democratas e até progressistas – embora essa dissonância entre o que seja e o que aparente ser não faça parte da percepção consciente dos afetados por esta moléstia psicológica.
De tanto ter que mentir para enganar e engajar o maior número de pessoas na luta pela realização daquilo que chamam de regime ideal de vida e de governo, os comunistas constroem uma realidade paralela que os impede de enxergar o mundo real e pior: acabam realmente acreditando que podem fazer o que quiserem, que estejam acima da lei e que todos desconheçam suas verdadeiras intenções. Os guia o pensamento único de que (e somente para eles) os fins justifiquem todos os meios. Para eles, as leis mudam de acordo com suas necessidades e tudo que seja feito em nome da causa é legítimo – mesmo que seja roubar ou matar.
A ressurreição do tema, que era corriqueiro na época da guerra fria, é resultado da retomada das práticas que pretendem reconstruir os focos propagadores do comunismo, pelos dissidentes do desmantelamento da mentira socialista, depois da Perestroika e da queda do muro de Berlim. A redefinição de táticas e metas, que no princípio, aos mais inocentes, parecia ser uma saudável busca de nova identidade, demorou pouco, historicamente falando, para se revelar uma perigosa reação, em busca de revanche.
A infiltração sistemática nas empresas, nas instituições e nos alicerces sociais foi estrategicamente planejada. Todo o dinheiro sujo do planeta foi e é usado para financiar dois movimentos aparentemente independentes: o exército da ditadura do politicamente correto e o sonho da ressurreição do Islã. Dois instrumentos de desestruturação que agem em nome dos fins e criam as condições que permitem a instalação da promessa comunista – disfarçada de movimento por justiça social – enquanto paralisam as possibilidades de reação dos verdadeiros amantes da liberdade.
Uma fixação patológica que faz de seus portadores sanguessugas da individualidade que caracteriza o ser humano. Uma disfunção cerebral que os leva a pensar que a liberdade é inimiga da justa convivência social. Uma doença que os impede de perceber o Deus que habita em cada indivíduo e que, por isso mesmo O abomina – por saber que Ele é o ícone máximo da liberdade saudável.
Estamos nós brasileiros a ser vítimas destes sociopatas, que chegaram ao poder pelo voto, através de mentiras, assassinatos e roubo. Um lunático, que se incumbiu da missão de comunizar o país, o está condenando a um retrocesso do qual levaremos décadas para sair. Nossa associação ao que há de pior no planeta sinalizará ao mundo a escolha de um caminho que certamente não é o do desejo de nossos 190 milhões de habitantes. A omissão e a condescendência de todos que puderam reagir e não o fizeram não serão perdoadas pela História.
Em nome da governabilidade e do pânico de reinstalação de um governo militar instalou-se uma total falta de sintonia do que ainda resta de saudável nas nossas instituições democráticas (e do quarto poder) com o amadurecimento sócio-político de nossa população (vide a esmagadora vitória do NÃO, no referendo). Demonstra, também, uma falta de percepção em relação aos componentes genéticos que fazem do povo brasileiro um dos mais pacíficos, versáteis e inteligentes do mundo, mesmo que isso pareça piegas e ufanista. E todos nós poderemos vir a pagar muito caro por não ter havido ninguém com a coragem de reagir eficaz e veementemente e pagar para ver.
Christina Fontenelle
Jornalista
13/11/2005
Nem mesmo o próprio governo conseguiu tirar proveito, pelo menos na mídia, de um eventual prestígio do Brasil, por receber um estadista de tamanha importância mundial. A imprensa deu muito mais destaque às manifestações de protesto – não só aqui, mas em todos os países que fizeram parte do “tour” diplomático de George W. Bush, pela América Latina – do que, por exemplo, ao discurso de 22 minutos que o presidente norte-americano pronunciou, depois do encontro privado que manteve com o presidente Lula, na Granja do Torto.
A CNN americana transmitiu o discurso de Bush, na íntegra, ao vivo. Quem teve a sorte de assistir, pode ver um estadista seguro de si e extremamente diplomático. Num dos pronunciamentos mais bem escritos dos últimos tempos, George Bush foi claro, incisivo e mostrou um invejável domínio da arte de falar
Falou muito mais genericamente dos problemas dos países latino-americanos do que propriamente dos do Brasil. Adotando esta abordagem mais abrangente, falou repetidas vezes (fato ignorado pela mídia nacional) que, sem investimentos pesados em educação, não há como construir a verdadeira democracia. Reafirmou que a proliferação de ditadores pelo continente só atrasa mais ainda suas possibilidades de desenvolvimento e de amadurecimento democrático.
Citando o presidente Lula e se referindo diretamente ao Brasil, disse que concorda com a necessidade de reduzir os subsídios agrícolas que prejudicam os produtos brasileiros (e de outros países em desenvolvimento) ao desembarcarem nos países da Europa e nos EUA. Afirmou que gostaria muito de que Lula se convencesse da necessidade da “implementação” da ALCA, para dar mais oportunidades de trabalho e de crescimento para os trabalhadores e para a iniciativa privada – da Argentina ao Canadá. Disse que considera o apoio do Brasil de fundamental importância nesse sentido.
As pessoas que prepararam o discurso de Bush foram muito sensíveis e perspicazes ao elaborar um texto que incluísse elogios ao presidente Lula e pudesse caracterizar certa afinidade entre os dois presidentes – assim como a boa pedagogia ensina que se deve proceder na educação infanto-juvenil e com aqueles que são sabidamente menos privilegiados intelectualmente. Os elogios, mesmo que mentirosos, desde que não soem irônicos, desarmam e inflam o ego do oponente, atribuindo a ele uma importância que, na verdade, não têm. A técnica é antiga.
Escolhido a dedo, o presidente Juscelino Kubitschek foi citado por Bush: “Um grande líder construiu essa linda capital como símbolo da democracia brasileira. O presidente Kubitschek foi forçado ao exílio quando as forças antidemocráticas tomaram conta do Brasil. Ele dizia que seu sonho era viver e morrer em um país livre. No início desse século de esperanças, esse sonho de patriotismo inspira cidadãos não apenas nesse país, mas em todo o continente”.
A escolha foi primorosa porque remete muito mais ao clima de desenvolvimento, que tanto interessa aos EUA, para a ALCA, do que pelos dotes democráticos. Quanto a ser “forçado ao exílio”, pode ser interpretado de várias maneiras e, dependendo dessa maneira, “as forças antidemocráticas” também. Entretanto, à quem queria se dirigir, serve muito bem. O resto é retórica mesmo, mas funciona.
Voltando à generalização, disse que o combate ao terrorismo e ao narcotráfico deve ser um esforço de todos, para que as instituições democráticas sejam preservadas e, sem citar nomes, referiu-se a supostos regimes populisto-ditatoriais que insuflam os povos americanos uns contra os outros e atribuem as condições adversas de vida de seus povos, não à sua própria incompetência ou ganância, mas ao que chamam de imperialismo norte-americano.
Bush procurou deixar uma coisa bem clara: há duas escolhas em jogo no continente – uma seria a ALCA, que ofereceria uma chance de desenvolvimento (que mereceria sérias ponderações, é verdade); a outra seria ficar parado no tempo, dando ouvidos ao discurso de Fidel Castro e de seu filhote Hugo Chavez. Fechou com chave de ouro, mostrando que está muito bem informado: “os governos deste hemisfério têm de ser livres de corrupção”. Quem tiver ouvidos que ouça.
A repercussão foi do tamanho do entusiasmo de Lula – inegavelmente constrangido. Mostrou isso nas fotografias veiculadas – abraçando Bush, com postura de quem, na realidade, quer se manter afastado, e mantendo um permanente sorriso amarelo. Sem pronunciar a ALCA em seu discurso, Lula demonstrou nitidamente que sempre esteve muito mais preocupado em não se indispor com seus amigos do Foro de São Paulo, Fidel e Chavez, do que em parecer receptivo às propostas do presidente norte-americano.
Então ficou assim: a Associated Press divulgou o que quis, a imprensa brasileira veiculou também só aquilo que achou conveniente (menos ainda) e os brasileiros ficaram sabendo muito mais sobre as manifestações anti-Bush, organizadas pelo Brasil, e sobre Maradona e Hugo Chavez (dois exemplos de comportamento digno, não é mesmo?) protestando na Argentina, do que sobre as reflexões que deveriam ser feitas em relação à visita de Bush ao Brasil e ao recado que deixou.
Christina Fontenelle
Jornalista
8/11/2005
Muitos daqueles que vêem seus argumentos derrubados ou findados, numa discussão qualquer, se refugiam no melindre, na posição de ofendidos, de modo a fazer com que aquele que tenha sido mais eficiente na argumentação deixe o palco do evento como ríspido ou até mesmo agressivo. O mais engraçado é que os ditos melindrados falam o que querem, ofendem à vontade, fazem-se de surdos aos apelos da razão, mas, sentem-se ofendidos ao ouvir uma única verdade que os faça calar.
Gritam, saem andando, choram – vale tudo para não se render à verdade. E não se está, aqui, a falar de verdades inutilmente grosseiras, como “você é um idiota”, ou coisa parecida. Digo verdades que estejam relacionadas com um determinado tema qualquer, mas que envolvam diretamente o universo da vida do melindrado, como por exemplo, “você fala isso, porque nunca passou por aquilo”. Pronto, é o suficiente! O melindrado sente-se mortalmente ofendido. Se estivesse seguro de suas posições, ele (que nesse caso não seria melindrado) reagiria normalmente e contra argumentaria, calmamente.
Mas, como o objetivo dos inqualificáveis é vencer a discussão e não acrescentar ou discutir – no sentido de troca – absolutamente nada, recorrem, covardemente, à posição de ofendidos, porque sabem que ganharão, ao menos, a solidariedade da maioria, que tende a proteger e amparar os mais fracos. Os mais inteligentes são sempre vistos como ríspidos, arrogantes e agressivos. A verdade é que inteligência ofende mesmo, principalmente quando diz a verdade – coisa que quase sempre faz.
Eu nunca conheci um ser humano inteligente que tenha se ofendido pessoalmente por alguém ou algum fato. Conheci, sim, os que se entristeceram por não se fazerem entender ou por não encontrarem interlocutores saudáveis. Se a inteligência e a cultura não fossem, para tantos, imperdoáveis, saberiam o tamanho do regozijo que provoca assistir o debate entre duas mentes brilhantes.
Mesmo que, aos olhos de todos, alguma coisa pareça ofensa, para os inteligentes e seguros de si, é apenas fruto de burrice ou ignorância. Não voltam para falar nada, para convencer ninguém ou buscar aprovação, pois sabem que o tempo se encarregará de demonstrar sua razão e a verdadeira face dos ofensores. Porque os mais inteligentes não precisam convencer, eles têm sempre a necessidade de acrescentar – são coisas bem diferentes.
Como nos filmes de ficção, onde somente um andróide pode reconhecer, ou mesmo perceber, a presença de outro andróide, assim se dá com aqueles que têm o dom da inteligência universal – eles são capazes de reconhecer um ao outro, no meio de uma multidão, numa simples troca de olhar (hoje, com a Internet, também na troca de e-mails). É universo para poucos e somente eles sabem o preço que pagam.
Os incompetentes e os culpados escondem-se atrás do melindre, como se, mentido para os outros, pudessem enganar suas próprias consciências, tentando, desesperadamente, convencer que sejam vítimas, quando, na verdade, não conseguem é lidar com sua incapacidade de ser aquilo que admiram. Passam a vida toda alardeando aquilo que presumem ser suas qualidades, para esconder o que, para eles, são seus irreveláveis defeitos.
Invejam a liberdade e o vínculo com a verdade dos inteligentes, punindo-os com melindres, para torná-los, aos olhos dos outros, ríspidos, agressivos ou arrogantes. São as “vítimas”, os “pobre-coitados”, que não assumem que foram ofendidos, não pela suposta atitude ríspida, ou “socialmente inconveniente”, como diriam outros, mas sim pela verdade – que não suportam ouvir e tentam avidamente esconder, não só dos outros, mas principalmente de si mesmos.
Christina Fontenelle
5/11/2005
Um juiz que não tenha permitido que as artimanhas da lei fossem usadas para desfechos notoriamente injustos. Um policial federal que tenha investigado com seriedade. Um deputado ou senador que tenha arriscado sua carreira política para denunciar, criar CPI(s) e impedir a aprovação de projetos e leis contrários aos interesses nacionais. Um jornalista que tenha investigado denúncias – e um editor chefe que tenha se arriscado a bancar a investigação e a publicação.
Uma emissora de TV ou de rádio que tenha veiculado matérias de interesse nacional, compromissada com a verdade, apesar de ter tido também que zelar por seus próprios interesses. Escritores, colunistas e pensadores que, ganhando ou não para isso, tenham dedicado seu tempo a escrever artigos que denunciassem, analisassem e desnudassem temas relacionados ao atual estado de coisas no país. Cada um desses cidadãos, como na fábula do passarinho que carrega água no bico para apagar o incêndio na floresta, terá feito corajosamente a sua parte.
Heróis, anônimos ou não, prosseguem na luta solitária, gritando a quem puder ouvir seus apelos de socorro ao país, que não querem ver assolado e dominado por miseráveis ideólogos do populismo retrógrado. Homens e mulheres que a maioria vendida da mídia esconde da sabedoria do povo, que, no mínimo, o instinto faria ouvir e dar razão. De todas as atrocidades cometidas contra os brasileiros, esta é a pior delas: mentir, esconder as verdades que permitiriam ao povo eleger seu destino.
Quando é que as esquerdas brasileiras entenderão que o sonho comunista não é do gosto e do desejo do povo? Quando é que a mídia e os estrategistas perceberão que existe um componente genético no povo brasileiro que o difere dos demais onde os populismos tiveram êxito? Embora muitos não acreditem e achem que seja um ufanismo barato, a verdade é que, no Brasil, por um mistério desses qualquer, há uma proteção divina que impede a cegueira total, a lavagem cerebral completa. Em algum lugar do cérebro, ou da memória genética, existe uma capacidade de enxergar a verdade que foge a qualquer explicação científica ou filosófica. Há sempre um fato, um acontecimento, que estraga os planos populisto-comunistas.
Arnaldo Jabor, Olavo de Carvalho, Nivaldo Cordeiro e outros tantos já escreveram sobre o cansaço de denunciar e discorrer sobre o óbvio, em artigos que tempos depois aparecem como proféticos. Eu mesma, uma novata no ofício público da escrita, já sou autora de algumas profecias. É porque, no Brasil, a mídia e os políticos arrastam a mentira até que já não seja mais possível sustentá-la e, então, com uma cínica desfarçatez, fingem surpresa, e se rendem ao óbvio, transformando os que falaram do óbvio em profetas.
Não é mais possível que o governo do PT continue atuando como se a enxurrada de denúncias contra seus membros, desnudando o modus operandi de uma quadrilha organizada para arrebatar o poder no Brasil, não significasse a sua ilegitimidade. Não é mais possível que nada consiga destituir esta corja de usurpadores do poder. Os “quadrilhantes” passeiam altivos pelas áreas do governo e do poder, atuando como inatingíveis, como atores envolvidos em pequenos crimes de caixa dois de campanhas, quando todos os “profetas” já cansaram de gritar que o crime é muito maior e mais grave.
Se essa gente continuar aonde está, o maior dos mensalões - o Fome Zero - levará a cabo seus objetivos. Não bastasse comprar apoio de deputados e senadores, montar esquemas de enriquecimento do partido com dinheiro dos cofres públicos, o PT compra o apoio popular doando dinheiro a famílias necessitadas, num programa assistencialista de eficácia extremamente duvidosa, uma vez que não combate as causas da probreza e perpetua mais um ônus para a União.
O pavor de ter que admitir a falências dos projetos das esquerdas brasileiras coloca a mídia e os políticos numa posição incômoda, quando não controversa, porque do alto de sua burrice, pensam que estarão colocando as conquistas democráticas em perigo, ao assumir a defesa dos interesses do povo brasileiro, ao mesmo tempo em que sabem estar permitindo o crescimento de uma estrutura populista ditatorial, que pode se virar contra eles próprios – na primeira chance, e eles têm certeza disso. São os contrasensos da ditadura do politicamente correto que eles mesmos construiram para si.
O cansaço dos pequenos e grandes heróis que gritam por socorro e alertam sobre as evidências não é por não se fazer render os acusados. Maior do que o cansaço é o desespero de não ver uma única instituição se erguer em defesa do Brasil. Esperamos todos que a história se incarregue (e bem mal) dos imperdoáveis.
Christina Fontenelle
30/10/2005
É um absurdo: a TV Globo, bem como o jornal O Globo, um dia depois da vitória do NÃO à proibição do comércio de armas e munições, no referendo, começam a divulgar o que deveriam ter mostrado durante os “pseudo debates” a respeito do tema, antes do dia 23 de outubro.
É imperdoável que meios de comunicação, como os da importância e do alcance das Organizações Globo, tomem partido em relação a um tema de interesse e importância nacionais, omitindo informações, divulgando matérias de perspectiva unilateral, com nítida e indisfarçável intenção de manipular a opinião pública.
Um dia depois do referendo, inúmeras matérias foram veiculadas, tanto na mídia audiovisual como na impressa, mostrando as imensas dificuldades que o cidadão brasileiro encontra para comprar uma arma e muito maiores ainda para conseguir um porte de armas. Citaram os números ínfimos de vendas em todo o país, bem como a demora nos processos de venda, que podem chegar a seis meses, entre a compra e a retirada da arma. Esmiuçaram o Estatuto do Desarmamento e anunciaram o óbvio: mesmo com a vitória do NÃO, é extremamente difícil comprar uma arma no Brasil.
Comportamento inaceitável, que deveria ser repudiado pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa) porque infringe o Princípio II, dos Princípios Internacionais da ética Profissional no Jornalismo, que diz o seguinte:
A tarefa primeira do jornalista é garantir o direito das pessoas à informação verdadeira e autêntica através de uma dedicação honesta para realidade objetiva por meio de que são informados fatos conscienciosamente no contexto formal deles/delas e mostram as conexões essenciais deles/delas e sem causar distorção...
Lastimável o que aconteceu com o casal âncora do Jornal Nacional, William Bonner e Fátima Bernardes. Lastimável também a página inteira, do O Globo, dedicada à violência sofrida pelo casal, no dia do referendo, detalhando o histórico da arma do crime – que já teria pertencido a um cidadão de bem. Como se o “animal” que praticou tamanha violência não o pudesse ter feito com arma comprada de contrabando ou coisa parecida. Lamentável a violência incontrolável no Rio de Janeiro, da qual, infelizmente, ninguém está mais a salvo.
O dia 24 de outubro foi pontuado por inúmeras veiculações de análises e elucubrações dos significados do resultado das urnas - um avassalador NÃO. A verdade é que ninguém admitiu o NÃO como simples resposta à pergunta do referendo. São análises para todos os gostos e deleites. Em nenhuma delas, entretanto, as Organizações Globo admitiram a sua contundente derrota – muito material deve ter sido jogado no lixo.
Muitas coisas ficaram gritantes na resposta do eleitor brasileiro, algumas delas evidentemente direcionadas às Organizações Globo: elas não têm o poder que pensavam que tinham, não há espetáculo que consiga enganar um povo inteiro por muito tempo e não se pode menosprezar a inteligência do público.
Pode custar bastante caro esta evidente ligação global com o PT, com as esquerdas e com causas internacionais, que insistem em impingir aos brasileiros valores que não lhe pertencem.
Na verdade, o povo brasileiro está cheio de demagogia barata, de discursos dos ideólogos da ditadura do mundo perfeito e do politicamente correto. Anos de achincalhamento por parte da mídia não fizeram das Forças Armadas objeto do ódio e do desprezo nacionais – que, ao contrário, estão em segundo lugar, na ordem de confiabilidade por parte dos brasileiros. Já deveriam ter aprendido a lição.
A liberdade e o repúdio às ideologias falsamente igualitárias, para o povo brasileiro, estão acima das idéias de mundo perfeito. Esse foi o recado das urnas: “não queremos ser escravos, nem da violência nem do mundo ideal”.
Christina Fontenelle
Jornalista
24/10/2005
Eu sempre escrevo sobre política, sobre manifestações sociais, mas hoje vai ser diferente. A gente vai crescendo e vai enxergando o tamanho da própria insignificância – por isso mais felizes são os egocêntricos. E, se mais felizes são, mais competência têm para viver. A insuportável solidão da busca do conhecimento é cruz difícil de carregar.
Existem pessoas que são especialistas em destruir e embargar a construção dos sonhos alheios. Apavora-os supor que outros possam conseguir aquilo no que sabem ser totalmente incompetentes. Mesmo a tão endeusada riqueza não impede essas pessoas de agir no sentido de não permitir que alguém sinta o infinito prazer de construir e realizar um projeto. Porque, quando o homem concretiza seu sonho ele entende Deus.
Não estou falando aqui dos sonhos que podem ser comprados, como casa própria, carro novo, essas coisas. Falo aqui das realizações daqueles iluminados que, conseguindo identificar suas vocações, vivem suas vidas lutando para conseguir sobreviver da construção permanente que envolve todos os sonhos deste tipo. Falo, enfim, dos sonhos que não têm preço e nem podem ser roubados.
Como se não bastassem as dificuldades que encontram dentro de si mesmos e diante do cotidiano atabalhoado dos tempos modernos, os iluminados são perseguidos pela inveja, intolerância e ignorância dos obstruídos mentais. Muitos desses últimos, apesar de mundanamente bem sucedidos, carregam o peso do preço que tiveram de pagar. Já os iluminados não pagam qualquer preço porque isso invalidaria o sonho. Nos obstruídos a raiva está no caminho imaculado, não corrompido, dos iluminados.
Por isso, quase sempre, as batalhas do talento são contra a inveja e contra o medo da solidão. Muitos defeitos são aceitáveis, mas a inteligência é imperdoável, mesmo quando aparentemente exaltada. Não há prazer maior do que ver a inteligência inutilizada e impotencializada – é o regozijo mor da incompetência mundana, mesmo quando bem sucedida. Porque, para os medíocres mentais, não basta atender aos estereótipos de sucesso, há que se provar a inutilidade da inteligência e do talento.
A inteligência, o instinto do saber, a instrução filosófica são verdadeiras cruzes a que estão condenados a carregar, pela vida, seus premiados. A perspicácia e a inteligência localizada são diferentes porque permitem conquistas e progressos pessoais. A tal da inteligência universal, muito pouco pesquisada, diga-se de passagem, é que é infernal, porque a paciência é uma virtude que quase nunca vem junto com ela.
É a ditadura da maioria medíocre: voto dos medíocres, roubo dos medíocres, visão de mundo dos medíocres. Estou chegando à conclusão de que, afinal, a mediocridade é que seja inteligência, já que sua onipotência e onipresença são incontestáveis. O que chamamos de pensamento inteligente é que deve ser medíocre, não pelo sentido etimológico da palavra, mas pelo sentido pejorativo com que costumamos usar.
As pessoas justificam seus comportamentos e opiniões com argumentos tão retrógrados, frutos de nítida lavagem cerebral, mostrando-se incapazes de produzir pensamentos próprios. O pior é a incapacidade que têm de desviar o olhar de seu universo, de seus interesses. Por outro lado, há os que se agarram a um mundo filosófico pobre, cheio de ilações demagógicas. Há uma total ausência de pessoas com visão abrangente e vontade de efetivamente trabalhar para modificar seus conceitos e sua realidade. Um sentimento de impotência que inexistiria, se pelo menos deixassem agir aqueles que pudessem promover mudanças.
Essa é minha singela homenagem a todos os homens e mulheres que venceram todas estas batalhas e, por fim, mesmo que talvez fisicamente sozinhos, conseguiram a maior das vitórias: compartilhar os frutos de sua inteligência, manifestados na realização imaculada de seus sonhos.
Christina Fontenelle
Jornalista
14/10/2005
Está cada vez mais evidente a transformação da sociedade brasileira. Mas, infelizmente não é pra melhor, como quase nada neste nesse país, ao qual tem sido negado o direito de evoluir em quase todos os sentidos. Enoja-me essa mania nacional, principalmente daqueles que fazem as lei as leis, de copiar tudo que exista lá fora de ruim, de inoportuno ou incompatível. Eles são especialistas em pinçar de cada lugarzinho bem desenvolvido do mundo o que há de pior: não fumar dentro de shoppings imensos e arejados, processar todo mundo por qualquer coisa, impingir que brasileiro é racista – no sentido sectarista da palavra, aprovar o casamento gay, no civil e quiçá no religioso e por aí vai.
Coisas do tipo: não cobrar estacionamento de quem consome nos shoppings, diminuir impostos, reduzir o custo dos empregados para as empresas, “civilizar” as estradas, interligar o país com ferrovias modernas – para transportar cargas e pessoas -, incentivar programas nacionais de reciclagem de lixo, priorizar empreendimentos que criem e expandam mercados de bens usados, seminovos ou reciclados, etc. Tudo isso está fora de cogitação, mesmo que dependam muito mais de leis e iniciativas pouco dispendiosas, do que propriamente de recursos.
O resultado disso é que os brasileiros estão cada vez mais universalizados pelo que há de pior nos quatro cantos da Aldeia Global. Importamos como bolivianos, comercializamos como haitianos e exportamos como norte-americanos. Um dos fenômenos mais marcantes, entretanto, é a proletarização da classe média e a ascensão do pobre objeto.
Eu explico: pobres objeto são aqueles que, alçados de classes desfavorecidas, são transformados em figuras de consumo, por trás das quais uma máquina de merchandising e propaganda enriquece um grupo seleto de pessoas e emprega outras milhares. Quando o objeto fica gasto e velho é jogado fora – se soube guardar dinheiro ou investir adequadamente estará a salvo da solidão e da falência.
Quanto à classe média, que sustenta o país com trabalho e impostos, está ficando cada vez mais difícil investir em formação cultural e cultivar o convívio familiar. Valores tradicionalmente arraigados à esta classe estão sendo deixados de lado em prol de uma corrida contra o tempo para pagar as contas e descer o mínimo possível de padrão. Sem tempo para se informar e até mesmo passear pelo mundo da cultura e das artes, a classe média brasileira entra no século XXI como uma das mais alienadas do planeta, em plena era da Internet. Pior: seus filhos estão jogados no mundo, sem pais presentes e muito menos instituições, públicas ou particulares, capazes de educar, dar amor e impor limites. É a Geração dos Filhos do Abandono, que já está criando a Geração dos Filhos dos Filhos dos Abandonados.
Os pobres objeto e os abandonados colocaram Luis Inácio Lula da Silva na Presidência da República, com os votos que foram fruto da ignorância, da lavagem cerebral, feita pela mídia comunistóide e revanchista, e provavelmente por alguns viciados em jogos e apostas. O resultado é esse que estamos vendo hoje: vivemos na República da Mentira e da Corrupção. Nem mesmo a economia, que a mídia e as estatísticas distorcidas insistem em afirmar que está indo muito bem, escapa dessa realidade.
Ora, que absurdo, muitos dirão. Mas não é nenhum absurdo não. Esqueçam as notícias e as estatísticas e olhem para os lados, no seu dia a dia. Quantas pessoas vocês conhecem que estão precisando desesperadamente de trabalho? Quantas estão submetidas a salários baixíssimos? Quantos produtos e serviços você conhece que mantiveram seus preços desde 2002? (Não vamos pensar aqui em aço ou diamantes – estamos falando de produtos como sabão em pó, conta de luz, passagem de ônibus, etc.). Quantos de seus conhecidos baixaram o padrão de vida? Quantas empresas faliram?
Vamos esclarecer as coisas. A economia está indo de vento em popa para os exportadores, porque seus bons resultados garantem os superávits na Balança Comercial – coisa que parece ser a única exigência dos credores (FMI, BID, Banco Mundial), não importando qual seja o regime de governo, as misérias impostas à população ou mesmo o nível de corrupção dos devedores. Também lucram exorbitantemente os cartéis, embora proibidos, os impérios empresariais monopolicistas e as entidades financeiras. Ponto final.
O resto do país está parado, sem perspectivas de melhora e fazendo das tripas coração para não ir à falência. As tão alardeadas taxas de crescimento das vendas no varejo, baseadas em dados comparativos entre datas tradicionalmente favorecedoras do comércio, são frutos da migração do consumo para as áreas de comércio das “50 porcarias”. Esse é o apelido que se dá à substituição, por parte dos consumidores, do tipo de produto que pretende consumir – passando a comprar vários produtos de menor valor (roubados, contrabandeados, de baixa qualidade, provindos do trabalho escravo chinês – ainda que importados legalmente) em detrimento de outros, mais caros, mas que provavelmente significariam muito mais valor agregado à economia brasileira como um todo.
A geração de empregos que tanto divulga o nosso ilustríssimo presidente, dizendo ser muito maior que a do governo anterior é uma falácia. Estes empregos são aqueles nos quais se recebe de
Mas, ao contrário do que muito se prevê, a maior herança do Governo Lula não será o desgoverno, a corrupção ensandecida nem o mar de mentiras. Herdaremos o fardo e a tristeza da divisão do povo brasileiro. Isso mesmo: brasileiros contra brasileiros. Esta circunstância já é flagrante em muitos lugares – no Congresso, nas Instituições Civis, na mídia, na religião (com o crescimento incontrolado de igrejas ditas cristãs, mas que estão muito mais para comércio de exploração ilícita da boa fé) e nas Forças Armadas (privilegiando setores de formação civil dentro delas).
Agora, com o referendo do dia 23 de outubro, o governo pretende dar o tiro de misericórdia no que o Brasil sempre teve de mais precioso: a unicidade nacional. Por mais que a mídia tente desqualificar esta característica do povo brasileiro, nós somos sim, um povo dos mais tolerantes em relação às diferenças e talvez o país do mundo onde mais haja mistura de raças e interpenetração de classes sociais – sim, ricos e pobres misturam-se em várias ocasiões da vida pública brasileira. É quase uma unanimidade entre os sociólogos estrangeiros que estudam nosso país: no Brasil, em se tratando de racismo, o preconceito é muito mais social do que racial e a maior prova disso é a imensa miscigenação. Contra fatos não há argumentos.
A metástase do câncer petista já se espalhou por vários setores da nossa sociedade: MST versus proprietários, “elites” contra Lula e o PT, letrados contra analfabetos. Tudo bem que sejam lados opostos. Mas é que, antes, um dos lados queria ser como o outro e, agora, quer simplesmente aniquilar. Esta é a diferença do PT: insuflar a luta de classes – fazer do sonho comunista revolucionário petista o sonho de boa parte da sociedade brasileira, com décadas de atraso. Querem eles fazer ressuscitar o comunismo, arcaico e derrotado, e a revolução, pela qual tanto lutaram e desperdiçaram suas vidas – é o inconformismo diante do desperdício e da derrota.
Tamanho empenho na campanha em prol, primeiro, da realização do referendo (aprovando o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento), depois, da proibição da venda de armas e munições no Brasil tem duas justificativas, mas que, na realidade, já terão dado um resultado produtivo para o PT de Lula e Cia.ltda.:
É bom que se lembre que, se as razões dos que fazem as campanhas oficiais pelo SIM fossem tão claras e tão puramente verdadeiras como se quer fazer parecer, elas não precisariam ser mentirosas. Mas, seguindo o exemplo de sua mãe, a República da mentira, a campanha segue mentindo e gastando milhões. Seu objetivo principal já foi maquiavelicamente alcançado: dividir o povo brasileiro, não como flamenguistas e vascaínos, mas como judeus e palestinos.
Dividir para vencer. Essa é a razão que está por trás do referendo de 23 de outubro. Se o SIM vencer, tanto melhor para o governo do PT. Se o NÃO vencer, pouco importa, o objetivo principal já terá sido atingido e, quanto ao resto, eles darão outro jeito.
Christina Fontenelle
12/10/2005
As confissões e atos falhos têm estado cada vez mais presentes nos improvisos e até em alguns discursos oficiais do Presidente Lula, para desespero daqueles que estão por trás das exaustivas manobras para esconder as mais sórdidas intenções do PT e Cia.ltda.
Semana passada, em reunião com 67 dos 83 deputados da bancada do PT, no Palácio do Planalto, depois de passar meses fingindo não saber de nada e comportando-se como traído por “companheiros” jamais revelados, o presidente Lula, talvez por se achar entre amigos, comete o mesmo erro estratégico e acaba confessando aquilo que uma parafernália de esquemas e pessoas tanto têm se esforçado para esconder.
Lula falou o tempo todo na segunda pessoa, portanto incluindo-se nas ações. Disse que seus companheiros não são corruptos, porque seus erros não foram de corrupção e ainda que o partido paga um preço desmesurado pelo que fez. Declarou que o maior dos erros foi não ter dito desde o começo que os companheiros haviam pegado dinheiro não-contabilizado, porque seria muito mais fácil de explicar para a sociedade. Aliás, chamou José Dirceu de “Zé” e disse que ele era testemunha das críticas que o presidente sempre fizera à política de comunicação do PT.
O Ministro Antônio Palocci (Fazenda), um dos quatro ministros que participaram de todo o encontro, também manifestou solidariedade aos correligionários acusados e disse que, apesar de reprovável, os “erros” cometidos não são exclusividade do PT, não podendo, portanto, significar o banimento destes companheiros da vida pública. O Ministro está certo: quem deve pagar (e já pagou) é quem se atreveu a denunciar o governo – o Deputado Federal Roberto Jefferson.
Portanto, Lula e seus companheiros sabiam de tudo e concordam em ter errado somente na estratégia de ação, após as denúncias. Para o Presidente, ninguém pode ser taxado de corrupto porque fizeram o que fizeram para o partido e não para si, tanto que não foram expulsos. Para quem faz parte do PT isso não pode ser considerado corrupção mesmo.
Já na celebração dos quinze anos de existência do Foro de São Paulo, em julho deste ano, o presidente brasileiro confessou as tão negadas atuações políticas do Foro, cujos projetos e metas sobrepõem-se aos nacionais, dos respectivos países de cada um dos participantes. Dentre eles organizações como o MIR (Chile), e as Farc (narcoguerrilha colombiana). Lula admitiu que o Grupo de Amigos para a Venezuela foi uma criação do Foro de São Paulo e que ele, pessoalmente, ajudou o companheiro Hugo Chávez a se manter no poder naquele país, sem que ninguém pudesse achar estar diante de uma ação política do governo brasileiro.
Quanto mais o tempo passa, mais os petistas vão tendo certeza da impunidade e da eficiência de suas entranhas no poder e nas instituições. Está tudo dominado! As confissões aparecem nos improvisos do Presidente que, cada vez mais confiante, debocha de tudo e de todos!
Christina Fontenelle
Jornalista
10/10/2005

Nesta segunda-feira, dia 3/10, o programa de Luciana Gimenez, SuperPop, da Rede TV, promoveu o primeiro debate, na televisão, sobre a pergunta do referendo de 23 de outubro:
O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?
O senador Renan Calheiros, o sociólogo Antonio Rangel, da Viva-Rio, e o ator Cláudio Cury foram defender o SIM. Do outro lado, o Deputado Federal, Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), o presidente do clube de tiro Calibre, Mário Collado, a jornalista Lídia Andreata e a atriz Patrícia Novaes – todos defensores do NÃO.
O jornalista Marcelo Resende teve uma participação especial, logo na abertura do debate, que foi nada menos que esplendorosa. Falando com a firmeza e a placidez de quem sabe tudo sobre o assunto, o jornalista arrasou com os argumentos dos partidários do SIM, citando, inclusive, dados novos, para o público, a respeito da situação da segurança e da fiscalização nos portos brasileiros, referindo-se aos escandalosamente altos índices de contrabando de armas por via marítima, no país. Deixou a seguinte pergunta no ar:
“Com que autoridade um governo, que não consegue dar segurança ao seu povo, pretende desarmar a população?”
A apresentadora Luciana Gimenez foi primorosa ao representar, com maestria, a posição da população – totalmente perdida e confusa. Fez as perguntas que o povo faria, apresentou dados que as pessoas lêem nas revistas, falou sobre sua experiência de morar em outros lugares (fora do Brasil) e esclareceu, diversas vezes, qual é a pergunta do referendo e quais devem ser as respostas, de acordo com as conclusões de cada um – SIM ou NÃO.
O Senador Renan Calheiros teve uma atuação digna de pena. Com argumentos visivelmente decorados de um manual, citando apenas dados estatísticos (todos de origem duvidosa e nitidamente manipulados), todas as vezes em que saía do discurso padrão, falando de improviso, entrava em contradição e enchia o pessoal do NÃO de razão.
A impressão que ficou de Renan Calheiros foi de que o Senador não conhece o texto do Estatuto do Desarmamento, ou, se conhece, no mínimo, mente sobre seu conteúdo, deliberadamente, para induzir o povo a votar no SIM – pelo menos mostra coerência com a campanha, que faz o mesmo. Deixou sua marca: nem ele mesmo acredita naquilo que defende e nos dados que apresenta como argumento.
O ator Cláudio Cury foi um singelo espetáculo à parte. Mesmo tendo falado pouquíssimas vezes, todas as vezes que o fez foram para desmentir afirmações não verdadeiras feitas por seu colega de SIM, o Senador Calheiros. Em uma de suas intervenções, o ator mostrou-se visivelmente convencido de que “há algo de podre no Reino da Dinamarca” e deu razão aos argumentos do NÃO – parece que foi convertido no ar. Mas, como o voto é secreto, no final do programa, disse que, no espetáculo que está fazendo atualmente, só havia as armas de paz, amor e comédia (talvez para não perder seu lugar no mercado de trabalho).
Empunhando seu livro na mão, o sociólogo Antônio Rangel, defendendo o SIM, com os mesmos argumentos do Senador – dados estatísticos – não foi capaz de completar uma só idéia que fosse capaz de convencer um simples idiota qualquer. Ainda por cima, foi desmoralizado por um dos convidados avulsos, que disse que o sociólogo estava desautorizado pelo STE a falar em nome da Viva-Rio, citada, também como milionária receptora de dinheiro de fora do Brasil. Não houve como contestar.
Os convidados avulsos eram pessoas que iam entrando no programa, depois da apresentação de matéria sobre episódios de experiência pessoal de cada um, com armas de fogo: a viúva de um policial, morto ao reagir armado a um assalto; um policial vítima de acidente doméstico com arma de fogo e um cidadão que teve quatro reações armadas bem sucedidas contra a ação de bandidos. A viúva pareceu indecisa, mas os outros dois afirmaram que votarão NÂO.
O Deputado Federal Fleury falou diversas vezes, quase sempre para desmentir dados que Calheiros e Rangel citavam. Os argumentos dos defensores do SIM eram tão frágeis e falsos que não conseguiam se sustentar. Fleury falou muito bem, mostrou-se conhecedor do Estatuto, mas, assim como os outros pró NÃO, teve pouco trabalho.
A pesquisa realizada durante o programa, via telefone, revelou que 82% dos telespectadores vão votar no NÃO, contra apenas 14% no SIM. Conclusão: contra fatos não há argumentos e será quase impossível, para os defensores do SIM saírem vitoriosos de qualquer debate ao vivo. Talvez não se arrisquem a mais nenhum.
Christina Fontenelle
Jornalista
Continuando a aplicar a tática da investigação permanente e sigilosa, na procura de material, que possa produzir provas criminais contra o que o PT chama de elite, para ser usadas no momento apropriado, o governo de Lula está por trás do “arrastão contra ilegalidade” da Polícia Federal – um dos principais alicerces da “Gestapo” do PT.
Não se trata de defender criminosos nem de fazer campanha para o perdão de crimes financeiros. O problema aqui é de como e com que finalidade foram promovidas as investigações da PF. Alguém tem alguma dúvida de que quem tenha muito dinheiro, no Brasil, mais cedo ou mais tarde, acaba incorrendo em alguma ilegalidade? Não exatamente por desejo ou por ato voluntário de corrupção, mas muitas vezes pela complexidade das leis brasileiras, por uma dificuldade momentânea e até, porque não dizer, por discordar, diga-se de passagem, com toda razão, da maneira como os governos têm usado o dinheiro dos impostos – o que, certamente, não justifica a prática criminosa, mas explica.
Quem se lembra do que aconteceu com Roseana Sarney, às vésperas de confirmar sua candidatura à Presidência da República? Montou-se um circo em torno de um dinheiro encontrado no escritório da empresa do marido da candidata, que supostamente fazia parte do caixa dois de sua campanha. A Polícia Federal sabia tudo, inclusive a hora exata de dar o flagrante, para fotografar o dinheiro. A culpa da investigação, taxada por muitos de ilegal, recaiu sobre o candidato José Serra.
Mas, as investigações da imprensa, estranhamente interrompidas, levaram à conclusão de que a empresa contratada para investigar Roseana era a Interforte (de Brasília), cujos donos tinham forte ligações com a PF. O que ninguém investigou, entretanto, (repito: estranhamente interrompendo a investigação) foi quem teria contratado a tal empresa? Jamais houve uma investigação dos bens e das contas da Interforte, para saber, como, quando e quem a teria contratado.
Cito este fato para chamar a atenção de todos sobre quem é que foi o beneficiário do episódio. José Serra e Fernando Henrique certamente não o foram, uma vez que perderam aliados, ganharam inimigos e ainda tiveram a imagem seriamente abalada. Roseana Sarney era a única candidata que poderia ameaçar a chegada de Lula à Presidência, uma vez que tinha os mesmos apelos de mudança radical, por ser mulher, inteligente e representar uma chance de mudança. Aliás, ela superava Lula no quesito “apostar no diferente”. Então, quem realmente ganhou com a desistência de Roseana?
A tática talvez seja exatamente a mesma que está sendo posta em prática agora: uma investigação permanente e sigilosa para produzir material para ser usado no momento apropriado – foi e está sendo.
E a Xuxa? Pois é, sem ligar o nome à pessoa, a apresentadora já gravou um comercial onde defende a proibição da venda de armas no País, aderindo publicamente, à campanha do SIM. Apesar de nem passar pela cabeça da loura desarmar seus inúmeros seguranças, é claro. Mas, o que Xuxa não imaginava mesmo é que, apesar de tudo que já tenha feito por muitas crianças do país, estivesse sendo investigada pela Polícia Federal, em busca de ilegalidades fiscais e financeiras. O mesmo governo que usa sua imagem para conseguir a vitória do SIM, no referendo do desarmamento, a usará também como exemplo de trabalho eficiente e idôneo da PF – dando a impressão, bem ao gosto popular brasileiro, de que todos, mesmo, e principalmente, os ricos e poderosos, estão sendo investigados e até presos.
A Polícia Federal instaurou 3.500 inquéritos para apurar remessas ilegais de dinheiro entre 1999 e 2002. Segundo a PF, foram movimentados US$ 975 milhões ilegalmente. Além de Xuxa, aparecem os nomes do jogador Romário e do banqueiro Daniel Dantas. Pesam contra eles - pessoas físicas e empresas - suspeitas de evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A menor movimentação investigada é de US$ 30 mil e a maior de R$ 20 milhões. As investigações começaram há cerca de dois anos, numa operação chamada Farol da Colina – a mesma que já prendeu cerca de 70 doleiros.
A PF estaria, sem dúvida alguma, de parabéns, se todos os assaltantes do PT estivessem também sendo investigados (da mesma maneira sigilosa e sem aviso) e sob prisão preventiva, como aconteceu e ainda acontece com muitos outros, como Maluf, por exemplo. Estaria de parabéns, também, se tivesse empregado toda a eficiência que agora mostra, para esclarecer o caso do assassinato de Celso Daniel, bem como de outras vítimas relacionadas à máfia do PT. Estaria muito mais de parabéns, ainda, se já tivesse se empenhado em descobrir de onde veio e para onde foi o dinheiro que financiou a escalada do PT ao poder. Mas, ao que parece, a eficiência da PF é seletiva.
José Dirceu, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, Luiz Gushiken, José Genoino, Marcos Valério e muitos outros – todos soltos, a despeito de todas as evidências contra eles. Minto: Valdirene Dardin Albuquerque, ex-secretária de Finanças da Prefeitura de Mauá (Grande SP), na gestão do ex-prefeito Oswaldo Dias (PT), foi presa esta semana, sob acusação de ter desviado R$ 230 mil de uma conta do município. O camarada Oswaldo está solto e nega saber que a secretária tenha ido ao banco sacar a quantia, em dinheiro – carregado, segundo testemunhas, em sacos de plástico.
Para terminar, duas brilhantes previsões do grande Olavo de Carvalho:
O Globo - 22 de fevereiro de 2003:
"A direita fisiológica imaginou que, bajulando o dominador, ganharia tempo para recompor-se e derrotá-lo um dia. Ledo engano. Se fora do governo a esquerda já logrou reduzir os Magalhães e os Malufs ao mais humilhante servilismo, no governo não descansará enquanto não os atirar à completa impotência e marginalidade. Não dou dois anos para que cada um deles, culpado ou inocente, esteja na cadeia, no exílio ou no mais profundo esquecimento."
Jornal da Tarde, 11 de março de 2004:
"O partido governante não tem a menor intenção de curvar-se às exigências morais e legais das quais se serviu durante uma década para destruir reputações, afastar obstáculos, chantagear a opinião pública e conquistar a hegemonia. Denúncias e acusações não têm a mínima condição de obrigá-lo a isso, porque não há força organizada para transformá-las em armas políticas."
Christina Fontenelle
Jornalista
1/10/2005
Definitivamente não há como racionalizar a dor da perda de um filho. A quem tudo assiste só resta o silêncio solidário e a esperança de nunca ter que viver nada parecido. Por isso é tão delicado falar sobre a Sra. Cindy Sheehan – porque não há argumento nesse mundo que possa justificar, para ela, a perda de seu filho amado, Casey Sheehan.
Entretanto, o silêncio solidário dos justos perde toda a imensidão de seu significado diante da atitude covarde e inominável daqueles que aliciam os combalidos pela dor para divulgar suas idéias pútridas e, pior, escudar as críticas, que passam a se confundir com ataques pessoais àquela pessoa a quem ninguém teria o direito de julgar. O que, muito sabiamente, antipatiza a crítica perante o público incauto.
É esse o fenômeno que está por trás de Cindy Sheehan. A eterna luta ideológica. O que antes era a manifestação do desespero de uma mãe em busca de respostas e caminhos para sobreviver a dor da perda, transformou-se em circo de apologia ao discurso neo-liberal que pretende, muito resumidamente falando, convencer a humanidade de que todos os males do planeta advém do imperialismo norte-americano.
Na tentativa de impor ao mundo a ditadura do politicamente correto, do liberalismo ilusório, baseado numa raça humana vítima de lavagem cerebral, os chamados neo-liberais, em nome da realização do sonho da humanidade perfeita, num mundo perfeito, justificam engodos e extermínio de tudo e todos que não acreditem ou que não queiram compartilhar desse sonho.
Querer que o mundo seja mais justo e que a humanidade conviva harmoniosa e pacificamente parece ser bom e plenamente justificável. Acontece que a concepção deste mundo ideal vai de encontro aos mais básicos instintos humanos. É um projeto que não leva em consideração a natureza humana – imperfeita e caracterizada pela diversidade intrínseca do homem. Cada ser humano é um mundo e vê o universo à sua volta de maneira diversa – existem tantos mundos quantos seres humanos. Tudo que não considere esta condição humana é falso e deverá, conseqüentemente, recorrer à imposição. E, mesmo que seja supostamente para o bem, não há o que justifique privar o homem de seu livre arbítrio.
Um mundo perfeito, maravilhosamente imposto, não vale a renúncia do exercício humano de seu livre arbítrio, mesmo que seja em outro mundo, não tão perfeito assim, mas que repleto de homens buscando seu encontro com a divindade – dentro de si e do universo.
A americana Cindy Lee Miller Sheehan nasceu em Bellflower, Califórnia, em 1957. Conhecida na mídia americana por “Peace Mom” (Mãe da Paz), Cindy tornou-se uma ativista anti-guerra do Iraque, que passou a atrair a atenção da mídia mundial depois de ficar acampada, de
Cindy Sheehan speaks at a protest outside of Fort Bragg, North Carolina on March 19, 2005. (Photo: Jeff Patterson)
É verdade, A senhora Sheehan já esteve uma vez com George Bush, em junho de 2004,

Já em julho de 2005, Cindy concedeu outra entrevista, desta vez a um jornal local de Fort Lewis, Washington, onde disse que o episódio do encontro com Bush havia sido um dos mais desagradáveis de sua vida, sobre o qual havia levado quase um ano para conseguir falar a respeito. Disse ser George Bush desprovido de humanidade – “um homem que apenas movia os lábios ao falar, sem que os olhos expressassem sentimento e compaixão”. “Ele nem sabia nossos nomes”, acrescentou, dizendo que o presidente havia adentrado à sala perguntando “a quem prestaremos honras hoje?” e depois, dirigindo-se a todas as presentes apenas como “mãe”.
Sinceramente, não é o que parece na foto acima. Esta foto fazia parte do álbum de família na Internet, mantido pelos familiares de Casey, antes e depois de sua morte. A foto foi retirada do álbum e não se consegue obtê-la em nenhum site de pesquisa comum, somente no site do WorldNetDaily, buscando com a frase President Bush kissing Cindy Sheehan. O que terá acontecido para fazer Cindy Sheehan mudar tão drasticamente de opinião no curto espaço de um ano? Fica a pergunta!
Em outra entrevista – outubro de 2004 – Cindy disse que não entendia muito bem as razões que haviam levado à invasão do Iraque pelos norte-americanos e que não achava que aquele país representasse uma ameaça aos EUA. A morte do filho levou a Sra. Sheehan a protestar contra o que ela chama de guerra injusta, a fim de forçar os políticos a pressionar o presidente Bush a retirar as tropas do Iraque.
Cindy Sheehan é uma das nove fundadoras da organização Gold Star Families for Peace, fundada em janeiro de 2005, com o objetivo de acabar com a guerra do Iraque e dar apoio às famílias daqueles que perderam seus filhos. Em agosto a organização já contava com mais de 63 pais afiliados.
Embora já tenha se manifestado inúmeras vezes contra a guerra EUA-Iraque, desde 2004, Cindy ganhou notoriedade na mídia depois da “Demonstration”, que durou cinco semanas. Ela insiste em saber, pessoalmente do presidente Bush, quais são as “nobres” razões que levaram seu filho à morte. O acampamento, chamado de “Camp Casey” ficou conhecido no mundo todo e Cindy considera isso bem mais importante do que o objetivo inicial – conseguir um segundo encontro com Bush.

Cindy Sheehan está muito longe de ser unanimidade entre os americanos. Ela mesma se considera controversa – o que, para muitos seria um eufemismo para “louca” ou “mentirosa”. Há vários episódios envolvendo a ativista que justificam as controvérsias. Infelizmente, para nós, brasileiros, só chegam notícias do que convém aos partidários da ditadura do mundo perfeito – sobre a qual será meu próximo artigo.Em março de 2005, James Morris, reenviou um e-mail, recebido diretamente de Cindy Sheehan, ao ABC's
Nightline (noticiário noturno da ABC), onde ela declarava que seu filho, Casey, fora morto por mentiras e para cumprir um plano do PNAC (Project for the New American Century) (2) para beneficiar Israel. Cindy disse que o e-mail havia sido alterado por Morris. Ele negou e foi apoiado por outras duas pessoas que também receberam o mesmo e-mail, diretamente de Sheehan, Tony Tersch e Skeeter Gallagher. Muitos consideram isso prova contundente da face mentirosa de Cindy, embora não saibam dizer exatamente o porquê. Além disso, a ativista anti-guerra do Iraque também fez um discurso na convenção do grupo Veteranos Para a Paz, no Texas, onde disse: “Tirem a América do Iraque que Israel sairá da Palestina”(2) O PNAC (Projeto para o Novo Século Americano) é uma organização nascida da reunião de mega empresas e intelectuais com o objetivo de fazer dos EUA a sede de um império mundial. O grupo foi estabelecido, em 1997, pela iniciativa do New Citizenship Project – organização intelectual fundada pelas Fundações Sarah Scaifee, John M. Olin e Bradley Foundation. – e tem como presidente William Kristol, editor do Weekly Standard e da FOX News. Muitos dos membros do PNAC fazem parte do Partido dos Republicanos, inclusive importantes personagens do governo Bush - Donald Rumsfeld, Paul Wolfowitz, Jeb Bush, Richard Perle, Richard Armitage, Dick Cheney, Lewis Libby, William J. Bennett, Zalmay Khalilzad, e Ellen Bork, esposa de Robert Bork.
Grande parte das idéias do PNAC fazem parte do pensamento neo-conservador e fazem dele uma organização bastante controversa. Ninguém sabe ao certo, mas há ilações que dizem que seu propósito é de dominar o planeta militar e economicamente, além do espaço e do espaço sideral. Alguns estudiosos do tema alegam que a guerra contra o Iraque já estava programada desde 1998, sob o codinome de Operation Iraqi Freedom (Operação Liberdade do Iraque), portanto, antes dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, e seria apenas uma das etapas iniciais do projeto de poder.
Ainda para corroborar seu pensamento, em uma carta dirigida ao autor norte-americano
William Rivers Pitt, Cindy disse “E mais importante e devastador: esta guerra é baseadaNo “talk show” de Larry King, na TV, A Sra. Sheehan acusou o presidente Bush de possuir polícias internacionais a seu dispor e disse ainda que o Senador John Warner é um soldado mandado do Füher, referindo-se a Bush. Cindy falou que “essa guerra é uma catástrofe” e que “os EUA deveriam trazer suas tropas de volta ao país e parar de fazer o povo iraquiano pagar pela sede de poder norte-americana, fazendo com que as crianças inocentes sofram. Assim os terroristas poderão ser combatidos aqui dentro dos EUA. Qual é o direito que os EUA têm de fazer sua guerra em terras alheias e de fazer com que um país inteiro pague pelo erro de uns poucos?”
Numa outra entrevista, dada, em 15 de agosto, ao programa Hardball with Chris Matthews, da MSNBC, Cindy disse a Matthews que acha que não teria tido outra atitude em relação à morte de seu filho, se esta tivesse ocorrido durante a guerra no Afeganistão. O entrevistador, então, argumentou que o Afeganistão estava abrigando os terroristas da Al-Qaeda – grupo que havia atacado os EUA, em 11 de setembro. Cindy disse que “os EUA deveriam, então, ter saído em perseguição da Al-Qaeda e não de um país inteiro” e ainda que os esforços norte-americanos no Afeganistão “não estão tendo nenhum sucesso” e que “nossas tropas deveriam ser chamadas de volta aos EUA, tanto deste país como do Iraque”.
Em um pronunciamento feito na Universidade do Estado de São Francisco, em abril de 2005, Sheehan abordou novamente o tema do imperialismo mundial. Ela disse que “Nós não estamos empreendendo uma guerra contra o terror, neste país. Nós estamos empreendendo é uma guerra de terror. O maior dos terroristas do mundo é George W. Bush” e ainda “Nós estamos empreendendo uma guerra nuclear no Iraque neste exato momento”.
Numa entrevista dada a Mark Knoller, da CBS, disse que acreditava que a guerra do Iraque tornou o terrorismo pior ainda e se referiu aos mercenários estrangeiros, que entram naquele país, para lutar contra os americanos, como “lutadores da liberdade”.
Em agosto de 2005, depois da passagem do furacão Katrina, na Louisiana, Cindy Sheehan disparou uma série de impropérios escritos e verbais contra o presidente Bush, alguns dos quais bastante infundados – o que levou muitos americanos a confirmar que a Sra. Sheehan tem como alvo de seu ódio não exatamente a guerra do Iraque, mas o presidente George W. Bush.
Alguns dos disparos:
- “George Bush deve para de ficar jogando conversa fora, admitir os erros de sua administração falida e retirar suas tropas de New Orleans, que está ocupada pela Guarda nacional, e do Iraque e deixar a presidência dos EUA” (16 de setembro de 2005)
-“Eu estou assistindo a CNN e a programação está 100% voltada para a cobertura do Rita (furacão), embora seja apenas um ventinho e uma chuvinha de nada. Tudo bem é uma coisa ruim, mas há outras coisas acontecendo neste país hoje e no mundo também!”
No dia 6 de agosto, Cindy Sheehan teve um encontro com dois altos representantes do governo Bush, Stephen Hadley, Secretário de Segurança Nacional, e o Chefe do Staff da Casa Branca Joe Hagin. De acordo com o The New York Times, o encontro durou cerca de 45 minutos. Sheehan declarou ter apreciado o encontro embora tenha dito que a tentativa de impressionar e intimidá-la, enviando duas altas autoridades, não a fariam desistir de sua luta.
A respeito da “Demonstration”, no dia 11 de agosto, o presidente Bush foi falar com a imprensa e disse:
“Eu sou solidário à Sra. Sheehan. Ela realmente acredita no seus pontos de vista e tem todo direito do mundo de falar sobre aquilo em que acredita. Isto é a América. Ela tem o direito de se posicionar desta maneira e eu refleti muito sobre isso. Eu sei de seus posicionamentos pelo o que leio e pelo o que ouço: “Saiam do Iraque, agora!”. Acho, porém, que seria um erro para a segurança deste país e para a manutenção da paz, a longo prazo, se isso fosse feito agora”
E ainda, sobre as críticas de Cindy, em relação aos exercícios fiscos praticados por Bush, ele disse:
“Eu acho que é importante prestar atenção a todos que sintam que tenham algo a dizer. Mas, acho que também é importante que eu prossiga com minha vida da melhor maneira possível. Acho que as pessoas esperam que o presidente esteja saudável, tanto mental como fisicamente, para estar bem preparado para tomar decisões. Uma das coisas que preciso para estar bem é fazer exercícios físicos ao ar livre – além de muito bom para saber como estão as coisas nas ruas”.
Não muito inteligentemente, talvez, George W. Bush escolheu uma outra mãe, Tammy Pruett, com uma história bem diferente da de Cindy, para contrastar os dois pontos de vista na mídia. Tammy e sua família aparecem na abertura do site da Casa Branca. Os Pruett têm quatro filhos servindo no Iraque e outro que já voltou de lá. O próprio marido de Tammy serviu na guerra do Iraque, de onde já voltou são e salvo. A Sra. Pruett declarou que se tivesse passado pela dor de Cindy não saberia dizer se não reagiria como ela.
Cindy realmente divide opiniões por todo seu país, ao contrário do que faz em outros, como o Brasil, por exemplo, onde somente as opiniões dos que concordam com ela são veiculadas pela mídia. Até mesmo dentro de sua própria família, a Sra. Sheehan não é unanimidade. Os parentes de Casey, por parte de pai, estão definitivamente contra as atitudes de Cindy: “Nós não concordamos com as motivações políticas e as táticas de publicidade de Cindy para se promover às custas do bom nome e da reputação de Casey. Nós apoiamos as tropas, nosso país e nosso Presidente, silenciosamente, com preces e respeito”.
Cindy rebate as palavras da família dizendo que os parentes de Casey por parte de pai não tinham muito contato com ele e que nunca houve unanimidade política na família. Porém, destaca o apoio recebido por parentes do seu lado da família, como o de sua irmã, por exemplo, que ficou com ela, durante as cinco semanas do acampamento Camp Casey.
A cronologia dos atos de Cindy Sheehan:
18/6/2004 – Falou com o presidente G.W.Bush · 21/9/2005 – a caravana parou perto do Capitólio, 
· 24/9/2005 – uma multidão de adeptos das causas anti-guerra marchou pelas ruas de Washington DC e em volta da Casa Branca, ao som de músicas e prtestos.
·
26/9/2005 – Cindy e vários outros manifestantes foram presos depois de se recusar a deixar a frente da Casa Branca, apesar de serem questionados a fazer isso, por três vezes, pela polícia. Ela e outros 370 manifestantes foram presos por desobediência à lei e desacato à autoridade (o crime, qualificado na Lei americana como misdemeanor, não é exatamente este, mas, neste contexto, pode ser entendido assim no correspondente brasileiro).
Sheehan arrested
Ninguém discute a dor da Sra. Sheehan e muito menos pretende condena-la por reagir com raiva ao fato de seu filho ter morrido numa guerra. Porém, há outras coisas igualmente indiscutíveis neste caso. Ao contrário do que acontecia na guerra do Vietnã, quando muitos dos que para lá foram, não na primeira, mas na segunda vez, haviam sido convocados, Casey alistou-se no Exército, por livre e espontânea vontade, no pleno gozo de suas faculdades mentais – mesmo sabendo que poderia ser mandado para a guerra do Iraque.
O caso de Cindy Sheehan talvez fosse mais bem resolvido se ela passasse a freqüentar um bom psiquiatra, que a fizesse refletir sobre a culpa que ela transformou
Quem seriam estes manipuladores? Nos EUA alguns dos mais respeitados nomes da imprensa livre, qualificados atualmente de liberais conservadores, denunciam: Michelle Mulkey, Mike Smith, Steve Smith, Ryan Fletcher, cada um deles executivos contratados da "Fenton Communications". A Fenton Communication é uma corporação de relações públicas de esquerda com um poder financeiro extraordinário, que vem crescendo desde 1998, com dinheiro do “caixa dois” de agentes de esquerda norte-americanos e estrangeiros, elites de Hollywood e da bllionária Tide Foundation, de George Soro.
São fundações que financiam e prestam serviços de “relações públicas” a todas as pessoas que possam servir à propaganda e ao estabelecimento da teoria da “Mudança Social”. Para os que não sabem, o Manifesto Comunista é fundamentado na Doutrina da Mudança Social, de Karl Marx – a base de todos os movimentos “progressistas” que atuam, hoje, no planeta.
Os executivos pagos pela Fenton são especialistas em relações públicas que selecionam seus clientes baseados na teoria dos 3 “C” (Confiança, Cobertura e Controvérsia). São especialistas em promover tudo que possa fazer propaganda anti-americana e anti-capitalista. Quase todas as ONG(s) e outros movimentos dito não governamentais ou apartidários são patrocinados pela Fenton Communication. Quanto à influência que estes organismos têm na mídia mundial, basta tomar conhecimento do fato de que 98% do material jornalístico veiculado no mundo é gerado pela Associated Press e, ainda, prestar mais atenção ao fato de que 80% de todas as organizações não governamentais de esquerda do mundo são afiliadas da Tides Foundation, de George Soro.
Agora, sim. Depois de saber quase tudo sobre Cindy Sheehan, cada um pode achar o que quiser!
Christina Fontenelle
Pregando no Deserto e Gritando no Vácuo
29/09/2005
As primeiras eleições diretas, em 1985, depois do período do governo militar, elegeram uma enorme quantidade de esquerdistas fanfarrões com sede de poder e vingança. O engodo da propaganda pró-socialista levou milhares de brasileiros a desconsiderar a seriedade da incumbência que os eleitos teriam: elaborar a nova Constituição Brasileira. “Torturado” e “ex-preso político” não são exatamente as prerrogativas a considerar na hora de escolher as pessoas que terão a atribuição de elaborar a Lei Maior de um país.
Deu no que deu: uma lei feita de advogados para advogados – o poder Judiciário deleitou-se na perpetuação de sua onipotência. Mal elaborada, a Carta Magna, de lá para cá, apresenta um festival de emendas, adendos, e sejam lá quais forem os nomes jurídicos para acréscimos, aperfeiçoamentos e correções. Os juristas fizeram a festa!
O resultado é o que estamos vendo hoje: um Ministério Público superpoderoso, que usa a Constituição como bem lhe aprouver, uma vez que os “hieróglifos” jurídicos, muito legalmente, assim lhe permitem. O MP e a Polícia Federal fingem estar agindo como agentes da neutralidade, em defesa do Estado, atuando como verdadeiros “Big Brothers” das escutas e vigilâncias autorizadas. Prendem ricos e poderosos da “elite” que persegue o Presidente Lula e mantém seus partidários “blindados” – tudo na mais perfeita legalidade.
Os donos da Daslu, os donos da Schincariol, Paulo Maluf e seu filho – todos presos para que o Presidente Lula tenha bons argumentos de discurso; para que o povo, escravizado pela desinformação, veja como o governo está prendendo “os poderosos”. Mas, quando se trata dos ladrões e assassinos do PT, aí é preciso muita cautela, muito rigor jurisprudencial, para que não se cometam “injustiças”. E a imprensa de massa segue o jogo do poder: cala-se sobre as irregularidades e faz sensacionalismo dos crimes e da vida dos cidadãos presos.
Não se trata de querer encobrir crime de ninguém e muito menos de negar irregularidades passíveis de pena criminal, mas o fato é que as circunstâncias das prisões, os meios usados para buscar evidências e a condução dos processos evidenciam a atuação de um Estado, senão totalitário, no mínimo arbitrário, com preocupantes características de “gestapo” – tudo dentro da mais perfeita legalidade, repito.
Por outro lado, impressionam a lentidão e a ineficiência destes mesmos MP e PF no que se refere às apurações necessárias para incriminar cidadãos como Delúbio Soares, Sílvio Pereira, José Dirceu, Marcos Valério e Cia.ltda.: as escutas não funcionam (ou se funcionam, são para mera conferência, não valendo como prova); os depoimentos de testemunhas são considerados não comprobatórios; as artimanhas legais são sempre admitidas e acatadas; as “blindagens”, os sigilos e as omissões públicas sempre permitidas. E a mídia corrobora com o silêncio, com as omissões, em nome de “méritos de passados históricos”.
Engraçado também, me parece, a total ausência de uma só voz dos defensores dos direitos humanos que se faça ouvir, para exigir o cumprimento de direitos, senão constitucionais, pelo menos individuais, mais básicos, como, por exemplo, os do Sr. Paulo Maluf e de seu filho, de estarem em celas especiais e de receberem alimentação adequada – se é que haveria a necessidade de estarem cumprindo prisão preventiva. Digo isso, porque, usando a mesma medida e peso, todos os envolvidos nos escândalos de assalto aos cofres públicos deveriam estar nesta mesma condição, uma vez que vêm, sistemática e evidentemente, coagindo testemunhas, atrapalhando as investigações e destruindo provas – as “mesmíssimas” razões alegadas para justificar a prisão preventiva dos Maluf.
Quero lembrar aos senhores leitores que, com uma boa dose de escutas telefônicas, investigações profundas e quebras de sigilos bancários, em se tratando de constitucionalidade, praticamente qualquer cidadão poderá, amanhã, estar sujeito a enquadramentos criminais – desde um erro na declaração de imposto de renda ao mínimo equívoco no pagamento de algum funcionário doméstico. Muitos dos que agora se acham inatingíveis poderão estar sob as garras arbitrárias do Estado “Big Brother”. Os “hieróglifos” da Constituição e do Código Penal certamente fornecerão justificativas legais para a ação da gestapo estatal.
Penso que talvez muitos dos colegas da imprensa, e da mídia em geral, que hoje pensam estar omitindo em nome de governabilidades, em nome de cumplicidades histórico-ideológicas ou até em nome de responsabilidades, arrepender-se-ão, inutilmente, quando perceberem que já será tarde demais para falar. E muitos ainda serão vítimas da mesma crueldade egoísta e traidora com a qual o Senador Aloísio Mercadante dirige, hoje, àqueles que sempre soube estar trabalhando para que ele chegasse aonde chegou – ele se vira contra os seus para livrar a própria pele e permanecer encenando seu personagem.
É bom lembrar que comunistas só não podem ser chamados de ateus porque têm como Deus o poder bolchevique ditatorial. Usam a democracia, a mentira e a imprensa para chegarem ao poder e, logo depois, a amordaçam – inclusive condenando à morte todos aqueles que ousarem deles discordar. Por isso, que se cuidem os que forem e os que pensam que são do Campo Majoritário das esquerdas do país.
Christina Fontenelle
Pregando no Deserto e Gritando no Vácuo
18/08/2005
Caro Presidente,
O povo brasileiro, agora, responde ao seu discurso, com todo respeito:
Meus amigos e minhas amigas,
O 7 de setembro é dia de emoção e reflexão.
Neste dia, 183 anos atrás, começamos a nos tornar uma nação independente, marco histórico de uma luta iniciada bem antes e que continua até hoje. Sim, porque a luta pela independência continuará enquanto houver um só interesse nacional a defender e um único brasileiro a ser libertado da miséria.
Querido presidente, sem querer interromper e já interrompendo, sentimos informar que defender os próprios interesses é também, e principalmente, característica de nações que já conseguiram sua independência e que, na aldeia global, isso é diretamente proporcional aos poderes bélicos e econômicos. Nesse sentido, é com profundo pesar, que humildemente lembramos a vossa senhoria estarem nossas Forças Armadas sucateadas e relegadas ao abandono, inclusive salarial e nossa economia estar exclusivamente voltada para produzir dividendos para pagamento de dívida externa – o que a caracteriza como extremamente dependente.
No dia da Pátria, quero refletir com cada um de vocês sobre a extraordinária capacidade que temos, povo e governo, de enfrentar e superar desafios. Se há uma característica marcante do povo brasileiro é a de lutar contra a adversidade - e vencê-la. O diferencial do meu governo é justamente este - o de não recuar diante dos obstáculos, por maiores que sejam - e superá-los. Foi assim desde o início.
O único obstáculo vencido, até agora, por seu governo, foi conseguir calar o que resta da imprensa verdadeiramente ética e comprometida com sua missão de informar o povo sobre o que acontece em seu governo: a corrupção, a tomada stalinista do Estado, a política de subserviência aos Bird, Banco Mundial, FMI, etc. Além do mais, o povo brasileiro não luta contra adversidades coletivamente, como entidade, e sim individualmente, cada um por si, com criatividade e até fazendo mágica. Além disso, quais são os obstáculos? Quais foram vencidos?
Todos sabem que, quando eu assumi a Presidência, o Brasil estava mergulhado em uma profunda crise econômica e social. O quadro era assustador: a economia estagnada, o desemprego crescendo, a inflação disparando e a crise social prestes a explodir. Muitos não acreditavam que eu fosse conseguir. Hoje, 32 meses depois, cada um de vocês é testemunha: vencemos a crise econômica, recolocamos o país nos trilhos. Juntos, governo e povo, fizemos o Brasil voltar a crescer de modo sustentado. Os resultados estão aí, à vista de todos.
Senhor presidente, devemos lembrá-lo que o quadro atual, a não ser para os que se beneficiam da sua política de gerar dividendos para pagamento da dívida externa, continua exatamente o mesmo. Sim, porque, no país em que vivem os brasileiros, todas estas coisas que o senhor cita, e as pesquisas insistem em dizer que estão controladas e melhorando, continuam sendo realidade implacável.
A economia cresce, a indústria cresce, o comércio cresce, as exportações crescem, o emprego cresce, o salário cresce, cresce a transferência de renda para os pobres, a inflação cai, o custo da cesta básica também cai. Dessa vez, o crescimento é para todos, com geração de empregos e distribuição de renda.
Na Suécia?
Graças a Deus, e a muito trabalho, nosso governo já criou 3 milhões e 200 mil novos empregos, com carteira assinada. Não é tudo que precisamos. Mas já é bastante e tenho orgulho disso. O Brasil entrou definitivamente na rota do desenvolvimento. E nada nos desviará desse caminho.
Sem querermos ser chatos, mas acho que, infelizmente, sendo, criar empregos temporários ou que paguem salários pífios não adianta muita coisa para quem pretende promover o desenvolvimento e o reaquecimento do mercado interno. A classe média, responsável pelo pagamento de grande parte dos impostos e pela geração da maior parte de empregos mais razoavelmente bem remunerados está abandonada e sendo, cada vez mais, acondicionada à condição de simples força-de-trabalho. Nossa sociedade está se transformando numa cultura de três classes: pobres (assalariados), ricos (empresários, latifundiários, políticos, etc.) e dirigentes governistas (a máquina estatal do PT).
A dívida social teria desanimado quem não estivesse, como eu, habituado a enfrentar dificuldades. Mas pusemos mãos à obra, implantamos programas sociais inovadores, passamos a enxergar e a cuidar dos pobres deste país. Ainda temos muito o que fazer, mas os resultados já estão aparecendo.
Todos os programas sociais do governo mostraram-se um verdadeiro fracasso. Talvez porque já esteja na hora de admitir publicamente que o povo brasileiro esteja cansado de caridade, principalmente por saber, antecipadamente, que isso não funciona e nunca tenha funcionado além dos primeiros efeitos.
O Brasil está mudando para melhor. E mudará cada vez mais, porque foi para isso que viemos, para juntar o econômico com o social, para juntar os números da economia com a qualidade de vida das pessoas. E estamos semeando o futuro, investindo fortemente na educação e na infra-estrutura. Hoje, podemos dizer com humildade, mas com o sentimento do dever cumprido: o Brasil está se tornando um país cada vez mais produtivo e solidário.
Sr. Presidente, este não é o país que nós conhecemos. Estaria o senhor falando de um país que vaga em seus idílicos pensamentos? No mesmo em que o senhor se inspira para discursos tão pouco esclarecedores, de “elites”, de “conspirações”, de “traidores”?
Permitam-me nesse dia da Pátria, dia da soberania nacional, celebrar com vocês uma grande conquista: este ano alcançaremos a nossa auto-suficiência na produção de petróleo, que tornará o Brasil muito menos vulnerável diante das crises internacionais.
É uma pena que essa autonomia jamais tenha significado preços baixos nas bombas de combustível e, por efeito de cadeia, em todos os produtos e serviços que dependam deste recurso. Devemos alertá-lo, inclusive, Senhor Presidente, de que todos os orientadores econômicos internacionais atuais apontam para o sentido de buscar fontes combustíveis alternativas.
Por isso, digo a vocês com toda a convicção: da mesma forma que soubemos vencer o desafio da crise econômica, e estamos vencendo o desafio da dívida social, saberemos superar - com coragem e serenidade - as atuais turbulências políticas. A crise política também será vencida, pelo Congresso, pelo governo e pelo povo brasileiro. Será vencida com a apuração cabal de todas as denúncias e com a punição rigorosa dos culpados. Nem eu nem vocês admitiremos qualquer contemporização, nenhum acordo subalterno. Doa a quem doer, sejam amigos ou adversários. O fundamental é que a verdade prevaleça e que não haja impunidade. Que as CPIs apurem, que a Polícia Federal investigue, que o Ministério Público denuncie, e que a justiça, soberana, julgue. O que não podemos, de modo algum, é permitir que essa crise política seja manipulada por interesses menores e se alastre artificialmente, contaminando de modo abusivo e desnecessário a vida nacional. Por isso, faço questão de tranqüilizar as pessoas de bem, e advertir aos mal intencionados, que as turbulências políticas não vão tirar o governo do seu rumo. A política econômica será mantida, a política social continuará sendo ampliada, a política externa seguirá seu curso e a vigilância ética será redobrada. É preciso separar o joio do trigo para que possamos punir quem deve ser punido, inocentar quem deve ser inocentado, corrigir o que deve ser corrigido - e seguir em frente, construindo um país mais transparente, com nossa democracia fortalecida. Porque o Brasil é maior, muito maior do que tudo isso. E não podemos perder as oportunidades econômicas e sociais que nós mesmos construímos, à custa de muito sacrifício. Conto com cada um de vocês para que o país continue a crescer, a gerar empregos e a distribuir renda. Que estejamos todos à altura do país sonhado pelos fundadores da nacionalidade.
Resumindo:
Serão punidos todos os que não conseguirem uma forma legal de escapar das punições e quem não conseguir instrumentos de chantagem que lhe garanta impunidade. Eu (o presidente) já estou garantido aqui, porque ninguém quer um golpe militar ou coisa parecida. Mesmo porque as Forças Armadas estão dominadas e os políticos não têm como dar golpe sem armas. Além disso, a máquina do Judiciário está toda sob controle e eu sei que nada que não seja extremamente óbvio acontecerá. A gente vai mandar até o final do mandato e, depois, bolar um jeito de continuar ingrupindo o povo, para emplacar um outro candidato qualquer na presidência da República. De minha parte (do presidente), continuarei a mentir sistematicamente, para convencer pela repetição.
Obrigado e boa noite.
De nada, Senhor Presidente.
By the way, se Dona Mariza esticar seu rosto mais um pouquinho vai acabar não conseguindo mais abrir os olhos. Entendemos que quem nunca comeu melado, quando come se lambusa, mas podemos ir com calma, certo?
Christina Fontenelle
Pregando no Deserto e Gritando no Vácuo
08/09/2005
Parece que depois de verem esse mar de lama que envolve o governo e a política nacional, meus filhos verão uma moral da estória bem distante daquela que lhes poderia servir de exemplo.
Enquanto o deputado federal Roberto Jefferson, homem que denunciou o “mensalão”, mesmo depois de ter recebido 4 milhões desse esquema, teve o processo de cassação de seu mandato encaminhado à Câmara, pelo Conselho de Ética, para ser votado, o operador mor de todos os esquemas de corrupção e de assalto aos cofres públicos, José Dirceu, continua circulado pelo Congresso. Lépido e faceiro, ignorando todas as acusações e evidências que pesam contra a sua pessoa, o deputado alega razões de ordem técnico-legislativa, para continuar exercendo seu mandato de deputado federal, permanecendo, ainda, como membro de seu partido (PT), pretendendo disputar, inclusive, as eleições para presidente do mesmo.
Não que se queira impunidade para Roberto Jefferson, porque esta moral também não seria boa; mas, que fosse, ao menos, o último dos declaradamente envolvidos a ser punido. Não interessam, na verdade, os motivos que levaram o deputado a denunciar algumas facetas da enorme rede de corrupção que assola o país. O que importa é que, se Roberto Jefferson não tivesse “dado sua cara à tapa”, talvez não tivéssemos conseguido colocar um freio nos planos maquiavélicos do PT. Há que se reconhecer que esse mínimo é devido ao deputado Roberto Jefferson.
Já o deputado José Dirceu está na pele daquele criminoso que cometeu crimes testemunhados por várias pessoas, mas que, por sempre apresentar álibis muito bem construídos, obriga a justiça a optar pela inocência, por falta de provas contundentes. As provas testemunhais têm sido sistematicamente invalidadas, com o argumento de que são necessárias provas físicas dos crimes. A tese é de que, mesmo que seja um ladrão, não pode ter seu mandato cassado, porque não cometeu crime de decoro parlamentar. Enquanto isso, o dinheiro público continua sendo usado para pagar o seu salário.
Então, a moral da estória fica a seguinte, para nossos filhos:
Roube, sem deixar pistas concretas, aliciando o maior número de pessoas possível, para que nenhuma delas possa denunciá-lo. Caso o façam, não terão como provar e estarão incriminando a si mesmas, uma vez que terão que declarar sua participação no roubo, para legitimar a denúncia. Pode mandar matar, também, usando o mesmo raciocínio. Pague qualquer preço para ter o poder. E, finalmente, não banque o herói, depois de ter presenciado ou participado de qualquer crime, pois os culpados não serão punidos – quando muito, alguns pequenos idiotas o serão – e você ainda acabará perdendo tudo o que tem, inclusive, talvez, a própria vida. Ah! Não se pode esquecer uma última e incrível lição: minta com convicção, olhando os outros bem dentro dos olhos, pois a mentira, assim, parecerá verdade,
Christina Fontenelle
Pregando no Deserto e Gritando no Vácuo
2/09/2005
Dormi no Brasil e acordei na Suécia! Pois é, bastou tirar uma soneca de fim de tarde e, ao acordar, ligar a TV na Globo para eu achar que estava em outro país, em outra época. Não foi na hora da novela das seis, não. Foi bem na hora em que o Jornal Nacional estava descrevendo as maravilhas econômicas dos novos resultados do PIB brasileiro.
Diziam festivamente que as indústrias estavam em franco crescimento, criando muitos empregos e pensando em investir horrores, em 2006. Divulgavam que, segundo os dados do IBGE, o consumo das famílias, que tem peso aproximado de 60% no cálculo do PIB, teve alta de 0,9%; o consumo do governo cresceu 1,1%; as exportações de bens e serviços subiram 2,6% e as importações aumentaram 2,4%; as Exportações de Bens e Serviços seguiram a trajetória de crescimento, iniciada no segundo trimestre de 2003 e avançaram 2,6%; a agropecuária cresceu 1,1%, no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre de 2005 e, finalmente, a indústria teve expansão de 3% e os serviços, de 1,2%.
Depois deste baque de surrealismo e olhando em volta para identificar objetos e disposições que me garantissem a certeza do real (meus filhos, meu cachorro, móveis, etc.), continuei assistindo ao JN e, estupefata, vi congressistas votarem a favor do reajuste salarial dos funcionários da Câmara e do Senado, contra o veto da presidência. E, na seqüência, para fechar com chave de ouro, assisti o Deputado José Dirceu bradar, em relação ao processo de cassação de seu mandato, que tinha direito a todos os trâmites legais de defesa, de apresentar testemunhas e de exigir provas mais contundentes do que simples depoimentos descabidos.
Confesso que muito me surpreendeu a veemência com que Dirceu defendeu seus direitos de defesa, uma vez que, em relação aos seus inimigos da “ditadura militar”, jamais deu o direito (nem a mídia, diga-se de passagem) de defesa e muito menos exigiu testemunhas que validassem o que sempre disse sobre as “perseguições” sofridas. Neste caso, sempre se prevaleceu de suas próprias palavras, assim como quem valoriza, e muito, a simples prova testemunhal (mesmo que seja a própria). Inclusive, foi valendo-se deste mesmo conceito que conseguiu receber, dos cofres da nação, indenização e pensão, por causa da perseguição política que sofreu. É o que dizem: nos olhos dos outros é refresco! Não é nobre deputado?
Economia em franco crescimento e tentar controlar os gastos, vetando aumento dos servidores, parecem ser excelentes argumentos para manter blindados o Palocci e o presidente Lula. Entregaram de bandeja os temas para o próximo discurso do presidente. Já estou até vendo:
“O PIB, que é o resultado de tudo que o país produz, é o maior de todos os tempos. Nossa economia cresce como nunca e o povo está voltando a consumir. É por isso que a oposição está desesperada, fazendo insinuações de corrupção contra mim, contra o governo do PT e até contra o ministro Palocci, sem nada conseguir provar. Esta mesma oposição, que cobra honestidade e desempenho, vota aumento para servidores da Câmara e do Senado, sabendo que não há dinheiro a ser desperdiçado com salários, porque o meu governo quer investir dinheiro em obras para o povo!”
E todos aplaudem e se iludem com mentiras e mais mentiras. São as CPI(s) correndo atrás das provas que incriminam este governo absurdo e o presidente fazendo campanha, espalhando mentiras populistas. O homem, agora, deu para se comparar a Jucelino Kubistchek, dizendo que tem que ter a paciência do mesmo. A própria filha do ex-presidente já disse que seu pai poderia ser tudo, menos paciente e pediu, encarecidamente, que Lula parasse de se comparar a seu pai, principalmente em matéria de honestidade.
Mas, o pior mesmo foram as notícias do PIB e das maravilhas econômicas. À exceção de contraventores, sonegadores, inadimplentes compulsivos, alguns artistas, desportistas, mega-empresários e latifundiários, não conheço ninguém que esteja vendo ou vivendo essa Disneylândia econômica. Vejo desemprego, inadimplência, rebaixamento de classe, diminuição de consumo, demissões, mudança de hábitos (por contenção de despesas), gente sem dinheiro nem para ir ao médico ou comprar remédios e coisas desse tipo.
É tanta falação sobre as maravilhas econômicas deste governo que começo a achar que quem deve estar vendo coisas seja eu (e todos os meus conhecidos). A não ser que o aumento do consumo das famílias tenha realmente aumentado, porém, em proporção direta ao seu inevitável endividamento (ou inadimplência); que o consumo do governo tenha aumentado com os gastos excessivos em publicidade e com cartões de crédito administrativos; que as Exportações de Bens e Serviços, a agropecuária e a indústria tenham crescido por causa de incentivos especiais aos setores que possam gerar divisas para o pagamento da dívida externa do país e, finalmente, que as importações que aumentaram sejam todas de quinquilharias de Taiwan e da China, em detrimento das médias e pequenas empresas nacionais. Aí sim, dá para entender!
Mas, acho mesmo é que dormi no Brasil e acordei na Suécia; mas, não como cidadã sueca de primeiro mundo e sim como imigrante ilegal!
Christina Fontenelle
Pregando no Deserto e Gritando no Vácuo
01/09/2005
Hoje, mais uma notícia sobre os incríveis recordes que tem batido o superávit primário da economia brasileira é estampada nos jornais: cresce para 8,8 bilhões. Com esse dinheiro, o governo brasileiro vai pagar os juros da dívida externa e não vai investir um só centavo no Brasil. Enquanto isso, morre mais um brasileiro, â espera de atendimento, na fila de um posto de saúde, no bairro Cardoso,
O país das CPI(s) segue não provando absolutamente nada e sem conseguir esclarecimentos concretos sobre o caos de corrupção que envolve os quadros de comando da nação. As caras e bocas dos suspeitos, desde o começo das investigações, refletindo as certezas de impunidade, começam a concretizar as provas de que tinham sua razão de ser. Nada acontecerá com os verdadeiros culpados e nada poderá ser provado. Lula e o PT continuarão ad eternum no poder e nem as Forças Armadas se rebelam para defender o povo da tirania dos ladrões do governo.
Os banqueiros e os grandes empresários comemoram seus lucros e a população, refém da mídia esquerdista e da escravidão do trabalho para pagar casa, comida e dívidas, não encontra agregadores para organizar manifestações legítimas, que possam dar vazão a seus gritos de indignação e desespero. É a tão sonhada estagnação social, de maioria semi-analfabeta, como a mãe do atual presidente. É o parque de diversões do PT do neo-socialismo.
Hoje também é o dia em que eu, como a Velhinha de Taubaté, de Luiz Fernando Veríssimo, morro para a cidadania brasileira. Sem mais esperanças de um futuro política e socialmente saudável para meus filhos, rompo com o sistema eleitoral, aposentando meu título de eleitor, e só continuarei a contribuir com o que for exclusivamente coercitivo – como o pagamento de impostos e contas, dos quais não possa fugir. Meu maior objetivo nesta vida será, a partir de agora, procurar algum lugar do mundo para onde possa levar meus filhos e juntar recursos para isso. Adeus Brasil!
Christina Fontenelle
Pregando no Deserto e Gritando no Vácuo
26/08/2005
Rio de Janeiro, 25 de agosto de 2005
Desta vez Glória Perez realmente conseguiu acertar um soco na boca do estômago de todas as mulheres casadas, com mais de 35 anos, do país. O romance entre Lurdinha (Cléo Pires) e Glauco (Edson Celurari) é o céu dos homens de meia idade e o inferno das maltratadas esposas brasileiras.
Nesta última semana, posso garantir: todos os machos grisalhos (ou carecas) do país estiveram sonhando com uma Lurdinha em suas vidas – ou com a própria. A deliciosa fada madrinha que aparece para resgatar a juventude que o corpo e as desventuras da vida insistem
Nessa altura do campeonato, quase todos os “middle age man” do país estão ao lado daquelas esposas cuja aparência e disposição refletem seus fracassos pessoais e profissionais. Sim, porque, na nossa sociedade, já é sabido que o vil metal não traz felicidade, mas a falta dele é quase que um obstáculo intransponível para sua conquista. E as relações do ser humano com o espelho são bastante complicadas, não é mesmo?
Glauco e Lurdinha se mandam para Miami (U$ 1500, despesas de locomoção), se hospedam num hotel cinco estrelas (U$
Queria muito ver a Lurdinha e o Glauco ficarem nessa paixão toda, lá em Realengo (subúrbio do RJ); hospedados num hotelzinho “vagaba”, de beira de estrada, jantando pão com média, nas biroscas da redondeza e fazendo as compras de transformação de visual num camelódromo qualquer. E o cabelo? O cabelo seria cortado no salão da garagem da casa de uma dona Lurdes qualquer. Tudo isso regado a maravilhosos passeios de ônibus (entre um assalto e outro) pela cidade. Tá bom, eu estou exagerando! Vamos subir um pouquinho mais o nível. Isso fica com a imaginação de cada um; mas as despesas com os juros do cartão de crédito e do cheque especial ficam com os machos grisalhos, tá bem?
Haidée está horrorizada – como todas as mulheres casadas do país. Mas, quiseram elas estar nas condições da personagem: rica, linda, bem tratada e com um outro homem que morre de amores por ela e, até bem pouco tempo, correspondido. O melhor de tudo: corre atrás do marido com uma amiga à tira colo! Garanto que há muita mulher por aí que queria estar passando por esse enorme “sofrimento” de Haidée. Aliás, a solução para ela também tem preço: separação amigável, com direito à metade de tudo que Glauco construiu e ainda, é claro, participação anual vitalícia nos lucros das empresas.
Cheia do dinheiro, Haidée poderia mudar-se para Miami e casar com seu fogoso amor Tony, deixando para trás, inclusive, aquela chata daquela filha, a Raíssa, que quer mais é vê-la pelas costas, torcendo incondicionalmente para o querido papai Glauco, em sua nova aventura amorosa. De quebra, poderia reservar o mais privilegiado camarote para assistir ao inexorável desfecho do caso de amor entre Glauco e Lurdinha: daqui a uns dez anos, se tanto, certamente o romance acabará, com Lurdinha (bela e faceira) colocando um belo, enorme e brilhante par de chifres no “tio Glauco” – isso, é claro, depois de ter dado um herdeiro ao “tio”, para garantir uma gorda e perpétua pensão. Fica a sugestão.
Enfim, ao invés de sonhar com Lurdinhas, os grisalhos e carecas deveriam mesmo é concentrar-se no sentido de enriquecer primeiro, para reformar suas esposas e seus estilos de vida. Se isso não lhes trouxesse satisfação, então, uma Lurdinha poderia ser bem vinda – e um Tony, também, por que não? Enquanto isso, as novelas seguem desmoralizando tudo que há de bom e puro nas relações familiares!
Christina Fontenelle
Pregando no Deserto e Gritando no Vácuo
26/08/2005
Portanto, não adianta continuar veiculando informações estatísticas distorcidas, porque elas não vão fazer com que o povo acredite que o presidente Lula seja inocente. Assim como não fizeram com que a população desabonasse as Forças Armadas, apesar da chuva de injúrias e injustiças lançada sobre elas pela mídia, nos últimos 20 anos.
O povo brasileiro não é burro nem cego, não gosta de apologia à falta de instrução e detesta comunista. Entendam isso de uma vez por todas, senhores do governo, senhores parlamentares e senhores da mídia.
O Lula foi eleito por uma concessão da classe média e, pelo voto, se as eleições não forem fraudadas, ele não volta para o Palácio do Planalto. Não é a toa que ele vem tentando jogar a classe menos instruída do país contra aqueles que têm instrução, tentando propagar o ódio entre classes, em seus últimos discursos. Não vai conseguir, porque o que divide a sociedade brasileira é o poder aquisitivo e não as ideologias.
É muita presunção, cegueira e burrice dos assessores de marketing do presidente acharem que vão conseguir vestir o povo brasileiro com carapuças de idiota, através de um ícone de identificação falsificado. E é este mesmo raciocínio que move o PT na condução da CPI dos Correios, depois que se tornou inevitável.
A marca do PT nas relações de poder já ficou estabelecida na constituição da CPI, quando, ao invés de respeitar o direito do bloco PSDB/PFL, maior bancada no Senado, de ocupar um dos postos-chave da CPI, o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), flexibilizou a tradição, alegando que "a proporcionalidade não pode preponderar sobre avaliações políticas".
Dessa forma, o governo conseguiu eleger o presidente da CPI e indicar seu relator. O líder do PT, senador Delcídio Amaral (MS) venceu a disputa da; o relator escolhido foi o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), ligado ao ministro José Dirceu (Casa Civil). A vice-presidência também ficou com um governista, o senador Maguito Vilela (PMDB-GO). São 32 integrantes: 16 senadores e 16 deputados, sendo 19 governistas e 13 oposicionistas. Assim, dominando os dois principais cargos da comissão e com maioria, o governo vai controlar a condução das investigações. Só esta composição já configuraria o caráter cenográfico que se pretende dar a CPI e, mais cedo ou mais tarde, os oposicionistas perceberão que se trata de arapuca.
Os convocados mentem e omitem descaradamente, respaldados nos mais variados tipos de recursos legais, conseguidos por advogados do PT, sob a jurisdição de entidades indicadas pelo PT. Os documentos requisitados pela CPI demoram horrores, já que os órgãos responsáveis pela execução dos pedidos estão sob controle do PT. A demora garante tempo para fraudes e falsificações. A máquina estatal está toda empenhada em dificultar ou mesmo impedir os trabalhos da CPI e os envolvidos no esquema de corrupção agem todos sob a batuta de um mesmo grupo de advogados, que coordenam todo o passo a passo, tanto de um lado como de outro.
Prova disso são os depoimentos combinadamente coordenados dos envolvidos com o PT; os inesgotáveis recursos jurídicos empregados quase que em sintonia com as declarações de impotência da bancada da CPI ou do judiciário; a citação do nome de dois parlamentares, pelo Sr. Marcos Valério, ao prestar depoimento na Procuradoria-Geral da República, motivo suficiente para alterar a competência das investigações para o STF (Supremo Tribunal Federal); a demora da procuradoria Geral da República do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a remessa, para a CPI, de documentos apreendidos no Banco Rural,
A CPI já mantinha investigações sobre a remessa de divisas feita por Marco Valério para conta no exterior, uma vez que estas informações já haviam sido obtidas durante a CPI do Banestado. Porém, a confirmação do ato pode prejudicar o deputado José Mentor (PT-SP), relator daquela CPI, por não ter citado o Banco Rural, executor da operação ilícita, em seu relatório e posteriormente ter surgido um saque feito por pessoa a ele ligada.
Fato que qualquer pessoa mais inteligente já tinha percebido, agora, há suspeitas entre membros da CPI dos Correios de que o Banco Rural pode ter fraudado documentos fornecidos à comissão. Além do atraso no envio à CPI da lista de quem irrigou dinheiro para as contas de Valério, o banco apresentou, em alguns casos, a relação de saques sem identificar o sacador. Na documentação, constam saídas de 11,8 milhões de reais, em grandes retiradas, sem figurar o beneficiário do dinheiro, quando a lista deveria trazer a cópia do cheque, a ordem de pagamento e a carteira de identidade do sacador.
E por último, CPI adia entrega de pedido para prisão de Marcos Valério, porque ouviram do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que seriam necessárias provas mais consistentes que garantissem a decisão da prisão de Marcos Valério pela Justiça. Provas mais consistentes do que combinar depoimento com outros envolvidos, testemunhado por 180 milhões de brasileiros, no Jornal Nacional? Prova mais consistente do que mandar queimar documentos comprobatórios? Prova mais consistente do que conseguir que sua mulher depusesse sem assumir o compromisso de falar a verdade? Prova mais consistente do que usar de recurso jurídico para transferir as investigações para o STF, ao citar parlamentares em depoimento, ao próprio Procurador-Geral da República? Pelo amor de deus! Desfaçatez tem limite!
Só para esclarecer, antes que pensem o contrário: o cargo de Procurador-Geral da República é nomeado pelo Presidente da República, que apesar de poder nomear quem quiser, costuma respeitar o candidato mais votado, de uma lista de três nomes, em eleições internas do MPF. O indicado tem que ser aprovado pela maioria absoluta do Senado Federal. Pode ser destituído (exonerado de ofício) pelo Presidente da República, mediante prévia autorização, da maioria absoluta do Senado Federal. Tudo isso para garantir legitimidade e independência.
Nem tudo está perdido, porque o fato de estar sendo acompanhada pela população, através da mídia e de consultas independentes, aos oposicionistas resta aproveitar o momento para se revelar ao povo, através de discursos, empenho nas investigações, seriedade nos questionamentos, agilidade na denúncia de irregularidades e aparecendo nas inúmeras entrevistas que suas posições lhes proporcionam dar. A CPI tem se mostrado um excelente palanque eleitoral. E esse tem sido seu único mérito, até agora, já que não acrescentaram nada ao que tenha sido previamente veiculado na mídia.
O povo brasileiro, entretanto, percebeu o engodo e também já tem a medida da extensão do controle do Estado por parte do PT, não tanto pelos montantes de dinheiro envolvidos, mas pelas manobras políticas e pela arquitetura unificada de ação
Se isto acontecer, não restará alternativa à população, senão recorrer à única instituição capaz de libertar a nação da quadrilha petista – as Forças Armadas. A esta, por sinal, não faltariam motivos para querer ver este governo pelas costas. O silêncio e a subordinação das tropas, não é por obediência ao governo e muito menos subserviência. É por respeitar o Estado democrático e a vontade soberana da população brasileira, ao contrário do que a mídia insiste
Portanto, ou o PT dá um golpe em si mesmo e desiste de sua intentona, ou a população pedirá que alguém o faça.
Onde está o quarto poder? É inadmissível o comportamento dos meios de comunicação de massa, salvo a Internet (que ainda no Brasil não pode ser considerada como tal, por não abranger a população de baixa renda) para com o povo brasileiro nesta hora tão difícil.
O país atravessa a maior crise dos últimos 40 anos e a mídia, ignorando o fato de sua grande penetração e influência na vida dos brasileiros, alardeia escândalos de corrupção, mas se mostra incapaz de sobrepujar seus próprios interesses aos da nação brasileira. É por estas e outras que, segundo pesquisa do IBGE (por acaso somente divulgada pela Internet), 74% dos brasileiros elegeram as Forças Armadas como instituição em que têm mais confiança.
A despeito de estarem divulgando e cobrindo intensivamente todos os fatos relacionados à crise do governo Lula, ainda editam tendenciosamente, cometem sérias omissões e insistem inexplicavelmente em, digamos, superficializar o comprometimento do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva (recuso-me a lhe dar o título de Presidente do Brasil) e da situação de total desgoverno do país, onde inclusive o presidente do Banco Central, o ministro da Fazenda e muitos dos membros do Judiciário estão igualmente comprometidos e coniventes com a corrupção instalada no país.
A Imprensa não assume esta inexorável evidência diante da nação e não se solidariza à ela no compromisso com a verdade. Há 40 anos vigora no país a tão sonhada liberdade de imprensa. A mesma que também, há 40 anos, vem enaltecendo as figuras desta corja de corruptos, omitindo da população a realidade de biografias e propósitos, sabidamente tendenciosos e equivocados. Talvez por isso, agora, tenha tanta dificuldade em assumir os enormes erros que induziram a maioria dos brasileiros a cometer.
A mídia, estupefata, constata que a história e a verdade são mais poderosas do que suas possíveis manipulações. O reconhecimento, pela imprensa, de que os ideais de liberdade de expressão e de democracia do voto direto eram seus, e de um grupo de intelectualóides, e não do povo brasileiro, é o mínimo que se espera do quarto poder. Além disso, como expiação de sua dívida para com a nação, a mídia deveria empenhar-se efusivamente em livrar o país dessa corja de corruptos – incluindo aqui, além dos membros do atual governo, os de outros passados e os empresários corruptores.
O povo brasileiro quer saúde, trabalho, casa, comida, oportunidade, educação, diversão e arte – necessariamente nesta ordem. A família bem estruturada; o direito de não achar o homossexualismo normal (no sentido de norma), embora possa conviver pacificamente com ele; o direito de achar que, no Brasil, o preconceito social seja de ordem financeira e não racial, já que há tanta mistura de raças; o direito de achar que os organismos da justiça do trabalho sejam uma indústria de empreguismo, de enriquecimento de advogados inescrupulosos e de instrumento de empregados para roubo institucionalizado de patrões – com raríssimas exceções, que, de tão raras, poderiam ser julgadas em tribunais não necessariamente especializados.
O povo brasileiro quer ter o direito de estar de saco cheio de ONG(s) e entidades de direitos humanos estarem a toda hora defendendo causas, baseados em razões e ideologias duvidosas; o direito de achar que índio é tão brasileiro quanto todos os que nascem no Brasil e de que, se quiserem viver em reservas demarcadas, como inimputáveis e como tesouro a ser preservado, que o façam sem nenhum contato com a civilização, ainda mais se for para trocar mercadorias por dinheiro.
O povo brasileiro quer ter o direito de saber que o Estatuto do Desarmamento já foi aprovado; de saber que com a nova lei, se quiser registrar sua arma, terá de pagar uma fortuna ou, então, entregá-la para o Estado, sob pena de ser preso, sem direito à fiança, se for pego com esta, mesmo que ela esteja em local seguro, dentro de sua residência; o direito de saber que, quando for viajar, nas “seguríssimas” estrada do país, não poderá portar arma; o direito de saber que, se responder sim ao refendo de outubro, estará condenando todos os brasileiros que já possuam armas em casa, para se proteger, a não poder comprar munições para abastecê-las, se e quando necessário; o direito de querer que os bandidos sejam desarmados antes de se pensar em sequer cogitar o desarmamento da população.
Esses, entre outros a pesquisar, são os reais desejos do povo, que a mídia tenta mudar permanente, ostensiva e irresponsavelmente, em prol de interesses não muito identificáveis, mas que certamente são de minorias. Reconheçam isso, senhores da mídia, se for a democracia o que realmente querem, já que esta é o governo do povo, para o povo, pelo povo – aqui, não necessariamente, nesta ordem. Tenham, pelo menos, a responsabilidade de dar espaço a outras falas. Não assumam mais o risco das conseqüências históricas advindas da manipulação ou da omissão indevida de informações.
A dívida da imprensa com as Forças Armadas brasileiras também é grande. Mais uma vez, negligenciando seu dever conceitual de informar e de ser um instrumento importante de expressão popular, a mídia, além de sempre ter defendido, muito cristalinamente, a posição daqueles que eram e são contra o regime militar, há 40 anos, vem sendo conivente com o descaso dos governantes para com as FA. Muito pior, vem omitindo da população, sistematicamente, pelo menos em grau de destaque, dois fatos que estão muito relacionados com a importância das FA: a militarização do MST (Movimento dos Sem Terra), entidade sabidamente apoiada e financiada pelo governo do PT, e a importância da ocupação da América – Latina, por bases militares norte-americanas – já são 20 e uma delas é de caráter permanente, justamente no Paraguai, perto da estratégica região da tríplice fronteira (Paraguai, Uruguai e Brasil).
A população brasileira tem o direito de saber sobre os atentados à bomba, sobre os assassinatos, sobre os assaltos e tantas outras formas de agir dos ditos “perseguidos” pelo regime militar. Eles chamaram para si o direito de matar, em nome de seus ideais, que queriam imputar, como sendo os mesmos do povo brasileiro – coisa que efetivamente todos nós sabemos não se tratar de verdade. Os senhores da luta armada queriam implantar a ditadura comunista, em proveito próprio, como ainda o querem hoje, dêem o nome que quiserem. Foi e é uma luta em causa própria. E, inegavelmente, a imprensa foi tremendamente responsável pela ascensão de muitos destes senhores ao poder. Acredito que eles todos já tiveram a oportunidade de mostrar ao que vieram.
Minha última alusão a personagens da chamada ditadura militar será sobre o tão nacionalmente querido Chico Buarque de Holanda. Mudo. Este jovem senhor, permanece mudo, desde as primeiras evidências das atrocidades do governo de Lula. Tão produtivo durante o regime militar, ditadura durante a qual enriqueceu e criou fama, o senhor Chico Buarque parece ter sepultado sua capacidade criativa, com o término da mesma. Hoje, limita-se a lançar uma coleção de DVD(s) sobre sua carreira, toda galgada na “luta” contra a ditadura. Nas chamadas comerciais diz textualmente: “a ditadura me encheu muito o saco, mas eu também enchi muito o saco deles”. Sinceramente, ficaria melhor assim: “a ditadura me encheu muito o saco, mas me deu inspiração, fama e dinheiro, o que, afinal, prova de que não era tão ditatorial assim”. Como já disse antes, a história acaba triunfando sobre aquela teoria que diz que “uma mentira, muitas vezes repetida, torna-se verdade”.
O povo brasileiro está cheio de pessoas que insistem em usar o fato de ser contra o regime militar, ou de terem lutado contra ele, como degrau para conseguir dinheiro, fama e poder. Nenhuma destas pessoas ascendeu para beneficiar aqueles que, iludidos, ajudaram-nas a alcançar tais posições. Já mostraram ao que vieram e foram. Que vão contar mentira em outra freguesia!
A nação brasileira vem humilde, porém enfaticamente, pedir à imprensa brasileira que tome a dianteira no sentido de ajudar a mobilizar a sociedade para expulsar definitivamente esta corja do poder, considerar invalidadas todas as votações e medidas provisórias deste governo e convocar novas eleições. Ajudem o povo brasileiro a recuperar os vinte anos de atraso social, político e econômico impostos por esta sucessão de governos irresponsáveis. Ajudem os brasileiros a sair da miséria material e espiritual em que se encontram.
Christina Fontenelle
Jornalista
RJ, 23 de julho de 2005
O Presidente Lula grita, ofende e ataca, em mais um de seus inflamados discursos, carregados de ultrajantes erros de concordância, como sempre, na cerimônia de posse do novo presidente da Petrobras. O mais terrível é o clima desagradável que submete aos presentes, constrangidos a permanecer indeléveis, como se nada tivessem percebido.
"Quero dizer para vocês, meus companheiros, que nesse país de 180 milhões de habitantes, pode ter igual, mas não tem mulher nem homem que tenha coragem de me dar lição de ética, de moral e de honestidade. Nesse país, está para nascer alguém que venha querer me dar lição de ética".
"Sou filho de pai e mãe analfabetos. O único legado que eles deixaram, não apenas para mim, mas para a família, é que andar de cabeça erguida é a coisa mais importante que pode acontecer com um homem e uma mulher. Conquistei o direito de andar de cabeça erguida, nesse país, e não vai ser a elite brasileira que vai fazer eu baixar minha cabeça".
Meu pai e minha mãe, apesar de terem pecado pela alfabetização, segundo faz parecer pensar o nosso presidente, também me deixaram o mesmo legado, além de outros, é claro, como, por exemplo, agir com humildade e o de que qualidades você tem e demonstra, se precisa anunciar, é porque nem você acredita nelas.
O que significa exatamente “conquistei o direito de andar de cabeça erguida nesse país”? Eu também pensava ter conseguido este direito até perceber que número não anda, muito menos de cabeça erguida. Porque, para os sucessivos governantes eleitos neste país, os cidadãos brasileiros têm sido tratados apenas como números e votos. Elite brasileira? O Ilustríssimo Senhor Presidente talvez tenha querido se referir aos letrados deste país, porque, da elite, ele já faz parte há muito tempo. Ou o presidente, sob os efeitos de seu egocentrismo, inebriado pelos encantos do poder, está achando que o povo brasileiro vive nababescamente como ele?
“By the way” (por falar nisso), quem está querendo fazer o Presidente Lula baixar a cabeça não são as elites; são seus companheiros de partido e seus colegas da classe política, todos envolvidos em mega-escândalos de corrupção, roubo e tráfico de influências. Fatos estes, aliás, sobre os quais poucos acreditam que Lula não soubesse a respeito. Alguém deveria dizer ao presidente que parasse de falar o que lhe vem à cabeça, porque, em linguagem bem popular, como é de seu gosto, “em boca fechada não entra mosca”. Seria recomendável, também, que tomasse consciência de que, se ainda está no poder, é por conveniência e não por onipotência e muito menos por competência.
A falta de discernimento deste senhor já ultrapassou todos os limites do tolerável. Mas, pensando bem, talvez quem devesse realmente abaixar a cabeça e bater em retirada do país fossem mesmo os letrados, dos quais o presidente tanto desdenha; porque, sob a ditadura do voto, na medida em que a identificação possa comandar as escolhas, o atual presidente está no lugar certo, comportando-se exatamente como qualquer um da maioria do povo o faria, se estivesse em seu lugar. Surpresa seria, se tivesse sido diferente.
Christina Fontenelle
Quem pretende realmente entender a crise de identidade pela qual atravessa o país e sair das medíocres raias do espanto horrorizado, terá que se reportar às medidas reformatórias tomadas pelos sucessivos governos, a partir de 1985. Os enquadramentos, sempre retardatários, do Brasil, no modelo capitalista mundial, com a implementação de sucessivas medidas de caráter econômico-financeiro e de privatizações permitiram a instalação do quadro de corrupção que agora assistimos, com raízes que remontam ao período de transição democrática, do governo militar para o civil. Inocentando-se neste sentido apenas o plano econômico do Ministro da Fazenda, Dílson Funaro, no governo de José Sarney, todas as outras medidas contribuíram maquiavelicamente para o quadro de corrupção instalado no país, da abertura econômica do governo Collor às privatizações e reforma da Previdência, do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Como a população desconhece a engenharia financeira, não tem condições de avaliar nem mesmo a questão ética, desse ou daquele procedimento. No Brasil, esta situação se agrava, porque o tempo, entre a aplicação de um dispositivo econômico qualquer e a sua compreensão pela sociedade, é muito longo. Isso permite que os detentores deste tipo de conhecimento possam tirar vantagens financeiras extraordinárias, sem necessariamente ter incorrido em ilicitude, o que não elimina a possibilidade de prática antiética. No Brasil especificamente, a prática do que chamo de AVC (Abuso de Vantagem de Conhecimento) propícia à instalação de práticas ilegais, não fiscalizáveis, por períodos que, no Brasil, têm variado, de dois a inacreditáveis 15 anos.
Os processos começam na adoção de medidas político-econômicas e na implantação de práticas financeiras mercadológicas e acabam inexoravelmente em CPI ou em casos abafados na imprensa. Os escândalos atuais envolvendo governo, políticos e empresários não são nada mais do que a parte cíclica previsível da história de nosso desenvolvimento. A novidade, agora, é a gravidade do golpe político que está por trás da arrecadação financeira. Por isso, o desvendamento das operações ilegais de arrecadação de recursos financeiros não pode se dar desvinculadamente da análise das medidas políticas que vêm sendo adotadas pelo governo do PT. A conivência da imprensa, dos deputados e senadores, comprados ou não pelo mensalão, e da sociedade, vergonhosamente manipulada, se dá pela ignorância. A fé na histórica ignorância institucionalizada neste país moveu o PT, e ainda move, na arquitetura de seu plano de poder.
Não se trata do pagamento de “mensalões” a deputados de outros partidos para conseguir aprovar seus projetos e fazer um excelente governo. Não se trata também de cooptar dinheiro para financiar ou pagar campanhas eleitorais. O governo do PT usou de roubo e corrupção para captar dinheiro com a finalidade de financiar sua operação de tomada do poder, para transformar o Brasil numa ditadura comunista – sonho antigo da corja egoísta, retrógrada e sociopata que compõe a cúpula do partido.
O projeto era grandioso, ambicioso, maquiavelicamente planejado. Porém, não contava com suicidas – logo os petistas, tão acostumados a defender terrorista. O Deputado Roberto Jefferson, talvez muito mais movido pela pequenez da pressão de suas bases partidárias, na cobrança do “mensalão” atrasado, do que por enxergar um futuro em que todos aqueles que estivessem recebendo a tal mesada, teriam “suas cabeças cortadas”, fez o papel da imprevisibilidade terrorista – foi o homem-bomba que atentou contra o tão bem bolado plano petista.
Impressiona o fato dos criminosos envolvidos nos escândalos agirem intermitentemente como se fossem inimputáveis e estivessem protegidos por alguma coisa muito maior do que a sociedade e a mídia pudessem ver. E estão. Ou melhor, vêm ganhando tempo, esperando que o Imperador baixe as últimas Medidas Provisórias ou aprove Leis de caráter Urgente Urgentíssimo, como também para destruição de provas que lhes garantirão as circunstâncias da impunidade. Há que se enxergar isso, nas expressões faciais* daqueles que depõem nas CPI(s), bem como nas de outros envolvidos, ao serem argüidos sobre os fatos, pela imprensa - alguns destes indivíduos, inclusive declaradamente, treinados para mentir e dissimular, entre outras coisas. A CPI dos Correios, neste contexto, está muito mais para espetáculo do que para instrumento de investigação, uma vez que os inquisidores demonstram, inadvertidamente, não possuir realmente nada que possa configurar prova e pior: enfrentam depoentes muito bem orientados, dentro de sua estratégia de defesa.
É por estas e outras que insisto na tese de que o tipo de corrupção que vemos acontecer no governo do PT só difere dos anteriores, pelos motivos. Todos os escândalos anteriores revelavam, até como provas evidenciais, enriquecimentos pessoais extraordinários, onde os números de entrada de dinheiro aproximavam-se dos valores de bens e serviços adquiridos. No caso do PT é diferente e essa é a dificuldade das investigações: saber para onde estava indo tanto dinheiro. Em que pese o enriquecimento pessoal ilícito de muitos envolvidos, as quantias obtidas são astronômicas e ultrapassam em muito os destinos identificados até agora. Essa é apenas uma das características que apontam na direção de Projeto Político do PT.
É muito importante entender que as ações dos representantes do PT nunca são isoladas, elas giram sempre em torno de um objetivo maior, conjuntural. Vejam abaixo uma série de procedimentos governamentais, fatos e materiais que alimentam esta linha de raciocínio.
1. Um projeto de lei do deputado federal José Mentor (PT) pretende promover o repatriamento ou legalização de dinheiro que está fora do país, anistiando os crimes de sonegação fiscal, operação irregular de câmbio e manutenção clandestina de depósitos no exterior. Está na cara que o PT pretende legalizar a fortuna que deve estar no exterior.
2. Medida Provisória que dá status de ministro ao presidente do BC, concedendo-lhe foro privilegiado para ser processado. Motivo: o atual presidente do BC, Henrique Meirelles, acabou sendo acusado, no Relatório da CPI do Banestado, de não ter declarado, à Receita Federal, movimentações financeiras, feitas no exterior.
3. Com respaldo na lei de Responsabilidade Fiscal, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, adotou a política de juros altos como instrumento de combate à inflação. Não é ilegal, mas representa um desvio de recursos públicos para o bolso de banqueiros, proprietários de outras instituições financeiras, grandes empresários e demais minorias privilegiadas. Parte desses lucros pode estar voltando para os cofres do PT, sob forma de doações para campanhas. É o "mensalão do Meirelles".
4. Participação efetiva na criação do FORO DE SÃO PAULO, bem como da tomada de decisões conjuntas de governo. O Foro, hoje, reúne mais de cem partidos, organizações e grupos de esquerda da América Latina e Caribe. Foi definido, no último encontro, que as decisões adotadas passariam a ser consideradas, decisórias em termos de aceitação e cumprimento pelas organizações e partidos participantes. É evidente que tais deliberações obedecem a uma política internacionalista que se sobrepõe aos interesses nacionais.
5. O documento, registrado com o n.º 0095, de abril de 2002, que integra os arquivos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), registra uma promessa de doação de US$ 5 milhões das Farc, grupo guerrilheiro colombiano ligado ao narcotráfico, para a campanha presidencial do PT, em 2002. As FARC financiam sua guerrilha com dinheiro do narco-tráfico e há quem diga que seus membros já estão mais preocupados em ganhar dinheiro com as drogas do que com ideologismos políticos.
6. Recentemente, quase que à surdina, deputados aprovaram em votação simbólica a Medida Provisória 228, que dá ao governo o poder de manter documentos classificados como ultra-secretos indefinidamente sob sigilo.
7. O ministro da Justiça, Thomas Bastos, vem apoiando a revisão da Lei contra Crimes Hediondos, argumentado que a Lei “não resolveu o problema da criminalidade” e, além disso, “piorou o problema da superlotação no sistema penitenciário”. Portanto, na opinião do ministro, a sociedade brasileira deve conviver com criminosos que cometam os crimes classificados como hediondos, para esvaziar as cadeias.
8. Em andamento no Congresso a Reforma do Judiciário: a Emenda Constitucional 45, de 08.12.2004 permite que o juiz recorra a seu “bom senso” para julgar e sentenciar questões e réus. Isso significa que um juiz desonesto, ou sob coação, poderá cometer arbitrariedades. Ainda, se caso isso ocorrer, o réu, ao recorrer da decisão em instância superior, poderá ser surpreendido com a Súmula vinculante, sob a qual, nos casos em que haja matéria julgada anteriormente, não caberão recursos e valerá a decisão da instância inferior
9. Em 1/10/03, foi aprovada na Câmara Federal, sem qualquer discussão técnica, a "Lei do voto virtual" (nº10.470/2003). As urnas eletrônicas, que dispensam dispositivos de impressão em papel dos votos, entre outras coisas, eliminaram os meios de fiscalização externa do processo eleitoral eletrônico, tornando as eleições impossíveis de ser conferidas com eficiência. Além disso, as urnas contam com dispositivos de gravação dos registros dos votos e, nesse caso é possível o acesso à identificação dos votos. Isso pode servir para análises de desempenho eleitoral, mas também como instrumento de coação de eleitores.
10. Enfraquecimento Deliberado das Forças Armadas. Já não é mais segredo, nem no exterior (vide notas em diversos jornais estrangeiros), o desrespeito com que vêm sendo tratadas as FA brasileiras. Dispensam comentários as conseqüências disso.
11. Conhecido como Estatuto do Desarmamento (LEI Nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003) o projeto de lei reformula a Lei nº 9.437 de 20 de fevereiro de 1997, e dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas (Sinarm), define crimes e dá outras providências. Com efeito, o desarmamento civil está historicamente vinculado ao autoritarismo e sempre esteve no discurso de homens autoritários. Essa lógica é evidente: desarmar para enfraquecer. Por outro lado, atualmente, ao que parece, um grupo de ONGs almeja impor ao mundo sua visão de sociedade perfeita, nem que para isso tenha de adotar medidas totalitárias. A Lei já está aprovada e foi convocado um Referendo, para decidir apenas sobre um de seus artigos, que trata da proibição de venda de armas e munições.
Enquanto isso, o presidente Lula segue com seus discursos, desprestigiando, insistentemente, o saber e a cultura, como se analfabetismo e pouca escolaridade fossem motivo de orgulho e garantissem honestidade. Numa postura totalmente lunática, não fala sobre o envolvimento de seu filho com a Telemar, nem sobre o envolvimento das maiores figuras políticas de seu partido e de seu governo, nos escândalos de corrupção, e insiste na certeza que tem sobre a estúpida ignorância do povo brasileiro - já que está tão seguro da eficiência de suas omissões e de seus discursos.
Diante de tantas evidências, me espanta, e muito, o fato de não haver ninguém, na mídia, fazendo a relação entre os casos de corrupção e a intentona política do PT. É claro que, no caso da corrupção financeira, os petistas estão protegidos pelo envolvimento de outros partidos, não só nas práticas atuais, mas
POVO B
URRO
Brincadeiras à parte, não falta mais nada, para os integrantes do governo do PT, pedirem ao povo brasileiro, depois da palhaçada que fizeram, ao tentar empurrar goela a baixo da população aquela estória da carochinha, aliás, muito bem articulada, contadas nas duas entrevistas exclusivas que os senhores Marcos Valério e Delúbio Soares deram, consecutivamente, ao Jornal Nacional.
A exclusividade fica por conta da subserviência dos órgãos de imprensa das organizações Globo (há outros também), que, demonstrando um enorme desrespeito com a população e com as mais sagradas regras jornalísticas, de pelo menos um mínimo de imparcialidade, fizeram uma entrevista visivelmente forjada. Outro fator relevante foi a garantia de que não haveria questionamentos embaraçosos, o que certamente aconteceria, se a entrevista fosse uma coletiva, por exemplo.
Há que se fazer uma reserva, entretanto. Para os que entendem do assunto (no caso, de jornalismo), fica clara a intenção dos profissionais que fizeram as duas matérias de demonstrar a “revoltante farsa” que estavam sendo coagidos a realizar. Na entrevista dada pelo Sr. Marcos Valério, não se vê o repórter (ou os repórteres) e as perguntas parecem ser feitas para induzir o espectador a uma linha de raciocínio conclusivo muito óbvia. Na entrevista do Sr. Delúbio Soares acontece a mesma coisa, com a diferença de que o repórter aparece. Aparece? Ele fica o tempo todo de costas para a câmera e coloca o entrevistado numa posição de depoente. Apesar de exclusivas, as entrevistas foram impessoais e tiveram uma estampa de propaganda eleitoral gratuita. Meu repúdio à TV Globo e meus parabéns aos colegas jornalistas e equipe.
Não é preciso ser nenhum gênio para compreender o que está acontecendo. O que esses safados querem é transformar a despudorada tentativa dos petistas de arrebatamento definitivo do Estado brasileiro, através de roubos, falcatruas e falsificações, em um simples crimezinho eleitoral, do qual talvez sejam até mais vítimas do réus, assim como todos os outros partidos.
Ou seja, como as campanhas eleitorais são muito caras, todos os partidos seriam obrigados a depender de doações extras, que vão além das permitidas. Por sua vez, os doadores de dinheiro para as campanhas não desejam vincular seus nomes aos candidatos ou coligações que apóiam, porque têm medo de sofrer represálias, caso os que tenham apoiado não saiam vencedores. Reforma política – é isso que querem que o povo acredite que vai solucionar estes problemazinnhos que estamos vendo agora.
O Sr. Delúbio Soares, coitado, recorreu ao seu amigo e grande empresário, Marcos Valério, para ajudar o pobre do PT a honrar seus compromissos financeiros de campanha e a angariar fundos para as outras que estavam por vir. Foi tudo uma realização de colaboração entre amigos. Ninguém mais sabia de nada: José Dirceu, Genoíno, etc, inclusive o presidente Lula, só estavam preocupados em governar o país, tanto que depois que Lula assumiu a presidência, o país cresceu vertiginosamente, as empresas vão de vento em popa, principalmente as pequenas e médias, que garantem emprego a maioria da população brasileira, para qual, inclusive, não faltam mais empregos, saúde e educação. O Fome-Zero é um sucesso e os índice de violência no país beiram alcançar os índices de países como o Japão, por exemplo.
O negócio de cobrar “pedágio” mensal ou “mesada”, para cada um que ocupasse cargo indicado pelo partidão e seus coligados, no governo, ou também para cada empresa que fechasse qualquer tipo de negócio com o mesmo ou com empresas correlatas, era apenas uma questão de corrupção localizada, uma falha individual de alguns funcionários. Eles serão afastados, investigados e, se culpados, punidos. A mesma coisa pode-se dizer do “mensalão”, supostamente pago a deputados e senadores para apoiarem as decisões e projetos do governo, no Congresso e no Senado. O PT nunca pagou ninguém; alguns senadores e deputados, de partidos tradicionalmente não alinhados ao PT, é que, repentinamente, resolveram concordar, e sempre, com as posições do Partidão, nas mais diversas matérias. É um fenômeno muito normal em política.
Pelo amor de Deus! É achar que a população brasileira é, no mínimo, idiota. Diversos segmentos dos meios de comunicação, de colunas jornalísticas a sites especializados, vêm alertando sobre o que está por trás do governo do PT. Os homens que formam os alicerces deste partido estão, há anos, tentando chegar ao poder, no Brasil, para implantar o seu regime comunista de fundamentalismo marxista arcaico. Não importa o nome que eles queiram usar para maquiar o regime que defendem: socialismo, petismo, democracia social. Esses retrógrados são patologicamente obcecados por impor ao Brasil o seu ideal de estado socialista (leia-se neo-comunismo, agora permitindo a manipulação do voto popular direto e da máquina estatal), desde que, logicamente, eles estejam no governo.
Ao longo da história, pegaram em armas, praticaram atos de terrorismo, tentaram seduzir o que chamam de maioria do povo brasileiro, para conseguir votos diretos que os levassem ao poder, até finalmente chegarem à conclusão de que o povo realmente não se identificava com eles e muito menos com seus ideais de governo. Então, como o interesse jamais tenha sido respeitar os desejos da maioria dos brasileiros, resolveram ludibriar “esses ignorantes que não sabem o que lhes convém” (o povo), adotando uma nova postura - alguém já se esqueceu do “Lulinha – Paz e Amor”?
Pois é, o PT aproveitou o formidável regime democrático para fazer alianças, dar garantias de que não mexeria no status-quo da economia, no tocante aos grandes agentes do sistema financeiro, às mega-empresas nacionais e multinacionais, e finalmente comprometeu-se com toda a espécie de agentes financiadores, inclusive com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Não que esse comprometimento já não existisse, mas é que passou a ser, digamos, oficiosamente público. A insistente e atuante participação do governo de Lula no Foro de São Paulo está aí, para quem quiser estudar o assunto. Saber de onde vem o dinheiro das FARC também é interessante.
A nova tática talvez tenha surpreendido, mas o modos-operandi não. Pela história dos homens que estão por trás da cúpula do poder petista, acreditar na prerrogativa de que “os fins justificam os meios” é, foi e sempre será regra. E é sob essa ótica que tratarão a atual crise do governo: farão o que for necessário para não deixar o poder, por mais sórdido que seja.
O “mensalão” é apenas um fio da enorme teia que o PT vinha tecendo para permanecer no poder, não só por mais quatro anos, numa eventual reeleição, mas ad-eternum. Essa mesada servia apenas para fazer com que fossem aprovadas as medidas, leis e projetos que fossem do interesse do Partidão. Mas, os esquemas de cooptação de dinheiro (fundamental) público e privado para os cofres do PT, aliados ao “espelhamento” de agentes do partido por todas as áreas estratégicas das empresas estatais e mistas, bem como de segurança nacional, como a ABIN e a Polícia Federal, é o que de mais perigoso está acontecendo. Isso para não mencionar a indisfarçável manipulação de poderosos meios de comunicação, como a TV Globo, por exemplo.
Sinto-me ainda no dever de mencionar um fato, aparentemente isolado, mas que vem sendo lembrado, na mídia, por ocasião dos últimos escândalos. Os famosos milhões que foram encontrados no cofre do.... , que levaram a potencialmente candidata à presidência da república, pelo PFL, Roseana Sarney, a desistir de sua candidatura. Verdades, mentiras e conjecturas à parte, Roseana Sarney era a única personalidade do país, na época, capaz de colocar por água abaixo os planos infalíveis do PT (e adjacências), maquiavelicamente traçados, de levar Lula à Presidência do Brasil.
Roseana Sarney era uma figura com apelos fantásticos. Era a única que poderia ameaçar e até se sobrepor aos apelos de Lula (operário, homem do povo, trabalhador, simpático, uma esperança de mudança, etc.). Roseana seria a primeira mulher a disputar a presidência, com reais chances de chegar à vitória: isso já seria um forte apelo, mas ainda havia outros, como experiência política, governo de excelentes resultados no Maranhão, beleza, competência, etc. Além do mais, para o PT, eliminar Roseana Sarney, da maneira como foi feito, colocando em suspeição a lisura da campanha de José Serra, seria como “matar dois coelhos com uma cajadada só”. E foi. Alguém já havia pensado nisso antes? Nesse jogo sujo, vale colocar jornalista na folha de pagamento, para fazer denúncias falsas, porém verossímeis, porque “até que se prove que focinho de porco não é tomada”, “Inês é morta”.
Voltando à mini-série da Globo: Delúbio e Marcos Valério, no Jornal Nacional e Lula, no Fantástico.
Na segunda-feira, dia 14 de julho, Marcos Valério teve reunião,
Antes disso, e mais grave ainda. A oposição ao governo insistia em votar a quebra dos sigilos do ex-presidente do PT, José Genoino, do tesoureiro afastado da legenda, Delúbio Soares, do secretário-geral também afastado, Sílvio Pereira, e do deputado José Dirceu (PT-SP), ex-chefe da Casa Civil. Os governistas queriam votar apenas os temas que foram acordados em sessão secreta anterior. A oposição queria, além desses requerimentos, votar pedidos polêmicos, como a quebra dos sigilos de Mauro Dutra, amigo pessoal de Lula e dono da empresa Novadata, e as convocações do secretário Nacional de Comunicação do PT, Marcelo Sereno, do secretário da Secom (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica), Luiz Gushiken, e de seu adjunto Marcus Vinicis di Flora. A oposição tentou inverter a votação, temendo que os governistas esvaziassem a sessão da CPI, depois de analisados os requerimentos acordados. Assim os deputados e senadores do governo teriam que votar contra os requerimentos, publica e abertamente, ou aprová-lo, gerando um prejuízo político para o Executivo. Com maioria na comissão, os governistas anularam a tentativa da oposição.
E antes disso ainda e muito mais grave, porque acabou
E o Presidente Lula, sabia ou não sabia do esquema de corrupção?
Em ordem cronológica, tem-se o seguinte: o então líder do governo na Câmara, Miro Teixeira, levou o assunto a Lula no dia 25 de fevereiro de 2004. No dia 5 de maio, foi a vez do governador de Goiás, Marconi Perillo. No dia 25 do mesmo mês, na China, foi Lula quem perguntou a respeito, ao deputado petista Paulo Rocha. E, finalmente, Roberto Jefferson falou do mensalão ao com o Presidente nos dias 5 de janeiro e 23 de março de 2005. Lula fez o quê? Nada. A revista VEJA (17/07/2005) lembra que há base para acusar o presidente de crime de responsabilidade.
Convenhamos, é hora da sociedade se mexer, desta vez sem a intervenção da Globo. Como? Vamos pensar a respeito e agilizar uma mobilização rápiada. Antes que seja tarde.
Há cerca de 20 anos, o dito popular “os incomodados que se mudem” se aplicava bem à classe média. Leia-se, aqui, a classe média típica, pelo menos no resto do mundo, como aquela que tem casa própria, carro na garagem, telefone, eletrodomésticos de razoável geração, investe em estudos, pratica esportes e compõe os quadros de profissionais liberais, de micro-empresários e de funcionários públicos concursados, com nível superior, inclusive o oficialato militar.
Naqueles idos tempos, quando alguém estivesse insatisfeito com a situação do país, e me parece que isso tenha sido a realidade dos últimos 500 anos, simplesmente pegava suas bagagens, tanto materiais como intelectuais, e deixava o solo nacional, levando consigo as brasilidades saudosas do jeitinho, da comida, do carnaval e do futebol. Destino: o mundo das sociedades ocidentais desenvolvidas.
Hoje, as coisas são bem diferentes. Nos últimos anos, as ditas desenvolvidas têm-se transformado em verdadeiras ditaduras dos direitos individuais, sob a permanente vigilância de um cidadão sobre o outro, cheias de processos das mais variadas origens e de leis repressoras - desde o ingrato “assédio sexual”, cuja radicalidade acabou por reprimir as mais simples manifestações de apreço pelo sexo oposto, até às malfadadas regras do “politicamente correto”, que pretendem fazer com que um negro não possa ser chamado de negro ou um gordo de gordo. Isso sem falar na ditadura da beleza, da juventude eterna e do saudável.
Além disso, as constantes ameaças de ataque terrorista, o cada vez mais evidente preconceito contra imigrantes, as ameaças de fenômenos naturais avassaladores (tsunamis, furacões, terremotos), as guerras e as ditaduras políticas reduziram muito as atuais opções de destino dos “fugitivos” brasileiros. Para onde ir com a família? Para onde mandar os filhos? Parece que o lugar de brasileiro está se tornando, cada vez mais, o Brasil.
Mas, que Brasil é este que encontramos construído para nós e para nossos filhos? Uma republiqueta de bananas, pobre, subdesenvolvida, intelectualmente retardada, dominada por uma classe política coronelista, por latifundiários da indústria do superávit, por banqueiros ladrões inimputáveis e pela mídia da “bundalização” – aquela que, além de mostrar muitas caras, bocas e “bundas”, também omite, deliberadamente, importantes informações, da população, impõe valores próprios como norma, usa pessoas como objetos de consumo descartáveis e se auto-promove, com uma programação de enaltecimento de seus próprios membros e atos, pagando salários astronômicos e cobrando horrores para veiculação de imagens e propagandas.
Como se não bastasse tudo isso, a classe média tem assistido, impotente, nos últimos 20 anos, ao espetáculo do redirecionamento indisfarçável do dinheiro para as mãos de entidades do crime organizado, empresários desonestos, artistas e esportistas promovidos pela mídia (e eles só estão lá, porque há muita gente que vive – e muuuuuiiiiitttto bem! – da sua utilização como produto gerador de capital). Assiste, também, ao emburrecimento de sua própria classe, cada vez mais relegada à categoria de simples força-de-trabalho, em evidente situação do que se poderia chamar de neo-escravidão: na qual as pessoas trabalham para morar, comer e se alfabetizar – muito parecido com o que acontecia aos escravos do passado, guardadas as devidas proporções.
A institucionalização da indústria do crime e da desonestidade impôs à classe média a condição de força-de-trabalho e de fonte pagadora de impostos. Nem ao menos apoio estatal esta classe tem. A carência, em todos os setores, da atuação estatal, fez com que a classe média, além dos impostos – que parecem ser utilizados para distribuir migalhas aos pobres e para alimentar a voracidade dos novos assaltantes da classe milionária dominante – tenha que pagar planos de saúde, segurança particular comunitária, escolas particulares para seus filhos, etc.
E, como se não bastasse, assistir o ex-presidente e atual Senador José Sarney pronunciar discurso, dizendo que o presidente Lula é um homem honesto e que não há nada que evidencie seu envolvimento com a quadrilha do PT; assistir um monte de generais, em solenidade de promoção, em plena crise política, e depois do infame reajuste, de 13%, aceito pelos comandantes das Forças Armadas, prestando reverências ao chefe da Nação – Presidente Lula; ver 99% dos integrantes do atual governo sob suspeita de corrupção; perceber quase todas as instituições de poder sob os domínios corruptos do PT; averiguar a parcialidade de grande parte da mídia – embora as evidências estejam se sobrepondo às capacidades de manipulação; constatar punição, pelo menos em tese, dos “peixes pequenos” – como sempre.
A desesperança não mora no coração dos pobres, porque o seu oposto é que lhe serve de alimento. Nem tão pouco reside no coração das classes mais abastadas, uma vez que quase nunca têm que esperar por nada – mandam vir, providenciam, etc. A desesperança se instalou naqueles que percebem a cada vez mais nítida impotência diante do estabelecido – não há como sair desta crise sem que instituições de peso e força se prontifiquem a reagir e combater abertamente, em nome do resgate do Brasil para os brasileiros. Mas, pelo que se vê, apesar do empenho de alguns setores da sociedade, bem como de alguns parlamentares, isso não vai acontecer.
O povo, mesmo não contando com nada, ainda tem as ilusões, a santa ignorância. Os ricos, bilhardários, não precisam que nada mude, pois sobrevivem muito além desse mundinho medíocre, onde vivem os meros mortais, e ainda lucram. A classe média está condenada ao ostracismo político, na busca incessante de mais e mais dinheiro, para arcar com seus compromissos e a sustentar internamente o país, pagando impostos e trabalhando. Condenada ao abandono, por ser politicamente “Incorreto” defendê-la. Não tem mais onde ficar nem para onde fugir. Está só!
Há quem diga que a inteligência, quando é dom, é o mais difícil e solitário deles. Pela sua multiplicidade e raridade, somente os que a possuem conseguem se identificar e se comunicar em via de mão-dupla. A humanidade os reconhece como superdotados e sua inteligência não se enquadra nas atuais subdivisões do termo e que por ser de um tipo especial, é classificada como dom.
O deputado Roberto Jefferson (PTB) realmente sabe muito mais do que vem divulgando e parece já ter toda uma estratégia de conduta que o levará direto ao ponto que elegeu como meta, mas que somente ele sabe qual é. Dosando muito bem o que diz e, principalmente, como e quando, o deputado faz uma denúncia e, vai, paulatinamente, moldando, com pequenos acréscimos e alusões aparentemente reflexivas, até que a matéria vá ganhando forma e se transforme em conclusão do inconsciente coletivo.
Um único homem faz da imprensa, dos deputados e senadores seus arregimentadores de provas, inquisidores e juízes daqueles que pretende atingir. Assim, à distância, o deputado acerta seus alvos, se livra do estigma de delator e ainda aufere a glória dos rebelados – aqueles que, mesmo tendo incorrido em erro, são tomados pela indignação e resolvem fazer justiça. Vulgo: herói torto.
Mas, sua manobra mais brilhante é, sem dúvida, a que vem fazendo em torno da figura do Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto Lula se encarrega de destruir a própria imagem, comportando-se como um lunático egocêntrico, em plena campanha para sua reeleição, sem dar a menor satisfação ao povo brasileiro, o deputado Roberto Jefferson esmera-se em isentá-lo da participação em qualquer ato de mera ilicitude, mesmo contrariando todas as obviedades. O deputado usa expressões e frases de efeito que beiram o deboche, diante de tantas evidências.
Na primeira vez em que disse ser o Presidente inocente da prática de corrupção, parecia que, mesmo que estranhamente, o estivesse fazendo de verdade. Não tanto assim, para os que estão a par das denúncias de corrupção que permeiam a história do PT. O caso mais famoso talvez seja o denunciado por Paulo de Tarso, destituído do cargo de Secretário das Finanças da Prefeitura de São José dos Campos, depois de desvendar um esquema fraudulento que desviava dinheiro, de vários municípios, para o PT. A ciência de Lula é publica e notória, neste caso, porque o próprio Tarso registrou em cartório uma carta-denúncia e entregou nas mãos do então presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Como resposta: o silêncio eterno. Ficaram sabendo também os hoje senadores Eduardo Suplicy e Aloísio Mercadante.
Ajudado pela sucessão de desastrosos pronunciamentos do presidente Lula, pelo show de cinismo e de mentiras que todas as outras testemunhas têm dado e pela aceleração da comprovação de todas as suas denúncias, Roberto Jefferson vai confirmando sua posição de detentor do conhecimento e da verdade. É com base nesse arquétipo que Jefferson prossegue, insistindo na integridade e inocência de Lula, coisa que sabe ser totalmente inverossímil.
Com o avanço dos fatos e das apurações caminhando inexoravelmente para o gabinete presidencial do Palácio do Planalto, o deputado Roberto Jefferson sabe que defender a inocência de Lula será atitude insustentável. Sem ter declarado textualmente que o presidente não só sabia como participava do enorme esquema de corrupção, e ainda podendo declarar ter sido enganado pelo próprio Lula, Jefferson terá conduzido todos ao verdadeiro mentor e maior beneficiário do mais abrangente e inescrupuloso caso de corrupção da história do Brasil. Resta saber porque o nobre deputado não pode fazer com Lula o que fez com todos os outros envolvidos, citando nome por nome. Este, enfim, talvez seja o maior dos mistérios.
No mais, o bom mesmo, desta crise toda, foi observar grandes estratégias e brilhantes cérebros duelando. Nossa programação televisiva aberta e nosso dia-a-dia são tão pobres em inteligência, que o show das entrevistas, reportagens, debates e CPI(s) é um deleite. Assistir o Deputado Roberto Jefferson discursando e atuando é uma aula de inteligência e brilhantismo. Não se parabeniza pelos dons, se agradece, tanto os que o tem como aqueles que se beneficiam dele.
Christina Fontenelle
Jornalista
Ideli Salvati (PT-SC) está se entregando...
Depois de ter tido a cara-de-pau de dizer que o pronunciamento de Lula havia sido contundente e muito convincente, no sentido de exigir que se apurassem todos os fatos, de insistir em proclamar a inocência do presidente e de, agora, dizer que o depoimento do doleiro preso - Antonio Oliveira Claramont, o Toninho Barcelona-, à CPI dos Correios, não seja urgente, a Senadora Ideli Salavti parece estar se revelando como mais umazinha do PT que quer se fazer de inocente e revoltada, para sobreviver politicamente à crise de seu partido.
Lênin já dizia que uma das táticas para parecer inocente é atacar os outros, com acusações a respeito de crimes que nós mesmos cometamos. O ataque presume a inocência de quem o faz. Ledo engano, Senadora. Lênin não viveu na época da Internet. O Senador Mercadante tem o mesmo procedimento e vai acabar se dando muito mal.
Pelo menos as pessoas mais bem informadas sabem perfeitamente que o Mercadante tem conhecimento, há anos, de toda a podridão de seu partido, tendo inclusive se inteirado completamente das acusações e apurações a respeito das denúncias de Paulo de Tarso, em relação aos casos de corrupção e desvio de dinheiro público, para os cofres do PT, nas prefeituras de Campinas e São José dos Campos, com significativos respingos
O cinismo do Mercadante vai acabar com ele - mesmo que ele tente levar tudo o que aconteceu para o lado de crime eleitoral, para problemas estruturais de regras mal definidas sobre financiamentos de campanha. Todo mundo sabe que a roubalheira era muito maior que isso e tinha fins muito além de simplesmente eleitorais.
Quem estava no PT e não viu nada é porque fez questão de não ver. As denúncias são quase tão antigas quanto à existência do próprio partido. Talvez deva-se dar o desconto, e agora sim, às pessoas que achavam que o PT fazia como todos os outros partidos, para conseguir financiamento de campanha – um dinheiro aqui, um favor ali, alguns desviozinhos e uns privilégiozinhos ali.
Não imaginavam ser uma orquestração megalômana de assalto aos cofres públicos, com participação de ladrões profissionais, assassinos e traficantes. Talvez imaginar, até imaginassem, mas não pesquisavam muito a fundo, para não ter que admitir seus próprios erros de julgamento e terem que tomar providências, pelo menos quanto a si próprios. Já pensou, começar tudo de novo? Logo agora que estava indo tudo tão bem!
Como bons cristãos e tementes a Deus, devemos respeitar os mandamentos de não julgar e o de amar o próximo como a si mesmo. Portanto, é bom que se pratique esses devidos descontos. Mas, isso não anula, absolutamente, o fato de que essas pessoas, e depende de quem sejam e de que papéis desempenhassem no Partidão, reconheçam sua omissão e passividade, os limites de seus conhecimentos e, aí sim, passassem a lutar no combate à quadrilha do PT.
Fingir que está abismado, estarrecido e muito triste só vai piorar as coisas. O povo sabe disso e vai cobrar, mais cedo ou mais tarde. Ou vocês acham que alguém tem alguma dúvida de que os que hoje, do alto de seus cargos políticos, se indignam diante dos fatos, fazendo manifestações teatrais na TV, devam suas conquistas políticas a aqueles que fizeram o trabalho sujo da arrecadação?
Com que dinheiro esses políticos indignados, eleitos pelo PT, acham que o partido saiu de pequeno representante de operários para se transformar no mega-PT de grandes showmícios, distribuição de bandeiras, patrocinador de viagens nacionais e internacionais? Dinheiro das obrigatoriamente ditatoriais contribuições sindicais? Dinheiro de empresários desiludidos por descobrirem que o vil metal não compra amor?
Pois é, Senadora Ideli, com tanto furor e indignação ao interrogar depoentes da CPI, tanta santa inocência, em relação ao comportamento do presidente e em relação à sua própria ascensão política, e, agora, dizendo que interrogar o doleiro preso não é tão urgente, a gente começa a duvidar de sua inteligência e de sua tão proclamada imparcialidade. Cuidado Senadora!
Christina Fontenelle