“Show é ganhar”, disse há poucos dias o técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, ao rebater as críticas de que o time vinha se apresentando mal e com um futebol sem brilho. Nem sempre, Parreira, nem sempre. Show é perder como perderam Inglaterra e Argentina, suando até o fim, nos pênaltis. Show é voltar para casa como a Holanda, eliminada num jogo duríssimo contra Portugal, onde homens lutaram incansavelmente até o final, sendo alguns deles expulsos de campo, tamanho era seu desespero em busca da vitória – recorreram até às últimas armas. Eles puderam voltar para casa de cabeça erguida, porque demonstraram respeito pelas camisas que vestiam.
Antes do jogo, o francês que colocou a bola no fundo do gol brasileiro, Thierry Henry, havia dito que não tinha como competir contra os brasileiros, porque eles passavam o tempo todo jogando futebol, enquanto eles (os franceses) tinham que estudar. Ora, todos nós sabemos que o francês não tem razão; os brasileiros não passam o tempo todo jogando bola. Mas talvez um pouco mais de aplicação nos estudos tivesse feito com que nossos craques não interpretassem de forma errada as palavras do capitão Cafu, antes do início do jogo, ao ler um manifesto da FIFA contra o racismo: pensaram que fosse para jogar sem raça nenhuma.
Dida, Zé Roberto, Lúcio e Juan são as únicas e honrosas exceções, não só na partida contra a França, mas durante toda a Copa. Robinho também se esforçou - ele sempre entrou bem no time, embora não tenha feito nenhum gol. Zé Roberto se dedicou muito ao time e foi um dos poucos que chorou em campo, após a derrota para a França. O goleiro Dida tomou dois gols no campeonato inteiro e, em ambos não teve culpa nenhuma. Fez ótimas defesas e deixa a Alemanha com a sua tarefa cumprida. Lúcio fez a sua primeira e única falta na Copa contra a França e, nem ele nem Juan, tiveram a menor culpa no gol que tomamos da França, aos 12min do segundo tempo.
O centroavante Thierry Henry entrou para marcar o gol numa zona que deveria ter sido coberta por Roberto Carlos. Onde estava você, Roberto Carlos? Ah! O Roberto estava ajustando seu meião. Ele passou 15 segundos fazendo isso. Quinze segundos muito mais caros para os brasileiros do que deve ser o valor de seu passe – que vale milhões, supostamente pagos para que ele jogue bola e para que esteja, no mínimo, concentrado no jogo durante todo o tempo regulamentar. Roberto Carlos se destacou nesta Copa foi mesmo fora de campo, levando camisa autografada para o Presidente Lula, antes de partir para a Alemanha, e de lá mandar que ninguém menos do que Pelé ficasse “quietinho” e parasse de criticar o técnico Parreira.
O jogo contra a França foi exatamente igual aos demais. Começávamos um pouquinho melhor, os adversários cresciam, mandavam no jogo e ficávamos a depender única e exclusivamente dos rompantes individuais de nossos atacantes. Só jogamos algo parecido com o que se poderia esperar de uma seleção brasileira no jogo contra o Japão. O Brasil jogou tão mal nessa Copa que nosso melhor atacante foi o zagueiro Lúcio, que cansava de esperar atitude e corria em direção à área adversária na esperança do gol.
Os torcedores imaginavam que com Ronaldinho, Ronaldo, Kaká e Adriano – o famoso quadrado mágico - seria impossível que todos falhassem. Mas foi exatamente o que aconteceu e todas as vezes que funcionou foi com Robinho e com um lateral ofensivo. Mas, Parreira insistiu na formação original e ficamos presos a um esquema tático que apagou nossas estrelas. Carlos Alberto Parreira conseguiu perder uma Copa com um time que tinha os melhores jogadores do mundo e acabou colocando um ponto final na discussão que tanto perturba os brasileiros em todas as Copas – jogar bem ou ganhar? O Brasil jogou mal e perdeu – pronto acabou a discussão.
“Não me arrependo em nenhum minuto. Quem comanda tem que ter coragem em tomar decisões", analisou Parreira após a derrota. "Tenho que ser muito sincero, é um momento duro, ser eliminado nas quartas-de-final. Não me preparei. Ninguém estava preparado para sair da competição antes das finais", afirmou o técnico da equipe brasileira.
O Capitão Cafu, apesar da derrota e ao contrário da maioria de nossos jogadores, deixou o vestiário do estádio Waldstadion, em Frankfurt, bem descontraído. Questionado, explicou: "Da mesma forma que me preparei para as vitórias, me preparei para as derrotas. Desde 1994 venho chegando em todas as finais com a seleção e sabia que em algum momento a gente podia perder. Futebol é assim e a gente estava preparado... Tenho uma história na seleção e não é esta derrota que vai manchar minha carreira”.
Para Parreira, a culpa da decepção do torcedor brasileiro é da grande expectativa que foi criada em torno da seleção: "A expectativa criada foi muito grande. Ficaram cobrando a expectativa, não à
Quando é que esses homens que vestem a camisa da Seleção Brasileira vão entender que o trabalho deles não é simplesmente entrar em campo, jogar bem e vencer? Quando é que eles vão perceber que a única coisa em que o Brasil parece ter luz própria e em que se destaca no resto do mundo é o futebol – e por isso nele residem as únicas esperanças de sucesso de milhões de brasileiros? É uma responsabilidade que só deve ser dada a quem a encare dessa mesma maneira. Vestir a “amarelinha” exige compromisso com essa expectativa popular. Não dá para jogar pelo Brasil achando que é a mesma coisa que jogar profissionalmente para outro time qualquer – não é; e não dá para exigir compreensão e espírito esportivo da torcida brasileira.
O negócio é a gente entender, de uma vez por todas, que o Brasil não vive de futebol; que a derrota da Seleção Brasileira não pode e nem deve ser a nossa derrota. Somos maiores do que nossas cores e do que nossos símbolos - somos quase 190 milhões em campo para lutar pela vitória de nosso país e não podemos exigir de 22 de nossos representantes - ali na Seleção Brasileira de Futebol - aquilo que não exigimos de nós mesmos nas verdadeiras batalhas que precisamos travar para levar o Brasil à vitória do crescimento e do desenvolvimento. Temos uma eleição pela frente, vamos cobrir o país de verde e amarelo e apagar de vez o vermelho sangue que uns e outros insistem em nos impor.
Christina Fontenelle
2/07/2006
PORQUE NÃO TEM COMO NEM PARA ONDE FUGIR
Há cerca de 20 anos, o dito popular “os incomodados que se mudem” se aplicava bem à classe média. Leia-se, aqui, a classe média típica, pelo menos no resto do mundo, como aquela que tem casa própria, carro na garagem, telefone, investe em estudos e compõe os quadros de profissionais liberais, de micro-empresários e de funcionários públicos concursados, com nível superior, inclusive os militares.
Naqueles idos tempos, quando alguém estivesse insatisfeito com a situação do país, e me parece que isso tenha sido a realidade dos últimos 500 anos, simplesmente pegava suas bagagens, tanto materiais como intelectuais, e deixava o solo nacional, levando consigo as brasilidades saudosas do jeitinho, da comida, do carnaval e do futebol. Destino: o mundo das sociedades ocidentais desenvolvidas.
Hoje, as coisas são bem diferentes. Nos últimos anos, as ditas desenvolvidas têm-se transformado em verdadeiras ditaduras dos direitos individuais, sob a permanente vigilância de um cidadão sobre o outro, cheias de processos das mais variadas origens e de leis repressoras - desde o ingrato “assédio sexual”, cuja radicalidade acabou por reprimir as mais simples manifestações de apreço pelo sexo oposto, até às malfadadas regras do “politicamente correto”, que pretendem fazer com que um negro não possa ser chamado de negro ou um gordo de gordo. Isso sem falar na ditadura da beleza, na da juventude eterna e na do saudável.
Além disso, as constantes ameaças de ataque terrorista, o cada vez mais evidente preconceito contra imigrantes, as ameaças de fenômenos naturais avassaladores (tsunamis, furacões, terremotos), as guerras e as ditaduras políticas reduziram muito as atuais opções de destino dos “fugitivos” brasileiros. Para onde ir com a família? Para onde mandar os filhos? Parece que o lugar de brasileiro está se tornando, cada vez mais, o Brasil.
Mas, que Brasil é este que encontramos construído para nós e para nossos filhos? Uma republiqueta de bananas, pobre, subdesenvolvida, intelectualmente retardada, dominada por uma classe política corrupta e coronelista, pela indústria do superávit, por banqueiros ladrões inimputáveis e pela mídia da “bundalização” – aquela que, além de mostrar muitas caras, bocas e “traseiros”, também omite, deliberadamente, importantes informações da população, impõe valores próprios como norma, usa pessoas como objetos de consumo descartáveis e se auto-promove, com uma programação de enaltecimento de seus próprios personagens e atos, pagando salários astronômicos e cobrando horrores para veiculação de imagens e propagandas.
Como se não bastasse tudo isso, a classe média tem assistido, impotente, ao espetáculo do redirecionamento indisfarçável do dinheiro para as mãos de entidades do crime organizado, empresários desonestos, artistas e esportistas promovidos pela mídia (e eles só estão lá, porque há muita gente que vive – e muuuuuiiiiitttto bem! – da sua utilização como produto gerador de capital). Assiste, também, ao emburrecimento de sua própria classe, cada vez mais relegada à categoria de simples força-de-trabalho, em evidente situação do que se poderia chamar de neo-escravidão: na qual as pessoas trabalham para morar, comer e se alfabetizar – muito parecido com o que acontecia com os escravos do passado, guardadas as devidas proporções.
A institucionalização da indústria do crime e da desonestidade impôs à classe média a condição de força-de-trabalho e de fonte pagadora de impostos. Nem ao menos apoio estatal esta classe tem. A carência da atuação estatal, em todos os setores, fez com que a classe média, além dos impostos – usados para distribuir migalhas aos pobres e para alimentar a voracidade dos assaltantes da nova classe milionária dominante – tenha que pagar planos de saúde, segurança particular comunitária, escolas particulares para seus filhos, etc.
A desesperança não mora no coração dos pobres, porque o seu oposto é que lhe serve de alimento. Nem tão pouco reside no coração das classes mais abastadas, uma vez que quase nunca têm que esperar por nada – mandam vir, providenciam, etc. A desesperança se instalou naqueles que percebem a cada vez mais nítida impotência diante do estabelecido – não há como sair desta crise sem que instituições de peso e força se prontifiquem a reagir e combater abertamente o cenário de corrupção e de ingovernabilidade que se instalou no país, em nome do resgate do Brasil para os brasileiros. Mas, pelo que se vê por aí, isso não vai acontecer.
O povo, mesmo não contando com nada, ainda tem as ilusões, a santa ignorância – se tiver que se mudar do imundo para o sujo ou desse para o mal lavado, continuará sempre achando que o melhor ainda estará por vir. Os ricos, bilhardários, não precisam que nada mude, pois vivem muito além desse mundinho medíocre dos meros mortais – o país deles é o mundo e esse negócio de pátria é só coisa do coração mesmo. A classe média está condenada ao ostracismo político, na busca incessante de mais e mais dinheiro, para arcar com seus compromissos e sustentar o país, pagando impostos e trabalhando - abandonada, por ser politicamente “incorreto” defendê-la. Não tem mais onde ficar nem para onde nem como fugir, até que chegue à extinção.
Christina Fontenelle
21/06/2006
A videoconferência acertada com o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo, Marco Polo del Nero, entre o Presidente Lula, do Palácio do Planalto, e alguns membros da Seleção Brasileira, lá da Alemanha, já deu o que falar. O Presidente disse, entre outras coisas, que não admite nada além do que o título e que a expectativa pela participação da Seleção é " possivelmente a maior de todas as épocas". Depois dessa, eu sou capaz até de acreditar que Lula realmente seja "o cara" que nunca vê nem sabe de nada.
Apesar da intensa campanha "Global" e da incontestável paixão do brasileiro por futebol, a tal da expectativa pela participação da seleção brasileira está muito, muito longe mesmo, de ser a maior de todas as épocas. Existem mil e um motivos circunstanciais para o fenômeno "apatia estupefata geral" dos brasileiros, mas, sem dúvida nenhuma, as verdadeiras manifestações terroristas da esquerda radical, ligada clara ou camufladamente ao PT, têm mostrado, especialmente ao longo dos últimos quatro anos, que aquele Brasil que habitava o inconsciente coletivo dos brasileiros, todos unidos num só coração – aquela noção de povo como conjunto de todos os brasileiros, indiscriminadamente – foi literalmente assassinado (e provavelmente enterrado como indigente, já que ninguém apareceu para reclamar "o corpo").
A vermelhização das cores tradicionais dos símbolos nacionais parece mesmo querer ensangüentar o verde, o amarelo, o azul e o branco da história nacional. Não é a primeira vez; só não se sabe se será a última. E, se for, na verdade, não se sabe nem para quem ou para o que será a última vez. Foram muitos os espetáculos fratricidas patrocinados pelos, digamos assim, simpatizantes do PT. Mas o que o Brasil assistiu no Congresso, no último dia 6 de junho, foi estarrecedor: brasileiros destruindo patrimônio público e atacando outros brasileiros em nome de ideais revolucionários alienígenas. Isso para não falar das crianças metralhadas numa escola municipal do RJ por traficantes que pretendiam expulsar policiais que entravam na comunidade para fazer uma investigação.
Episódios como esses, que na sua maioria de isolados não têm nada, levam incontestavelmente ao seguinte questionamento: que entidade é essa chamada Brasil, para qual torceremos na Copa do Mundo? Estaremos torcendo por um país que nos será subtraído (ou já foi) e pelo qual, por isso mesmo, devemos torcer enquanto ainda nos resta a ilusão de tê-lo? Estaremos torcendo por um Brasil que amamos para torcer no futebol, mas não para defender daqueles que querem tirá-lo de nós? Ou uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa? Será?
Longe do entusiasmo jamais visto proclamado por Lula, faltam as bandeiras nas janelas e nos carros; faltam as ruas pintadas e decoradas; faltam as marchinhas musicais do ano e o comércio não vendeu 1/3 do que investiu em roupas e apetrechos de torcida. Até a TV Globo, a única que comprou os direitos de transmissão dos jogos da Copa, por 80 milhões de dólares, desistiu de procurar por ruas enfeitadas em suas reportagens sobre os preparativos dos brasileiros para a Copa. Dessa vez apelou e pediu no ar,
Bom, nessa estória, a Globo é que não está nem aí para entusiasmo, vitória ou derrota da Seleção e muito menos para prejuízo. Apesar de ter investido essa soma astronômica de dinheiro na exclusividade das transmissões, vendeu seis cotas de patrocínio, por cerca de 60 milhões de reais cada. Os patrocinadores terão garantida uma forte presença no vídeo durante todo o período da Copa do Mundo - nas transmissões dos jogos e na programação normal, em todas as chamadas, flashes e boletins de cobertura. Não é à toa que lá na Alemanha a expressão que os repórteres de todos os outros órgãos de comunicação mais ouvem é: " Desculpe, somente a Rede Globo!" Ou melhor, "Sorry, only Rede Globo!" Quem diz isso é o colunista Chico Maia, no site do jornal eletrônico O Tempo. E fazer o quê? Pagou, levou.
Na tal da videoconferência, Zagallo fez campanha para o Presidente Lula: " Presidente, o dia da estréia do Brasil contra a Croácia é dia 13. É o 13 do PT. Vamos juntos rumo à vitória ". Treze, como todo mundo sabe, também é o número da sorte do ex-técnico. Não é só ele que torce pelo PT e faz festa na Copa. A Vila Isabel, escola de samba de Hugo Chávez, está em efusivas comemorações verde, amarelo e vermelho – tem samba, bateria, mulata, cerveja e telão.
Carlos Alberto Parreira, como de costume, adotou uma postura mais sóbria. Comentando a iniciativa do Presidente, Parreira disse: " Eu estou na seleção desde 1970. Todas as vezes fomos até Brasília nos despedir dos presidentes. Não vejo nenhum oportunismo político nisso". O ex-capitão do Exército e atual técnico da Seleção Brasileira está falando a verdade. A Copa de 1970 é uma das mais emblemáticas nesse sentido.
Em 70, o técnico da Seleção, João Saldanha, comunista declarado, desentendeu-se, através da imprensa, com o então Presidente da República, General Emílio Garrastazu Médici, que cobrava a presença do atacante Dario, o Dada Maravilha. '' Eu não dou palpite no ministério dele, por que ele vai dar na Seleção?'', desafiava Saldanha. Por isso ou não, ele acabou demitido da Seleção, sendo substituído por Zagallo, que já era bicampeão como jogador (Suécia e Chile). Zagallo mexeu só um pouquinho no time de Saldanha: escalou apenas Pelé, Tostão e Rivelino, que jogavam na mesma posição - teoricamente. Saldanha havia dito que Pelé não poderia jogar por causa de um problema de vista.
Na verdade, agora em 2006, nenhuma delegação da Seleção Brasileira foi ao Planalto despedir-se de Lula. O jogador Roberto Carlos esteve com o Presidente, mas disse que foi por motivos pessoais. O que, aliás, deve ser verdade, uma vez que Lula já disse ser muito amigo do pai do lateral esquerda da Seleção. Roberto Carlos afirmou que foi à Brasília cumprir uma promessa feita a Lula durante o Jogo da Paz, contra a seleção do Haiti, realizado em agosto de 2004, naquele país.
A sala reservada para a videoconferência, lá na Alemanha, estava cheia. Comissão técnica e muitos jogadores presentes, inclusive Rogério Ceni, que já criticou publicamente a corrupção protagonizada pelo PT. Entretanto, estavam todos ali para responder ao Presidente Lula, somente - era expressamente proibido perguntar. A já conhecida falta de habilidade de Lula em pensar antes de falar acabou fazendo com que tocasse num tema que já está dando "pano para manga". Do Palácio do Planalto, em Brasília, ao lado a mulher, Marisa Letícia, e do ministro dos Esportes, Orlando Silva, o Presidente, querendo dar uma de "enturmado", perguntou ao técnico Carlos Alberto Parreira sobre o atacante Ronaldo: " Ele está gordo ou não está gordo?" O treinador foi polido na resposta: "O Ronaldo está muito forte. Já não é mais aquele garotinho e mudou o biótipo (sic) ".
Ronaldo que, com febre e de repouso, não esteve presente à videoconferência, não gostou de saber por seus colegas da pergunta feita pelo Presidente. No dia seguinte, na hora do almoço, reunido com alguns repórteres disparou: " Ele (o Presidente) não deveria ter perguntado isso. Deve estar sendo influenciado pelo que sai na imprensa. Assim como nós somos em relação a ele. Na verdade nós também gostaríamos de perguntar muitas coisas ao Presidente ". "O que, por exemplo?", perguntou um repórter da TV Bandeirantes. Ronaldo deu um sorriso de lado e se saiu muito bem: "A imprensa vive dizendo que ele (o Presidente) bebe pra caramba. Ele bebe? Tanto é mentira que eu estou gordo como deve ser mentira que ele bebe pra caramba".
Na verdade, Ronaldo frisou que era proibido fazer perguntas ao Presidente na videoconferência. E que, se fosse possível, todos nós (brasileiros, no caso) gostaríamos de lhe fazer muitas perguntas. O sorriso de lado e o olhar do jogador expressaram muito bem a que tipo de perguntas ele estava se referindo. É por isso que, diante da insistência do repórter, bem ao contrário de Lula – que não pensa antes de falar -, Ronaldo saiu-se com a estória da bebida. Mostrou que sabe jogar muito bem fora de campo também.
Seria ótimo se a Seleção Brasileira fosse ganhando os jogos, animando a torcida aqui no Brasil e chegasse à vitória final, sagrando-se hexacampeã e, como na Copa de 1994, quando abriram uma faixa dedicando a conquista do mundial ao então recentemente falecido Ayrton Senna, nosso herói da Formula 1, levantassem, este ano, uma outra faixa dizendo: " Essa Vitória E Mais Essa Estrela São Verde E Amarela. Não Vermelha".
Christina Fontenelle
9/06/2006
Ah! Tá bom, agora eu entendi! O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, mais conhecido como advogado do PT, esteve com o controlador do Opportunity, Daniel Dantas, no último dia 17, para mais um daqueles famosos encontros “vamos esquematizar”, na casa do Senador Heráclito Fortes (PFL-PI), um dos coordenadores da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), supostamente de oposição.
Nessa altura do campeonato, “esquema” já não é mais novidade. Mas, na casa da oposição?! Na verdade, quando o nome do ex-Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi o escolhido do PSDB para disputar a próxima eleição presidencial, que eu costumo chamar de eleição para o cargo de Supervisor-Chefe da Venda do Brasil, ficou uma estranha sensação de precipitado suicídio político.
Afinal, o que poderia estar passando pela cabeça daqueles que comandam o PSDB ao escolher um candidato cuja filha mais velha, por exemplo, a jovem advogada Sophia Alckmin (25 anos), é gerente de novos negócios da Daslu, a butique mais chique do Brasil (envolvida em escândalos de sonegação fiscal)? “Chiqué” esse, aliás, que vai de encontro ao símbolo mor da “pobreza no poder” (ainda que há muito tempo falsa) que é o candidato da oposição, Luiz Inácio Lula da Silva - uma bandeira, inegavelmente mais popular.
Isso para não falar do escândalo que, já em setembro de 2005, levantou a suspeita de que a filha do ex-governador teria agilizado a concessão do chamado "regime especial" à Daslu, através do qual várias lojas do complexo passaram a utilizar um único caixa para realizar as cobranças e emitir os respectivos comprovantes fiscais - mecanismo que seria utilizado pela empresa para burlar a fiscalização e sonegar impostos. E ainda outras coisas que vão pipocando aqui e ali, como vestidos da Primeira-Dama e ligações “naturebo-acupunturísticas” entre as famílias de Alckmin e de seu guru oriental, o médico Jou Eel Jia, cujos filhos têm em comum uma empresa de produtos naturais, que vem lucrando com o receituário do doutor e com a fama que o acupunturista vem desfrutando desde que sua revista, a "Ch"an Tao", recebeu R$ 60 mil em publicidade da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, em 2005, e que um convênio com a Secretaria Estadual de Educação, assinado em novembro de 2003, permitiu o treinamento de professores em técnicas de meditação chinesa.
Eu diria que talvez tenha havido um pouco de má vontade em relação aos trabalhos de seleção dos possíveis pré-candidados do PSDB, uma vez que havia alguns bons nomes como os do Senador Arthur Virgílio (Amazonas) e do Deputado Federal Gustavo Fruet (Paraná) que tiveram uma boa projeção nacional depois da atuação na CPI dos Correios e em outros inúmeros episódios que suscitaram suspeitas de corrupção envolvendo o governo do PT nos quatro anos de governo. Propaganda gratuita da qual muitos souberam tirar proveito, como é o caso da Senadora Heloísa Helena, que será candidata à Presidência pelo PSOL.
Enfim, boa parte dos que costumam analisar o que se passa no universo da política e que não têm compromisso nem financeiro nem ideológico com Lula, candidato à reeleição, partiu para apoiar o que parecia ser a única opção capaz impedir a provável permanência do atual Supervisor-Chefe da Venda do Brasil no cargo que ocupa, por mais 4 anos.
Outros ficaram calados. Alguns perderam tempo analisando pesquisas, relacionando probabilidades e elocubrando sobre possíveis coligações político-partidárias. Outros permaneceram calados. O tempo foi passando e começaram a surgir os primeiros questionamentos um pouco mais sérios sobre os erros e acertos na opção do PSDB. O melhor deles, na minha opinião, foi o da jornalista Liliana Pinheiro, da Primeira Leitura, no artigo “O Zen-Nadismo” (http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=7419). E ainda outros continuaram calados.
Entretanto, depois do episódio do dia
Parece que o PSDB lançou um candidato que não se empenha em apoiar, para fingir que pretende emplacar o próximo nome na presidência da República. Não pretende. Em nome daqueles para os quais governam (as transnacionais globalistas), precisam deixar que Lula (que governa para as mesmas entidades) fique mais 4 anos na presidência (que eu insisto em chamar de cargo de Supervisor-Chefe da Venda do Brasil).
Alckmin circula pelo país mendigando apoio e clamando por uma notoriedade que nunca chegará porque a mídia permanece dando uma cobertura, digamos, institucional ao que faça ou fale o candidato – aquela que a gente chama de “pronto, já divulguei a nota!”, que entra nos intervalos do que se considera notícia. A não ser quando se trata de falar sobre o suposto envolvimento do candidato em falcatruas ou para criticar seu posicionamento em relação aos grandes acontecimentos nacionais, como no caso da tomada da Petrobras pela governo de Evo Morales, na Bolívia, ou no da tomada de SP por ataques do crime organizado. Nestes casos, as declarações de Alckmin são enfadonhamente polidas e previsíveis: “este é um assunto suprapartidário, de interesse nacional, que não pode ser usado para disputas eleitorais... etc.”.
O próprio Ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, sempre em destaque na mídia e que já apareceu numa série de programas de entrevistas, entre eles o Programa do JÔ (Globo) e o Canal Livre (Bandeirantes), só fala de Alckmin e/ou cita seu nome, se não puder referir-se a ele com um genérico “PSDB”.
Sobre as íntimas e ocultáveis relações entre PSDB e PT, como se os dois partidos não estivessem comprometidos com um projeto de continuidade de venda e esquerdização do Brasil, a maior das pistas (os jovens diriam que foi “a maior bandeira”) foi dada por Jorge Lembo, atual Governador de São Paulo, por ocasião da reação do governo do Estado aos ataques do crime organizado (que insistem em dizer – as autoridades e a mídia - estarem somente sob a batuta do PCC, graças ao telefone celular).
Lembo e Lula orquestraram, em perfeita sintonia, a manobra que matou dois coelhos com uma só cajadada: expuseram ao mundo, uma SP que disseram ser refém do mau governo de Alckmin e ainda culparam a mitológica figura da burguesia branca. É bem verdade que, ao mesmo tempo, xingaram todos os pobres do Brasil de criminosos, mas isso não causa desconforto aos dois personagens, uma vez que têm absoluta convicção da burrice e da ignorância da pobretalha que costumam usar como objeto de manobra para acondicionar o país aos moldes que precisam para se eternizar no poder.
Vale esclarecer um detalhe. Quando Lula se refere às elites ou Lembo à burguesia branca, não estão a falar daqueles mega-empresários de negócios lícitos e ilícitos que estão por trás do financiamento do projeto de poder da esquerda comuno-populista, ou dos que se beneficiam dele e que por isso tem seu silêncio comprado. Na verdade, estão falando do que ainda resta de pequenos e médios empresários, de profissionais liberais razoavelmente bem sucedidos e daqueles que a duras penas (muito trabalho e muito estudo) conseguiram bons empregos no funcionalismo público, nas empresas nacionais ou nas multinacionais. Ou seja, estão se referindo aos que trabalham e pagam impostos. É esse pessoal que eles querem que fique num patamar de igualdade (nivelado por baixo, é claro) com o que chamam de massa pobre do país. São deles os bens e o dinheiro que querem usurpar para dividir.
Então, ficamos assim: no circo da falso-democracia-populista, os brasileiros descobrem que não têm em quem votar e, pior que isso, são obrigados a ir às urnas para corroborar essa falsidade democrática escancarada.
Christina Fontenelle
24/05/2006
Evo Morales faz a festa na Bolívia. O índio subiu assustadoramente na opinião pública boliviana, e nas eleições para a Assembléia Constituinte da Bolívia, que será eleita em 2 de julho, vai fazer a maioria que precisa (no caso, esmagadora) para modificar a Constituição boliviana nos moldes da que foi feita na Venezuela.
Já se sabe que Morales vem ameaçando expropriar terras de estrangeiros, ainda que produtivas. Dias (2 ou 3, no máximo) antes da eleição, ele cumprirá a ameaça, que cairá como uma bomba no colo de Lula: expropriará as terras dos brasileiros que plantam soja - responsáveis por toda a exportação agrícola boliviana. Escândalo e indignação no Brasil!
O Governo brasileiro reage assim que Morales tiver assegurado a maioria na Assembléia, depois das eleições – quem sabe até no mesmo dia, depois da apuração. Lula vai à televisão, em rede nacional, e fala que, diante da gravidade dos fatos, tomou a difícil decisão de cortar relações diplomáticas e comerciais com a Bolívia ( o que inclui a importação de gás e acaba de vez com o dinheiro da Bolívia), e alerta para os tempos de dificuldades que os industriais paulistas terão, pois precisarão substituir o gás boliviano.
Diante de reação tão contundente, a Bolívia volta atrás, mas não apenas como tem feito ultimamente, com blá blá blá de foi tudo um mal-entendido. Desta vez, “humildemente”, o índio não só confessa ter passado dos limites, como também, “em consideração ao bom samaritanismo com que foi tratado por Lula, durante toda a crise com a Bolívia”, fará muito mais que isso: devolverá a Petrobrás e as terras expropriadas a seus donos - até mesmo a siderúrgica do Eike.
Os “brasileiros” saem às ruas, com camisas verde-amarelas, e bandeiras vermelhas, saudando a coragem do Presidente e a derrota das pretensões do índio boliviano – que agora volta ao lugar que lhe cabe. Desta vez, ninguém terá medo de ir às ruas, já que as comemorações serão bastante incentivadas pela grande parte da mídia vendida e já sabidamente parceira de Lula e do PT, mostrando uma enchente de matérias de gente cantando, brincando e sorrindo. Quem sabe, até a vitória do Brasil na Copa do Mundo já esteja pra lá de “acertada” para dar um quê a mais de embevecimento popular, fazendo com que Lula e vitória estejam associados no “consciente coletivo” daqueles que irão às urnas, logo ali, em outubro de 2006. Um show de populismo cubano-chavista!
Enquanto isso, Lula, Chávez e Morales, em Cuba, ao lado do grão-mestre Fidel, comemoram o sucesso dos planos do Foro de São Paulo, às gargalhadas dos súditos idiotas.
Quem avisa amigo é! Para que isso não venha a acontecer só há uma chance: escancarar os planos antes que venham a se concretizar – colocar a boca no mundo!
Christina Fontenelle
15/05/2006
Tem gente que diz que Deus é brasileiro. Olha, no fundo, a gente sabe que não é; mas que “milagres de última hora” sempre acabam livrando esse país de males maiores, isso lá tem parecido ser verdade sim, e eles vêm acontecendo na história do Brasil, desde que os portugueses informaram ao mundo que haviam descoberto esta terra em que hoje vivemos.
Não é que quando parecia que os planos do Foro de São Paulo estavam sendo concretizados, um por um, e o Brasil caminhava para uma situação em que talvez fosse difícil evitar um conflito armado para retomar os caminhos da democracia, um índio boliviano resolve deixar de lado “essa balela de gramscianismo” e partir para uma ação tribal – mais de acordo com a sua personalidade e com a sua maneira de entender o mundo. Nada mais coerente. O índio avisou...
O Presidente da Bolívia, Evo Morales, pensa que comanda uma tribo, dentro de uma imensa reserva florestal muito rica em petróleo e gás. Cansou de trocar sua riqueza por espelhos e miçangas. O índio fez uma confusão danada com toda essa teoria revolucionária que colocaram na cabeça dele e, como diria um famoso personagem de novela, “foi logo para os finalmente”: nacionalizou a exploração dos negócios de petróleo e de gás e ocupou com tropas do Exército boliviano os campos de produção das várias empresas estrangeiras, inclusive os da estatal brasileira Petrobras.
O que há de bom nisso? Trouxe os planos do Foro de São Paulo (inclusive para aqueles que fingiam ignorar a sua existência) para as primeiras páginas dos jornais do mundo todo, ainda que sob as manchetes da nacionalização. Ficará difícil para o colega Luiz Inácio Lula da Silva fingir que, junto com a turma do Foro (Fidel, Chávez, Kirchner, etc.), não tenha se empenhado pessoalmente (e financeiramente) para colocar Evo Morales na presidência da Bolívia – há um imenso arquivo de imagens e declarações espalhadas pela imprensa. Não haverá análise da situação que possa fugir do contexto do Foro de São Paulo.
Cai o pano que encobria as verdadeiras intenções de homens como Hugo Chávez que, à frente de Fidel Castro, pretende fazer da América Latina uma agremiação populisto-ditatorial a serviço do que chamam anti-imperialismo norte-americano. Com o dinheiro do petróleo venezuelano, Chávez vem financiando a ascensão de líderes comunistas (todos participantes do Foro de São Paulo), disfarçados de democratas, para formar a grande aliança latino-americana. Todos esses líderes governam sob as orientações e para os objetivos do Foro. São Chefes de Estado que passam por cima dos interesses de seus países para favorecer os objetivos da revolução bolivariana.
No caso do Brasil, os problemas com os investimentos da Petrobras, na Bolívia, vêm se arrastando há mais de um ano (aliás, desde os primeiros investimentos da empresa brasileira, ainda sob o governo de FHC, em 1995). Para as operações da Petrobras, na Bolívia, o Brasil não possui acordo de proteção de investimentos, que são controladas por uma subsidiária holandesa - PIB-BV. Este procedimento resguarda capitais aplicados mutuamente entre os signatários, fixando garantias de que o investidor poderá recorrer a uma corte internacional para se defender e reivindicar ressarcimentos. Por outro lado, como a Holanda possui acordo de proteção com a Bolívia, a Petrobras poderá se valer disso.
“Temos um acordo de confidencialidade com a Bolívia para não fazer debates públicos” – foi a frase proferida por José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, no final de março deste ano, referindo-se a um pacto de camaradas estabelecido entre ele e Evo Morales, quando estiveram
O Presidente da Bolívia havia garantido que o Brasil receberia tratamento preferencial no processo de renegociação de contratos de concessão das jazidas de gás e de petróleo, como também no de comercialização dos produtos. Parece que as coisas mudaram e, agora, para os venezuelanos, os brasileiros são imperialistas, que sempre trataram a Bolívia como uma “colônia". Será verdade alguém mudar tão rapidamente de posição assim? Tudo parece levar a crer que Hugo Chávez tenha traído o camarada Lula, já que, depois da reunião com Evo Morales e Fidel Castro, em Havana, ficou decidido que quem assumiria os investimentos estatizados da Petrobras na Bolívia seria a PDVSA - estatal venezuelana. O caso pode afetar as negociações para a aquisição e socorro à Varig, que interessava aos venezuelanos, e também a ajuda de Chávez para a campanha de Lula, para a qual já teria doado U$ 4 milhões.
Senhores, cabe uma reflexão: estaria o índio imbuído de espírito suicida? Estaria Hugo Chaves abrindo mão da parceria com o Brasil do camarada Lula? Acho que não. Talvez as coisas sejam diametralmente opostas a aquilo que pareça óbvio.
Não me parece que, também nesse caso, o Presidente não soubesse de nada. O problema não é tão repentino assim. Por outro lado, a diplomacia brasileira apóia, ainda que não oficialmente, a nacionalização de setores estratégicos por parte do governo boliviano. O Itamaraty sempre fez questão de deixar claro que o governo brasileiro não estava preocupado com o processo de nacionalização dos recursos naturais da Bolívia. O pacto de silêncio entre a Petrobras e Evo Morales se deu exatamente dentro deste contexto. Não há verossimilhança no quadro de gravidade que se apresenta diante dessa crise entre Bolívia e Brasil.
Há poucos dias, esteve em destaque no noticiário a expulsão da empresa siderúrgica do empresário brasileiro Eike Batista, a EBX, do território boliviano. O Governo de Lula ficou em “cima do muro” e disse que havia questões de legalidades envolvidas, coisa e tal... A EBX saiu da Bolívia e ainda corre o risco de não recuperar nem ao menos o material que ficou por lá. O fato é que o episódio deu o que falar e escandalizou a opinião pública brasileira, que pôde perceber que talvez haja coisas bem piores do que “mensaleiros” e “quebras de sigilo bancário”. Enfim, desviou um pouco o foco das atenções da imprensa da “quadrilha petista”. Imaginem se o caso fosse com a Petrobras? Bom, agora foi com a Petrobras.
Bem, então, ou o Presidente da Bolívia destruiu o trabalho de anos de idealização e construção do projeto de poder dos movimentos populisto-comunistas para a América - Latina, com um jeito suicida e tresloucado de ser, ou as conseqüências que cito abaixo se auto-explicam:
Bem, eu tenho certeza de que o tal “milagre” que tem salvado o Brasil, “aos 45 do segundo tempo”, em questões de grande aflição nacional, vai acontecer sim, só que ainda não foi dessa vez.
Christina Fontenelle
2/05/2006
Por Trás do Óbvio II
No primeiro artigo eu levantei uma suspeita. Agora, podemos ter certeza. Depois da publicação do artigo de Olavo de Carvalho, “Os Inventores do Mundo Futuro” (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4819), e de receber algumas informações, foi só juntar a fome com a vontade de comer.
Resumo: “nada dos acontecimentos políticos locais pode ser explicado sem referência ao novo esquema de poder que está se formando no planeta... O apoio descarado das fundações globais bilionárias a movimentos revolucionários como o MST é o fato fundamental que vai determinar o destino nacional nos próximos anos... o sucesso no plano do Foro de São Paulo, a implantação da URSAL, União das Repúblicas Socialistas da América Latina, não somente não se opõe em nada aos objetivos do globalismo, mas contribui decisivamente para eles, fomentando uma integração regional...” (Olavo de Carvalho). Junte-se a isso, a seguinte informação: para controlar os negócios com o “ouro negro”, as oligarquias globalistas, sob a figura de Hugo Chávez, preparam-se para criar uma grande e única empresa, fundindo a PDVSA (Venezuela), a YPFB (Bolívia) e a Petrobras.
A grande questão nisso tudo, pelo menos para quem gosta de “filosofar” é saber se todos os homens que estão por trás destas manobras globalistas tem consciência do que estão fazendo ou se são meros inocentes úteis, já que seus discursos não combinam em nada com os resultados finais daquilo que estão contribuindo para construir, uma vez que, como bem disse o artigo de Olavo de Carvalho, a América Latina ficará sempre e cada vez mais dependente dos bancos internacionais – o que não condiz com os sonhos megalômanos de hiperliderança de homens como Hugo Chávez, por exemplo, que pretende ser rei e não súdito.
No artigo anterior, eu disse que o Foro de São Paulo não estava em crise coisa nenhuma e que tudo se resolveria com a intervenção “conciliadora” do Presidente da Venezuela. Disse também que o Palácio do Planalto e o Itamaraty apoiavam as nacionalizações de Evo Morales, na Bolívia. Portanto, em nada surpreendeu a decisão do Governo de sentar à mesa para discutir a melhor solução comercial para a Petrobras (e para o Foro) diante do fato consumado. As pessoas não entendem, a oposição grita no Congresso e na imprensa, mas de nada adiantará. Disse também, no artigo, que Hugo Chávez não sairia da estória como traidor – e não sairá.
A nota do Palácio do Planalto não deixa dúvidas: “a decisão do governo boliviano de nacionalizar as riquezas de seu subsolo e controlar sua industrialização, transporte e comercialização é reconhecida pelo Brasil como ato inerente à sua soberania”. Até mesmo as organizações dos trabalhadores do setor petrolífero apóiam a decisão da Bolívia de expropriar uma parcela dos bens de empresas estrangeiras no país, segundo o próprio coordenador da Fundação Única dos Petroleiros (FUP) que disse que a decisão de Evo Morales é legítima e sábia. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já adiantou que a empresa não vai parar de operar na Bolívia, apesar da expropriação de partes de seus bens. Segundo ele, o aumento de impostos sobre a produção e comercialização de gás incidiria apenas sobre o mercado interno boliviano, não pressionando o preço do gás boliviano distribuído no Brasil - de modo que a Petrobrás terá, sim, uma perda de rentabilidade, mas somente naquele mercado.
Morales já garantiu que o Brasil não terá nenhum problema com o abastecimento de gás e que os preços não vão subir assustadoramente, como temem alguns empresários brasileiros. Nessa estória toda, bem pior do que a do Brasil está a situação do Chile, que não receberá nem um metro cúbico sequer do gás boliviano, enquanto não atender às já antigas reivindicações da Bolívia de uma saída para o mar.
O Presidente Lula, que sempre governou pelo e para o Foro de São Paulo não surpreende ao dizer que aquele “povo sofrido da Bolívia” tem todo o direito de ter mais poderes sobre suas riquezas, embora também tenha dito, para parecer que governa em prol do Brasil, que "o fato de os bolivianos terem direitos não significa negar o direito do Brasil" e completou: "Não vamos descobrir uma arma qualquer na Bolívia para justificar uma briga com o país", em óbvia referência à principal razão alegada pelo Presidente dos EUA, George W. Bush, quando invadiu o Iraque com tropas militares norte-americanas.
Nas comemorações do Dia do Trabalhador, Lula, discursando na igreja matriz de São Bernardo do Campo, disse que o seu julgamento “não pode ser feito pelo baixo nível da disputa pela imprensa, tem que ser feito pelo comportamento do povo. São vocês que vão julgar quem é quem na política brasileira”. Bem, senhor Presidente, como se já não bastasse tudo o que nós brasileiros já tenhamos visto a seu respeito, agora, depois da sua lamentável e indisfarçável demonstração de subserviência a interesses supranacionais, certamente ficamos sabendo um pouco mais sobre quem é quem.
Já está mais do que na hora de entendermos, de uma vez por todas, que o antiamericanismo do qual Hugo Chávez é o porta-voz – na linha direta de sucessão de Fidel Castro –, na América Latina e Caribe, é o mesmo do qual são vítimas a sociedade e o Estado norte-americanos, que devem e precisam ser dissolvidos em nome do Império Global. Como é quase lei que os governantes que se sucedem no governo dos EUA sejam homens compromissados com as oligarquias globalistas, eles acabam por confundir o mundo em relação a o que seja feito em nome do Estado norte-americano (e em prol deste) com aquilo que é praticado e orquestrado em nome dos globalistas.
“Por enquanto, a multidão ainda não atinou com a unidade estratégica por trás de mutações catastróficas de escala global que aparecem na mídia idiota como frutos espontâneos da metafísica do progresso. Aos poucos, a identidade dos agentes por trás do processo vai aparecendo...” (Olavo de Carvalho)
Christina Fontenelle
3/05/2006
O Documentário “Falcão – Meninos do Tráfico”, de MV Bill e de Celso Athayde, com edição de imagens, produção executiva, roteiro e edição final da Rede Globo é muito bom sim. Não há dúvidas de que foi um trabalho difícil, sério e realista. Não se propõe a abranger todos os problemas do tráfico, nem todos os problemas das favelas e nem todos os aspectos da violência urbana. Limitou-se a mostrar a vida de um grupo específico de pessoas que trabalham para o tráfico e vivem sob sua influência direta. Foi perfeito: conciso, direto e, dispensando explicações, deixou que o discurso dos personagens e as imagens falassem por si mesmas. O trabalho, sem dúvidas, merece respeito.
Entretanto, não há como fazer análises sociológicas, filosóficas ou religiosas conclusivas a partir somente do filme
Infelizmente, poucas coisas ainda podem chocar o telespectador brasileiro, que assiste diariamente nas telas de TV a uma infinidade de atrocidades bárbaras que são mostradas nos telejornais e nos filmes de ficção. No caso específico do que foi mostrado no documentário, o filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e o seriado Cidade dos Homens, da Rede Globo, já mostraram situações parecidas e outras tantas até bem piores.
E é uma pena que este filme seja exibido somente agora, com anos de atraso, numa sociedade onde já esteja acontecendo o que falei, no artigo anterior a este - TRANSFORMADO PELO COITADISMO - sobre os fenômenos decorrentes do coitadismo inconseqüente que tomou conta das diretrizes políticas, econômicas e sociais dos sucessivos governos deste país. E é uma pena também que o documentário chegue às telinhas nas circunstâncias em que o choque que poderia provocar nas pessoas seja infinitamente menor do que o que provocam as atrocidades ditatoriais cometidas pelo atual “Desgoverno” do PT. Violar o sigilo de uma conta bancária à revelia de qualquer autorização judicial, provando estarem as Instituições TODAS a serviço de um partido que está no Governo, constitui muito mais perigo e gravidade para o país do que o que foi visto no filme de MV Bill.
Algumas considerações são importantes a respeito do que se viu, ou do que não se viu, no documentário. E, naturalmente, sobre o momento escolhido para exibí-lo:
O “cara” (o MV Bill) é bom. É do tipo que nasceu com os genes da inteligência e, por isso mesmo é bom, forte, talvez até bem intencionado. O trabalho que ele já incentiva e gostaria que fosse feito nessas comunidades é o mesmo que milhões de brasileiros gostariam de ver realizado e até mesmo de fazer por conta própria. Bill diz que não sabe como resolver o problema, que acredita que ninguém saiba mais o que nem como fazer. Mas, o que todo mundo sabe, com certeza, e inclusive ele, pela sua inteligência, é que não há muito mesmo o que se possa fazer, enquanto essas comunidades estiverem sob o domínio do crime. É imperativo que o crime saia para que a sociedade e o Estado possam entrar.
Culpar toda a sociedade pelo atual estado de coisas é muito fácil, mas esse discurso já não convence mais ninguém. “Toda a sociedade uma vírgula!”. Há milhares de cidadãos que trabalham neste país que doam anualmente 4 meses de salário para que o governo trate de melhorar a vida não só outros dos cidadãos, mas de toda a população. Sem falar que o brasileiro assalariado paga imposto de renda sobre uma coisa que efetivamente não é renda – é salário – e ainda é extorquido com taxas criadas “emergencialmente” (mas que na realidade nunca são extintas) para fins específicos, como a CPMF, por exemplo, que acabam tornando-se instrumentos de arrecadação para outras finalidades que não as que deram origem à sua criação.
Periodicamente a população vai às urnas renovar os quadros políticos na esperança de que alguma coisa mude. São vítimas indefesas de mentirosos compulsivos e inimputáveis – não só por não cumprirem o que prometeram, mas por roubarem mesmo. Que poder tem a sociedade, hoje em dia, sobre o que é imposto – veiculado - pela mídia? Essa sim tem posturas extremamente duvidosas em relação ao que seria indispensável à construção de uma sociedade livre e mais saudável. Toda a sociedade “uma ova”! Incluam-se a mídia e os políticos inescrupulosos, as ONGs (financiadas por oligarquias globalistas), os cidadãos desonestos (do pobretão ao mega-empresário) e o Estado omisso e condescendente. Entretanto, excluam-se aqueles que trabalham e cumprem com as obrigações de cidadão. E excluam-se também aqueles que há anos vêm levando fama de “reacionários de direita” por estar denunciando as práticas de todos os “incluídos” – diga-se de passagem sem nenhum apoio moral e muito menos financeiro de mega-empresas como a Globo.
Quando o rapper disse aos jornais que as comunidades precisam ser invadidas pelo exército, “não o Exército das Forças Armadas, mas por exércitos de professores, de ONGs e de gente querendo ajudar”, correu o risco de associar seu trabalho à campanha revanchista da mídia contra as FFAA. E é claro que todos nós supomos que não seja esse o objetivo – do MV Bill, pelo menos, porque, quanto à Rede Globo, a campanha contra as FFAA já é pública e notória e, é lógico, a emissora não poderia perder a chance de usar um trabalho desses como mais uma de suas covardes ofensivas, mais especificamente contra as investidas do Exército, nas duas últimas semanas, em várias favelas da cidade, buscando encontrar armas roubadas de um quartel. Muitas pessoas até chegaram a acreditar que essa teria sido a “hora certa”, escolhida pela emissora, para transmitir o documentário, para rechaçar, de vez, a idéia, tão apoiada pela população, de usar as FFAA no combate ao narcotráfico.
Mas, não se enganem, a Globo apenas uniu o útil ao agradável e não dispensou a oportunidade, mesmo que isso pudesse abalar a seriedade e deturpar as reais intenções do documentário. Os motivos da exibição do filme, neste exato momento histórico, poderiam ser bem mais maquiavélicos do que parecem. É só parar e racionalizar “tudo, ao mesmo tempo, agora”:
Se: 1) as favelas são Estados paralelos governados pelo tráfico, sem que nenhuma força policial possa acabar com essa situação... 2) nenhum aparato estatal pode resolver o problema da violência e da exclusão das crianças e jovens que vivem nessas comunidades...3) as centenas de ONGs que desempenham o papel de intermediárias entre as comunidades e os Estados, realizando uma infinidade de projetos em prol das pessoas que ali habitam, provaram já, em tantos anos de trabalho, que não dão conta de solucionar o problema...4) o trabalho voluntário de tantos cidadãos, muitos deles bem conhecidos, apesar de sua extrema importância, não consegue dar conta de tanta carência...5) à nenhuma das crianças “abandonadas” poderá ser dada uma família...6) a intervenção militar das FFAA é condenada pela mídia, pelas ONGs, pelo Ministério Público, etc...Qual será o próximo primeiro pensamento: Por que essas pessoas simplesmente não param de ter filhos que não podem criar?
Pode ser por aí! Talvez seja exatamente para onde queiram direcionar o pensamento da população. Vários artigos veiculados no MSM já têm alertado sobre as pesadas investidas da esquerda internacional globalista em campanhas mundiais para a legalização do aborto. Podem estar preparando terreno...Quem viver, verá!
Christina Fontenelle
23/03/2006
A classe média brasileira tem que parar de ter vergonha de assumir seus valores, seus objetivos e proclamar, orgulhosa, aos quatro ventos, seu direito de existir, passando a valorizar e a exercer os poderes que de fato tem. No limite entre ascensão e queda, se não se mobilizar – agora – caminhará inexoravelmente para a extinção.
Na infinidade de cálculos e tabelas que tentam desenhar o quadro social do Brasil, parece haver a recusa em descrever o óbvio (mesmo que, semanticamente, isso pareça redundância): a classe média, como costumava ser identificada, em três categorias (alta, média e baixa) está desaparecendo. A polarização está cada vez mais evidente e ficaria bem mais de acordo com a realidade se as estatísticas revelassem apenas duas classes – os ricos e os pobres – com suas respectivas subdivisões. Teríamos, então, numa ponta, três categorias: milionários, ricos e emergentes; e, na outra ponta, quatro categorias: sobrevivente, pobre-emergente, pobre-decadente e miserável. Sendo que o abismo que separa os emergentes, da primeira classe, dos sobreviventes, da segunda, é gigantesco.
Não se trata apenas de um fenômeno financeiro. A ascendência do pensamento e dos valores socialistas sobre a mídia, as religiões e as instituições de ensino - do maternal ao doutorado – fez com que a classe média perdesse sua identidade, na medida em que suas aspirações sócio-econômicas passaram a entrar em confronto direto com o pensamento filosófico dominante, disseminado pela ditadura do politicamente correto – que amordaça e algema aqueles que pretendem partir da realidade, dos fatos e da natureza humana, para buscar caminhos mais justos e eficazes na solução dos conflitos da vida em sociedade.
Instalou-se a cultura do apadrinhamento parasitário dos pobres, como se fossem seres inferiores e incapazes, por natureza, e a da desaprovação da riqueza, como se ela fosse, em si, representativa do gosto pela injustiça social. A idealização da pobreza como símbolo de desprendimento e como provedora de nobreza espiritual está tão longe da realidade quanto desmerecer os méritos e esforços pessoais que possam conduzir a um conseqüente enriquecimento – exigindo, de indivíduos assim, a redistribuição “justa” de sua riqueza e não, dos governos, as mesmas oportunidades e recursos.
A mesma lógica de distorção da realidade fez com que o Estado brasileiro se transformasse num instrumento ora de justiçamento social, através, principalmente, da atuação da Justiça do Trabalho, ora de extorção, praticando a cobrança de taxas e impostos nitidamente abusivos – tanto pela quantidade como pelo valor – sob o pretexto da redistribuição das riquezas. Quando, na realidade, deveria estar muito mais voltado para garantir o máximo de igualdade possível, em termos de oportunidades.
Senão, que tipo de justiça é essa que acha que ao Estado cabe dispor da riqueza alheia – fruto do trabalho e da disposição ao risco e que, ainda por cima, emprega e contribui para melhorar as condições de vida de muitas pessoas – para distribuí-las aos pobres, sem que a estes sejam dadas as condições para sair da posição de eternos pedintes? Só há uma explicação plausível para a perpetuação deste tipo de atuação estatal: há muita gente ganhando com essa intermediação do Estado entre capital, trabalho e mão-de-obra excedente. Não se pode dar ao juiz a faculdade de criar as leis. Mas, isso já é outro assunto.
A discriminação da riqueza deixou livre a sua busca para os que, em sua maioria, são desprovidos de ética, de honestidade e de retidão de princípios. Sem o peso da culpa e de formação duvidosa, os novos ricos associaram a malandragem ao poder financeiro. Ao mesmo tempo, o desamparo por parte do Estado – por ausência, omissão ou por, muitas das vezes, até atrapalhar – explica, embora não justifique, o fato de que muitos dos que enriqueçam, neste país, soneguem impostos ou pratiquem uma série de delitos fiscais, não somente para que o negócio sobreviva mas também por julgarem o sistema injusto.
A pobreza só é meritória e engrandecedora – posto que libertadora – quando é opcional. Desde o religioso que se despe de bens materiais para levar a palavra de Deus aos quatro cantos do mundo até o sujeito que simplesmente quer levar a vida na “flauta”. São opções pessoais. Fora desse contexto, a pobreza não tem nada de belo ou enobrecedor – ao contrário: é triste, sofrida e castradora. Embora não seja, isoladamente, causadora de desvios de conduta, quando acompanhada de falta de instrução e de oportunidades, em um ambiente onde impere a “Lei do Cão”, é sim deformadora de conceitos pré-estabelecidos socialmente, como certo e errado ou justo e injusto.
Nesse balaio de desencontros, a riqueza nunca foi tão parecida com a pobreza em termos de visão de mundo e de incorporação, ao seu cotidiano, da prática corrente de delitos considerados permitidos, cada um em seu universo. A imagem do rico esforçado e trabalhador e a do pobre ingênuo, indefeso e honesto estão cada vez mais distantes – não é à toa que a evidência de qualquer um dos dois vira notícia. E a classe média? O que resta dela está flutuando no abismo cada vez maior entre os emergentes e os sobreviventes.
Assistindo, paralisada de horror, à sua transformação de profissional liberal ou servidor público, intelectualizado, em força-de-trabalho especializada, desprovida de recursos que lhe possibilitem acesso aos meios de aprimorar seu grau de instrução, trabalhando apenas para ter casa e comida, a classe média ainda não conseguiu sair do estado de letargia, embora comece a dar os primeiros sinais de conscientização em relação ao seu status de refém do pensamento socialista de esquerda e de vítima da ditadura do politicamente correto.
Sufocada pelo achincalhamento permanente de seus valores, sobrecarregada de impostos e abandonada pelo Estado, graças aos computadores domésticos e à Internet, a classe média vem formando guetos de resistência e começa a perceber que, apesar de ter respeitado a riqueza e de ter se solidarizado com a pobreza, não obteve o mesmo, em contrapartida, agora que se vê necessitada. Está só. Sua única chance de sobreviver está nas condições que ainda dispõe de buscar a verdade dos fatos e de encontrar uma maneira de se despir dos pudores que sente em se assumir como classe especificamente caracterizada, sem status de intermediária.
Um bom começo seria apropriar-se das técnicas de trabalho de defesa das minorias – coisa que o que resta da classe média já se tornou há muito tempo – e partir para colocar no Congresso, através do voto, candidatos que se declarem abertamente como defensores de seus interesses – coisa, aliás, bastante difícil, uma vez que envolvem, quase sempre, questões “politicamente incorretas”, como a valorização da família e dos princípios cristãos, o desmascaramento daqueles que insistem em fazer do Brasil um país de racistas e também daqueles que querem impor ao povo o delírio comunista – gentilmente apelidado de socialismo – e ainda outras, mais complexas, como combate ao assistencialismo, redimensionamento salarial, valorização da instrução como meio de ascensão sócio-econômica, etc.
Uma coisa é certa: não existem mais anjinhos inocentes no paraíso social. É cada um por si e a quem couber mais perspicácia e inteligência será dada a chance de concorrer à vitória. Ou a classe média sai do ostracismo ou desaparecerá do mapa social brasileiro.
Christina Fontenelle
Jornalista
17/01/2006
Quando Lula venceu as eleições presidenciais, a máxima do partido era dizer que a esperança tinha vencido o medo. Hoje, já se sabe que foram a lavagem cerebral socialista e a mentira que venceram a lucidez e o discernimento. Foi a colheita de anos de permissividade à pregação ideológica comunista. Não havia mais medo a ser vencido, mas uma ignorância a ser conquistada. O medo, agora sim, é que mantém o governo do PT onde está. A falta de escrúpulos, a atuação mafiosa, o poder de coerção e as provas que o partido vem dando de seu profundo domínio sobre as instituições e as áreas de poder acovardam as oposições, calam os intelectuais e impõem ao povo a inércia da desesperança.
Diante da resistência do governo perante o desmascaramento de sua atuação criminosa, com a conivência das instituições e de boa parte dos nossos duvidosos formadores de opinião, o medo de reagir soma-se à capacidade de fuga, característica da sobrevivência individual, permitida pela ilusão materialista de certa estabilidade econômica. Alimentar os donos do capital com o que lhes convém – o dinheiro – compra seu silêncio e o salvo-conduto para continuar agindo, mesmo que um dia seja para destruí-los, antes que possam esboçar reação.
Como bem disse o presidente Lula, Palocci é fundamental – não se referindo especificamente à esta missão, é claro, mas ao engodo da manutenção da estabilidade econômica. O ministro passou no teste da falta de confissão assinada, como a única prova que poderia incriminá-lo, em relação ao seu envolvimento em alguns graves casos de arrecadação ilegal de dinheiro para o PT. Se não passasse, poderia ser afastado sob pretexto de discordâncias com Dilma e Alencar. Palocci é imprescindível para manter o silêncio e a ilusão do capital, mesmo diante do terrível quadro de corrupção e do visível crescimento do populismo comunista na América Latina.
O custo da omissão – o que, nesse caso, infere um caráter de conivência - daqueles que poderiam agir, em bloco, para desestruturar o verdadeiro esquema de assalto ao poder, por parte dessa esquerda comunisto-populista, é a entrada do país num caminho de retrocesso inimaginável, em todos os níveis e setores da sociedade, com conseqüências desastrosas, na medida de seu grau de irreversibilidade. Dos fenômenos econômico-sociais que estão ocorrendo, em completa oposição aos desejados rumos que levariam ao desenvolvimento de primeiro mundo, o Brasil vem transformando sua classe média em força-de-trabalho desintelectualizada, os pobres em arma de luta de classes e mudando de mãos o dinheiro, que transforma em ricos, cada vez mais, os agentes da ilegalidade e da pobreza intelectual, de berço ou adquirida.
O medo, a sensação de impotência, a certeza da imputabilidade criminal dos envolvidos em escândalos de corrupção e a “descompensação” da honestidade e do crescimento intelectual vão se alastrando pela sociedade brasileira, como tão certos quanto a morte – incombatíveis –, calando e paralisando, um a um, aos que esboçam reação, acovardando até mesmo instituições inteiras, abafando os ecos da verdade suja que todos, bem lá no fundo, sabem qual é. Almas vendidas ou vencidas inventando realidades e afazeres para fugir da culpa e justificar a consciente covardia.
Ainda há os que acreditem que o PT e associados deixarão o poder pelas urnas. Pois convém que comecem a refletir que não foi à toa que o PT passou pelo vexame de engolir a esmagadora vitória do SIM, no referendo sobre um dos artigos do Estatuto do Desarmamento. Serviu para duas coisas: 1) foi o teste para saber que o partido vai precisar de muito mais do que discursos, bolsa família e mentiras para se perpetuar no poder, através do resultado das urnas; 2) criou um forte argumento para sustentar a segurança das verdadeiras caixas-pretas que são as urnas eletrônicas, sem voto impresso – esse assunto, que sempre repito, ainda é tabu, no Brasil, merece um artigo só para ele. Juntando-se a isso, não se pode esquecer do afastamento “blindado” de Delúbio Soares, Silvinho Pereira e José Genoino. José Dirceu continua na ativa e voltará – é só aguardar.
Se houver fraudes nas eleições de 2006, será muito difícil tomar alguma atitude para reverter seu resultado. Argumentos fortes para garantir, com verossimilhança, a legitimidade do resultado das urnas, não faltarão, pois foram construídos com o sacrifício de cortes na própria carne. Não se sabe, com segurança, o grau de penetração do PT e associados no secretíssimo mundo da programação das urnas eletrônicas – cada vez mais fechado e inacessível. Auditorias e conferências, sob às ordens do Judiciário, não são mais garantias de vitória da justiça.
Estão aí os entraves enfrentados pelas CPIs, para confirmar o que há de mais duvidoso em relação à independência do Judiciário, que muitas vezes tem atuado francamente como instrumento advocatício do PT. Casos de fraudes em documentos bancários, como os do Banco Rural, por exemplo, que não poderiam ter acontecido, sem a participação, ou mesmo devido a uma ineficiência imperdoável do Banco Central, eram uma possibilidade impensável antes deste governo; e aconteceram, até agora, impunemente.
O brasileiro entra em 2006 com gosto amargo de retrocesso, impotência e abandono, vítima dos caminhos socialisto-populistas de governantes que atuam em função dos objetivos e interesses supranacionais do Foro de São Paulo, aguardando a implosão completa dos sonhos de liberdade democrática e de economia de mercado, em vias de se tornar um grande bloco socialista latino-americano, que certamente se renderá às forças imperialistas da esquerda internacional – sejam elas norte-americanas ou chinesas.
Na economia, a despeito das reportagens intencionalmente otimistas e da divulgação dos resultados de pesquisas que quase sempre escondem dados que acabam por distorcer a verdade, a realidade das ruas mostra uma situação sintomática de países que estão bem longe dos chamados desenvolvidos. A época das festas de Natal e Ano Novo é o termômetro de como andou a vida econômica do povo durante o ano. E o resultado não contrariou o óbvio: a economia informal e a ilegal cresceram a olhos vistos, provocando a falência do pequeno, médio e até do grande empresariado, empurrando mesmo alguns para a prática de ilegalidades.
O Natal foi magro e a maratona de comércio, aberto 24 horas, nos últimos dias que antecederam à comemoração, foi inútil. Dessa vez, as pessoas não compraram nem na última hora – o que prova que não foi a falta de tempo e sim a de dinheiro que afastou o povo das lojas. As ruas de comércio popular venderam milhões em mercadorias que, pelo baixíssimo preço, colocam em cheque suas procedências e o tipo de mão-de-obra utilizado em suas confecções. Em termos de preço, não existe como concorrer legitimamente com essa espécie de mercadoria e, em tempos de desemprego e escassez, não há como impedir que haja pessoas que busquem ganhar seu sustento, lidando com este tipo de atividade e nem tampouco como impedir outras tantas de comprar em locais que ofereçam a única opção de consumo que efetivamente caiba em seus orçamentos.
Um círculo vicioso que enriquece a ilegalidade e destrói as possibilidades da construção de uma economia de mercado, legal e sólida, que fomente o desenvolvimento, em cascata, de toda a sociedade. É o preço que o atual governo impõe a toda a sociedade brasileira, à revelia de seus sonhos e interesses, para construir o bloco retrógrado-socialista latino-americano. O dinheiro que vem mudando de mãos, ao longo dos últimos anos, é conseqüência do desencontro entre progresso econômico individual e legalidade.
Quando a nobreza perdeu seu status financeiro, e conseqüentemente o poder, para a burguesia, no final da Idade Média, foi por causa de mudanças estruturais no modo de vida e do desenvolvimento “tecnológico” do mundo – que não pára e está sempre
O Brasil de hoje é o retrato dessa inversão de valores, que caminha para o lado oposto do que já foi o desejo de construir, aqui, as condições para a realização do “sonho americano”. O brasileiro entra em 2006, com passagem comprada para 1917, sem esperança, sem opção de um candidato à presidência, que quebre esse círculo vicioso de corrupção e atraso, e à espera de um milagre.
Termino com um trecho do artigo de Arnaldo Jabor, “Só Nos Restam As Maldições”: “Malditas sejam também as "consciências virginais" , as mentes "puras" que se escandalizam com os horrores, mas nada fazem; malditos os alienados e covardes, malditos os limpos, os não culpados, os indiferentes, que se acham superiores aos que sofrem e pecam; malditos intelectuais silenciosos que ficam agarrados em seus dogmas e que preparam a espúria reeleição dessa gente e a chegada posterior dos populistas e falsos evangélicos mais sórdidos do País!”
Christina Fontenelle
Jornalista
28/12/2005
O mundo pensa que o Brasil está em franco desenvolvimento, com economia em expansão e que o governo do presidente Lula é um sucesso. O homem que mentiu e ludibriou toda uma nação e que é o eleito das esquerdas internacionais globalizantes como pólo aglutinador e propagador de seus ideais e metas na América Latina, pretende continuar no poder ainda por longo tempo.
Lá fora, os gringos pensam que Lula não foi atingido pelas denúncias de corrupção. Nem passa pela cabecinha deles que, mesmo que nada tenha sido provado contra o presidente, nem tanto por falta de evidências, mas sim por falta de empenho da oposição e pelo comprometimento das instituições, sua simples ignorância ou conivência já seriam suficientes para incapacitá-lo para o cargo de representante máximo da nação.
Há algum tempo, em declaração à Folha, o embaixador do Brasil em Portugal, Paes de Andrade, ex-deputado e peemedebista que apoiou Lula em 2002, disse: "A oposição está investigando e batendo duro no governo há cinco meses. E não pode dizer nada do presidente. Ele não foi comprometido
Logo depois das primeiras denúncias, eu já havia escrito um artigo falando da plena certeza de impunidade que demonstravam as expressões faciais de todos os envolvidos do PT. Definitivamente temos que concordar que eles estão conseguindo se sair muito bem. Por mais que haja gritos de indignação por parte das pessoas mais esclarecidas do país, eles parecem inócuos. Em breve e enquanto ainda for possível, os incomodados terão que eleger outro país para viver, porque o Brasil parece não ter mais salvação mesmo.
A roubalheira é menos aviltante que a manipulação e as mentiras usadas pelo governo para se manter no poder. A cada dia nossa inteligência é francamente insultada com fatos, omissões e estatísticas distorcidas. É humilhante ser brasileiro.
É vergonhoso, também, ver, a cada dia, políticos fazendo concessões como quem transmite ao povo a seguinte mensagem: diante da impotência, achei melhor ceder, porque de nada adiantará perder tudo que tenho, por vocês.
Na pizza gigante preparada pelo Governo, Roberto Jefferson foi derretido como queijo de grife e Paulo Maluf é azeitona importada. Os dois ingredientes são emblemáticos: que sirvam de lição – ai de quem denunciar e de quem roubar, se não for com e para o PT. José Dirceu foi para casa, para dar uma espécie de cala boca à opinião pública – continua levando a vida normalmente, sem imputações financeiras e muito menos legais.
E por aí vai...Como o tempo e a verdade são implacáveis, nossa vingança é que o governo Lula entrará para a história como a “República da Mentira”. E, em se podendo perdoar sua primeira eleição como fruto de engodo, no caso de reeleição não caberá mais complacência com eleitores iludidos – que paguem, e caro, por sua burrice.
Christina Fontenelle
Jornalista
14/10/2005
O ano de 2005 vai terminando com a economia estagnada, sem investimentos, urgentíssimos por sinal, em infra-estrutura e com os sistemas de educação e saúde abandonados. O desgoverno do PT parou o país, num assalto ao erário e no corrompimento das instituições nacionais, espalhando a discórdia, ao destilar o veneno da luta de classes, muitas vezes sob a máscara da cultura do politicamente correto. Enquanto engana o capital internacional, cumprindo as metas dos organismos financeiros internacionais, o Partidão espalha suas raízes trotskistas por todo o país.
Seguros de sua sólida infiltração e militância, passeiam pelo poder como se fossem surdos às mais de 100 denúncias de corrupção que envolvem o PT, que somam milhões de dólares, aludindo que só seja válido como prova contra eles a confissão criminal assinada. Desfilam como inimputáveis aos olhos da lei e da sociedade. Impuseram o império da mentira, subestimando um mínimo de inteligência de toda uma população – que fizeram escrava do bolsa família, do salário de fome, da falta de perspectivas e da desinformação.
Nosso presidente brinca de casinha, falando em reeleição, defendendo a inocência de camaradas como José Dirceu e discursando sobre os números da economia. Fecha o ano com crescimento pífio e se vangloriando por ter reduzido a diferença entre a renda de ricos e pobres. Os primeiros empobreceram, enquanto o número de trabalhadores que ganham de
O que o presidente esqueceu de explicar é que quem ganha salário mínimo não tem como criar empregos. Já com os mais ricos é diferente: eles é que promovem a circulação do dinheiro do consumo, que fomenta o comércio, que, por sua vez, cria empregos, paga mais impostos e faz aumentar a produção industrial (ou agrícola), gerando mais empregos. Isso sem falar nos empregos domésticos que oferecem e nos impostos que pagam. Em outras palavras: quando os ricos empobrecem, toda a sociedade acaba perdendo. O ideal seria que a renda dos pobres tivesse aumentado em proporção maior que a dos ricos, sem que houvesse queda de padrão.
O Natal dos brasileiros será pobre de ceias, de presentes e de perspectivas. Segundo pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo), 32% dos consumidores não pretendem fazer compras neste Natal. A metade dos que pretendem ir às compras planeja gastar seu dinheiro com artigos de vestuário e calçados – mesmo assim, por absoluta necessidade, já que não puderam comprar quase nada nos últimos 2 anos. Dentre as mil pessoas entrevistadas, em 70 municípios, de nove regiões metropolitanas do país, 600 estão trabalhando na informalidade e, por isso, não receberão 13° salário. Prevendo esta situação o comércio investiu em facilidades de pagamento, aumentando o número de parcelas do crediário – o problema é que nem prestação de crediário cabe mais no orçamento dos brasileiros.
Enquanto isso, mesmo depois de ter enfrentado a destruição deixada por três grandes furacões e os aumentos do preço do petróleo, o Presidente norte-americano, George W. Bush - “imperialista”, “terroristo-maníaco” e “incompetente”, segundo todo o segmento da mídia financiado, direta ou indiretamente, por G. Soros, não só nos EUA, mas no mundo – conseguiu fechar o ano premiando os americanos com um crescimento econômico de 3,8%, no terceiro trimestre de 2005 e com um PIB que cresceu cerca de 4,3%. Mesmo assim, conforme noticia incessantemente a mídia brasileira, 62% dos americanos desaprovam o governo de Bush. É, devem mesmo desaprovar as cores das gravatas do Presidente, porque seria muito difícil de acreditar que estivessem insatisfeitos com a fartura que têm tido este Natal – os americanos estão comprando como nunca e realimentando o ciclo de crescimento econômico.
Já na bem mais próxima, não só física como também ideologicamente, Venezuela, Hugo Chavez comemorará sua permanência no poder, nas festividades de fim de ano – seguindo os passos de seu ídolo e amigo Fidel Castro. Como se sabe, lá, as oposições se recusaram a concorrer às eleições, por já terem sentido, na própria pele, a vulnerabilidade das urnas eletrônicas, sem voto impresso, em relação a resultados fraudulentos (no Brasil ainda é assunto intocável). Os lucros do petróleo financiam o populismo de Chavez, que gasta exorbitâncias em armamentos e no aparelhamento da militância bolivariana. Para o povo da Venezuela, Chavez distribui discursos, em que culpa os EUA pela miséria do país. Neste Natal, os venezuelanos, diante da pobreza, cearão palavras regadas a ódio anti-americano.
Quando o Presidente Bush esteve no Brasil, em recente visita, deixou bem claro que havia dois caminhos a escolher para traçar o futuro de países como o Brasil: economia de mercado e democracia ou populismo socialista. À revelia dos brasileiros e ignorando anseios nacionais, o PT arrasta o país para a segunda opção, numa trajetória da qual, se conseguir sair, levará anos para se recuperar. Nesse arrastão, a Venezuela entra para o Mercosul, levando consigo, na figura de Hugo Chavez, os projetos do Foro de São Paulo, definindo “mui claramente”, o caminho escolhido pelo governo brasileiro. Só não enxerga quem não quiser.
Assim, este é o presente de Lula, aos brasileiros, neste Natal: populismo retrógrado ditatorial, disfarçado de democracia. Enquanto isso, a primeira dama, Dona Mariza, e filhos pediram, e conseguiram, cidadania italiana – provavelmente, se tudo der errado para o PT, é na Itália que Lula e família passarão o resto de seus dias. Os brasileiros que fiquem por aqui, amargando muitos e muitos Natais como esse.
Christina Fontenelle
Jornalista
9/12/2005
Ao veicular, no Fantástico do dia 13/11, matéria sobre trotes aplicados a sargentos recém promovidos, no quartel do 20º Batalhão de Infantaria Blindado, em Curitiba-PR, a intenção da Rede Globo, foi demonstrar poder e reagir à enxurrada de críticas que recebeu, pelos ataques feitos às Forças Armadas, no mesmo programa, em 6/11.
O material não tem identificação de procedência nem de propósitos. Somente estes dois pequenos detalhes já seriam suficientes para que a matéria não fosse ao ar. Mas, como o objetivo estava acima de qualquer intenção de alerta, de esclarecimento ou de clamor por justiça, a reportagem mostrou ao que veio. O recado foi bem claro: a Rede Globo tem poder, vai dizer o que quiser e o que diz é levado a sério, mesmo que não seja verdade.
Em artigo anterior a este, “Reação ao Fantástico Ato Falho”, estariam bem respondidas e esclarecidas todas as intenções desta emissora, ao divulgar o material, se não fosse a ação, ocorrida logo depois e, no meu modesto ponto de vista, precipitada, do Comandante do Exército, de afastar o Comandante do 20º BIB de Curitiba. Por dois motivos: 1) atribui à Rede Globo um poder que ela não tem e que, muito menos publicamente, deveria parecer ter e 2) pune, mesmo que não legalmente, um comandante militar, antes das devidas investigações e por causa das denúncias de uma emissora que age pública, notória e intermitentemente no sentido de denegrir a imagem das FA.
Por outro lado, “esfrega na cara” do país inteiro uma atitude de providência imediata, no combate às irregularidades, mesmo que movidas por denúncias ainda não averiguadas. Coisa que não acontece, atualmente, em quase nenhum outro lugar do Brasil, principalmente no ambiente político - em especial, no atual governo.
Já está mesmo na hora das Forças Armadas encararem com mais seriedade o papel da Comunicação Social e das Relações Públicas em seus quadros. Vê-se que, neste terreno, suas noções de tática e estratégia estão bem longe da eficiência que mereceriam ter. Isso é uma crítica construtiva. No mundo de hoje, e acho que já há tempo suficiente, a propaganda e as estratégias de comunicação são a alma de todo negócio ou empresa bem sucedidos – no caso das FA, poderiam até ser decisivos numa guerra.
Se a intenção do Comando do Exército era a de não causar polêmica, colocando um ponto final no assunto, o mais rápido possível, errou redondamente. O tema está circulando pela mídia, com força total, contribuindo, inclusive, para desviar a atenção da população de fatos imensamente mais graves, como o são todos os que tratam da intentona comunista do PT – a mídia, em geral, e o governo costumam chamar este episódio da história recente do Brasil de “crise”.
Apareceram muitos indignados, saídos do enorme silêncio em que se encontravam, diante das denúncias de corrupção e da falência dos governos de esquerda no país. Chegou-se a comparar o trote com as torturas e humilhações aplicadas, por soldados americanos, aos prisioneiros iraquianos, na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Isso mesmo, nossos soldados que são mundialmente conhecidos por renderem respeito e tratamento digno a todos os civis e prisioneiros de guerra, onde quer que tenham estado pelo mundo, foram comparados àqueles soldados americanos – que, aliás, também, diga-se de passagem, já foram punidos.
Com todo o respeito, a nota do Comando do Exército deveria ter tomado os rumos da defesa, citando, por exemplo, inúmeros outros casos que aconteceram, infelizmente, no mundo civil, inclusive com finais bem mais trágicos, como conseqüência de trotes. E, naturalmente, deveriam terminar com as devidas referências às providências que seriam tomadas. Estaria mais de acordo com quem teria o dever de defender toda uma instituição e não de fazê-la assumidora de uma “carapuça” que, definitivamente, não lhe caberia.
A Folha de São Paulo (15/11) ouviu os sargentos envolvidos – coisa que deveria ter sido feita pelo Comando do Exército, antes de tomar as decisões que tomou.
O 20º BIB tem cerca de 900 soldados. Fica no bairro Bacacheri, norte de Curitiba. A 2ª Companhia, conhecida como Pantera, conta com 15 sargentos. Segundo a Folha, apenas três não participariam das constantes "brincadeiras", que teriam começado há dois anos, para comemorar o aniversário de um deles, com a participação de antigos sargentos, que já teriam ascendido na carreira. O soldo dessa patente é de R$ 1.254 brutos, o que significa cerca de R$ 800,00 líquidos.
Oito dos doze terceiros-sargentos da 2ª Companhia de Fuzileiros de Curitiba, identificados nos vídeos que foram ao ar, disseram à Folha, que não seriam novatos, que teriam se submetido ao trote voluntariamente e que, em várias "brincadeiras", teriam figurado no papel invertido – fato que caracterizaria uma encenação feita especialmente para a câmera. Na condição de voluntário, um deles exigiu a exclusão da sessão de afogamento e sua vontade teria sido respeitada. Na versão dos oito, o ferro de passar, que foi colocado nas orelhas dos "novatos" estaria frio, tanto que não teria deixado marcas, e os choques elétricos seriam de baixa amperagem.
Na entrevista, o grupo se exalta quando a pergunta é sobre se a inspiração vinha das prisões de Abu Ghraib (Iraque), em que soldados do Exército norte-americano torturavam prisioneiros iraquianos e as sessões eram filmadas. "Aqui ninguém sai ferido nem está preso", teria reagido o militar mais falante, segundo a Folha.
As imagens mostradas pela reportagem da Globo foram feitas pelo próprio grupo, em câmera digital, no dia 25 de agosto, quando se comemorava o Dia do Soldado. Os sargentos dizem ter feito apenas uma cópia, supostamente roubada e cedida à Rede Globo por alguém do quartel. "O que apareceu na reportagem é um mal-entendido. As imagens foram forçadas e distorcidas pela edição", declarou um sargento, que não foi identificado pela reportagem.
A Central Globo de Comunicação negou que tenha "forçado" a edição. Disse que a prática de tortura foi reconhecida pelo próprio Exército em uma nota no final da reportagem, na qual afirma que as imagens são "verídicas" e anuncia a abertura de sindicância para "apurar os fatos e punir os responsáveis". A Globo afirma ainda que dois especialistas atestaram a veracidade das imagens.
Entretanto, o que a emissora não esclarece, acredito que propositadamente, é que a nota em que o Comando Exército confirma a exis